No editorial da edição de Julho da agenda Sesimbr’Acontece, a vereadora da cultura, Felícia Costa, começa por dizer que durante muitos anos se cultivou a ideia «de que os espaços museológicos e os monumentos eram lugares para investigadores e eruditos», para acabar por salientar a democratização do uso destes espaços através da realização de diversos espectáculos e eventos nalgumas salas de visita nobres do concelho: o castelo, a Capela do Espírito Santo, a Fortaleza de Santiago. Pelo meio, Felícia Costa refere as alterações nas «estratégias de gestão» que conduziram à criação de «formas alternativas de olhar o património» e à «abertura de espaços à comunidade».
Por acaso, há uns anos atrás, o Castelo era um espaço restrito, sim senhor. Mas não por ser dominado por uma elite. Apenas porque o seu estado de abandono propiciou alguns furtos e assaltos aos que ousavam subir a encosta.
A fortaleza, de facto, sempre foi um espaço fechado, não devido aos «investigadores e eruditos», mas sim por causa de colónias de férias.
Por seu lado, a Capela do Espírito Santo também não esteve entregue a «investigadores e eruditos». Apenas esteve encerrada durante anos a fio, votada ao abandono.
Entretanto fizeram-se obras. No castelo e na capela... porque a fortaleza continua a definhar escondida atrás de placas identificativas e de cartazes de divulgação.
Depois temos os outros monumentos e espaços museológicos que ainda não foram abertos à comunidade como a Casa do Bispo, o Cabo Espichel, todo o património geológico e arqueológico e (ainda) temos as lojas de companha e muitos outros. Será que afinal é aí que se escondem os «investigadores e os eruditos».
29 de jun. de 2007
25 de jun. de 2007
Bom silêncio
A última edição do jornal ‘Notícias da Zona’ apresenta um balanço sobre o encontro ’30 Anos de Poder Local Democrático’, titulando sugestivamente a notícia: ‘Protagonismo não se exige, conquista-se’. O texto, assinado pela direcção do jornal critica a organização do evento, pela desorganização das intervenções e pela consequente redução do tempo que tinha sido atribuído a este jornal para falar sobre o tema ‘Turismo e Acessibilidades’. O desnorte no alinhamento, ao que parece, foi motivado por algumas intervenções dum ex-ex-presidente da Câmara Municipal de Sesimbra, Ezequiel Lino. O ‘Notícias da Zona’ ficou chateado. Pois claro que ficou chateado. E isso está desde logo patente na legenda da foto que ilustra a página: “Os presidentes da Câmara que, supostamente, fizeram história no que hoje é o Concelho de Sesimbra”. O “supostamente” é... significativo. Não diz... dizendo. Resta perceber qual dos cinco autarcas fotografados nos suscita mais suposições.
O texto da notícia, em si, não começa bem, dizendo que o evento teve lugar na “magnífica sala Carlos Sargedas”. Ora bem... é mais... “magnífica sala Mário Sargedas”. Mas eu própri@ não tenho grande memória para nomes. E, na generalidade do texto, sou forçad@ a concordar com o seu autor. Talvez se tenha errado no modelo de debate, na escolha ou disposição dos convidados, na organização do evento... Enfim, alguma coisa falhou. E, por causa disso, alguns oradores foram prejudicados pois não tiveram oportunidade de expôr a sua ideia, com princípio, meio e fim. Foi o que aconteceu ao ‘Notícias da Zona’ que utiliza este artigo para acrescentar o que ficou por dizer na sessão realçando as práticas turísticas que devemos aprender com os espanhóis, como a constante animação diurna e nocturna, e elogiando o projecto da ‘Mata de Sesimbra’, entre outras questões.
Quanto aos espanhóis e à forma como vendem o seu sol e constante animação diurna e nocturna, julgo que não temos, de facto, grande coisa a aprender. Sesimbra possui valores culturais próprios e não precisa de se transformar numa Benidorme, numa Marbelha, ou outros destinos que tais, porque com esses não tem sequer hipótese de rivalizar. Sesimbra tem de aprender a vender-se como Sesimbra e ponto final. Aprender com os outros não me parece uma má política, até porque o benchmarking está na moda. Mas no caso da costa espanhola na sua generalidade, a única coisa que devemos, é aprender com os seus erros.
Quanto a fazer depender o desenvolvimento turístico e económico de Sesimbra do mega-projecto imobiliário da Mata de Sesimbra é uma monumental asneirada.
Estou solidári@ com o ‘Notícias da Zona’ porque todos devem ter o direito de expressar a sua opinião, por muito idiota que ela seja. Mas não se arrelie muito com isso porque, pelos vistos, assim até ganhou uma boa oportunidade de estar calado. O poder local democrático também é feito de bons silêncios.
O texto da notícia, em si, não começa bem, dizendo que o evento teve lugar na “magnífica sala Carlos Sargedas”. Ora bem... é mais... “magnífica sala Mário Sargedas”. Mas eu própri@ não tenho grande memória para nomes. E, na generalidade do texto, sou forçad@ a concordar com o seu autor. Talvez se tenha errado no modelo de debate, na escolha ou disposição dos convidados, na organização do evento... Enfim, alguma coisa falhou. E, por causa disso, alguns oradores foram prejudicados pois não tiveram oportunidade de expôr a sua ideia, com princípio, meio e fim. Foi o que aconteceu ao ‘Notícias da Zona’ que utiliza este artigo para acrescentar o que ficou por dizer na sessão realçando as práticas turísticas que devemos aprender com os espanhóis, como a constante animação diurna e nocturna, e elogiando o projecto da ‘Mata de Sesimbra’, entre outras questões.
Quanto aos espanhóis e à forma como vendem o seu sol e constante animação diurna e nocturna, julgo que não temos, de facto, grande coisa a aprender. Sesimbra possui valores culturais próprios e não precisa de se transformar numa Benidorme, numa Marbelha, ou outros destinos que tais, porque com esses não tem sequer hipótese de rivalizar. Sesimbra tem de aprender a vender-se como Sesimbra e ponto final. Aprender com os outros não me parece uma má política, até porque o benchmarking está na moda. Mas no caso da costa espanhola na sua generalidade, a única coisa que devemos, é aprender com os seus erros.
Quanto a fazer depender o desenvolvimento turístico e económico de Sesimbra do mega-projecto imobiliário da Mata de Sesimbra é uma monumental asneirada.
Estou solidári@ com o ‘Notícias da Zona’ porque todos devem ter o direito de expressar a sua opinião, por muito idiota que ela seja. Mas não se arrelie muito com isso porque, pelos vistos, assim até ganhou uma boa oportunidade de estar calado. O poder local democrático também é feito de bons silêncios.
18 de jun. de 2007
(in)compatibilidades?
É impressão minha ou temos uma (ex?) assessora da Câmara Municipal de Sesimbra a assinar textos no ‘Nova Morada’ constando já na ficha técnica do jornal?
Das três, uma: ou a assessora e a jornalista são homónimas; ou há alguém a exercer funções eticamente incompatíveis; ou a Câmara perdeu uma assessora, o que talvez já lhe permita angariar mais uns trocos para trazer mais uma “truta” ao João Mota.
Das três, uma: ou a assessora e a jornalista são homónimas; ou há alguém a exercer funções eticamente incompatíveis; ou a Câmara perdeu uma assessora, o que talvez já lhe permita angariar mais uns trocos para trazer mais uma “truta” ao João Mota.
13 de jun. de 2007
Flops: não há dois sem três
Em 2005, depois de ter sido eleito, o actual executivo da Câmara Municipal de Sesimbra não cumpriu uma das suas promessas eleitorais: elaborar um orçamento participativo. Justificaram-se com a falta de tempo. Os três escassos meses que distavam da tomada de posse até ao final do ano não eram suficientes, isto apesar de a composição do executivo se ter mantido duma forma geral, com excepção da alteração das cadeiras onde cada um se sentava.
Em 2006, este mesmo executivo alterou substancialmente o seu conceito de prazos temporais e considerou que três meses era mais que suficiente para dar cumprimento à promessa. À pressa, de forma atabalhoada, promoveram-se debates com a população que tiveram lugar entre o final de Outubro e Novembro. Essas reuniões foram um desastre, os documentos de apoio só desajudavam. Das reuniões nada saiu e, findo o processo, o “orçamento participativo”... não era.
