11 de dez. de 2006

A "ténue" diferença entre o rosa e o vermelho

A junta de freguesia do Castelo vai requalificar, até 2009, 80 abrigos de passageiros. A obra custará 120 mil euros, dos quais 50 por cento são assegurados pela Câmara Municipal de Sesimbra. (Ver notícia aqui.)
Fazer abrigos não é, como dá para perceber, um negócio barato... Mas, no que a isso diz respeito, a diferença, por vezes ténue, entre o rosa e o vermelho, acentua-se. Quando o vermelho da junta coincide com o vermelho da Câmara, o instrumento toca tão afinadinho que dá gosto!
Mas afinal... a obrigação de colocar abrigos não deveria ser competência, única e exclusiva, da Câmara?! Pelo menos essa é a desculpa que têm dado até aqui para os abrigos chegarem ao estado a que chegaram...
É que, se assim for, pior do que ter esta Câmara... é ter uma outra Câmara dentro desta Câmara!

15 de nov. de 2006

É preciso ter lata

Na sua última edição, o Jornal de Sesimbra faz um balanço sobre o 1.º ano de gestão dos novos executivos municipais. O testemunho do presidente da Câmara Municipal de Sesimbra é… difícil de engolir.
Diz o autarca que, durante este ano, o executivo comunista que lidera procurou «incentivar uma vertente importante» seu programa eleitoral: «a democracia participativa com as reuniões de câmara descentralizadas e com a apresentação e discussão pública de projectos de grande importância para Sesimbra». A meu ver, o ponto alto desta democracia plural, foi o orçamento participativo, feito a correr, de forma atamancada, sem a devida sensibilização da população. Enfim, para fazerem assim, mais vale ficarem quietinhos.

Mais adiante, o presidente anuncia o «particular carinho» pelas áreas do planeamento e ordenamento do território. E foi, diz ele, nas acessibilidades que «houveram novidades importantes». «Houveram»?! «Houveram»?! Eu diria que neste executivo faltam acessibilidades a gramáticas e dicionários…

É por estas e por muitas outras que quando o autarca anuncia que «há, ainda ao nível da educação, uma pequena revolução em curso», até tremo.
Mas enfim, uma das novidades é que «já praticamente todas as escolas têm refeitório municipal». Deduzo eu que, por ser um refeitório municipal os funcionários da autarquia possam lá ir fazer os seus repastos… Só pode ser isso…

Depois lá vem a cereja em cima do bolo. Quando fala em cultura e turismo, o presidente da Câmara conclui que é «Sesimbra este ano esteve na berra». Depois seguem-se as justificações para Sesimbra ter estado «na berra»: «investimento e trabalho reconhecidos», «actividade cultural extremamente interessante», «relevo bastante importante». Tudo boas razões para Sesimbra estar «na berra». É bom estar «na berra»! Uau!

Depois, lá está o fardo de palha com que se nos acena. Augusto Pólvora promete muitas e boas acessibilidades; obras de grande envergadura «que vão, com certeza, melhorar substancialmente o acesso a Sesimbra e que poderão estar no terreno durante a execução deste mandato se o Plano de Pormenor da Zona Sul for aprovado».
Claro, o pessoal aqui só tem futuro, estradas, hospitais, escolas… se deixar construir uma cidade chamada ‘Mata de Sesimbra’ aqui ao lado.

Depois… e para quem afirma já ter feito tanto e tão bem, vem a (inesperada) desculpabilização para fechar um balanço dourado: «A grande maioria das decisões foram sempre aprovadas por unanimidade não havendo quase nunca contestações. Dentro da câmara municipal procuramos sempre envolver todos os vereadores de todas as forças políticas nas nossas decisões. Temos trabalhado em equipa e é isso que Sesimbra precisa. Não se nota que há uma maioria relativa e é bom que assim seja e espero que assim continue.».

Como é possível?...

