26 de set. de 2008

O caso do "opinador"

O presidente da Câmara Municipal de Sesimbra, Augusto Pólvora, perdeu umas horas do seu, certamente, precioso tempo para alinhavar uma resposta a um determinado artigo de um certo "opinador" do jornal 'Nova Morada'. Não tecerei grandes considerações sobre o nível do texto de resposta que Augusto Pólvora agora fez publicar no mesmo jornal, mas não posso deixar de aqui reproduzir o primeiro parágrafo dessa pérola, por me parecer tão enternecedor e expressivo do resto: "No último número do Nova Morada, um dos "opinadores" residentes, insinuava com base numa entrevista dada por mim em 2001, a um jornal regional, que a minha prática actual era contraditória com o que afirmava nessa entrevista. Como passarei a demonstrar nas linhas que se seguem, sem recurso a tiradas demagógicas mas apenas com base em números e factos indiscutíveis, penso que os leitores facilmente tirarão a conclusão de que o peixe que morre pela boca afinal não sou eu, e que o "tesourinho deprimente" que vai ficar no baú das memórias será provavelmente o artigo que deu origem a esta resposta."
Que dizer sobre tão saudável forma como a discussão é apresentada?...
Mas é assim, apelando ao bom-senso e julgamento dos leitores que Augusto Pólvora abre a prosa. Mas porque será que o presidente não explanou antes as suas razões no jornal 'Raio de Luz' onde mantém um artigo de opinião, onde frequentemente rebate críticas e defende a sua obra? Será que Augusto Pólvora optou, neste caso, por invocar o direito de resposta?
Não se sabe que razões movem o presidente neste caso em particular. Sobre isso nada nos diz. Sabe-se apenas que, apesar que apontar o dedo, Augusto Pólvora nunca identifica ou nomeia o "opinador" cujas ideias tenta rebater. É assim mesmo que se lhe refere: "opinador". O outro não lhe merece mais do que isso. Expressivo, hã?
É, no entanto, o próprio jornal que em ante-título escreve: "Augusto Polvora responde a Américo Gegoloto". Sim, creio que tenha sido o jornal a escrevê-lo porque "Pólvora" leva acento no primeiro "o" e o "opinador" chama-se "Gegaloto".
Sublinhe-se que esta trica tem direito a chamada de capa e os erros repetem-se.
Oh, meus amigos, chamemos os "opinadores" pelos nomes.

24 de set. de 2008

Iluminação

Apesar da exiguidade do areal da praia de Sesimbra, é já habitual a criação de campos de volei e futebol na área frente ao hotel do Mar. Considerando dispensável e questionável essa utilização, não posso deixar de concordar que, além de ser necessário fomentar a prática desportiva, é também importante delimitar espaços numa praia tão pequena, onde uma bola é capaz, certamente, de incomodar muita gente.
No entanto, e como se compreenderá, a montagem do campo de futebol no local onde está, e apesar das redes de protecção, não impediu que muitos apanhassem umas fortes boladas enquanto descansavam de "papo para o ar" a apanhar banhos de sol durante este Verão. Responderão alguns que "quem está mal que se mude". É verdade... Mas encafuar o campo e respectiva bancada naquela prainha antes do pontão, não foi, de facto, uma grande ideia.
Ouvi dizer que no Verão decorre ali um torneio de futebol de praia. Que, também ouvi dizer, tem sido digno de nota, pela ausência de fairplay, pela prática de outra modalidade que não o futebol dentro das 4 linhas, e pela quase total ausência de assistência.
Mas o abandono a que o torneio está votado por parte do público é extensível a quem promove o campo e o deveria dinamizar. Ora bem, durante todo o Verão os holofotes de iluminação do dito cujo ficam ligados até altas horas da noite a dar luz a um campo de areia vazio. Estamos no final de Setembro e o triste espectáculo de... nada e para ninguém continua amplamente iluminado.

22 de set. de 2008

Esplanadas

A Câmara Municipal tem feito grande alarido sobre as obras de recuperação e reconversão de espaços públicos na vila de Sesimbra. É, no entanto, com grande tristeza que vemos importantes largos, praças, artérias e ruas a serem descaracterizadas. O Largo de Bombaldes transformou-se numa enorme esplanada, de serviço a um restaurante. Como se não bastasse, essa esplanada foi envidraçada e hoje mais não é do que um prolongamento do tal restaurante que se apoderou do espaço público, estendendo-se para o exterior. Como tudo isto ainda tem pouco de caricato, a Câmara decidiu pôr a cereja no topo do bolo, colocando uns bancos de pedra a decorar o largo. Não terão, por acaso, reparado que os bancos ficam virados para a tal esplanada. E assim, como quem não quer a coisa, o pessoal pode abancar ali, a salivar para quem se delicia com os petiscos do restaurante.
Um pouco adiante, na Rua Joaquim Brandão há um outro restaurante com nome de obra de Ernest Hemingway. E isto quer dizer: mais uma esplanada enorme no exterior. Como o passeio que existe diante da esplanada já é curto para deixar passar os transeuntes, ainda fazem o favor de lá colocar uma ardósia onde anunciam as iguarias confeccionadas. Quem anda por ali a pé só tem é ir para o meio da estrada para se desviar do menu exposto, porque ali é espaço de esplanada e nada mais interessa. Nem a segurança, nem a boa circulação de pessoas.
Mas o que é que se passa nesta terra!?
Como um mal nunca vem só e atrai mais alarvidades urbanísticas, no último boletim municipal, a Câmara anuncia mais obras e mais verbas para obras. Nada de novo quando as eleições se aproximam a passos largos. Cheira-me que, por este andar, cada vez teremos menos calçada à portuguesa e mais esplanadas.