Em 2007, a autarquia apresenta um novo formato com o qual promete ultrapassar as falhas verificadas no ano anterior; «um modelo mais adequado às necessidades do concelho», dizem. Como tal, foi fixada para este Orçamento Participativo a verba de 500 mil euros do orçamento total da Câmara, distribuída com base na extensão territorial das freguesias e do número de eleitores. Segundo o presidente da Câmara tem anunciado, esta verba destina-se a «obras de pequena envergadura», ou seja, aquilo que a população é chamada a debater não é o orçamento, mas este “orçamentinho” para tapar buracos. Cada um é convidado a participar na reunião agendada para o local onde exerce o seu direito de voto e onde explica o que faria com o dinheirinho que a Câmara caridosamente lhe disponibiliza. Não é por acaso que os debates realizados, 12 no total (coisa pouca), não têm mobilizado a população. O processo é complexo e desmotivador. A par disto lançaram a campanha “Eu também decido”, pouco eficaz embora bastante panfletária, que de pedagógico tem muito pouco.Parece-me que depois das justas críticas com que este executivo foi confrontado em 2005 e 2006 quis, desta feita, montar um esquema tão certinho, tão quadrado, que se esqueceu do principal: criar um modelo adequado às necessidades e características do concelho e que de “Orçamento Participativo” tem muito pouco. A população é agora convidada a debater “peanuts”, com o mealheirinho que a Câmara entrega a cada área territorial. Infelizmente, é este o entendimento que a maioria que gere a autarquia tem de “orçamento participativo”.
Em 2006, este mesmo executivo alterou substancialmente o seu conceito de prazos temporais e considerou que três meses era mais que suficiente para dar cumprimento à promessa. À pressa, de forma atabalhoada, promoveram-se debates com a população que tiveram lugar entre o final de Outubro e Novembro. Essas reuniões foram um desastre, os documentos de apoio só desajudavam. Das reuniões nada saiu e, findo o processo, o “orçamento participativo”... não era.
Em 2007, a autarquia apresenta um novo formato com o qual promete ultrapassar as falhas verificadas no ano anterior; «um modelo mais adequado às necessidades do concelho», dizem. Como tal, foi fixada para este Orçamento Participativo a verba de 500 mil euros do orçamento total da Câmara, distribuída com base na extensão territorial das freguesias e do número de eleitores. Segundo o presidente da Câmara tem anunciado, esta verba destina-se a «obras de pequena envergadura», ou seja, aquilo que a população é chamada a debater não é o orçamento, mas este “orçamentinho” para tapar buracos. Cada um é convidado a participar na reunião agendada para o local onde exerce o seu direito de voto e onde explica o que faria com o dinheirinho que a Câmara caridosamente lhe disponibiliza. Não é por acaso que os debates realizados, 12 no total (coisa pouca), não têm mobilizado a população. O processo é complexo e desmotivador. A par disto lançaram a campanha “Eu também decido”, pouco eficaz embora bastante panfletária, que de pedagógico tem muito pouco.Parece-me que depois das justas críticas com que este executivo foi confrontado em 2005 e 2006 quis, desta feita, montar um esquema tão certinho, tão quadrado, que se esqueceu do principal: criar um modelo adequado às necessidades e características do concelho e que de “Orçamento Participativo” tem muito pouco. A população é agora convidada a debater “peanuts”, com o mealheirinho que a Câmara entrega a cada área territorial. Infelizmente, é este o entendimento que a maioria que gere a autarquia tem de “orçamento participativo”.
12 de jun. de 2007
Site CMS
Visitei pela primeira vez o site da Câmara Municipal de Sesimbra que está ainda em fase experimental, como fazem questão de anunciar logo na homepage. Mas, depois de tanto aguardar a inauguração deste espaço há muito anunciado, aquilo que nos oferecem é... uma navegação turbulenta e enjoativa. Não me refiro, como é óbvio, a aspectos técnicos, mas sim informativos. Este é... e algo que me diz que continuará a ser, o calcanhar de Aquiles do actual executivo.
Ora vejamos...
Comecemos pelo que escrevem sobre a Carta Educativa do concelho: « (...) a Câmara Municipal de Sesimbra avançou para a elaboração da primeira Carta Educativa do Concelho. Contou para isso com a parceria do Conselho Municipal de Educação e com o trabalho dos técnicos da Autarquia». Não se estarão a esquecer aqui de ninguém? Ou melhor, duma certa e determinada empresa? Omitir não é mentir. Omitir, neste caso, é desinformar.
Noutra área do site é feita uma breve descrição dos diversos espaços culturais existentes no concelho. Não pude deixar de estranhar o facto de referirem que o ‘Espaço Atlântico’ «foi inaugurado a 25 de Junho de 2007». Algo que «foi» em data que ainda há-de vir é... curioso.
O site refere ainda os principais acontecimentos culturais. E pegando numa barbaridade que já uma vereadora tinha escrito algures, repetem que a ‘Exposição Internacional de Artes Plásticas’ cumpre o objectivo de «globalizar a expressão cultural e contrariar o obstáculo da interioridade». Dizer isto uma vez é mau, mas voltar a repetir é... asnice! «Globalizar a expressão cultural»?! «Interioridade»?! Deve ter sido nesta tirada brilhante que um certo e determinado ministro se inspirou para dizer que a margem sul é um deserto.
Bom, pela amostra junta, o melhor é não ir mais longe na exploração deste site. Continuem a mandar postais pois pode ser que dia acertem.
Ora vejamos...
Comecemos pelo que escrevem sobre a Carta Educativa do concelho: « (...) a Câmara Municipal de Sesimbra avançou para a elaboração da primeira Carta Educativa do Concelho. Contou para isso com a parceria do Conselho Municipal de Educação e com o trabalho dos técnicos da Autarquia». Não se estarão a esquecer aqui de ninguém? Ou melhor, duma certa e determinada empresa? Omitir não é mentir. Omitir, neste caso, é desinformar.
Noutra área do site é feita uma breve descrição dos diversos espaços culturais existentes no concelho. Não pude deixar de estranhar o facto de referirem que o ‘Espaço Atlântico’ «foi inaugurado a 25 de Junho de 2007». Algo que «foi» em data que ainda há-de vir é... curioso.
O site refere ainda os principais acontecimentos culturais. E pegando numa barbaridade que já uma vereadora tinha escrito algures, repetem que a ‘Exposição Internacional de Artes Plásticas’ cumpre o objectivo de «globalizar a expressão cultural e contrariar o obstáculo da interioridade». Dizer isto uma vez é mau, mas voltar a repetir é... asnice! «Globalizar a expressão cultural»?! «Interioridade»?! Deve ter sido nesta tirada brilhante que um certo e determinado ministro se inspirou para dizer que a margem sul é um deserto.
Bom, pela amostra junta, o melhor é não ir mais longe na exploração deste site. Continuem a mandar postais pois pode ser que dia acertem.
23 de mai. de 2007
Folha de couve, o Regresso
Há muito que não comentava aqui as pérolas publicadas no boletim municipal. E, de facto, este último merece não passar despercebido. Sobre a parca referência que é feita por esta publicação à Festa das Chagas, pouco mais haverá a acrescentar ao que já foi escrito no blogue Magra Carta. Não posso, porém, deixar de sublinhar o último parágrafo da nota que o ‘Sesimbra Município’ dedica ao assunto. Segundo este boletim, «durante as festividades, teve lugar a tradicional feira», e todos percebemos, como bons entendedores, que se estão a referir ao arraial, como sempre foi chamado, embora, verdade seja dita, o seja cada vez menos. Por fim, limitam-se a acrescentar que no «stand da autarquia foram apresentados alguns dos projectos que irão transformar Sesimbra nos próximos anos». Resumindo, a festa ficou reduzida, neste boletim, a uma breve nota em página par, sendo que metade do texto não diz nada sobre a festa propriamente dita, e a outra metade fala do stand da autarquia.
Na página 9 brindam-nos com mais uma pérola. Na breve intitulada ‘Junta na internet’, que noticia o novo site da Junta de Freguesia de Santiago, termina-se dizendo: «Idosos, crianças e estudantes também terão o seu lugar na página, como adiantou Félix Rapaz, presidente da autarquia»... Ai se o arquitecto vê isto...
