18 de jul. de 2006

Desmazelos

Há coisas que custam a entender. É conhecida a aposta financeira e em termos humanos que o actual executivo da Câmara Municipal de Sesimbra tem feito na área da comunicação e imagem. Não consigo, por isso, perceber porque raio o site da autarquia é tão fraco e descuidado. Estamos a 18 de Julho de 2006 (9.40 horas) e, num Verão que prometeram recheado de eventos e animação, vejamos o que nos anuncia o site:
- De 22 de Junho a 2 de Julho - Exposição de Maria de Lurdes Brites alusiva aos Santos Populares;
- De 17 de Junho a 15 de Julho – III Exposição Internacional de Artes Plásticas;
- 16 de Julho – Zimbra’Antiga;
- 25 de Junho e 9 de Julho – Zimbr’Arte
Por fim, está ainda disponível para download o ficheiro com a programação alusiva aos Santos Populares que terminou a 1 de Julho.
Tudo completamente ultrapassado!
Confesso que a minha intenção até era boa. Consultei o site na expectativa de descobrir um espectáculo para o fim-de-semana. Como a ‘sesimbr’acontece’ me faz urticária, costumo recorrer ao site onde, normalmente, evitam os textos sem jeito nem amanho. Mas nem assim…
Será que estes senhores percebem que o site pode ser consultado por qualquer pessoa, em qualquer lugar e a qualquer hora?... E que situações deste tipo não abonam a favor da autarquia transmitindo antes uma imagem de alguma incúria? Até porque, provavelmente, o turista que nos vem visitar no próximo fim-de-semana, não virá à procura apenas de sol e mar e não tem acesso à pérola 'sesimbr'acontece'...

A Sopa errou

Agradeço ao anonymous das 5:10PM a correcção. O grupo O'QueStrada é, de facto, composto por 5 músicos: a guitarra à portuguesa, a contra-bacia, a guitarra rítmica, a voz e o acordeão. Não se trata, por isso, de um quarteto como ontem anunciei, mas sim de um quinteto.
Aproveito para recordar que é um espectáculo a não perder!

17 de jul. de 2006

Nada acontece

A mais recente edição da ‘sesimbr’acontece’ não desilude quando comparado com o que tem vindo a ser feito.
A presença dos O’QueStrada na capa desta publicação até poderia induzir o contrário. Os espectáculos que este quarteto tem realizado, às sextas-feiras, no átrio do Teatro Nacional D. Maria II, são imprevistos e boas surpresas. (Atenção que eles vão estar no dia 29 no Largo José António Pereira.)
Por contraposição, pouco de novo nos é oferecido pelo conteúdo de mais esta edição da agenda municipal.
Digo pouco porque, na realidade, notei, com interesse, que o texto que, habitualmente, abre a publicação deixou de ser assinado pela vice-presidente da Câmara Municipal de Sesimbra, Felícia Costa, mas passou a ser assinado pela vereadora do pelouro da Cultura, Felícia Costa. Fico sem perceber se são homónimas ou heterónimos; ora aparece a Felícia-vice, ora aparece a Felícia-vereadora.
Fora isso, os restantes textos continuam insípidos, insonsos e inodoros. A pérola é o texto sobre a Feira do Livro de Sesimbra.
Livros… Haveria tanto para dizer sobre os livros. Mas, na ‘sesimbr’acontece’ só se lembram de afirmar coisas tão interessantes como a necessidade de os livros chegarem «cada vez mais cedo ao contacto com as nossas crianças tornando-se um companheiro do berço tal como o urso e a chupeta».

13 de jul. de 2006

O que a Secil pode e os pescadores não

O professor jubilado do Instituto Superior Técnico, Delgado Domingos, acusou o governo de ter perdido legitimidade política ao eliminar, "ilegalmente", uma cláusula do Plano de Ordenamento do Parque Natural da Arrábida (POPNA) que proibia a co-incineração de resíduos perigosos na cimenteira do Outão.
Durante um debate sobre a co-incineração de resíduos perigosos promovido pelo Movimento de Cidadãos pela Arrábida, o professor catedrático do Instituto Superior Técnico lembrou que um dos maiores riscos da co-incineração de resíduos perigosos está relacionado com os efeitos nefastos das emissões de "dioxinas e furanos" para a saúde pública, que poderão subsistir durante muitos anos.
Delgado Domingos referiu também que não houve nenhum estudo ambiental que justificasse a opção do governo pela co-incineração na Arrábida.