28 de ago. de 2008

Afinal, ainda mexe!

«A produção no sector das pescas cresceu 23% no primeiro semestre de 2008, face ao período homólogo do ano anterior, o que permitiu um aumento significativo nas exportações portuguesas, melhorando o défice da balança comercial.
De acordo com a Direcção-Geral das Pescas e Aquicultura, de Janeiro a Abril deste ano o défice da balança comercial no sector registou um decréscimo de 17%, em quantidade, e de 12% em valor, comparativamente ao período homólogo do ano anterior.
Para esta melhoria da balança comercial contribuíram as exportações no sector, que se cifraram em 38.777 toneladas (mais 15,9% que no período homólogo) e renderam 147.922 mil euros (mais 18,5% que nos primeiros quatro meses de 2007).Os portos onde mais aumentaram as descargas de pescado foram os de Matosinhos (+38%), Sesimbra (+34%), Olhão (+90%), que no mesmo período de 2007.»


Expresso On-line (27 de Agosto)

27 de ago. de 2008

Reservas

O facto do jornal ‘O Sesimbrense’ ter um novo director não é novidade para ninguém. Na última edição do quinzenário (que talvez tenha deixado de o ser) que já data de 30 de Julho, primeira em que João Augusto Aldeia assina o editorial, fala-se da responsabilidade não só de herdar a direcção do mais antigo jornal local mas também do comprometimento com a «produção de uma informação isenta, fundamentada, responsabilizável, e também aberta à inovação tecnológica».
A fasquia é, sem dúvida, colocada lá bem no alto: «“O Sesimbrense” terá de reforçar a sua qualidade informativa, em actualidade e também em abrangência, reflectindo nas suas páginas – nas de papel, mas também nas da edição em linha na Internet – as preocupações, anseios e realizações da sociedade sesimbrense. Tratando-se uma sociedade plural, democrática e dialogante, o jornal terá de reflectir essa diversidade e essas qualidades, dentro dos princípios, assumidos desde a primeira edição, de independência e de defesa dos interesses do concelho.»
Todos nos merecem o benefício da dúvida, mas com uma comunicação social local que anda pelas ruas da amargura, é com grandes reservas que vejo o leme do ‘O Sesimbrense’ entregue a um funcionário da Câmara Municipal de Sesimbra, responsável pelo Gabinete de Planeamento Estratégico da autarquia, e que, por acaso, até integra a equipa técnica da revisão do Plano Director Municipal (PDM) em curso.
Infelizmente, ‘O Sesimbrense’ é um jornal que agoniza há já alguns anos, vivendo apenas das memórias de outrora quando soube, de facto, desempenhar o seu papel. Esperemos que a agonia não se prolongue muito mais, transformando o jornal numa pálida sombra daquilo que já foi. O concelho não precisa de duplicações do boletim municipal. A ver vamos...

25 de ago. de 2008

Como poderia dizer o saudoso Badaró: é Turismo!

A noite de Sábado foi, uma vez mais, marcada por tristes episódios de violência e armas brancas em plena marginal de Sesimbra. O desinteresse que este problema, sua origem e consequências, tem suscitado em quem anda ao leme desta barcaça é alarmante.

Foi também na noite de Sábado, mas poderia ter sido em qualquer outra noite da semana, pois passear pela marginal é inspirar sempre um poderoso fedor a lixo. Junto à fortaleza onde decorria um animado concerto cheirava a fossa que tresandava, depois, até à praça da Califórnia o passeio é um desfile de perfumes repugnantes.

Na noite de sexta-feira, a Câmara promoveu um evento interessante: a Camerata Vianna da Motta interpretou as Quatro Estações de Vivaldi acompanhada por fogo-de-artifício. Quem chegava à fortaleza pelas 22 horas, quando o espectáculo deveria começar, dava com o nariz nas grades que impediam a passagem. Quem, como eu, viu o anúncio do espectáculo no site da autarquia e na agenda Sesimbra'Acontece não poderia saber que para assistir teria de desembolsar 5€, comprando o bilhete antecipadamente no Posto de Turismo, como depois estava afixado à entrada. Tarde demais. É para vermos como estas coisas funcionam bem.

Até ao final desta semana é possível visitar, na Sociedade Musical Sesimbrense, o SEA - Sesimbra Encontro de Artes. No site da autarquia dizem que se trata duma "espécie de exposição". Boa forma de definir o que quer que seja.

Ora, eu também poderia dizer que tudo isto é "uma espécie de turismo".

20 de ago. de 2008

Ainda se aceitam inscrições para nadar nos salpicos

Corrida ao banho

«HIDROGINÁSTICA
Duzentas pessoas na Piscina do G.D.S.

A partir de 1 de Outubro mais de 200 pessoas vão frequentar a Piscina do Grupo Desportivo de Sesimbra, apoiadas pela Junta de Freguesia de Santiago.»


In site da Junta de Freguesia de Santiago

As coisas que se aprendem por cá

«– Onde passou férias mais vezes?
– Há anos fixei-me em Porto Covo. Na infância e juventude, repartia as férias entre Sesimbra e a Ericeira.
– Que recordações guarda?
– Férias longas, sol, mar e amigos. De Sesimbra, lembro-me das noites em que ia para o mar nas traineiras com os pescadores.
– Dava-lhes sorte ou azar?
– Sorte. Na ‘Pombinho’, vi óptimas pescarias e aprendi a máxima de que não é quem se queixa quem está pior. Muitas vezes, o barco estava cheio de sardinha e o mestre falava por rádio com as outras embarcações a dizer que não havia peixe em lado algum


Entrevista a Rui Marques, lisboeta, de 45 anos, licenciado em Medicina e mestre em Comunicação, foi alto-comissário para a Imigração e criou o Movimento Esperança Portugal.