Por outro lado, quase que como resposta a um post anterior que aqui publiquei, os responsáveis pelo boletim decidiram inserir uma fotografia do outro lado da manifestação contra o encerramento do SAP. Ou seja, já não nos aparecem apenas o recém-nomeado «presidente da autarquia», Félix Rapaz, nem o verdadeiro presidente da autarquia, Augusto Pólvora de braços cruzados, e mais dois ou três. Agora sim, há população reunida à beira da estrada. Embrulhem!
Continuando na saúde, o boletim fala duma acção de protesto que terá tido lugar ontem, organizada pela comissão de utentes da Quinta do Conde, apesar da informação de que a construção do centro de saúde avançaria ainda este ano. Sobre isto escrevem que «os utentes vão manter o protesto (...) para protestar». Bom, outra coisa não seria de esperar. Embora, como já se percebeu, há protestos pela saúde que podem servir para outras coisas. O importante é ter lá sempre um fotógrafo a jeito que apanhe a população reunida à beira da estrada e não... o outro lado. Assim, até parece que o protesto teve mesmo como principal objectivo... protestar.
Há também uma notícia sobre a hasta pública dum terreno na Avenida dos Náufragos, onde a autarquia pretende levantar mais um bocadinho de betão para turistas e 340 lugares de estacionamento. A sua construção, escrevem no boletim, vai exigir uma «remodulação» dos acessos existentes. Fiquei sem perceber se a ideia é mesmo remodelar ou voltar a modular. Seja como for, a intenção é meter mais prédios em cima da praia. Continuo sem perceber porque raio ainda chamam “arranha-céus” ao outro!Enfim, muito mais haveria para dizer, mas o texto já vai longo. Já agora... se querem ler má prosa, passem os olhos pelo artigo sobre a quinzena do peixe-espada preto.
Na página 9 brindam-nos com mais uma pérola. Na breve intitulada ‘Junta na internet’, que noticia o novo site da Junta de Freguesia de Santiago, termina-se dizendo: «Idosos, crianças e estudantes também terão o seu lugar na página, como adiantou Félix Rapaz, presidente da autarquia»... Ai se o arquitecto vê isto...
Por outro lado, quase que como resposta a um post anterior que aqui publiquei, os responsáveis pelo boletim decidiram inserir uma fotografia do outro lado da manifestação contra o encerramento do SAP. Ou seja, já não nos aparecem apenas o recém-nomeado «presidente da autarquia», Félix Rapaz, nem o verdadeiro presidente da autarquia, Augusto Pólvora de braços cruzados, e mais dois ou três. Agora sim, há população reunida à beira da estrada. Embrulhem!
Continuando na saúde, o boletim fala duma acção de protesto que terá tido lugar ontem, organizada pela comissão de utentes da Quinta do Conde, apesar da informação de que a construção do centro de saúde avançaria ainda este ano. Sobre isto escrevem que «os utentes vão manter o protesto (...) para protestar». Bom, outra coisa não seria de esperar. Embora, como já se percebeu, há protestos pela saúde que podem servir para outras coisas. O importante é ter lá sempre um fotógrafo a jeito que apanhe a população reunida à beira da estrada e não... o outro lado. Assim, até parece que o protesto teve mesmo como principal objectivo... protestar.
Há também uma notícia sobre a hasta pública dum terreno na Avenida dos Náufragos, onde a autarquia pretende levantar mais um bocadinho de betão para turistas e 340 lugares de estacionamento. A sua construção, escrevem no boletim, vai exigir uma «remodulação» dos acessos existentes. Fiquei sem perceber se a ideia é mesmo remodelar ou voltar a modular. Seja como for, a intenção é meter mais prédios em cima da praia. Continuo sem perceber porque raio ainda chamam “arranha-céus” ao outro!Enfim, muito mais haveria para dizer, mas o texto já vai longo. Já agora... se querem ler má prosa, passem os olhos pelo artigo sobre a quinzena do peixe-espada preto.
14 de mai. de 2007
Porque andam eles tão caladinhos
O jornal ‘Sol’ noticia na sua edição de Sábado que o actual presidente da Câmara Municipal de Oeiras «continua a ser investigado pelo Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), num inquérito relacionado com a viabilização de um empreendimento na zona protegida na mata de Sesimbra, quando era ministro das Cidades, no Governo de Durão Barroso».
O semanário adianta ainda que «o primeiro inquérito terminou há três semanas, com a decisão do Ministério Público de acusar formalmente o autarca de Oeiras, a sua irmã, Floripes, o jornalista Fernando Trigo e dois empresários, João Algarvio e Mateus Marques». Os arguidos têm agora 20 dias para «requererem ao tribunal a abertura da fase de instrução e rebaterem as acusações, mas até agora ainda nenhum o fez».
Ora, assim se percebe porque o caso da ‘Mata de Sesimbra’, onde um grupo imobiliário e uma Câmara querem construir uma cidade, foi deixado a marinar durante longos meses, depois de concluído o polémico e atabalhoado processo de discussão pública do plano de pormenor da zona sul desta área. Apesar do rol de irregularidades e processos mal resolvidos que envolvem o caso, o presidente da Câmara Municipal de Sesimbra, Augusto Pólvora, assumiu, publicamente, o projecto como seu e defendeu-o nas referidas sessões com unhas e dentes, lado a lado com os promotores.Portanto, se a coisa correr mal, só se pode esperar que os defensores do projecto, que assentam todo o desenvolvimento estratégico deste concelho única e exclusivamente no projecto imobiliário da Mata, saibam daí tirar as devidas conclusões. A queda dum processo desta dimensão não pode não ter consequências.
O semanário adianta ainda que «o primeiro inquérito terminou há três semanas, com a decisão do Ministério Público de acusar formalmente o autarca de Oeiras, a sua irmã, Floripes, o jornalista Fernando Trigo e dois empresários, João Algarvio e Mateus Marques». Os arguidos têm agora 20 dias para «requererem ao tribunal a abertura da fase de instrução e rebaterem as acusações, mas até agora ainda nenhum o fez».
Ora, assim se percebe porque o caso da ‘Mata de Sesimbra’, onde um grupo imobiliário e uma Câmara querem construir uma cidade, foi deixado a marinar durante longos meses, depois de concluído o polémico e atabalhoado processo de discussão pública do plano de pormenor da zona sul desta área. Apesar do rol de irregularidades e processos mal resolvidos que envolvem o caso, o presidente da Câmara Municipal de Sesimbra, Augusto Pólvora, assumiu, publicamente, o projecto como seu e defendeu-o nas referidas sessões com unhas e dentes, lado a lado com os promotores.Portanto, se a coisa correr mal, só se pode esperar que os defensores do projecto, que assentam todo o desenvolvimento estratégico deste concelho única e exclusivamente no projecto imobiliário da Mata, saibam daí tirar as devidas conclusões. A queda dum processo desta dimensão não pode não ter consequências.
11 de mai. de 2007
Amén Pólvora
O Jornal de Sesimbra noticia que a comunicação social não pôde assistir à reunião de Câmara em que foram aprovados, por unanimidade (e de que outra forma poderia ter sido?), o Relatório de Gestão e as Contas de 2006.
Apesar da impossibilidade de assistir ao debate, o jornal noticía que o presidente da Câmara, Augusto Pólvora, concluiu que o desempenho da autarquia, em 2006, foi «globalmente positivo» do ponto de vista financeiro. Por seu lado, os vereadores parceiros da coligação que gere a autarquia (leia-se... todos os outros que compõem o executivo, independentemente da sua cor partidária) sublinharam alguns pontos fracos gesta gestão: «o significativo decréscimo nas despesas de capital», «a total ausência de investimento no que diz respeito ao saneamento básico na freguesia do castelo que era tido como aposta principal para esta freguesia» e a falta de investimento «na criação de novas áreas verdes, bem como no ajardinamento de espaços exteriores e urbanísticos». Apesar de apontarem o dedo, na ‘hora H’, quando realmente interessa, deixam passar tudo por unanimidade na Câmara, é o “Amén” geral à política de Pólvora; uma atitude de inaceitável passividade e negligência por parte dos vereadores que há muito desistiram de fazer oposição, afirmando-se desenvergonhadamente coniventes com uma gestão que tem muitos defeitos.Nunca perceberei porque razão se gasta tanto com uma Recepção à Comunidade Educativa, ou porque é que o saneamento básico da maior freguesia do concelho (em área) continua a ser uma prioridade eternamente anunciada, e também porque continuamos a ser um concelho onde os parcos espaços verdes existentes parecem nascer apenas de negociatas de contrapartidas entre a autarquia e ‘Lidl’, ‘Plus’, ‘SuperSol’, e afins. Há demasiadas dúvidas para apenas deixar andar...