Excerto de notícia da Agência Lusa

11 de jul. de 2006

Nada de misturas

As juntas de Freguesia de Santiago e do Castelo candidataram-se, em conjunto, ao Programa Comunitário de Ajuda Alimentar a Carenciados/2006 (PCAAC). De fora ficou a Quinta do Conde, fenómeno que os dois presidentes (Félix Rapaz, de Santiago, e Francisco Jesus, do Castelo) atribuem à “distância geográfica desta freguesia”.

Ler notícia aqui.

O 'Setúbal na Rede' que publicou a notícia fala num "fenómeno" que poderia ser justificado das mais diversas formas. Parece-me que a "distância geográfica" não é, de longe, a melhor desculpa para discriminar uma parte da população do concelho.

6 de jul. de 2006

Promiscuidades e esmagamentos

Sesimbrenses acusam câmara de “promiscuidade” com promotor

Um grupo de 40 cidadãos, entre os quais se encontram o ex-ministro socialista Eduardo Pereira e o presidente do Geota, Carlos Nunes da Costa, acaba de entregar uma contestação ao Plano de Pormenor da Zona Sul da Mata de Sesimbra (PPZSMS), no âmbito da discussão pública sobre o empreendimento, que acusa a câmara de “promiscuidade” com os promotores imobiliários e exige a elaboração de outro plano de pormenor (PP).
Entre os subscritores do documento estão os sesimbrenses que, há cerca de três meses, ameaçaram interpor uma providência cautelar contra este processo. Na ocasião, contestavam a ausência, durante o período de consulta pública, dos pareceres de entidades como a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR-LVT), Instituto de Conservação da Natureza (ICN) ou Direcção-Geral do Turismo (DGT).
De acordo com Adelino Fortunato, um dos subscritores, a providência acabou por não avançar “porque entretanto o presidente da câmara reconheceu a insuficiência e abriu um novo período de discussão”. (…) Segundo Adelino Fortunato, “todas as entidades levantam problemas e questionam a sustentabilidade económica e social” do empreendimento.
O PPZSMS reporta a um acordo firmado entre o ex-ministro Isaltino Morais, a Câmara de Sesimbra, a imobiliária Pelicano e a promotora Aldeia do Meco – para onde estava previsto um outro empreendimento. “Não resulta, portanto, de uma acção de ordenamento do território patrocinada pelo interesse público”, consideram os signatários da contestação. (…)
Além disso, levantam suspeitas quanto à legitimidade de um PP “encomendado pela autarquia a técnicos que pertencem aos quadros da Pelicano ou são seus assessores”. No seu entender, é “gravíssima a promiscuidade verificada ao longo de todo este processo entre os órgãos de gestão autárquica e os promotores imobiliários”. (…)
Acusações que o presidente da autarquia, Augusto Pólvora, refuta, afirmando que “nada há de ilegal” na nomeação da equipa que elaborou o PP. “A Pelicano propôs uma equipa técnica que a câmara aprovou, em 2003, por unanimidade, ao mesmo tempo que aprovou os termos de referência para a elaboração do plano de pormenor, como a área, os índices e os objectivos”, explica Augusto Pólvora, frisando ainda que “era a empresa que representava os proprietários e que já tinha acordos com eles”, acrescenta o autarca.

População teme “esmagamento” de Sesimbra
O número de camas previsto para a zona sul da mata de Sesimbra – 31 mil – é uma das principais preocupações dos cidadãos que se opõem ao projecto. Aos 37 mil habitantes do concelho vão juntar-se, com as duas fases do empreendimento, “mais 83 mil”. Tendo em conta que, em toda a Costa Azul, existem actualmente dez mil camas, os subscritores da contestação consideram que “não há enquadramento deste projecto no quadro mais geral das necessidades de desenvolvimento regional” e dizem que “nada garante que esta não venha a transformar-se numa área de segunda habitação”. (...)