7 de nov. de 2006

Discussões Públicas

A Junta de Freguesia do Castelo promoveu na semana passada “discussões públicas” sobre o seu plano de actividades para 2007. Os promotores desta iniciativa merecem alguma consideração por abrirem espaços de debate com o intuito de ouvir a população para, com base no confronto de ideias, definirem prioridades de actuação. Numa altura em que as pessoas estão arredadas dos processos de decisão, parece-me muito óbvia a falta de motivação ou interesse que a população manifesta em participar neste tipo de iniciativas. Mas isso é justificação mais que suficiente para a urgência de abrir estes espaços de debate. Não sei, tenho de o afirmar, se essas reuniões foram muito ou pouco participadas. Deduzo, pelo exposto, que tenham sido pouco. Até porque, para ajudar à festa, o primeiro debate (27 de Outubro) coincidiu com o jogo Sporting-Beira-Mar (ou deverei antes dizer Sporting-Buba?...) e o segundo (28 de Outubro) com o clássico Benfica-Porto.
Mas, salas vazias ou cheias à parte, o meu único reparo a esta iniciativa vai para o nome que lhe puseram. Parece-me pouco correcto chamarem “discussão pública” a uma mera auscultação da população.
A discussão pública sobre o ‘Plano de Ordenamento do Parque Natural da Arrábida’, ou a discussão pública sobre o ‘Plano de Pormenor da Zona Sul da Mata de Sesimbra’, obrigatórias por lei, são muito diferentes da “discussão pública” do plano de actividades da Junta de Freguesia do Castelo. Cada uma tem importância à sua maneira, mas, nas primeiras, a opinião da população é vinculativa.
Misturar, levianamente, uma e outra, chamando-lhes a mesma coisa, é prestar um péssimo serviço à população e é um atentado à formação cívica. Porque, no momento político que Sesimbra vive, a diferença entre o que é, o que parece ser e o que querem fazer parecer, deve ser muito clara. Há que chamar as coisas pelos nomes. Porque há discussões públicas, das verdadeiras, das que estão consagradas na lei, que não são, não podem, nem devem ser, meras auscultações, como as falsas "discussões públicas" pretendem ser.

30 de out. de 2006

Sesimbra, a leste (como sempre)

As escolas básicas portuguesas estão a dar um novo sentido ao ditado "o barato sai caro". A prática de fazer cobranças indevidas no acto da matrícula aos encarregados de educação generalizou-se. As associações de pais começam a questionar-se: "O que aconteceu ao ensino público gratuito?"

Notícia de hoje, no Diário de Notícias

As escolas do concelho de Sesimbra não são excepção. Mas aqui tira-se com uma mão e dá-se com a outra. Enquanto, por um lado, se pede a contribuição para material de desgaste, como giz e papel higiénico aquando da matrícula, por outro, oferecem-se banquetes de recepção à comunidade educativa que fazem disparar o orçamento gasto com o sector da educação.
São prioridades...

27 de out. de 2006

Negócios do Espírito Santo

A Polícia Judiciária (PJ) recolheu, ontem, na sede do CDS/PP, no Largo do Caldas, em Lisboa, documentação sobre o financiamento da campanha eleitoral para as legislativas de 2005. A diligência foi efectuada no âmbito do chamado processo "Portucale", no qual se investigam alegadas práticas de tráfico de influências na aprovação de um empreendimento turístico do Grupo Espírito Santo (GES) na Herdade da Vargem Fresca, em Benavente.

26 de out. de 2006

Pano para mangas

Já está disponível o novo site da Junta de Freguesia da Quinta do Conde. Apesar de que quem acede a este espaço tenha de aguardar longos "instantes" antes de conseguir navegar na página, e do facto de muitos dos menus ainda não disponibilizarem qualquer informação, já dá para adivinhar que ali a "Sopa" poderá encontrar muito assunto.
Basta ler o editorial do presidente da Junta, Augusto Duarte:
«Muito se fala, bem e principalmente mal, porque os que se opõem ao nosso esforço desejam que cada Quinta Condense não se aperceba dos valores que temos e do que fazemos. Mas não cedemos. Nunca o fizemos, não é agora que vamos baixar os braços! (…) Mostramos o crescimento que temos tido mesmo quando temos de remar contra a maré e, às vezes, contra alguns marinheiros.»

Não quero esgotar o assunto num único post mas, nas “novidades”, não pude deixar de reparar na promessa de compra de um… palco. Neste novíssimo site queixam-se de que a Câmara Municipal de Sesimbra nem sempre consegue disponibilizar um palco adequado para a realização de determinadas actividades e eventos. E, porque «é preciso ter em conta que os Quinta Condenses merecem ser apoiados para que a [sua] cultura e o que de bom se faz [na] Vila seja divulgado», a junta compromete-se a «construir um palco totalmente em estrutura de ferro com as dimensões de 9mX8m».