Apesar da impossibilidade de assistir ao debate, o jornal noticía que o presidente da Câmara, Augusto Pólvora, concluiu que o desempenho da autarquia, em 2006, foi «globalmente positivo» do ponto de vista financeiro. Por seu lado, os vereadores parceiros da coligação que gere a autarquia (leia-se... todos os outros que compõem o executivo, independentemente da sua cor partidária) sublinharam alguns pontos fracos gesta gestão: «o significativo decréscimo nas despesas de capital», «a total ausência de investimento no que diz respeito ao saneamento básico na freguesia do castelo que era tido como aposta principal para esta freguesia» e a falta de investimento «na criação de novas áreas verdes, bem como no ajardinamento de espaços exteriores e urbanísticos». Apesar de apontarem o dedo, na ‘hora H’, quando realmente interessa, deixam passar tudo por unanimidade na Câmara, é o “Amén” geral à política de Pólvora; uma atitude de inaceitável passividade e negligência por parte dos vereadores que há muito desistiram de fazer oposição, afirmando-se desenvergonhadamente coniventes com uma gestão que tem muitos defeitos.Nunca perceberei porque razão se gasta tanto com uma Recepção à Comunidade Educativa, ou porque é que o saneamento básico da maior freguesia do concelho (em área) continua a ser uma prioridade eternamente anunciada, e também porque continuamos a ser um concelho onde os parcos espaços verdes existentes parecem nascer apenas de negociatas de contrapartidas entre a autarquia e ‘Lidl’, ‘Plus’, ‘SuperSol’, e afins. Há demasiadas dúvidas para apenas deixar andar...
7 de mai. de 2007
Erros crassos
O jornal do Sesimbrense noticiou na capa da sua edição de 13 de Abril: ‘Judoca sesimbrense renova título europeu’. No seu último número, no entanto, o jornal desdiz o dito porque afinal a Telma Monteiro não pertence ao Grupo Desportivo de Sesimbra como noticiaram, nem tão pouco é sesimbrense.
Custa a crer como é que uma gralha desta dimensão passa num jornal, independentemente do seu tamanho, cor ou feitio.
Agora, em Maio, o jornal publica uma errata repondo a verdade dos factos. Não, a Telma não defende o “cerise” do GDS. Não, a Telma não é pexita.
Mas mais inacreditável que o erro, é o editorial que a directora do jornal, Isabel Peneque, lhe dedica. A frase com que abre a prosa é arrasadora: «Só não erra quem nada faz!» e continua: «Não, esses também erram porque em nada contribuem para o crescimento do País que, com eles também gasta dinheiro dos impostos dos outros!». Mais adiante, Isabel Peneque continua a sua furiosa crítica: «Por que razão, em vez de olharem para os seus próprios erros, se consomem a exibir e criticar os erros dos outros?»
Eu fiquei deliciad@ com esta abertura! Ora bem, vamos lá a ver se nos entendemos. Todo este episódio se passou nas páginas dum jornal que, por acaso, se orgulha de ser o jornal mais antigo do concelho. É também um veículo de informação que, em princípio, será credível. Como tal, é um espaço onde as pessoas esperam encontrar alguma verdade.
Ora, em vez de assumirem o erro, e de o rectificarem da melhor maneira possível de forma a esclarecer os leitores sobre a desinformação publicada, limitam-se a apresentar uma curta biografia da Telma Monteiro retirada da Wikipédia e a escrever um editorial acusatório sobre quem ousou apontar o dedo ao jornal pelo erro descabido cometido.
Apesar de todo o conteúdo do editorial, que não sei, nem quero saber, a quem se dirige, parece-me que Isabel Peneque está mais interessada em dar uma “respostinha” aos críticos do que em informar os leitores.
Como se não bastasse, a directora afirma-se empenhada em fazer do Sesimbrense um jornal melhor, mas responde que não pode «agradar a gregos e a troianos». Esta é nova para mim! Então mas é suposto um jornal agradar a alguém? Não existem objectivos maiores como aquele de ser «um quinzenário para defesa dos interesses do concelho»?
Eu não espero que o Sesimbrense me agrade. Espero apenas que me informe com credibilidade e com verdade. A confiança que tinha na informação do jornal tem sido traída e o último número foi um duro golpe. Há coisas que demoram muito tempo a construir mas que podem perder de um dia para o outro. Pois bem, está na hora de voltar a construir.
Custa a crer como é que uma gralha desta dimensão passa num jornal, independentemente do seu tamanho, cor ou feitio.
Agora, em Maio, o jornal publica uma errata repondo a verdade dos factos. Não, a Telma não defende o “cerise” do GDS. Não, a Telma não é pexita.
Mas mais inacreditável que o erro, é o editorial que a directora do jornal, Isabel Peneque, lhe dedica. A frase com que abre a prosa é arrasadora: «Só não erra quem nada faz!» e continua: «Não, esses também erram porque em nada contribuem para o crescimento do País que, com eles também gasta dinheiro dos impostos dos outros!». Mais adiante, Isabel Peneque continua a sua furiosa crítica: «Por que razão, em vez de olharem para os seus próprios erros, se consomem a exibir e criticar os erros dos outros?»
Eu fiquei deliciad@ com esta abertura! Ora bem, vamos lá a ver se nos entendemos. Todo este episódio se passou nas páginas dum jornal que, por acaso, se orgulha de ser o jornal mais antigo do concelho. É também um veículo de informação que, em princípio, será credível. Como tal, é um espaço onde as pessoas esperam encontrar alguma verdade.
Ora, em vez de assumirem o erro, e de o rectificarem da melhor maneira possível de forma a esclarecer os leitores sobre a desinformação publicada, limitam-se a apresentar uma curta biografia da Telma Monteiro retirada da Wikipédia e a escrever um editorial acusatório sobre quem ousou apontar o dedo ao jornal pelo erro descabido cometido.
Apesar de todo o conteúdo do editorial, que não sei, nem quero saber, a quem se dirige, parece-me que Isabel Peneque está mais interessada em dar uma “respostinha” aos críticos do que em informar os leitores.
Como se não bastasse, a directora afirma-se empenhada em fazer do Sesimbrense um jornal melhor, mas responde que não pode «agradar a gregos e a troianos». Esta é nova para mim! Então mas é suposto um jornal agradar a alguém? Não existem objectivos maiores como aquele de ser «um quinzenário para defesa dos interesses do concelho»?
Eu não espero que o Sesimbrense me agrade. Espero apenas que me informe com credibilidade e com verdade. A confiança que tinha na informação do jornal tem sido traída e o último número foi um duro golpe. Há coisas que demoram muito tempo a construir mas que podem perder de um dia para o outro. Pois bem, está na hora de voltar a construir.
4 de mai. de 2007
Manif
O Nova Morada desta semana inclui, logo na página 2, uma notícia sobre a manifestação contra o encerramento do SAP que teve lugar em 21 de Abril. Além do texto, o jornal publica uma foto da manifestação. Não, não há um magote de gente. Não, não há cartazes nem gente indignada. Na imagem surge uma câmara de televisão e seis pessoas alinhadas, como que a pousar em frente ao SAP, entre as quais reconheço: o presidente da Câmara, Augusto Pólvora, de braços cruzados; o presidente da Junta de Freguesia de Santiago, Félix Rapaz, com algo na mão (não, não é um cartaz) que me parece o saco do Expresso; e um elemento da Assembleia de Freguesia de Santiago, Carlos Soromenho, com mão no queixo, como que a meditar; e de microfone em punho, Florindo Paliotes da Comissão de Utentes.
Não participei na iniciativa, por isso também não sei se a imagem transmite aquilo que se passou na manifestação. Mas a dúvida cresce: terá isto sido realmente uma manifestação; uma mera chamada de atenção; ou tentou-se apenas, por outro lado, desviar a atenção?