Excertos da notícia publicada no Público de 5 de Julho

5 de jul. de 2006

Uma citação

«Como sublinha Ladany, um regime comunista assenta em três pilares: a dialéctica, o poder do Partido e a polícia secreta. (Quanto ao marxismo, pouco mais representa do que um elemento facultativo; durante a maior parte do tempo, o regime pode passar perfeitamente sem ele.)
A dialéctica é a gaia ciência que permite ao Líder Máximo ter sempre razão; com efeito, mesmo quando se engana, engana-se no bom momento, de modo que tem razão em se enganar; o inimigo, pelo contrário, mesmo quando tem razão, tem razão no mau momento, o que faz com que se engane ao ter razão.»

LEYS, Simon Ensaios Sobre a China, Ensaio, Livros Cotovia, p.40

4 de jul. de 2006

Como é que foi que disse?

Na penúltima edição do jornal ‘O Sesimbrense’ foi anunciado que a providência cautelar, prometida por alguns contestatários do projecto imobiliário previsto para a mata de Sesimbra, afinal, não seria entregue.
A “notícia” não era confirmada. O(a) seu/sua autor(a) afirmava-o claramente:
«E fizeram-no, ao que julgamos saber, porque houve tácito conhecimento de uma nova decisão da Edilidade, em consequência do teor das críticas das três sessões de discussão pública». E acrescentava ainda: «ao que julgamos saber, o expediente jurídico da providência cautelar não vai avançar».
Tudo mera suposições… que, curiosamente, surgiam na mesma edição em que o presidente da Câmara Municipal de Sesimbra deu uma extensa entrevista sobre o turismo… ou melhor, sobre o projecto previsto para a Mata, suas vantagens e benefícios.
Como diria uma escritora light da nossa praça: não há coincidências.

Na sua última edição, ‘O Sesimbrense’ dá o dito pelo não dito. Ou melhor, é obrigado a precisar as conjecturas avançadas. Afinal, «de facto, o que houve foi a “travagem” sequencial que a noticia deixa perceber, aguardando diversas clarificações solicitadas à Câmara».
Não percebo, por isso, porque continuam a chamar-lhe “notícia”. De qualquer forma, o jornal parece assumir o erro.
Mas assumirá mesmo?
Afinal, o(a) seu/sua autor(a) escreve que até há qualquer coisa de verdadeiro que a 1.ª notícia «deixa perceber». Mas não afirma. Apenas sugere.

Essa 2.ª “notícia” diz ainda: «Expirado em 25 de Junho o prazo estabelecido, os mentores da providência cautelar estão a analisar o que puderam apurar, complementarmente, decidindo então se vão ou não avançar com os propósitos enunciados».
A partir daqui, o leitor supõe que o prazo que expirou diz respeito ao prolongamento da discussão pública. No entanto, esse apenas terminou em 27 de Junho, como tal, não se percebe a que se refere o texto.
Por fim, concluiu-se que «há que aguardar» que os subscritores da providência cautelar analisem os factos. Mas mesmo essa informação é inferida. Diz a “notícia”: «E é isso mesmo que se infere do texto de “Ondulações” que Eduardo Pereira assina nesta mesma página de leitura obrigatória para os muitos interessados».
Com tanto diz que disse, dá vontade de pedir: explique-me lá o que quer dizer, mas como se eu fosse muito burr@.