Ora… eu até diria que para apoiar os sesimbrenses da Quinta do Conde… ups, desculpem, os «Quinta Condenses» na área cultural, não é tão importante o palco, mas aquilo que lá se mete em cima.
Mas essa é… a minha opinião.

Já agora… alguém consegue encontrar no site alguma referência ao facto de a Quinta do Conde ser uma freguesia do concelho de Sesimbra?

25 de out. de 2006

Previsível

É inadmissível.
O ‘Sesimbra Município’ de Outubro já está nas ruas e o ‘Sopa de Pelim’ ainda não tinha, como seria de prever, comentado esse facto. Há que ser previsível!
É claro que, como seria de prever, há algumas notas a escrever sobre este boletim. Sobretudo porque, depois de ter traçado alguns elogios à anterior edição desta publicação (pela ausência de erros ortográficos e gramaticais e a diminuição do número de referências aos nomes do presidente da Câmara e alguns vereadores) há situações neste novo boletim que Sopa que é Sopa não podia deixar passar em branco.
Ora, neste boletim de Outubro, lá ressurgem, aqui e ali, referências desnecessárias aos mesmos vereadores. Senão vejamos:

«No âmbito do Orçamento Participativo, a Câmara Municipal organizou uma reunião com as associações juvenis, em que estiveram a vereadora do Pelouro da Juventude, Felícia Costa, e técnicos desta área
‘Associações juvenis discutiram orçamento para 2007’, p. 3

«O Centro Local de Apoio à Integração de Imigrantes, localizado na Quinta do Condem foi inaugurado em Setembro, numa cerimónia que contou com a presença (…) do presidente da Câmara Municipal, Augusto Pólvora
‘Inaugurado o Centro de Apoio a Imigrantes’, p. 5

«O acontecimento contou com a presença da vereadora do Pelouro da Acção Social, Felícia Costa, e de representantes de várias instituições que integram a Comissão Municipal do Idoso (…).»
‘Dia Internacional do Idoso’, pág. 8

«De regresso a Sesimbra, foram recebidos pelo vereador das Actividades Económicas, José Polido que, em nome da autarquia, deu as boas vindas ao grupo.»
‘Agentes turísticos e autarquia mostraram o “outro lado” de Sesimbra’, pág. 11

«Os participantes foram recebidos pelo vereador das actividades económicas, José Polido, que realçou a importância do projecto (…).»
‘Parceiros do projecto Watertour estiveram em Sesimbra’, pág. 12

Daqui se conclui que alguns vereadores são notícia no boletim municipal não por terem dito ou feito alguma coisa que justifique a referência que lhes é feita, mas apenas porque se limitaram a estar… ou a receber.
Pergunto-me o que andarão a fazer os outros vereadores, que por acaso até são de outras cores políticas, para nem sequer merecerem estas honras.

Mas, nem tudo é tão tendencial neste boletim como possa parecer à primeira leitura. Há, de facto, referência a outros autarcas.

Na notícia intitulada ‘Assembleia Municipal solidariza-se com Professor Jorge Rato’ (pág. 9) é afirmado que «a recomendação foi apresentada pelo deputado municipal Francisco Jesus e foi aprovada por unanimidade». Não ficamos a saber de que bancada é o deputado mas isso para o caso também não interessa. O que não é dito, é facilmente deduzido pela amostra junta. Ah, e por falar em junta… É de salientar o rasgado elogio que este boletim faz à junta de freguesia do Castelo que «está a dinamizar um importante trabalho de recuperação e valorização do património histórico-cultural».

Há que ser previsível! Venha o próximo boletim!