Não participei na iniciativa, por isso também não sei se a imagem transmite aquilo que se passou na manifestação. Mas a dúvida cresce: terá isto sido realmente uma manifestação; uma mera chamada de atenção; ou tentou-se apenas, por outro lado, desviar a atenção?
Eu ainda sou do tempo...
Eu ainda sou do tempo em que pexito e camponês que se prezasse se engalava no dia de hoje.
Eu ainda sou do tempo em que uma ida ao arraial não terminava sem levar no bolso uma bola de serradura.
Eu ainda sou do tempo em as melhores farturas do arraial eram as redondas, «americanas».
Eu ainda sou do tempo em que o arraial enchia uma avenida de cima a baixo.
Eu ainda sou do tempo em que o arraial cortava o trânsito.
Eu ainda sou do tempo em que visitar o arraial era brincar com as malas e bolas penduradas à altura da cabeça nas diversas barraquinhas.
Eu ainda sou do tempo em que no arraial conseguia encontrar artigos que iam desde o boião para fazer bolas de sabão, às pilhas, ao cinto, passando pelo corta-unhas.
Eu ainda sou do tempo em que a procissão era uma sentida homenagem aos pescadores porque Sesimbra era e tinha orgulho em ser terra de pescadores.
Eu ainda sou do tempo em que, desde cedo, várias pessoas se acomodavam ao longo do trajecto da procissão para a ver passar.
Eu ainda sou do tempo em que no mar de gente que seguia atrás da procissão, os calçados não se misturavam com os descalços, no cumprimento de promessas.
Eu ainda sou do tempo em que uma ida ao arraial não terminava sem levar no bolso uma bola de serradura.
Eu ainda sou do tempo em as melhores farturas do arraial eram as redondas, «americanas».
Eu ainda sou do tempo em que o arraial enchia uma avenida de cima a baixo.
Eu ainda sou do tempo em que o arraial cortava o trânsito.
Eu ainda sou do tempo em que visitar o arraial era brincar com as malas e bolas penduradas à altura da cabeça nas diversas barraquinhas.
Eu ainda sou do tempo em que no arraial conseguia encontrar artigos que iam desde o boião para fazer bolas de sabão, às pilhas, ao cinto, passando pelo corta-unhas.
Eu ainda sou do tempo em que a procissão era uma sentida homenagem aos pescadores porque Sesimbra era e tinha orgulho em ser terra de pescadores.
Eu ainda sou do tempo em que, desde cedo, várias pessoas se acomodavam ao longo do trajecto da procissão para a ver passar.
Eu ainda sou do tempo em que no mar de gente que seguia atrás da procissão, os calçados não se misturavam com os descalços, no cumprimento de promessas.
O que os outros dizem de nós
A última edição do jornal ‘Nova Morada’ inclui uma entrevista a Rui Veloso, o «pai do rock português» que no passado Sábado deu um concerto no cine-teatro João Mota.
Vejamos o que disse o cantor sobre a vila que o recebeu, numa sala que, como sublinhou durante a actuação, é «tão pequena», que se sentiu como se estivesse na sua sala de jantar.
«Sesimbra ainda era um outro planeta e não tinha nada a ver com o que é hoje!»
(Referindo-se à Sesimbra que conheceu e visitou durante a infância.)
«Acho que em Sesimbra, como em outros concelhos do país, construiu-se demais. Deixamos construir sem planeamento.»
«Havia aqui um potencial extraordinário que obviamente foi estragado... talvez se possa corrigir alguma coisa, mas o furor do betão e dos empreiteiros estragou muito no nosso país.»
«Falta é um bocadinho de espaço que foi ocupado pelo betão, que não devia nem podia ser tanto.»(Referindo-se à praia.)
Vejamos o que disse o cantor sobre a vila que o recebeu, numa sala que, como sublinhou durante a actuação, é «tão pequena», que se sentiu como se estivesse na sua sala de jantar.
«Sesimbra ainda era um outro planeta e não tinha nada a ver com o que é hoje!»
(Referindo-se à Sesimbra que conheceu e visitou durante a infância.)
«Acho que em Sesimbra, como em outros concelhos do país, construiu-se demais. Deixamos construir sem planeamento.»
«Havia aqui um potencial extraordinário que obviamente foi estragado... talvez se possa corrigir alguma coisa, mas o furor do betão e dos empreiteiros estragou muito no nosso país.»
«Falta é um bocadinho de espaço que foi ocupado pelo betão, que não devia nem podia ser tanto.»(Referindo-se à praia.)
3 de mai. de 2007
ENTÃO E A MATA?
Proposta dissolução da Câmara do Bombarral
Inspecção-Geral da Administração do Território alega violação do PDM
«A Inspecção-Geral da Administração do Território (IGAT) propõe a dissolução da Câmara Municipal do Bombarral por alegada violação do Plano Director Municipal (PDM), num processo de legalização de uma habitação construída numa zona classificada como agro-florestal.» in SIC On-line
ENTÃO E A MATA?
Inspecção-Geral da Administração do Território alega violação do PDM
«A Inspecção-Geral da Administração do Território (IGAT) propõe a dissolução da Câmara Municipal do Bombarral por alegada violação do Plano Director Municipal (PDM), num processo de legalização de uma habitação construída numa zona classificada como agro-florestal.» in SIC On-line
ENTÃO E A MATA?
27 de mar. de 2007
Dia Mundial do Teatro
“Sou a cena viva onde passam vários actores representando várias peças.”
Bernardo Soares
Bernardo Soares
26 de mar. de 2007
No Sábado à noite
No Sábado à noite, o grupo ‘Corvos’ deu um concerto na fortaleza de Santiago integrado no programa da Câmara Municipal de Sesimbra (CMS) ‘Ond@Jovem 2007’. Apesar do frio o ambiente estava agradável e os artistas são bons artistas. Eis senão quando sou confrontad@ com um inquérito que me pedem encarecidamente que preencha. E pronto, a noite até estava a ser uma boa noite. A música era boa música. Até que surgiu... O inquérito.
Ao que me parece, há alguém na CMS... a modos que... fixado nas bebedeiras da juventude sesimbrense. Vejamos com mais atenção (porque o assunto o exige) o dito inquérito.
Perguntam, a dada altura, com qual das ideias o inquirido concorda ou não concorda:
a) O álcool aquece?
b) O álcool abre o apetite?
c) O álcool dá força?
d) O álcool facilita a digestão?
e) O álcool mata a sede?
f) O álcool é um remédio?
g) O álcool melhora o sexo?
Segundo indicam, esta questão é adaptada de um original do Dr. Luís Patrício, que, julgo ser o conhecido psiquiatra, pioneiro no tratamento das toxicodependências em Portugal.
Independentemente do autor e do “adaptador”, esta questão centra-se nalgumas ideias feitas cuja resposta é, obviamente, negativa para alguém de bom senso. Isto supondo que o inquérito se refere ao consumo excessivo.
Agora há, digo eu, quem passe por burro e bêbedo respondendo também com bom senso: há quem goste do Martini para abrir uma refeição, tomando-o para “abrir o apetite”. Há quem beba o digestivo no final, precisamente para “facilitar a digestão”. Há quem não dispense uma “loira fresquinha” numa tarde de calor para “matar a sede”. Há quem beba um copo de tinto por dia porque os médicos dizem que faz bem ao coração, etc. etc.. Tudo isto podem ser ideias feitas, mas não quer dizer que quem assim pense deva pertencer aos AA (alcoólicos anónimos).
Estamos a falar de um inquérito aplicado, essencialmente, a jovens. E será que poderemos depois acreditar na fiabilidade das respostas? Até porque o contexto em que os inquéritos estão a ser colocados, o timing escolhido, são, em tudo, duvidosos.
Mas vejamos mais algumas questões:
- A sua primeira bebedeira foi quando tinha a idade de ____ anos.
(Não existe a hipótese do inquirido responder que nunca apanhou uma bebedeira. Porque será?)
- A sua última bebedeira foi: há ___ dias; há ___ meses; há ___ anos.
(Continuam a não considerar a hipótese do inquirido responder que nunca apanhou uma bebedeira.)
- Qual foi a quantidade consumida no último dia em que bebeu álcool? Cerveja ___; Vinho ___; Whisky ___; Gin ___; Vodka ___; Licor ___; Shots ___; Outro ___.
(Não consideram a hipótese de o inquirido ser abstémio)
- Está a tomar medicamentos para os nervos?