3 de jul. de 2006

Perfis sem jeito nem amanho

A penúltima edição do jornal O Sesimbrense apresentava-nos, da forma abaixo descrita, o presidente da Câmara Municipal de Sesimbra:

«Augusto Manuel Neto Carapinha Pólvora, autêntico sesimbrense, de raiz, pertencente a típicas famílias pexitas, de par marítimo, de boa memória, é Arquitecto (formado em Paratislava, capital da novíssima Eslováquia) e está a cumprir valiosa carreira autárquica desde 1997 com acesso à Presidência da Câmara pela CDU, em finais de 2005. Enquanto Vereador, tendo a seu cargo importantes Pelouros, exerceu actividade profissional com arquitecto na Câmara do Seixal. Tem 47anos de idade, vive no progressivo reduto habitacional do Pereirinha, muito perto do Espichel, é casado e tem dois filhos. Gosta (e pratica) de Desporto, exibe elevado nível de comunicabilidade e mantém, como seu importante trunfo pessoal, um grande apego a Sesimbra.»

a) Augusto Pólvora é um «Arquitecto» com maiúscula.
b) Formado em «Paratislava»... uma terra que não existe. A capital da «novíssima Eslováquia» chama-se, segundo consta, Bratislava.
c) Está a cumprir «valiosa carreira autárquica», duma forma como nenhum jornalista isento poderia qualificar.
d) Enquanto exerceu a actividade profissional na Câmara do Seixal foi «arquitecto», com minúscula.
e) Vive no «progressivo reduto habitacional do Pereirinha». «Progressivo reduto habitacional»?! «Pereirinha»?! As pereirinhas dão pêras pequeninas. Os pinheirinhos dão pinhas pequeninas. É um bocadinho diferente.
f) «Exibe elevado nível de comunicabilidade», duma forma como nenhum jornalista isento escreve, embora possa, eventualmente, pensar.

Ai, ai... esta imprensa regional...

Curtas

1. Já nos tinham anunciado isso mesmo: Carnaval todo o ano.
Este fim-de-semana cumpriu-se mais um Carnaval fora de tempo, na fortaleza de Santiago. O letreiro da entrada anunciava: «Samba show’s”. Deduzo que tal anúncio se destinava mais a turistas do que a pexitos. Não sei se foi por isso, mas o que é certo é que houve pouca gente a responder ao apelo e a festa no interior da fortaleza não vingou.

2. Com o futuro incerto e nebuloso do hospital de Sesimbra (ou melhor, com fim mais certo que incerto) e com a construção sempre adiada de um novo centro de saúde na Quinta do Conde, é estranho que os responsáveis da Câmara Municipal de Sesimbra reivindiquem um hospital no concelho do Seixal.
Mais estranho ainda é que na imprensa regional se dê eco a essa pretensão desajeitada.

«Vai haver o “nosso” Hospital
Vai ser uma realidade – e tão depressa quanto possível: o novo Hospital que servirá os progressivos Concelhos de Seixal e Sesimbra (mais de 100 mil habitantes) localizar-se-á na zona do Fogueteiro, ocupando um belíssimo espaço de 80 hectares.A hipótese de ampliação do Hospital Garcia da Horta, em Almada, como solução para os problemas de apoio sanitário deficiente observado em Sesimbra e Seixal foi anulada por força da coesão e firmeza de protestos públicos sob a égide das Edilidades dos respectivos Concelhos. Vai, pois, haver um Hospital “nosso” sesimbrense, condigno, super-necessário. Que não tarde!»

In Jornal O Sesimbrense

3. Ontem (domingo) dezenas de motas encheram a marginal de Sesimbra. Todos os motards envergavam t-shirts brancas onde se podia ler: «mentes perigosas». Não me pareceu que aquela gente pudesse trazer grande mal ao mundo. Mas lá que incomodaram, incomodaram. Na falta de melhor espaço para expor os seus veículos, optaram pelo passeio junto ao muro da praia. Já os peões, esses tinham de andar pela estrada. Foi troca por troca.

26 de jun. de 2006

Maus exemplos

«Almada quer "abrir" castelo
A Câmara de Almada defende a adaptação do castelo, actualmente ocupado pela GNR, a uma função turístico-cultural, mas continua sem uma resposta concreta por parte do Governo. O monumento acolhe há décadas o comando do Grupo Territorial de Almada, impedindo a população de usufruir dos valores arquitectónicos e patrimoniais que tem para oferecer. »
Afinal há mais fortalezas por esse país fora.
Porque não perguntam ao presidente da Câmara de Sesimbra como resolveu o problema da "sua" fortaleza?
Talvez porque aprenderam com os erros dos outros.
Os maus exemplos não se copiam!