Correio da Manhã, 18 de Agosto de 2008

18 de ago. de 2008

Recados

A Câmara Municipal de Sesimbra vem anunciando, alto e bom som, para quem quer ouvir e mesmo para quem não quer, a recuperação do santuário do Cabo Espichel. Em fim-de-semana comprido passei pelo local que, apesar de pejado de turistas, mantém um ar abandonado, enclausurado e perdido. Na Casa da Água, onde não se consegue permanecer mais do que alguns minutos devido ao agressivo odor a urina, entre as dezenas de declarações de amor cravadas na parede, a tinta e a navalha, destaca-se um graffiti que atravessa a parede duma ponta à outra expressando um apelo: «A Câmara Municipal devia preservar este local histórico». Não deixa de ser curioso que a única forma que alguém encontrou de manifestar a sua indignação tenha sido maculando esse mesmo local. É o ponto a que se chega. E mais não dá para "apreciar" porque o cheiro é mesmo insuportável.

14 de ago. de 2008

Xiiii! Prevejo mais carnavais, banquetes e estátuas nas rotundas

Ainda o IMI

«A Associação de Munícipios está num braço-de-ferro com o Governo. Exige ter poder para aumentar o valor patrimonial das casas dos bairros mais caros (...).
A negociação entre autarcas e o Governo já está em curso. Passa por encontrar uma forma de compensar as autarquias pela perda de receitas provocada pela redução da taxa máxima do IMI (Imposto Municipal sobre Imóveis), anunciada em Julho por José Sócrates. (...)
Mas os autarcas reclamam mais: é que o limite para a actualização dos coeficientes de localização já terminou há dez meses. E desde então que esperam a publicação da lista pelo Governo. Neste momento, nem sabem se terão direito à sua aplicação com retroactividade a Janeiro, o que valeria um aumento de receitas importante.»

Jornal de Notícias, 14 de Agosto de 2008

13 de ago. de 2008

Construa-se para encher o mealheiro

«As transferências pagas às autarquias pelo Estado, relativas à cobrança dos impostos locais (IMI, IMT e Imposto sobre Veículos, essencialmente) aumentaram 15% em 2007, revelou o secretário de Estado Eduardo Cabrita.
(...)
Em câmaras com maior número de habitantes, as verbas provenientes dos impostos próprios representam a maior parte das receitas municipais. Ao invés, em câmaras mais pequenas, a dependência das transferências do Orçamento de Estado é maior.
(...)»

Diário de Notícias, 13 de Agosto de 2008

12 de ago. de 2008

Para árvores doentes, o betão

A Quercus interpôs uma providência cautelar com o objectivo de evitar o abate de 1200 sobreiros em Vale da Rosa, para onde está prevista a construção do novo estádio do Vitória de Setúbal e duma mega-urbanização denominada de Nova Setúbal, que abrangerá cerca de 7.500 apartamentos, para cerca de trinta mil habitantes. O jornal digital ‘Região de Setúbal On-line’, refere que cerca de uma centena de sócios vitorianos afirmam-se «dispostos a dar a cara pelo futuro do clube e da cidade», questionando «as verdadeiras motivações» da associação ambientalista. «Queremos saber o que estes homens querem fazer ao Vitória. Os sobreiros já estão mortos e eles sabem, por isso perguntamos porque é que estão a basear-se em mentiras».

Não consigo perceber esta mentalidade, usada e abusada no caso 'Mata de Sesimbra', de defesa de abate de árvores doentes para lhes construir em cima, sem qualquer respeito pela manutenção de espaços verdes, de recuperação e preservação de determinadas espécies, para já não falar, claro, do respeito pelo ordenamento do território.

De sublinhar que, segundo a Quercus, a construção do estádio municipal será indirectamente financiado pelas urbanizações a desenvolver, cuja gestão seria adjudicada ao Vitória Futebol Clube.

Ele há coisas…

8 de ago. de 2008

A jogar à defesa

As Câmaras de Sesimbra, Setúbal e Palmela vão recorrer para o Tribunal Central Administrativo do Sul com vista a impedir a co-incineração de resíduos industriais perigosos na cimenteira da Secil, em pleno Parque Natural da Arrábida.
Em declarações ao Correio da Manhã, a presidente da Câmara de Setúbal, Maria das Dores Meira, defendeu: "Enquanto estiver em causa a saúde das populações iremos recorrer à justiça para mais tarde não nos poderem acusar de negligência e que não acautelamos o interesse das pessoas".
E eu que pensava que aquilo que movia estes autarcas era uma real e sincera preocupação com os cidadãos.

Insegurança

Ontem à noite muita gente terá seguido, em directo pela televisão, o desfecho do assalto à agência do BES de Campolide, Lisboa. O episódio não acabou nem bem, nem mal. Acabou. Acabou com a libertação dos reféns, que aparentemente não sofreram mazelas físicas. Acabou com um assaltante abatido e outro maltratado. Pelo meio fica uma história de terror para quem a viveu, com pistolas encostadas à cabeça e horas angustiantes de negociações entre sequestradores e polícia, que culminou com a intervenção dos GOE.
Episódios tristes como este são sempre seguidos nos meios de comunicação social por amplos debates sobre a criminalidade e a violência. A questão que habitualmente se coloca é se Portugal deixou de ser um país seguro.
Numa crónica sobre o tema, de Março deste ano, no Diário de Notícias, Fernanda Câncio citou o sociólogo Nelson Lourenço que defende que “quanto menos violenta é uma sociedade, mais percepciona a violência e mais reage a ela". "O Portugal de há 100 anos era muito mais violento que o da actualidade, mas a ressonância dessa violência era muito menor", referiu.