24 de out. de 2006

Eu é que sou o…

Os vendedores que habitualmente participam na ‘Zimbr’Antiga’ e a Câmara Municipal de Sesimbra não conseguem conciliar vontades. A autarquia quer transferir a realização da feira para o interior da “recém-pseudo-conquistada” Fortaleza de Santiago. Mas os vendedores torcem o nariz e querem manter a iniciativa no Largo da Marinha, onde decorre desde 2003. Tudo porque… na fortaleza, como é sabido, os comerciantes não podem estacionar.
Ao que parece, devido ao diferendo, em causa está a continuidade da própria feira.
Sobre este caso, o vereador das actividades económicas avisou, em declarações ao ‘Setúbal na Rede’, que «a autarquia é que decide o que é melhor para Sesimbra» e defendeu que os comerciantes têm de ser «mais compreensivos».
Resumindo...
Uns estranham o facto de um espaço que serviu durante três anos, subitamente, tivesse deixado de ser «bom para Sesimbra». Ainda por cima, a alternativa que lhes é oferecida sonega-lhes a regalia do estacionamento que é, como todos bem sabemos, um bem precioso no centro da vila.
Outros… enfim, com uma sensibilidade para lidar com estas questões semelhante a um elefante numa loja de porcelanas acham que ou é à sua maneira ou não é de maneira nenhuma, arrogando-se do poder de decisão sobre «o que é melhor para Sesimbra».
Eu, que não quero, não posso, nem mando… acho que, com bom senso, tudo tem uma solução.

18 de out. de 2006

Em cima do joelho

Já se encontram, aqui e ali, anúncios às reuniões que a Câmara Municipal de Sesimbra quer realizar com a população com o objectivo de elaborar um orçamento participativo. A iniciativa é, de facto, meritória, porque permitirá à Câmara delinear a sua acção indo ao encontro das prioridades definidas e necessidades sentidas pela população, mas (e porque há sempre um “mas”) a forma como está a ser conduzida levanta-me algumas dúvidas.
A elaboração de um orçamento participativo tinha sido prometida pelo PCP nas autárquicas de há um ano. Nesse final de 2005, no entanto, o novo executivo camarário liderado pelos comunistas, apresentou um orçamento elaborado entre quatro paredes que pouco tinha de participativo. Segundo notícias publicadas na altura, quando confrontados com o não cumprimento dessa promessa eleitoral, justificaram-se com a limitação temporal. E até se percebe… Tendo esse novo executivo assumido funções há pouco tempo era impossível conseguir realizar, em escassos três meses, os encontros e reuniões com a população que estariam na base da elaboração de um orçamento participativo. Até aqui, tudo bem. Considero que é uma justificação perfeitamente aceitável.
Mas é precisamente por isso que não percebo a razão de a Câmara anunciar agora reuniões com a população para debate do orçamento para o final de Outubro e Novembro. Afinal os três meses que em 2005 não eram suficientes agora já chegam e sobram?... Fazer em cima do joelho agora, ou tê-lo feito antes, vai dar no mesmo!
Já se percebeu que estratégia não é o ponto forte deste executivo, mas julgo que é relativamente simples de perceber que, numa época em que a população está arredada dos processos de tomada de decisão, não se pode apelar à sua participação apenas colocando muppies a anunciar as datas das reuniões. Um orçamento participativo implicaria, a meu ver, um processo pedagógico e mobilizador que precedesse as reuniões. Só dessa forma seria possível recolher depois os frutos do processo. Nada disso foi feito. Criam-se os espaços de debate mas não se prepara as pessoas para esse debate. Como tal, qualquer discussão feita nestes moldes corre o sério risco de resultar... em nada.

Coreias

O novo embaixador da Coreia do Sul em Portugal esteve há poucos dias perto de Sesimbra para um piquenique que reuniu mais de meia centena de sul-coreanos residentes em Portugal.
Como é óbvio, não foi por ter passado por Sesimbra que o embaixador Eui-min Chung foi notícia. Julgo até que essa visita terá passado despercebida à maior parte das pessoas. Mas a chegada do diplomata ao nosso país ocorre numa altura em que as Coreias andam nas bocas do mundo. Por um lado, o sul-coreano Ban Ki-Moon foi eleito para secretário-geral nas Nações Unidas. Por outro, a Coreia do Norte anunciou ao mundo a realização de testes nucleares tendo sido logo depois severamente criticada por diversos países, nomeadamente, a China, que muito tem contribuído para a sobrevivência do país.
Entre a boa e a má notícia abre-se espaço para pensar este território desunido há 60 anos.
Há pouco tempo vi um filme impróprio para cardíacos (julgo que já estará em DVD) intitulado “Irmãos de Guerra” (Tae Guk Gi, no original) que retrata, com uma perfeição incómoda e cruel, essa guerra atroz entre as duas Coreias, onde o actor principal começa num lado da barricada e termina no outro. Pelo caminho perde muito e perde-se a si próprio. É um filme onde não há bons nem maus. Não há heróis e vilões. Apenas coreanos. E a história da guerra, no filme, não tem final. Nunca se saberá quem saiu vencedor. Até porque, para o efeito, isso, na verdade, não importa.
Mas, pelos vistos, ainda há quem não tenha tirado ilações do seu próprio passado.