- No último mês consumiu Pastilhas?
Bom, e chega de perguntas sem jeito nem amanho num inquérito absurdo.
Em nenhum espaço do questionário me explicam qual o fim a que se destina nem porque me perguntam se já pratiquei sexo sob o efeito do álcool, se o fiz com preservativo, ou com que idade tive a minha primeira relação sexual e se, também nessa altura, utilizei preservativo.
Claro que o destino do inquérito só podia ser um: forrar o fundo da gaiola do passarinho.
Ah, mas ouvi dizer que na próxima semana vão promover um debate sobre:
“Bebeu-se muito na noite de Sábado, 24 de Março?”.
Um evento a não perder.
Ao que me parece, há alguém na CMS... a modos que... fixado nas bebedeiras da juventude sesimbrense. Vejamos com mais atenção (porque o assunto o exige) o dito inquérito.
Perguntam, a dada altura, com qual das ideias o inquirido concorda ou não concorda:
a) O álcool aquece?
b) O álcool abre o apetite?
c) O álcool dá força?
d) O álcool facilita a digestão?
e) O álcool mata a sede?
f) O álcool é um remédio?
g) O álcool melhora o sexo?
Segundo indicam, esta questão é adaptada de um original do Dr. Luís Patrício, que, julgo ser o conhecido psiquiatra, pioneiro no tratamento das toxicodependências em Portugal.
Independentemente do autor e do “adaptador”, esta questão centra-se nalgumas ideias feitas cuja resposta é, obviamente, negativa para alguém de bom senso. Isto supondo que o inquérito se refere ao consumo excessivo.
Agora há, digo eu, quem passe por burro e bêbedo respondendo também com bom senso: há quem goste do Martini para abrir uma refeição, tomando-o para “abrir o apetite”. Há quem beba o digestivo no final, precisamente para “facilitar a digestão”. Há quem não dispense uma “loira fresquinha” numa tarde de calor para “matar a sede”. Há quem beba um copo de tinto por dia porque os médicos dizem que faz bem ao coração, etc. etc.. Tudo isto podem ser ideias feitas, mas não quer dizer que quem assim pense deva pertencer aos AA (alcoólicos anónimos).
Estamos a falar de um inquérito aplicado, essencialmente, a jovens. E será que poderemos depois acreditar na fiabilidade das respostas? Até porque o contexto em que os inquéritos estão a ser colocados, o timing escolhido, são, em tudo, duvidosos.
Mas vejamos mais algumas questões:
- A sua primeira bebedeira foi quando tinha a idade de ____ anos.
(Não existe a hipótese do inquirido responder que nunca apanhou uma bebedeira. Porque será?)
- A sua última bebedeira foi: há ___ dias; há ___ meses; há ___ anos.
(Continuam a não considerar a hipótese do inquirido responder que nunca apanhou uma bebedeira.)
- Qual foi a quantidade consumida no último dia em que bebeu álcool? Cerveja ___; Vinho ___; Whisky ___; Gin ___; Vodka ___; Licor ___; Shots ___; Outro ___.
(Não consideram a hipótese de o inquirido ser abstémio)
- Está a tomar medicamentos para os nervos?
- No último mês consumiu Pastilhas?
Bom, e chega de perguntas sem jeito nem amanho num inquérito absurdo.
Em nenhum espaço do questionário me explicam qual o fim a que se destina nem porque me perguntam se já pratiquei sexo sob o efeito do álcool, se o fiz com preservativo, ou com que idade tive a minha primeira relação sexual e se, também nessa altura, utilizei preservativo.
Claro que o destino do inquérito só podia ser um: forrar o fundo da gaiola do passarinho.
Ah, mas ouvi dizer que na próxima semana vão promover um debate sobre:
“Bebeu-se muito na noite de Sábado, 24 de Março?”.
Um evento a não perder.
22 de mar. de 2007
Maus prenúncios
Fui hoje confrontad@ com uma péssima notícia na imprensa regional. A ‘Costa Terra’ recebe amanhã o alvará de construção da Câmara de Grândola que dá luz verde ao início da construção do empreendimento turístico na ‘Aberta Nova’, em Melides. O projecto vai nascer em zona classificada como Rede Natura 2000 e tem sido por isso alvo das mais duras críticas, embora, vá-se lá saber porquê, os ministros do Ambiente e da Economia tenham declararado já o “interesse público” do investimento.
Que mais poderemos esperar de quem impede os pescadores de praticarem a sua actividade em zonas onde laboram há milhares de anos porque constituem um sério atentado à saúde do Parque Natural da Arrábida mas que dá a benção a este tipo de projectos.
Que mais poderemos esperar de quem aconselha aos empresários estrangeiros que invistam em Portugal porque os custos de mão-de-obra são os mais baixos da Europa, ou que anuncia que quer mudar o nome ‘Algarve’ para ‘ALLgarve’ (dito com british accent) de forma a internacionalizar ainda mais a região.
Contente da vida com a notícia sobre a ‘Costa Terra’ ficou, pasmem-se, o presidente da Câmara Municipal de Grândola que insistentemente afirmou que os empreendimentos previstos para o seu concelho «vão cumprir as melhores práticas em termos ambientais».
Onde é que eu já ouvi isto?..
Segundo a notícia do ‘Região de Setúbal On-Line’, o projecto inclui 3 hóteis, 5 aparthoteis, 4 aldeamentos turísticos, 204 moradias de turismo residencial, um campo de glofe, um centro equestre, uma clínica de medicina desportiva, geriatria e talassoterapia, dois clubes de ténis e ginásios, um fórum comercial e, e, e, e...
O ‘Costa Terra’ é o 3.º grande projecto turístico que arranca no concelho de Grândola no espaço de um ano, depois do Tróia Resort e da ‘Herdade do Pinheirinho’, da empresa... Pelicano.
Este último prevê a construção de 2 hóteis, 4 aparthoteis, 3 aldeamentos, 204 moradias e um campo de golfe.
Mas afinal quem são os “litoral killers”?
Que mais poderemos esperar de quem impede os pescadores de praticarem a sua actividade em zonas onde laboram há milhares de anos porque constituem um sério atentado à saúde do Parque Natural da Arrábida mas que dá a benção a este tipo de projectos.
Que mais poderemos esperar de quem aconselha aos empresários estrangeiros que invistam em Portugal porque os custos de mão-de-obra são os mais baixos da Europa, ou que anuncia que quer mudar o nome ‘Algarve’ para ‘ALLgarve’ (dito com british accent) de forma a internacionalizar ainda mais a região.
Contente da vida com a notícia sobre a ‘Costa Terra’ ficou, pasmem-se, o presidente da Câmara Municipal de Grândola que insistentemente afirmou que os empreendimentos previstos para o seu concelho «vão cumprir as melhores práticas em termos ambientais».
Onde é que eu já ouvi isto?..
Segundo a notícia do ‘Região de Setúbal On-Line’, o projecto inclui 3 hóteis, 5 aparthoteis, 4 aldeamentos turísticos, 204 moradias de turismo residencial, um campo de glofe, um centro equestre, uma clínica de medicina desportiva, geriatria e talassoterapia, dois clubes de ténis e ginásios, um fórum comercial e, e, e, e...
O ‘Costa Terra’ é o 3.º grande projecto turístico que arranca no concelho de Grândola no espaço de um ano, depois do Tróia Resort e da ‘Herdade do Pinheirinho’, da empresa... Pelicano.
Este último prevê a construção de 2 hóteis, 4 aparthoteis, 3 aldeamentos, 204 moradias e um campo de golfe.
Mas afinal quem são os “litoral killers”?
21 de mar. de 2007
No Dia Mundial da Poesia ...
No Dia Mundial da Poesia que hoje se comemora, volto a percorrer a agenda municipal ‘Sesimbra’Acontece’ na expectativa de encontrar alguma iniciativa digna de assinalar a efeméride. Folheio a publicação uma e outra vez e a páginas tantas lá descubro um ateliê de escrita criativa intitulado ‘Vamos Fazer... um Poema’, no pólo de leitura da Quinta do Conde, destinado a crianças a partir dos 6 anos. E... mais nada.
Claro que o Represas, o João Gil, a Teresa Salgueiro, o Rui Veloso e companhia vêm a caminho. E isso enche o olho. É também mais interessante promover ‘conversas’ com os jovens sesimbrenses sobre se se bebeu demais no Carnaval. Agora, à poesia não conseguimos pôr penachos nem lantejoulas.