22 de jun. de 2006

Favor com favor se paga

«A Comissão de Utentes da Saúde da Quinta do Conde [promoveu ontem] uma concentração popular contra a intenção do governo de trocar o projecto da nova extensão de saúde por outro de menor dimensão.
A actual extensão de saúde da Quinta do Conde funciona há mais de 20 anos em instalações provisórias muito exíguas e tem apenas quatro médicos, havendo cerca de 10 mil utentes registados sem médico de família.
(…) “Na nossa opinião, o abandono do primeiro projecto representa uma desperdício de dinheiros públicos”, acrescentou Helena Cordeiro [da Comissão de Utentes], lembrando que a Câmara Municipal de Sesimbra também investiu muito dinheiro para adquirir 14 lotes de terreno que eram necessários para a construção do projecto.
“O novo projecto é insuficiente para dar resposta às necessidades de uma população de cerca de 25.000 habitantes e representa mais um atraso na construção da nova unidade de saúde”, frisou Helena Cordeiro. (…)
Por tudo isto, a Comissão de Utentes [apelou] a uma grande participação da população na concentração marcada para quarta-feira, pelas 17:00, junto à actual extensão de saúde da Quinta do Conde. (…)»
Notícia da Agência Lusa.

Será que os presidentes das autarquias de Almada e Seixal se juntaram ao protesto?

21 de jun. de 2006

Revista desportiva

Hoje, o assunto não podia ser outro.

«Desafiar o leitor para qualquer tema estranho ao acontecimento do dia - antes ou depois do jogo - não parece ter, assim, qualquer utilidade prática, como se pode ver pelos jornais e pelas televisões, já para não falar no Parlamento, que adaptou o hemiciclo ao formato rectangular de um relvado alemão.
(...) Se hoje vencermos o México ou, em todo o caso, ficarmos em primeiro lugar no nosso grupo e, por um golpe do destino, ultrapassarmos a barreira seguinte, quem nos pára? Mas se nem uma coisa ou outra conseguirmos, quem nos consola? A verdade é que, praticamente sem darmos por isso, estamos outra vez suspensos do que outros (neste caso a nossa selecção - ou a selecção de Scolari?) poderão fazer por nós.»
Vicente Jorge Silva, in Diário de Notícias (21 Junho 2006)

«Se Portugal chegar à final, não vou abrir a boca de espanto e, se for eliminado nos oitavos-de-final, também não.»
José Mourinho, treinador português do Chelsea, sobre o Mundial de Futebol.

«Uma sondagem recente feita na Alemanha concluiu que das 2000 pessoas entrevistadas, 34% das mulheres e 21% dos homens não estão de todo interessados no maior evento desportivo do ano. É evidente que se trata de uma minoria, mas, sem dúvida, de um número relevante de consumidores disponíveis para algo completamente diferente. Ainda na Alemanha, por exemplo, já há restaurantes que se auto-intitulam de 'World Cup free'.»
Rui Camarinha, in Portugal Diário

«Cristiano Ronaldo é o jogador de futebol preferido da comunidade gay holandesa. A edição online da revista De Gay Krant publicou uma lista com a equipa de sonho escolhida pelos leitores, liderada pelo internacional português. »
in Diário Digital

«Os comentadores da imprensa internacional foram unânimes em considerar que Cristiano Ronaldo exagerou nos efeitos sem qualquer utilidade prática. O mesmo que dizer que o melhor de um quadro de Picasso é tapar o buraco na parede. Toda a arte é inútil. É um fim em si mesmo. Qualquer jogador, à excepção do Secretário, pode atrasar uma bola. Só os da estirpe de Ronaldo podem fazê-lo depois de fintar dois adversários. Não podemos louvá-lo por ele se cansar só para nos divertir? Quantos o fazem? (...)»
Bruno Vieira do Amaral no blogue 'Origem das Espécies'

«Uma promoção da Sport TV ao jogo Portugal-México de amanhã que usa a voz do falecido Jorge Perestrelo aos gritos "Portugal! Portugal!", enquanto surge a seguinte legenda no ecrã: "O chili vai ser cozido à portuguesa."»
Pedro Correia no blogue 'Corta Fitas'