17 de out. de 2006

Back

O ‘Sopa de Pelim’ prolongou a pausa por mais tempo do que considera desejável. Não foi, acreditem, por falta de assunto.
Muito haveria para dizer, por exemplo, sobre o editorial da vereadora da Cultura, Felícia Costa, no Sesimbr’Acontece.
Mais uma pérola, como, de resto, já vimos sendo habituados. Não resisto, no entanto, a salientar duas partes, para abrir o apetite. Conclui, a certa altura, a autarca que «nesta época começam a aparecer os produtos regionais próprios do Outono». Duh! É certo que é usual acusarmos as estações do ano de andarem trocadas mas, por enquanto, nesta época do ano ainda aparecem produtos regionais próprios do Outono!
Mais brilhante ainda é o momento em que a vereadora afirma que «para desgastar as calorias de uma boa refeição nada melhor que um pouco de desporto». «Desgastar as calorias»? Ai minha mãezinha… Ler estes editoriais é que nos “desgasta” a paciência…
Mas enfim, não são só as publicações municipais que nos brindam com bons momentos de leitura da mais fina prosa. Foi, igualmente, com curiosidade que li o jornal “Nova Morada” de 29 de Setembro que teve a (in)feliz ideia de abreviar “Comissão de Utentes” para “CU” na notícia intitulada ‘Contra o “mau olhado e esconjura”’. Como seria de esperar, essa opção resultou em tiradas tão curiosas como: «(…) e dado não vislumbrar a CU a desejada “luz ao fundo do túnel» ou «apelando CU a “uma resposta firme dos quintacondenses a esta provocação (…)».
As coisas que nos dão para ler…

27 de set. de 2006

Hermana Sesimbra

Durante dois dias, operadores turísticos e jornalistas, nacionais e internacionais, "foram tratados como turistas" em Sesimbra. Como foi divulgado pelos meios de comunicação social, a iniciativa visou provar que o concelho pode assumir-se "como um destino turístico de referência durante 365 dias por ano".
Nesse sentido, os "turistas" improvisados tiveram oportunidade de participar em actividades como: o mergulho, massagens, mostras de produtos tradicionais, canoagem, rappel, surf, windsurf, vela e 4X4, entre outros.

Esta foi a receita encontrada para “dar a conhecer as potencialidades de Sesimbra”.
Como sesimbrense tenho pena que mostrar o que Sesimbra tem de bom se resuma à prática de desporto e às massagens. Mas é uma perspectiva. Pobre e fraca, há que admitir... Mas é uma perspectiva...
A ideia, ao que parece, partiu do Turiforum, um grupo de trabalho que inclui a Câmara e um conjunto de empresários, que se propõem a "delinear uma estratégia para o desenvolvimento turístico local" e para que Sesimbra "apareça turisticamente no mapa português e espanhol", disse o vereador das Actividades Económicas, José Polido.
("Aparecer turisticamente"... é uma expressão curiosa)
Seria interessante que esse grupo de trabalho integrasse outros representantes da sociedade civil e não apenas a autarquia, os empresários e as associações de comerciantes. Importava incluir no grupo, elementos que contrabalançassem alguns interesses instalados que, muitas vezes, podem ser contrários a um crescimento saudável e ponderado, com fins delineados, tendo como objectivo único a defesa da terra. Parece-me pouco coerente, e até preocupante, entregar o futuro do turismo de Sesimbra a um grupo que rema em uníssono para o mesmo lado. Mas, lá está, é uma perspectiva...
Segundo o coordenador da FAMTour, Aleixo Terra-da-Motta "a ideia é encontrar uma plataforma com poder político e privado que teça um plano estratégico para o desenvolvimento sustentável do concelho".
Ora, assentar o desenvolvimento sustentável do concelho numa plataforma que reúne no mesmo prato da balança o político e o privado em defesa da coisa pública e do futuro da terra é, por si só, uma estratégia pouco... coerente (para não dizer outra coisa).