Um poema:
Mar sonoro
Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim.
A tua beleza aumenta quando estamos sós
E tão fundo intimamente a tua voz
Segue o mais secreto bailar do meu sonho.
Que momentos há em que eu suponho
Seres um milagre criado só para mim.
Sophia de Mello Breyner Andresen
Claro que o Represas, o João Gil, a Teresa Salgueiro, o Rui Veloso e companhia vêm a caminho. E isso enche o olho. É também mais interessante promover ‘conversas’ com os jovens sesimbrenses sobre se se bebeu demais no Carnaval. Agora, à poesia não conseguimos pôr penachos nem lantejoulas.
Um poema:
Mar sonoro
Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim.
A tua beleza aumenta quando estamos sós
E tão fundo intimamente a tua voz
Segue o mais secreto bailar do meu sonho.
Que momentos há em que eu suponho
Seres um milagre criado só para mim.
Sophia de Mello Breyner Andresen
19 de mar. de 2007
A sorte de uns...
A mais recente edição do boletim municipal anda a dar grande falatório. Finalmente, parece que é desta que o cine-teatro João Mota vai abrir as suas portas e o programa anunciado é dum luxo asiático. Nomes como Teresa Salgueiro, Rui Veloso, Luís Represas e João Gil, entre outros, fazem parte do cardápio de encher o olho.
Estará, neste momento, alguém refastelado no seu gabinete a pensar: - Desta é que os calei. Tomem lá uma mão cheia de ‘coltura’ e fechem, bem fechadinhas, essas bocas maldizentes!
Realmente, nada a dizer em relação à escolha destes nomes sonantes da música portuguesa que vão encher de brilho aquela que será a principal sala do concelho. Mas, na verdade, tudo isto é completamente despropositado. De facto, a população do concelho merece isto e muito mais, mas não se compreende porque é que vão enfiar estes eventos numa sala para 240 pessoas... Tendo por certo que nenhum destes artistas reconhecidos virá a Sesimbra dar uma borla ou actuar em troca de 5 tostões (porque é disto que vivem) ou os preços dos bilhetes terão de ser muito elevados de forma a pagar as actuações, ou então este programa vai sair muito caro ao concelho porque todos teremos de pagar por um luxo a que apenas 240 sortudos poderão assistir de perto.
Até já ouvi dizer que há quem ande a meter cunhas aos funcionários da Câmara para reservar bilhetes! Havia necessidade disto?...
Até aqui, as actuações, como as que agora nos propõem, aconteciam quando o rei fazia anos e em espaços públicos como o ginásio ou a fortaleza de Santiago (que ainda para mais, andam sempre a anunciar que é nossa). Dum dia para o outro, trazem a mais fina flôr da música portuguesa, toda duma vez, e metem-na num espaço limitado... Não para quem quer, mas quem pode assistir. Parece-me que está a ser feito um esforço estúpido em nome de algo... a que chamo populismo. Provavelmente outros chamar-lhe-ão outra coisa qualquer.
Há gente, que ainda por cima tem poder para mandar nalgumas coisas que dizem respeito a todos nós, que não sabe que entre o 8 e o 80 existe um longo caminho chamado meio termo. E para conseguir actuar nessa área basta ter bom senso. Percebe-se que, numa política de Carnaval todo o ano, festa que é festa tem de ter brilho. Muito brilho, muita confusão. Mas é preciso ponderar muito mais coisas.
E por falar em festa... Já se diz por aí que vai haver um Carnaval de Verão...
Estará, neste momento, alguém refastelado no seu gabinete a pensar: - Desta é que os calei. Tomem lá uma mão cheia de ‘coltura’ e fechem, bem fechadinhas, essas bocas maldizentes!
Realmente, nada a dizer em relação à escolha destes nomes sonantes da música portuguesa que vão encher de brilho aquela que será a principal sala do concelho. Mas, na verdade, tudo isto é completamente despropositado. De facto, a população do concelho merece isto e muito mais, mas não se compreende porque é que vão enfiar estes eventos numa sala para 240 pessoas... Tendo por certo que nenhum destes artistas reconhecidos virá a Sesimbra dar uma borla ou actuar em troca de 5 tostões (porque é disto que vivem) ou os preços dos bilhetes terão de ser muito elevados de forma a pagar as actuações, ou então este programa vai sair muito caro ao concelho porque todos teremos de pagar por um luxo a que apenas 240 sortudos poderão assistir de perto.
Até já ouvi dizer que há quem ande a meter cunhas aos funcionários da Câmara para reservar bilhetes! Havia necessidade disto?...
Até aqui, as actuações, como as que agora nos propõem, aconteciam quando o rei fazia anos e em espaços públicos como o ginásio ou a fortaleza de Santiago (que ainda para mais, andam sempre a anunciar que é nossa). Dum dia para o outro, trazem a mais fina flôr da música portuguesa, toda duma vez, e metem-na num espaço limitado... Não para quem quer, mas quem pode assistir. Parece-me que está a ser feito um esforço estúpido em nome de algo... a que chamo populismo. Provavelmente outros chamar-lhe-ão outra coisa qualquer.
Há gente, que ainda por cima tem poder para mandar nalgumas coisas que dizem respeito a todos nós, que não sabe que entre o 8 e o 80 existe um longo caminho chamado meio termo. E para conseguir actuar nessa área basta ter bom senso. Percebe-se que, numa política de Carnaval todo o ano, festa que é festa tem de ter brilho. Muito brilho, muita confusão. Mas é preciso ponderar muito mais coisas.
E por falar em festa... Já se diz por aí que vai haver um Carnaval de Verão...
16 de mar. de 2007
O que foi não volta a ser
Esta noite, o Centro Comunitário da Quinta do Conde será palco para mais um dos debates temáticos que a Câmara Municipal de Sesimbra tem vindo a promover no âmbito do processo de revisão do Plano Director Municipal do Concelho. Em cima da mesa estará hoje o tema ‘Acessibilidades e Infra-Estruturas’.
A última vez que me recordo de ter visto a população do concelho envolvida num debate sobre este assunto ocorreu por altura da apresentação do Plano de Acessibilidades realizado a propósito do processo da Mata da Sesimbra. Curiosamente, na sessão de hoje estará o conceituado professor do Instituto Superior Técnico, Nunes da Silva, responsável por esse documento.
E, mais uma vez, o temível assunto ‘Mata de Sesimbra’ é trazido à baila. Não é possível esquecer que o PDM ainda em vigor, publicado em Diário da República em Fevereiro de 1998, é escandalosamente subvertido pelo Plano de Pormenor da Zona Sul da Mata de Sesimbra que implica a revogação de diversos artigos, nomeadamente no que diz respeito ao uso e ocupação dos solos, índices de construção ou dimensão da intervenção. Como tal, esta revisão do PDM assume particular importância, na medida em que abre uma porta que permite levantar restrições que até aqui têm sido demasiado inconvenientes para os defensores da construção da cidade da Mata.
E, recorde-se, o presidente da Câmara, Augusto Pólvora, já assumiu e reiterou publicamente a defesa do projecto megalómano da Mata de Sesimbra. Assumiu perante todos que este é o “seu” projecto e defendeu-o, o melhor que pôde, ao lado dos promotores imobiliários.
Mas, em nenhuma circunstância, o mais importante instrumento de gestão do território, como o é um PDM, poderá ser subjugado ao betão e aos mais diversos interesses que se movem em relação à Mata de Sesimbra.
A qualidade de vida dos sesimbrenses e a defesa da terra deverão ser superiores a tudo o resto.
No debate da passada sexta-feira, várias foram as vozes que se levantaram pela defesa das tradições e pela revitalização e re-povoamento da vila de Sesimbra e contra a perda de identidade da freguesia rural e a betonização.
Por oposição, da mesa de oradores falou-se duma Sesimbra “de futuro”, preparada para receber o turista, publicitaram-se terrenos, defendeu-se a construção de empreendimentos para defender as zonas verdes.
Será que ainda não perceberam que aquilo que a população do concelho pretende é reaver a Sesimbra que tem vindo a perder e não construir uma nova Sesimbra onde não se reconhecem e que ameaça apagar irremediavelmente os seus traços distintivos?