«Duas vitórias consecutivas de Portugal e o acesso antecipado aos oitavos-de-final (antes ainda do jogo contra o México) não lhes bastaram para reconhecer o mérito da selecção e do seleccionador. Esta semana lá desfiaram os habituais argumentos contra Scolari, amontoando críticas à turma portuguesa. Destaco algumas:
Rui Moreira:
- "Neste momento não há rotinas de jogo [na Selecção]."
- "Há algumas lacunas a nível de banco."
António-Pedro Vasconcelos:
- "O problema mais grave de Portugal é a defesa. Miguel não me dá a mesma segurança que o Paulo Ferreira."
- "Pauleta é a grande vítima da falta de velocidade [da Selecção]."
- "A Selecção ainda não foi verdadeiramente posta à prova."Jorge Gabriel:- "Falta velocidade ao futebol português."
- "Acho preocupante o momento de forma de Cristiano Ronaldo."
- "Se o Cristiano Ronaldo falha aquela grande penalidade não tínhamos mais Cristiano Ronaldo."
O moderador do debate, Carlos Daniel, bem tentava chamá-los à realidade. Mas eles continuavam a falar como se Portugal tivesse perdido contra Angola e contra o Irão, em vez de ter ganho. Quem sabe se um deles ainda chega a seleccionador nacional para mostrar a Scolari como se conquista um Campeonato do Mundo?»
Idem

20 de jun. de 2006

Erros - A Saga

A propósito do post de ontem, alguém comentou comigo que a vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Sesimbra oferece à população a música que ouve e em que se revê.
Depois de ler o texto com que a autarca abre a brochura dedicada à 3.ª exposição internacional de artes plásticas, pergunto-me sobre o que anda a vereadora a ler. Talvez os boletins municipais… Digo eu. Senão vejamos:

«Globalizar o sentido da palavra arte é a intenção primordial deste projecto que atinge, este ano, a 3ª edição. Ultrapassar obstáculos, principalmente, o da "interioridade", é uma tarefa corajosa e de certa forma hercúlea, que os organizadores deste projecto tem sabido enfrentar, ultrapassando obstáculos e reunindo forças para, em cada nova edição, fazer melhor.»

Em tão pouca prosa há muito a apontar:

1. O sujeito da frase (os organizadores) deveria estar de acordo com o verbo (é ‘têm’ e não ‘tem’ como está escrito).
2. «Ultrapassar obstáculos»«ultrapassando obstáculos» é bem capaz de ser uma ideia redundante. Mas há que dar um desconto. Foram mesmo MUITOS os obstáculos a ultrapassar.

3. A palavra «interioridade» está entre aspas. Mas mesmo assim não consigo perceber, o segundo, terceiro ou mesmo o quarto sentido de «interioridade» associado a uma terra à beira-mar plantada, paredes meias com Lisboa, Setúbal, Almada ou Seixal. Parece-me bem que esta “interioridade” só existe na cabeça de alguns. E combatê-la, isso sim, é uma tarefa hercúlea! Mas são obstáculos que temos de ultrapassar… De que forma? Ultrapassando-os!

Ups… Isto pega-se!

19 de jun. de 2006

Viva a «cultura popular»