Não tenho uma clara noção de se será uma questão de percepção ou de ressonância mas uma coisa é certa; a violência é também uma preocupação crescente dos sesimbrenses e os actos violentos e episódios de distúrbios têm-se repetido na pacata vila, de forma assustadora e preocupante. Todos os fins-de-semana deixam um rasto de histórias de assaltos e pancadaria, umas, infelizmente, com final trágico. Por outro lado, a alarmante ausência de policiamento cria um crescente sentimento de insegurança.

De facto, como alguém já disse (embora noutro contexto), o “turismo começa a mudar”.

Agora, a questão habitual: Sesimbra deixou de ser um local seguro? Eu não tenho dúvidas na resposta, embora a minha certeza se baseie numa mera percepção ou ressonância. Mas até isso é sinal da insegurança que se respira nestas noites de Verão em Sesimbra.

7 de ago. de 2008

Não lhes perdoem porque, definitivamente, eles não sabem do que falam

"(...) São sinais claros de que a perspectiva com que se encara o turismo em Sesimbra começa a mudar e a seguir o rumo certo."

Presidente da Câmara Municipal de Sesimbra, Augusto Pólvora
Editorial da agenda Sesimbr'Acontece

6 de ago. de 2008

Do avesso

Há dias em que, ao passar de carro pelo centro da vila, me sinto como um hamster de experiências encerrado numa gaiola. Tudo porque a Câmara Municipal de Sesimbra decidiu, a título experimental, como dizem, proceder a várias alterações de trânsito. Sentidos alterados, ruas de sentido único, circulação interdita. Há de tudo um pouco. Quando, finalmente, consigo estacionar o carro e faço o mesmo percurso a pé, sinto-me numa encruzilhada londrina. Os carros aparecem-me sempre do lado contrário àquele de que estou à espera.
Quando decidirem acabar com a brincadeirinha das experiências, será que vão chegar a alguma conclusão que ainda ninguém saiba? Ou vão baralhar e voltar a trocar mais umas voltas para verem como se comportam os hamsters cá em baixo?

5 de ago. de 2008

No fundo

A maior preocupação dos últimos tempos de algumas cabeças iluminadas é fazer entrar muita gente em Sesimbra. Parques de estacionamento a abarrotar, confusões no trânsito, magotes de gente a fazer piscinas na marginal. E disto se faz turismo. No meio deste turbilhão de carnavais de todas as estações, alguém destapou o ralo desta bacia e entrou-se numa vertigem que encaminha tudo e todos para o fundo.

16 de jul. de 2008

A fome e a fartura

A Fortaleza de Santiago acolhe, em 19 e 20 de Julho, o primeiro festival da sardinha de Sesimbra. Como é anunciado no site da Câmara, durante esse fim-de-semana «os visitantes poderão degustar a quantidade de sardinhas que quiserem pelo preço de oito euros, entre as 13 e as 23 horas».
De 12 a 27 de Julho decorre a quinzena gastronómica do peixe-espada preto, durante a qual dezenas de restaurantes vão disponibilizar na ementa pratos confeccionados com esse peixe.
Fraca ideia promoverem iniciativas que envolvem a restauração do concelho para depois lhes roubarem a clientela.

23 de jun. de 2008

Se sabem, porque é que não fazem?

«As zonas que normalmente designamos por espaços públicos – jardins, parques, campos de jogos, miradouros, monumentos ou percursos pedonais, por exemplo – são peças fundamentais na organização do território de um município. Caracterizam-se por serem acessíveis a todos, por terem enquadramentos históricos, arquitectónicos e paisagísticos propícios à prática de actividades de lazer, e pela capacidade de fixar população e atrair visitantes. Por tudo isto, a criação de novos espaços públicos e a requalificação dos existentes deve ser vista como prioridade pelas autarquias.»

Editorial da agenda ‘Sesimbr’Acontece’

O corta-fitas

Há uns tempos, passava eu pela rotunda do ‘Pingo Doce’ (o original e não o reconvertido “Plus”), quando fui surpreendid@ por um enorme aparato de gente engravatada e fardada que testemunhava a inauguração duma estátua no centro da rotunda, com um enfadado ar solene, nada indiferente aos olhares curiosos dos condutores desprevenidos que davam de caras com aquela curiosa cena.
Percebi, entretanto, que cenas parecidas se repetiram um pouco por todo o concelho. No dia 25 de Abril foram inauguradas, com pompa e circunstância, duas outras peças; uma na Avenida João Paulo II, na Cotovia, e outra na Avenida 1.º de Maio, na Quinta do Conde. Em 22 de Maio foi a tal cena junto ao ‘Pingo Doce’ com que me cruzei. E, três dias depois, segundo vim a constatar mais tarde no site da autarquia, houve mais uma festinha de inauguração duma estátua na Avenida 25 de Abril. Por fim, a 1 de Junho, mais uma peça inaugurada no Parque da Vila da Quinta do Conde, também ele inaugurado nesse mesmo dia. Uma estafa. Tudo numa assentada!
Mas não fizeram a coisa por menos. A juntar a este rol de corta-fitas, em 31 de Maio, Dia do Pescador, houve ainda tempo para encaixar mais uma inauguração, desta feita, do monumento do pescador. Sim, sim, esse já existia, mas como foi “relocalizado”, teve também direito a inauguração. Ora pois! Quando não há, inventa-se.