A última vez que me recordo de ter visto a população do concelho envolvida num debate sobre este assunto ocorreu por altura da apresentação do Plano de Acessibilidades realizado a propósito do processo da Mata da Sesimbra. Curiosamente, na sessão de hoje estará o conceituado professor do Instituto Superior Técnico, Nunes da Silva, responsável por esse documento.
E, mais uma vez, o temível assunto ‘Mata de Sesimbra’ é trazido à baila. Não é possível esquecer que o PDM ainda em vigor, publicado em Diário da República em Fevereiro de 1998, é escandalosamente subvertido pelo Plano de Pormenor da Zona Sul da Mata de Sesimbra que implica a revogação de diversos artigos, nomeadamente no que diz respeito ao uso e ocupação dos solos, índices de construção ou dimensão da intervenção. Como tal, esta revisão do PDM assume particular importância, na medida em que abre uma porta que permite levantar restrições que até aqui têm sido demasiado inconvenientes para os defensores da construção da cidade da Mata.
E, recorde-se, o presidente da Câmara, Augusto Pólvora, já assumiu e reiterou publicamente a defesa do projecto megalómano da Mata de Sesimbra. Assumiu perante todos que este é o “seu” projecto e defendeu-o, o melhor que pôde, ao lado dos promotores imobiliários.
Mas, em nenhuma circunstância, o mais importante instrumento de gestão do território, como o é um PDM, poderá ser subjugado ao betão e aos mais diversos interesses que se movem em relação à Mata de Sesimbra.
A qualidade de vida dos sesimbrenses e a defesa da terra deverão ser superiores a tudo o resto.
No debate da passada sexta-feira, várias foram as vozes que se levantaram pela defesa das tradições e pela revitalização e re-povoamento da vila de Sesimbra e contra a perda de identidade da freguesia rural e a betonização.
Por oposição, da mesa de oradores falou-se duma Sesimbra “de futuro”, preparada para receber o turista, publicitaram-se terrenos, defendeu-se a construção de empreendimentos para defender as zonas verdes.
Será que ainda não perceberam que aquilo que a população do concelho pretende é reaver a Sesimbra que tem vindo a perder e não construir uma nova Sesimbra onde não se reconhecem e que ameaça apagar irremediavelmente os seus traços distintivos?
15 de mar. de 2007
Desengasgo
Os fóruns são uma realidade diária no panorama radiofónico nacional. São conhecidos os da TSF e Antena 1 que todos os dias convidam dezenas de portugueses a opinar sobre os assuntos que marcam a actualidade nacional e até internacional.
Nos últimos dias, no entanto, descobri um novo fórum a que chamam ‘Fale mas não se Engasgue’ que passa, ao que me parece, entre as 9h e as 9.30h na Sesimbra FM (103.9 FM). Ontem debatia-se o facto dos privados considerarem a abertura de clínicas nos locais onde o governo anda a encerrar serviços de atendimento permanente e serviços de urgência. Há que reconhecer, e os autores deste “fórum” sabem com certeza, que a iniciativa não é sequer comparável ao que é feito nas rádios nacionais - até porque no caso da Sesimbra FM o fórum é conduzido por um animador de rádio e não por um jornalista – mas já é qualquer coisa. O que é certo é que as diferenças notam-se mesmo nas pequenas coisas.
Ontem, enquanto se debatia o problema da saúde, um ouvinte elogiava o governo de Oliveira Salazar por comparação com o actual e perante este comentário não houve qualquer tentativa, não de calar o ouvinte-opinador porque como todos os outros tem direito às suas opiniões mesmo que descabidas e insensatas, mas pelo menos de recentrar a discussão no tema em causa: o encerramento de serviço de saúde públicos e consequente abertura de privados. Hoje, apesar de ter apanhado o “fórum” sesimbrense a meio percebi que se falava de futebol. Inicialmente falava-se numa maior atenção que as Finanças atribuirão às contratações de jogadores, mas lá pelo meio comentou-se os automóveis dos jogadores, a construção dos estádios de futebol aquando do Euro 2004, as míseras reformas, o preço dos medicamentos...
A certa altura, o animador queixava-se da falta de participação dos ouvintes no ‘Fale mas não se engasgue’, facto que não, vá-se lá saber porquê, me surpreende.
Entretanto, aproveitei e fiquei a ouvir o noticiário sesimbrense das 9.30h. Não deixei de achar curioso o alinhamento das notícias: primeiro falou-se do programa ‘Onda Jovem’, iniciativa da Câmara Municipal de Sesimbra, e que terá início, se a memória não me falha, a 23 de Março (agora que penso nisso, tenho a clara impressão de que há já vários dias que este importante assunto da actualidade pexita tem vindo a ser noticiado por esta rádio... é que já só faltam 9 dias!); depois, anunciaram que o SAP de Sesimbra amanhã estará sem médico, facto que não afectará os habitantes da “freguesia de Santana” (palavras da jornalista) que podem recorrer à Unidade de Saúde Familiar; por fim, falou-se da acção da ASAE hoje em Setúbal que, curiosamente, está a marcar a actualidade a nível nacional por ser hoje o Dia do Consumidor.
Mas enfim, não vou discutir os critérios de alinhamento. Mas já que se optou por fazer a coisa desta forma, porque não promover um fórum sobre o ‘Onda Jovem’?. Sendo um assunto que merece honras de abertura de noticiário, talvez consiga levar mais pessoas a participarem no... ‘Fale mas não se Engasgue’!
Nos últimos dias, no entanto, descobri um novo fórum a que chamam ‘Fale mas não se Engasgue’ que passa, ao que me parece, entre as 9h e as 9.30h na Sesimbra FM (103.9 FM). Ontem debatia-se o facto dos privados considerarem a abertura de clínicas nos locais onde o governo anda a encerrar serviços de atendimento permanente e serviços de urgência. Há que reconhecer, e os autores deste “fórum” sabem com certeza, que a iniciativa não é sequer comparável ao que é feito nas rádios nacionais - até porque no caso da Sesimbra FM o fórum é conduzido por um animador de rádio e não por um jornalista – mas já é qualquer coisa. O que é certo é que as diferenças notam-se mesmo nas pequenas coisas.
Ontem, enquanto se debatia o problema da saúde, um ouvinte elogiava o governo de Oliveira Salazar por comparação com o actual e perante este comentário não houve qualquer tentativa, não de calar o ouvinte-opinador porque como todos os outros tem direito às suas opiniões mesmo que descabidas e insensatas, mas pelo menos de recentrar a discussão no tema em causa: o encerramento de serviço de saúde públicos e consequente abertura de privados. Hoje, apesar de ter apanhado o “fórum” sesimbrense a meio percebi que se falava de futebol. Inicialmente falava-se numa maior atenção que as Finanças atribuirão às contratações de jogadores, mas lá pelo meio comentou-se os automóveis dos jogadores, a construção dos estádios de futebol aquando do Euro 2004, as míseras reformas, o preço dos medicamentos...
A certa altura, o animador queixava-se da falta de participação dos ouvintes no ‘Fale mas não se engasgue’, facto que não, vá-se lá saber porquê, me surpreende.
Entretanto, aproveitei e fiquei a ouvir o noticiário sesimbrense das 9.30h. Não deixei de achar curioso o alinhamento das notícias: primeiro falou-se do programa ‘Onda Jovem’, iniciativa da Câmara Municipal de Sesimbra, e que terá início, se a memória não me falha, a 23 de Março (agora que penso nisso, tenho a clara impressão de que há já vários dias que este importante assunto da actualidade pexita tem vindo a ser noticiado por esta rádio... é que já só faltam 9 dias!); depois, anunciaram que o SAP de Sesimbra amanhã estará sem médico, facto que não afectará os habitantes da “freguesia de Santana” (palavras da jornalista) que podem recorrer à Unidade de Saúde Familiar; por fim, falou-se da acção da ASAE hoje em Setúbal que, curiosamente, está a marcar a actualidade a nível nacional por ser hoje o Dia do Consumidor.
Mas enfim, não vou discutir os critérios de alinhamento. Mas já que se optou por fazer a coisa desta forma, porque não promover um fórum sobre o ‘Onda Jovem’?. Sendo um assunto que merece honras de abertura de noticiário, talvez consiga levar mais pessoas a participarem no... ‘Fale mas não se Engasgue’!
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