Para ajudar à festa, os responsáveis apontam como público-alvo desta promoção de Sesimbra o mercado espanhol, “em crescimento”.
E as minhas preocupações em relação a este tipo de iniciativas aumentam. Ora, vejam bem o slogan desta iniciativa: “Estremadura espanhola, a vossa praia é Sesimbra!”. De facto, ela não é minha, nem nossa (dos residentes), nem tão pouco dos pescadores. Mas ver esta praia atribuída a outros, assim de bandeja… doi. Não é minha, não é nossa, mas muito menos será deles.
E, como se não bastasse, Aleixo Terra-da-Motta adianta ainda que um dos projectos do grupo passa também por “estudar os grandes investimentos previstos para a região”, como Tróia ou a Mata de Sesimbra, de modo a “identificar possíveis sinergias, pontos positivos e pontos negativos a serem melhorados”.
Mata de Sesimbra? Está tudo dito...

19 de set. de 2006

Alguém andou a fazer contas

Na edição de Setembro do ‘Sesimbra Município’ é impossível ficar indiferente aos números:

«As sessões públicas de esclarecimento contaram com a participação de 310 munícipes, dos quais 26 intervieram. Por escrito, foram entregues 27 participações.»
‘Relatório da discussão pública aprovado por unanimidade’, pág. 3

«Este ano lectivo a verba ronda os 540 mil euros para apoio a 1200 alunos. Um valor que traduz um aumento na ordem dos 30 por cento em relação a 2005/2006.»
‘Autarquia investe 540 mil euros’, pág.5

«O Centro de Recursos Educativos da Câmara Municipal de Sesimbra (…) abriu as portas em Junho de 2005 e desde então já fez 1146 atendimentos.»
‘Centro de Recursos Educativos, Um espaço aberto à comunidade’, pág. 7

«A festa, que em 2005 recebeu 400 pessoas, é uma homenagem a todos os idosos do concelho.»
‘Dia Internacional do Idosos, Festa no Parque de Campismo’, pág. 9

«As actividades de Educação Ambiental destinadas a crianças (…) tiveram este ano mais de 250 participantes.»
‘Educação Ambiental, Ateliês de Verão muito participados’, pág. 13

«Cerca de duas mil pessoas visitaram as exposições Mundo Subterrâneo da Arrábida e Reino dos Minerais, que estiveram patentes no Espaço Atlântico e na Galeria Arte e Mar.»
‘NECA trouxe à superfície o maravilhoso mundo subterrâneo da Arrábida’, pág.14

«Desde que o projecto Prove teve início, no final de Junho, já foram vendidos 1600 quilos de frutas e legumes cultivados em Sesimbra.»
‘Promoção da agricultura regional, Prove que é da terra!’, pág. 16

Tanta conta, será influência do início das aulas e duma aposta na promoção da matemática... Ou a necessidade de apresentar contas tem outras razões que a própria razão do munícipe desconhece?

Três vezes?!

O boletim da Câmara Municipal de Sesimbra está diferente. Tenho, por isso, que admitir que o ‘Sesimbra Município’ melhorou em, pelo menos, três aspectos:
a) O Presidente da Câmara já não aparece em todas as fotografias;
b) Nas notícias, o leitor deixa de ser constantemente bombardeado com as declarações do arquitecto, que também é presidente, ou dos vereadores. Da mesma forma optaram (e bem) por não transformar as notícias em meros relatos sobre os eventos onde o presidente ou os vereadores tinham estado presentes (até porque, na grande maioria das vezes, essa presença não era realmente relevante para a notícia ou para o munícipe mas apenas porque tinha de ser noticiado que eles lá tinham estado... e a comprovar lá estava a fotografia).
c) Os erros ortográficos e gramaticais que antes se atropelavam, agora diminuíram consideravelmente.
Mas, e como não há bela sem senão, nalguma esquina do ‘Sesimbra Município’ tinha de pulsar uma certa veia. Numa edição dedicada ao ‘Regresso às Aulas’, como anuncia a capa, era de prever uma forte presença de notícias no âmbito da Educação. Nas páginas 4 e 5, por exemplo, fala-se de obras. Fala-se e fala-se e fala-se. Isto porque não basta dizer as coisas uma vez. Ora, façamos contas às letras…
1) No texto ‘Tudo pronto para o início do ano escolar’ (página 4), é referido no segundo parágrafo: «Este ano, durante o Verão, foram feitas obras em várias escolas básicas do primeiro ciclo, de forma a melhorar as suas condições de conforto e funcionamento. De salientar as intervenções nas escolas do Zambujal, na Boa Água e em Santana onde foram criados quatro novos refeitórios.».
2) Logo na página seguinte, o 1.º parágrafo da notícia ‘Quatro novos refeitórios nas EB1’ diz: «A Câmara Municipal criou mais quatro refeitórios nas escolas básicas do primeiro ciclo do Zambujal 1 e 2, da Boa Água, na Quinta do Conde e de Santana».
3) Como se não bastasse, e para aqueles (duh!) que ainda assim não captaram aquela parte dos quatro refeitórios, a página 5 integra ainda uma coluna onde são sintetizadas as ‘Intervenções nas escolas’. Aí o leitor re-re-re-lê que para EB1/JI da Quinta do Conde foi adquirido «equipamento para o refeitório» ou que na EB1 de Santana foi criada «uma sala de refeições» e adquiridos os «respectivos equipamentos»…
Há obra… e há obra… e esta triplica-se!