Susto urbanístico

Cada vez que a Câmara Municipal de Sesimbra apresenta um projecto de ordenamento é sinal de que vem aí asneira da grossa. E, a comprovar a regra e toda e qualquer excepção, o projecto de “reconversão” da Avenida da Liberdade é um susto.
No vocabulário comum, a “reconversão” é uma “transformação que visa a adaptação a novas situações decorrentes do progresso”. Mas no dicionário urbanístico da autarquia, “reconverter” é “betonizar”. E “ordenar” é fechar espaços em branco, construindo, ocupando tudo o que ainda resta.
Aquilo que agora pretendem construir numa das principais artérias de entrada na vila de Sesimbra é uma aberração que promete pôr debaixo do chinelo aquilo a que nos habituámos a reconhecer como “o arranha-céus”.

A culpa é dos CTT

Um atraso na distribuição por correio da agenda ‘Sesimbra Acontece’ resulta numa chamada de atenção na página 3 do último boletim municipal. Apesar de sublinharem, e reafirmarem, que a Câmara é completamente alheia ao sucedido, em momento algum pedem desculpa aos leitores e munícipes pelo sucedido. Certamente consideram que não há desculpas a apresentar por um erro que afirmam não ser da sua responsabilidade. Daí não vem grande mal ao mundo, é certo.
Eu, no entanto, considero que seria, certamente, de bom tom, ouvir “apresentamos as nossas desculpas, mas fomos completamente alheios à situação”.
Nesse texto dirigido aos munícipes, a Câmara afirma ainda que não houve “por parte dos CTT qualquer explicação para o sucedido”, concluindo que serão tomadas “as medidas necessárias para que a situação não se repita”.
Como em qualquer serviço aberto ao público, os CTT devem ter livro de reclamações, e a autarquia deverá ter os seus meios próprios de fazer chegar, pela via que entender, a reclamação a quem de direito.
Era escusado apresentar queixinhas em praça pública. Não fica bem e é de mau tom. Mas também daí não vem ao mundo. Afinal quem erra até são só os outros.

19 de fev. de 2008

Esclarecimentos

As buscas levadas a cabo pela Polícia Judiciária na Câmara Municipal de Sesimbra levantaram uma sombra de suspeição em relação ao projecto da Mata de Sesimbra. Ainda assim, as bancadas da CDU e do PSD na Assembleia Municipal, último órgão a ter uma palavra sobre o projecto, não aceitaram adiar a deliberação sobre o Plano de Pormenor e aprovaram-no.

A Câmara Municipal de Sesimbra divulga agora, no seu site, um “esclarecimento aos munícipes” sobre as buscas de que foi alvo por parte da Policiária Judiciária. Nesse texto é dito que nessa operação «foram levadas cópias de documentos relacionados com o Plano de Pormenor da Mata de Sesimbra (PPMS), nomeadamente uma cópia da versão final do mesmo, e uma cópia da versão submetida à discussão pública, para além dos pareceres de diversas entidades que se pronunciaram sobre o processo».
Não deixa de ser interessante tentar perceber o motivo que leva CDU e PSD a terem garantido, segundo o jornal ‘Notícias da Zona’, que o «conteúdo do projecto da Mata nada tem a ver com as investigações» policiais em curso.
Ou a minha cabeça anda muito baralhada, ou «documentos relacionados com o PPMS» e cópias das suas versões e o «conteúdo do projecto da Mata» são uma e a mesma coisa, ou não?...

Já agora... O “esclarecimento” é muito claro quando diz expressamente: «Recorde-se que a decisão de elaborar um Plano de Pormenor para a Mata de Sesimbra está associada ao chamado acordo do Meco, datado de 2003 e proposto pelo Governo à Câmara Municipal de Sesimbra». No entanto, mais adiante, diz ainda o “esclarecimento” que «a versão final do Plano de Pormenor não contempla qualquer carga construtiva proveniente do alvará 5/99 da Aldeia do Meco, no seguimento da orientação expressa do Ministro do Ambiente, transmitida em Setembro de 2007 e aceite pela Câmara, não havendo assim, neste momento, qualquer relação directa entre o Plano de Pormenor e o Acordo do Meco».

Então mas afinal em que ficamos?