Terminou, há dias, a ‘Feira Festa’ na Quinta do Conde. Em declarações ao jornal ‘Notícias da Zona’ a vereadora da Cultura, Felícia Costa, defendeu que este é «um evento que traduz a cultura popular, a linguagem do povo, tudo o que vem dele e da sua alma». Poético, ah?
Marcaram presença na Feira «que traduz a cultura popular» nomes como ‘Tina T’, ‘Manolo’, ‘Axel’, ‘Melão’, ‘Hugo Leal’ (que tem um CD novo intitulado ‘É muita areia para esta camioneta’), a inconfundível ex-Doce Ágata, a boys band os ‘Santos’, as ‘Pop 21’, o João Marcelo (que, atenção, está a gravar um CD com 'o melhor de João Marcelo'), o João Magalhães, o José Carlos, o Jorge Paulo e o Alex (autor do sucesso Mister Gay), entre muitos outros. Gostos, não se discutem, é verdade. Pessoalmente dispenso este tipo actuações mas sei que há quem goste e só tenho de respeitar. Mas tenho dúvidas que a música que passou pela Quinta do Conde possa, de alguma forma, traduzir a «linguagem do povo» e a sua «alma».
A vereadora diz ainda que a ‘Feira Festa’ permite reafirmar «os laços sociais e raízes que aproximam os homens». A edição de 2006, no entanto, esteve longe de gerar todo este ‘aconchego’. Sublinhe-se que, no fecho da festa, o presidente da Junta de Freguesia da Quinta do Conde retirou, publicamente, pelouros que tinha delegado nalguns membros do seu executivo e, na imprensa, Augusto Duarte referiu-se à ‘Feira’ como um «poço de irregularidades». À parte de todas essas tricas, a noite dedicada ao rock não se realizou, porque dificuldades na actuação das escolas da freguesia e atrasos no espectáculo geraram a ira de populares que arremessaram pedras para o palco.

Tivemos ainda o ‘Assalto à Fortaleza’, uma reedição pexita do ‘Assalto ao Castelo’, este último com origens camponesas. Não reconheci nesse evento nenhuma lição de história como aquela a que assisti no Castelo, com a reconstituição da conquista do castelo pelos cristãos aos mouros, mas a recriação de uma ficção que metia piratas. Nada contra. Foi um momento com alguma piada. Entretenimento.

Do rol de eventos dos últimos dias consta ainda mais uma edição da, já habitual, exposição internacional de artes plásticas. Um evento que, este ano, nasceu torto, com duas peças vandalizadas em plena marginal de Sesimbra. Faltou, julgo eu, bom senso dos dois lados. Do lado dos que destruíram as peças, porque nunca foram educados a respeitar este tipo de obras. Do outro, alguma falta de cautela e caldos de galinha (Como diz a publicidade… Porque os acidentes acontecem e os seguros também…), pois coisas destas, infelizmente, acontecem e não ter sequer ponderado esta possibilidade fez com que o evento ficasse manchado antes mesmo da sua inauguração, independentemente do sucesso que venha ainda a conhecer.

No meio de tudo isto, continuo a achar inconcebível que não haja uma estratégia cultural em Sesimbra. Apenas se reconhecem eventos avulsos, sem jeito nem amanho. ‘Entretenimentozinhos’. Enchem-se os olhos da população com inúmeros acontecimentos apenas com meio, sem princípio nem fim. A cultura sesimbrense continua escondida. Não se ensina nada a ninguém. Por isso, infelizmente, muitos continuarão a não querer aprender. É que a cultura também passa por aí.

9 de jun. de 2006

Sem surpresas

«O presidente da Câmara de Sesimbra está «indignado» com a decisão do Ministério da Saúde de reduzir, para cerca de metade da área, o futuro Centro de Saúde da Quinta do Conde. Numa reunião com a secretária de Estado Carmen Pignatelli, Augusto Pólvora ficou a saber que as «restrições orçamentais» e a «nova filosofia de unidades de saúde familiares» levaram o Governo a reequacionar o projecto previsto para aquela freguesia.»

Será que ainda consideram que o importante é fazer um cordão humano para reivindicar a construção de um hospital no Seixal?... Duh!