15 de set. de 2006

Lestes

Concluo que Sesimbra está a leste do resto do mundo. Num dia em que os professores estão de luto, em sinal de protesto e em manifestação pelo seu descontentamento... Por cá, a "comunidade educativa", como alguém a entende, é desafiada a brincar aos sixties.

14 de set. de 2006

Um início de mês... que já lá vai

Segundo o 'Jornal de Sesimbra', na reunião ordinária de Câmara de 16 de Agosto, foi anunciada, para o início de Setembro, a apresentação do Plano de Pormenor da Zona Sul da Mata de Sesimbra. Ora, o início de Setembro já lá vai. Estamos em meados do mês e a partir da próxima semana entramos no seu final.
A ver vamos se se enganaram na parte do mês em questão, ou no mês propriamente dito.
A minha ansiedade deve-se à curiosidade de saber quais as propostas apresentadas durante o período de discussão pública que foram acatadas pela equipa que elaborou o documento.
É importante daí tirar conclusões até porque o Plano de Pormenor da Zona Norte da Mata de Sesimbra ainda está no segredo dos deuses. E sobre esse, ninguém se atreveu a conjecturar uma data de finalização. Talvez no dia anterior ao início dessa discussão pública, alguém se digne a avisar...

12 de set. de 2006

Contas

A edição de Setembro da “agenda de acontecimentos do concelho de Sesimbra”, a ‘sesimbr’acontece’, anuncia na página 17 um evento de que já nos habituámos a ouvir falar, raras vezes por bons motivos: a recepção à comunidade educativa. Desta feita, em vez do tradicional e concorrido repasto oferecido aos funcionários das escolas do concelho, a revista anuncia-nos um programa que começa na próxima sexta-feira e se estende até 5 de Outubro. As actividades destinadas à comunidade educativa, no entanto, estão assinaladas com um asterisco. Ou seja, das 19 actividades previstas, apenas três têm o dito asterisco.
São diversas as críticas que tenho ouvido em relação a este evento que, todos os anos, dá um valente desbaste no orçamento municipal. Mas, há que compreender a pertinência da festa, que este ano aparece camuflada entre diversos outros eventos. Por um lado, o pessoal precisa de festas. Por outro, calam-se as bocas às vozes críticas, tapando o sol com a peneira, isto é, integrando neste “acontecimento” actividades como a observação das estrelas no Monte dos Vendavais, alguns passeios pedestres e conferências (tudo sem asterisco).
Apesar destes contorcionismos, o ponto alto continua a ser, sem dúvida, o dia da recepção que inclui o (já tradicional) repasto temático, desta vez dedicado à ‘Época que mudou o Mundo – anos 60’ (note-se que os convidados têm de adequar as vestes à época retratada… uma forma de dar expressão ao anunciado Carnaval-todo-o-ano, claro está), que terá lugar na Fortaleza de Santiago. Tendo em consideração que, como referido no texto ‘O início do ano lectivo’, existem cerca de 700 professores e educadores no concelho… é fazer as contas!