18 de fev. de 2008

Finalmente Mata

CDU e PSD viabilizaram, na madrugada de sexta-feira, o mega-projecto imobiliário da Mata de Sesimbra. O PS abandonou a sala alegando não estarem reunidas condições para deliberar sobre um projecto tão gigantesco e sobre o qual decorre uma investigação judicial. O Bloco de Esquerda, por seu lado, que sempre se afirmou contra este projecto, manteve-se na luta desferindo duras críticas contra o projecto e contra a forma apressada e atabalhoada como a coligação CDU-PSD pretenderam aprovar a cidade da Mata.
Acusando a oposição de “mentirosa”, o presidente da Câmara Augusto Pólvora não se cansou de apregoar as vantagens do empreendimento, repetindo, em tom sempre afinado, a cantilena que sabe de cor. Em coro, a bancada social-democrata, acompanhava o autarca quando este entoava o refrão. Já a bancada da CDU seguia pelas cábulas a cantiga que deveria acompanhar.
Na última edição do jornal ‘Notícias da Zona’, Augusto Pólvora reconhece que o projecto da Mata é a sua «grande aposta para o desenvolvimento económico do concelho». Esta posição de considerar fundamental para o futuro do concelho um projecto imobiliário privado só pode gerar dúvidas. É colocar nas mãos de privados, ou melhor, nas mãos da empresa Pelicano, cujo currículo de credibilidade deixa muito a desejar, o futuro de Sesimbra, sem que tenham sido asseguradas quaisquer garantias. Nem económicas (construir uma cidade à beira das vilas de Sesimbra e Quinta do Conde e das aldeias do Castelo implicará um investimento brutal da autarquia, que inevitavelmente a breve prazo negligenciará o resto do concelho, como se os problemas actuais já não fossem suficientes), nem sociais (o projecto duplicará a população do concelho e a esse total juntar-se-ão os milhares de pessoas que visitam Sesimbra no Verão e aos fins-de-semana), nem ambientais.
Para que este projecto avançasse, CDU e PSD alteraram o Plano Director Municipal (PDM), um documento soberano de ordenamento do território. Ora, como o próprio presidente da Câmara afirmou na reunião da Assembleia Municipal, se já defende a urbanização da Mata há muitos anos, não se compreende que não tenha considerado essa possibilidade logo no PDM inicial em cuja elaboração participou. É que o PDM elaborado e aprovado em executivo de maioria CDU, e que (ainda) vigora, limita inequivocamente a construção concentrada e a carga construtiva na Mata. Tudo isto foi, porém, subvertido na última reunião da Assembleia Municipal.
Quatro dias depois de Sesimbra abrir noticiários e encher páginas de jornais pelas piores razões, CDU e PSD aprovaram um projecto que parece esconder mais do que aquilo que mostra.
Insuflados de certezas, no entanto, CDU e PSD defendem, segundo noticía o jornal ‘Notícias da Zona’, que «o conteúdo do projecto da Mata nada tem a ver com as investigações» policiais em curso.
As coisas que eles sabem... Ou será que esta parte também estava na cábula?

15 de fev. de 2008

Dia D

Depois da segunda-feira negra - com a divulgação de que a Câmara Municipal de Sesimbra (nomeadamente o gabinete do próprio presidente da Câmara e o departamento do planeamento urbanístico) estava a ser alvo de buscas por parte da Policía Judiciária - que colocou Sesimbra, aos olhos da opinião pública, ao nível de Felgueiras, Marco de Canaveses, Oeiras ou Gondomar, o concelho volta hoje a estar no centro das atenções. A Assembleia Municipal de Sesimbra delibera hoje sobre o "suspeito" Plano de Pormenor da Zona Sul da Mata de Sesimbra.
Sobre este projecto que, desde o seu início, levantou grandes e fortes suspeições, gerou um coro de críticas e sobre o qual paira agora, mais do que nunca, uma sombra de acusação de alegadas e graves irregularidades, CDU e PSD já confirmaram que votarão a favor (ver aqui).

3 de fev. de 2008

Adiado para o resto do ano

Hoje, Domingo, o desfile de Carnaval não saiu à rua devido ao meu tempo que se anunciava mas que mal deu um ar de sua graça durante a tarde. A organização não controla o tempo que faz, mas em início de Fevereiro, uma situação do género tinha grandes probabilidades de acontecer. Criticável é que a organização não tenha ponderado esta hipótese e engendrado um plano B. Perderam os visitantes que fizeram a viagem em vão e perderam os "desfilantes". A restante população de Sesimbra não perde porque continua a ter a promessa de "Carnaval todo o ano". É que, enquanto para uns o Carnaval são três dias, para os que aqui votam, o Carnaval são trezentos e sessenta e cinco.

O que parece é

Esta semana, um comunicado de imprensa da concelhia do PSD, noticiado nos órgãos de comunicação social locais, dava eco da ampla concordância e apoio que este partido dá ao mega-projecto imobiliário da Mata de Sesimbra.
A posição não é nova. Afinal foi um ministro laranja, na altura Isaltino Morais, que subscreveu, pelo Estado, um duvidoso acordo que permitiria viabilizar a construção da mega-cidade no pulmão verde da Área Metropolitana de Lisboa.
Um projecto da dimensão deste, poderia e deveria suscitar enormes dúvidas, receios e atitudes prudentes por parte dos políticos. Alguns têm essa consciência. Outros nem tanto. Às certezas inquestionáveis em relação a este projecto do presidente da Câmara comunista, Augusto Pólvora, somam-se agora as certezas dos sociais-democratas, pela voz do líder laranja Francisco Luís.
No seu comunicado de imprensa, além de confirmar o apoio «a 100%» ao projecto, Francisco Luís vai ao ponto de acusar a bancada da CDU na Assembleia Municipal de «brandura» em todo este processo, como noticia o jornal ‘Nova Morada’. Para o PSD, a CDU «apesar de ser a força maioritária, encolhe-se e é incapaz de assumir a liderança, como lhe compete, em processos com a envergadura do Plano de Pormenor da Zona Sul da Mata de Sesimbra». Foi esta posição de «brandura» que, segundo o PSD, permitiu que a votação do projecto neste órgão autárquico fosse adiada.
Que o PSD já assumiu a defesa das posições da CDU na Câmara já se tinha percebido. A forma como decorreu o debate sobre a criação duma Associação Municipal para estudar a gestão da água foi expressivo, com o social-democrata Francisco Luís a defender com unhas e dentes a proposta do comunista Augusto Pólvora, dando-se ao luxo de dar resposta às questões que a oposição, leia-se Bloco de Esquerda e Partido Socialista, dirigiam ao presidente da Câmara.
Agora, Francisco Luís manda recados para dentro de outro partido, sublinhando que até tem de ser ele próprio a assumir a defesa da gestão CDU porque os comunistas não sabem desempenhar esse papel.
Ele há coisas…

Já agora, alguém me explique, qual é a pressa?!

30 de jan. de 2008

Mais uma...