2 de jun. de 2006

Dias com sentido

Todos os dias são dias.
Dias de alguma coisa.
Ontem foi ‘Dia Mundial da Criança’. Anteontem foi ‘Dia do Pescador’. Depois também temos o ‘Dia da Mãe’, o ‘Dia do Pai’, o ‘Dia Internacional da Mulher’, o ‘Dia dos Namorados’, o ‘Dia da Árvore’, o ‘Dia da ‘Água’, o ‘Dia da Floresta', e… e… enfim, um leque alargado de homenagens. O PSD propôs a criação do ‘Dia do Cão’. Porque não?
Embalado nesta atribuição de sentido e razão de existir aos dias, a Câmara de Setúbal aprovou, na quarta-feira, por unanimidade, a criação do ‘Dia Municipal da Arrábida’, que será assinalado a 5 de Junho de cada ano, a partir de 2007. A iniciativa visa sensibilizar a população local para a importância e preservação do património natural, arqueológico, arquitectónico, histórico e tradicional da zona.
Um dos vereadores sadinos propôs que a actual maioria da Câmara de Setúbal desenvolvesse esforços para que o Dia Municipal da Arrábida seja também instituído nas autarquias vizinhas de Sesimbra e Palmela, porque os três concelhos têm parte do território integrado na área protegida do Parque Natural da Arrábida.
Será que aqui o pessoal vai alinhar? Precisamos mesmo de atribuir a razão de existir deste dia à Arrábida?
Vamos crer que sim... Então, a partir de agora, todos os '5 de Junho', vamos ser originais e dizer: como seria bom se todos os dias fossem dias da Arrábida.
Mantendo a originalidade podemos mesmo concluir: Mas a Arrábida será sempre que o Homem quiser!
Ou melhor. A Arrábida só o será enquanto o Homem quiser.

31 de mai. de 2006

Dia do Pescador

Mais do que uma coroa de flores, entregue em frente ao "monumento ao pescador".

O primeiro homem

Era como uma árvore da terra nascida
Confundindo com o ardor da terra a sua vida,
E no vasto cantar das marés cheias
Continuava o bater das suas veias.

Criados à medida dos elementos
A alma e os sentimentos
Em si não eram tormentos
Mas graves, grandes, vagos,
Lagos
Reflectindo o mundo,
E o eco sem fundo
Da ascensão da terra nos espaços
Eram os impulsos do seu peito
Florindo num ritmo perfeito
Nos gestos dos seus braços.

Sophia de Mello Breyner Andresen

De taxi

Tal como todas as cartas de amor são ridículas, considero também ridículos os elogios que passam de blogue para blogue. Autores de uns comentam outros elogiando-os. Esses outros sentem-se na obrigação de ir aos blogues dos primeiros agradecer. E assim se vai andando numa troca de mimos. Há qualquer coisa de ridículo em tudo isto.
Apetece-me hoje, no entanto, dar aqui a conhecer um blogue que consulto diariamente: 'O Fogareiro'. O autor é um motorista de taxi em Lisboa que recolhe, nas suas corridas, estórias de breves minutos. É delicioso. (E... no que a elogios diz respeito, fico-me por aqui para não me tornar ridícul@. Cada um que tire as suas próprias conclusões.)
Para trás, na vida desse homem, ficou o 'Escrita em Dia', quando as funções que exercia eram outras. Bem diferentes.

30 de mai. de 2006

Vere a dores

Aproveito a hora mole de almoço, para abrir a "Sesimbr'Acontece". Não, nunca aqui falei desta publicação da Câmara Municipal de Sesimbra porque o Boletim tem-me mantido entretid@, não precisava de mais.
Aberta a agenda deparo com o editorial escrito por uma vereadora que, segundo consta tem nas mãos a pasta da Educação. A primeira frase diz tudo.
Diz que, para os mais pequenos, «Junho é um mês de antecipação do melhor tempo do ano: as férias grandes de Verão». Mas, como esse momento parece tardar, a Câmara Municipal de Sesimbra antecipa a diversão e convívio com amigos, através de um conjunto de eventos... que alguém apelida de culturais.
E eu a julgar que a vereadora da Educação ia dizer que Junho é tempo de estudo, porque se aproxima o final do ano lectivo, o que para muitos significa exames nacionais, provas globais e derradeira tentativa de subir o 2 para um magro e repuxado 3...
Dirão alguns que soo a velho do Restelo, mas confesso que ainda não me habituei a este clima de Carnaval todo o ano, de festas e mais festas. Ainda este fim-de-semana, um concerto dos 'Rádio Macau' encafuado na sala de baixo do Grémio fazia estremecer as redondezas. É a festa a bombar. A bombar até às 3 da matina. Os vizinhos que o digam.