11 de set. de 2006

Curtinhas

1) Não se percebe porque insistem em anunciar a criação de mais lugares de estacionamento. Os condutores não precisam que lhes criem lugares porque eles inventam-nos. Basta ver o estado em que esteve a marginal nas noites de sexta e sábado.
2) Não se percebe porque é que depois de dezenas, senão mesmo centenas, ou milhares de infracções cometidas em frente à entrada superior do novo "Sesimbra Hotel & Spa" a sinalização continua insuficiente e a criar situações de trânsito insólitas.
3) Decorreu, este fim-de-semana, o XI Encontro de Limpeza Subaquática na Praia do Ouro, em Sesimbra, organizado pelo Núcleo de Actividades Subaquáticas da Associação de Estudantes do Instituto Superior Técnico (NASAEIST) em colaboração com a Câmara Municipal de Sesimbra. Em declarações ao 'Setúbal na Rede', o presidente do NASAEIST anunciou que o objectivo da edição de 2006 era retirar uma tonelada de lixo do mar de Sesimbra: «no ano passado 50 participantes retiraram 800 quilos de lixo e há dois anos 600 quilos, pelo que este ano acredita-se conseguir alcançar a tonelada».
Curiosamente, uma iniciativa deste género deveria ter como objectivo retirar cada vez menos lixo do mar, ou não?
4) Atenção à navegação... Está quase aí a festarola do ano! Preparem-se porque a festa de recepção à comunidade educativa não tarda!

6 de set. de 2006

Mais à borda era impossível

Este fim-de-semana, à semelhança do que tem acontecido ultimamente, junto à praia, uma moça simpática estendia revistas aos veraneantes. A revista “Happy Woman”, de Julho de 2006, puxa para capa alguns títulos sugestivos: “Vestida para ser magra”; “Troca de casais, uma nova tendência”; ou, “Como conseguir um aumento”. Além destes temas atractivos, houve um que, por motivos óbvios, me chamou a atenção: “Hóteis em cima do mar com preços happy”. A parte dos “hotéis em cima do mar” deixou-me a pulga atrás da orelha, mas quando abri a revista desfiz as dúvidas. Lá estava ele. O “Sesimbra Hotel & Spa” no seu melhor. Ora vejamos o que diz a reportagem:

«Percorro a marginal da vila piscatória e sou surpreendida por um edifício imponente de linhas contemporâneas, situado mesmo em frente ao oceano».
«Imponente» é… comedimento. E «situado mesmo em frente ao oceano» é dizer pouco dum edifício que está plantado à borda de água.
Se assim não fosse, a jornalista não escreveria mais adiante o seguinte:
«Com um sol radioso dispenso a piscina interior aquecida e o ginásio, preferindo exercitar-me na piscina exterior. Saboreio esses momentos na água doce e aquecida, com a sensação de que me basta esticar o braço para tocar o oceano».
Pois, neste hotel, sensação e realidade confundem-se. Ora, experimente lá esticar o bracito!

5 de set. de 2006

Lido

«Hoje, todas as escolas e instituições culturais têm padrinhos. Uns são mecenas, como o Jumbo, os Rotários ou os Lyon e outros dão apoio social. Mourinho, por exemplo, apadrinha a escola secundária do Bocage.»
Maria das Dores, que na quinta-feira toma posse como presidente da Câmara Municipal de Setúbal revela, ao 'Expresso' de 2 de Setembro, a sua obra de 5 anos à frente do pelouro da Cultura e Desporto.

«Os militantes comunistas têm então (mais) esta diferença: para nós, também os cargos públicos são para exercer num quadro de trabalho colectivo, em que a equipa vale mais do que um somatório de valores individuais.»
Bruno Dias, Membro da Direcção Regional de Setúbal e do Comité Central do PCP, em crónica de opinião publicada no 'Setúbal na Rede'.

«Nos restaurantes também há os que não se poupam e gostam de comer “do bom e do melhor”, como há aqueles que escolhem o mais barato que há na ementa. Vê-se de tudo um pouco, desde grandes pratos de marisco, com lagosta, camarão tigre e ostras, até pratos de sardinhas e carapaus.»
'O Sesimbrense', notícia sobre o turismo na Aldeia do Meco.

«(...) Há cerca de três anos o livro estava praticamente pronto mas foi nessa altura que Sesimbra sofreu uma transformação tal que me fez pensar que dentro de poucos meses as fotos estariam completamente desactualizadas. Então decidi esperar (…) Por exemplo, posso adiantar que a primeira foto constante no livro tem oito anos e a última foi tirada duas semanas antes do lançamento. Por entre gruas e guindastes era difícil encontrar uma boa perspectiva de fotografia e, por isso, esperei tanto tempo.»
Carlos Sargedas em entrevista ao ‘Jornal de Sesimbra’ sobre o seu novo livro “Vertigem Azul”.