O último 'Sesimbra Município' revela que o mega-projecto imobiliário previsto para a 'Mata de Sesimbra' foi declarado "Projecto de Interesse Nacional" (PIN), ao qual foi atribuído o n.º 41.
Mas afinal, o que é um PIN e o que conseguem autarquia e promotores imobiliários com esta classificação?

«E o que é um ‘Projecto PIN’, em matéria imobiliária? É aquele através do qual alguém que pretende construir em zona vedada à construção apresenta um projecto megalómano, invariavelmente definido como ‘amigo do ambiente’ e cheio de ‘zonas verdes’ que são campos de golfe, prometendo ainda criar uns milhares de postos de trabalho (...)».
Miguel Sousa Tavares, Expresso, 03-03-2007

«Recentemente elevado ao estatuto de PIN (Projecto de Interesse Nacional), regime expedito especial concedido a projectos endinheirados, que sucedeu aos Projectos Estruturantes, o projecto Verdelago (Altura - Castro Marim) prepara-se para dar a "machadada" final num dos últimos troços livres do litoral sotaventino.»
www.algarvepress.net - 04.01.07

«No essencial, os PIN têm servido para facultar à especulação imobiliária a possibilidade de ocupação de solos protegidos, adquiridos a custos baixíssimos, porque se encontram muitas vezes incluídos em áreas protegidas.
São estes procedimentos que agora se pretendem mais céleres e dignificantes dos instrumentos de excelência para intervir no território, subvertendo atribuições e competências dos órgãos das autarquias locais em desrespeito pelos planos municipais e mesmo por planos especiais e sectoriais de âmbito regional ou nacional.»

www.pcp.pt - Intervenção de Miguel Tiago na AR em Sexta, 21 Dezembro 2007

«A Quercus denunciou, junto do procurador-geral da República, acordos público-privados de “legalidade duvidosa” ao abrigo do conceito de Projecto de Interesse Nacional, solicitando a intervenção do Ministério Público. “Apresentámos vários casos concretos e, inclusive, chamámos a atenção para alguns acordos público-privados na definição do próprio ordenamento do território que são, no mínimo, de legalidade duvidosa”, disse o presidente da associação ambientalista, Hélder Spínola, no final de uma audiência com o PGR, Pinto Monteiro.»
O Primeiro de Janeiro

«Pese embora o (louvável) empenho na construção eficiente, na poupança de recursos e na circulação sustentável, é o projecto em si próprio que parece um absurdo: por mais voltas que se dêem, 8 mil novos fogos para 30 mil pessoas, duplicando a população de Sesimbra, é um excesso insustentável numa região já sobrecarregada. Espera-se que o Governo, à semelhança do que fez no PROT Algarve, acautele estas e outras situações - como o Litoral Alentejano, o Alqueva, o Litoral Oeste. Tanto mais que estão a ser feitos novos planos regionais para estas zonas e o imobiliário, que não olha a meios, já começou a arrombar as decisões pela «via rápida PIN» (projecto de interesse nacional)...»
Luísa Schmidt (Referindo-se à «eco-cidade» Mata de Sesimbra), Expresso

«No mesmo dia, José Sócrates declarou publicamente o seu apoio a um conjunto de 10 novos projectos turísticos, aprovados ao abrigo do expediente burocrático intitulado Projecto de Interesse Nacional (PIN), defendendo que os mesmos se destinam à reconversão da oferta turística para uma qualidade superior. A LPN considera escandaloso apresentar a construção de empreendimentos de mais de 400 camas como se se tratasse de uma estratégia de reconversão para um turismo de qualidade, quando os mesmos são construídos e adicionados aos já existentes, à custa da destruição de mais áreas naturais, e não pela remoção das construções de má qualidade que enxameiam o Algarve e que, essas sim, deveriam ser efectivamente reconvertidas.
Será que esta massificação encapotada da oferta turística, com aumento da carga urbana e dos campos de golfe, aliada à intensificação agrícola, bem acima da capacidade biofísica do território, é compatível com um turismo de qualidade e que se afirma como sustentável, isto para não referir as questões relativas aos ganhos imorais e insuficientemente esclarecidos decorrentes das mais-valias urbanísticas?»
Liga para a Protecção da Natureza, Comunicado de Imprensa de 1 de Agosto de 2007

29 de jan. de 2008

Pérolas no ‘Raio de Luz’

Que o Raio de Luz está a construir um Centro Cultural e Assistencial não é novidade para ninguém. Que há muito surgem expressos nas páginas do jornal diversos pedidos de “apoio financeiro” para a obra também não. Da mesma forma que não é novidade a forma quase agressiva com que o fazem. O último número não é excepção. Vejamos:

«Oxalá, a consciência dos que nos lêem, sejam “mãos abertas” para que não caiam no desânimo de tudo virem a perder.
Poderia contar exemplos vivos. Não o faço para não criar constrangimentos.
Que cada um se interrogue e tome a decisão acertada.»
In Editorial

Na última página, sob um quadro onde surge uma listagem dos donativos, contribuições e afins para esta obra questinam, de forma dramática, o leitor:
Será a solidariedade, palavra vã?!
Num contexto menos economico-financeiro, o editorial do jornal alerta ainda para os perigos que ameaçam a imprensa regional:
«Um povo que não está com os seus jornais, será a médio prazo, um povo amordaçado. A história já nos demonstrou esse facto. Será que estamos a chegar ao fim? Quem nos quer liquidar?»
«Um povo que não está com os seus jornais»?! Valha-nos... alguém.

24 de jan. de 2008

E esta hein?!

“Vamos lá cambada, todos à molhada!”. Foi desta forma, dando expressão à cantiga que Herman José popularizou durante a sua faceta de artista da rádio, TV, disco e da cassete pirata, que o presidente da Câmara Municipal de Sesimbra, Augusto Pólvora, compareceu na terça-feira, numa reunião das comissões da Assembleia Municipal de Sesimbra que pretendiam conhecer e discutir a última versão do Plano de Pormenor da Zona Sul da Mata de Sesimbra, sobre o qual este órgão autárquico terá de se pronunciar em sessão que deverá ocorrer em meados de Fevereiro.
O caso “Mata de Sesimbra” tem sido um festim de imbróglios e para não destoar deste tom Augusto Pólvora decidiu “convocar” para uma reunião - para a qual ele próprio tinha sido convidado -, um vasto leque de representantes do promotor imobiliário, desde arquitectos a técnicos e, claro, juristas. Perdendo toda e qualquer compostura que ainda lhe pudesse restar neste caso, Augusto Pólvora pegou na “cambada” e “todos à molhada” lá foram juntinhos tentar vender, impor e dispôr aquilo que bem lhes apetecia aos deputados municipais.
A Assembleia é, por excelência, um órgão fiscalizador da acção da Câmara e será a última instância municipal a deliberar sobre um mega-projecto imobiliário que tem suscitado muitas e fundamentadas dúvidas e críticas. Que cabecinha iluminada poderá ter imaginado semelhante festival de se apresentar na reunião com funcionários do promotor imobiliário? Do ponto de vista político este tipo de atitudes são inaceitáveis e, do ponto de vista ético é inconcebível.
Mas afinal onde é que acaba a Câmara e começa o promotor, e vice-versa? Como é que conseguimos separar esta "molhada"?
Como se pode ler aqui e aqui, os deputados do Bloco de Esquerda (BE) e do Partido Socialista (PS) na Assembleia Municipal desafinaram do tom dominante, fizeram questão de se descolarem deste tipo de atitudes e abandonaram a sala alegando que a reunião se destinava a ouvir a Câmara e não o promotor imobiliário. CDU e PSD ficaram.

9 de dez. de 2007

A educação da nossa vergonha

A Câmara Municipal de Sesimbra promoveu, na sexta-feira à noite, um debate sobre o Projecto Educativo Local. Sobre este assunto, a vereadora da Educação da Câmara Municipal de Sesimbra, Felícia Costa, disse, em declarações ao jornal “SemMais” que uma das ferramentas muito importantes para a elaboração deste Projecto são os resultados dos inquérito aplicado no ano passado que revelam que «a maioria dos alunos, professores e encarregados de educação de Sesimbra está satisfeita com as escolhas do concelho, embora muitos reclamem a falta de escolas do concelho». A partir daqui, «a autarquia definirá linhas de acção para minimizar os principais problemas», disse a vereadora ao jornal. Quem ler isto há-de achar que a situação da educação em Sesimbra está bem e que apenas faltam equipamentos. Não se percebe porque se fecham os olhos às estatísticas preocupantes publicadas nos últimos dias na imprensa nacional e que nos deviam encher de vergonha. Os resultados dos exames nacionais realizados no ensino básico e secundário revelam uma situação preocupante. Sesimbra é o ÚNICO concelho do litoral que apresenta uma média negativa no exame de português do 12.º ano. A matemática a média é igualmente negativa embora esse resultado se dilua um pouco mais no grave panorama nacional. Em 1292 escolas, a Navegador Rodrigues Soromenho ocupa a 1113.ª posição, e cem lugares acima (1013) aparece a Michel Giacometti.
Enquanto que por um lado a autarquia diz que faz, faz, faz, por outro, os resultados são desastrosos. Alguma conclusão deveria ser retirada desta evidência. Claro que num problema de âmbito nacional, é muito mais fácil sacudir a água do capote para as opções do Governo. Muitas delas, obviamente, altamente criticáveis e criticadas. Mas pensar a educação num âmbito local não pode ser indiferente a esta realidade e uma autarquia não pode, nem está isenta de culpas.
Mais grave a coisa se afigura quando durante a sessão de sexta-feira, a assessora da autarquia para elaboração da Carta Educativa tenha defendido que (numa intervenção em que se apresentou, curiosamente, apenas como “professora aposentada”) o Projecto Local é «uma utopia».
Por seu lado, e uma vez mais, a vereadora da Educação, Felícia Costa, queixou-se da falta de participação por parte dos docentes e restante comunidade educativa nestes eventos promovidos pela autarquia. É estranho que a vereadora consiga reunir tanta gente no tradicional banquete de recepção à comunidade educativa, mas que poucos se sintam mobilizados para discutir os problemas.
Provavelmente não se sentiram envolvidos. Provavelmente já não acreditam. Provavelmente acharam que não se discutiria o que realmente interessa. Provavelmente pensaram que ao seu contributo não seria dada qualquer relevância ou valor.
Já agora, e aqueles que fizeram o esforço para participar no debate que impressão trouxeram?
Num quadro assim também eu acabo por partilhar da opinião da assessora, desculpem, engenheira, desculpem… como é mesmo?... ah, professora aposentada: o futuro da educação em Sesimbra, só pode mesmo ser uma utopia.

12 de nov. de 2007

Pedinchas

Há uma questão que me tem feito muita comichão. Há uns tempos, o Grupo Desportivo de Sesimbra (GDS) anunciou o cumprimento daquilo que ameaçava ser uma eterna promessa eleitoral: a construção duma piscina. O homem sonhou e a obra está em nascimento. Um parto difícil, diga-se de passagem. Ainda não consegui perceber se homem sonhou demais e deu um passo maior do que permite a perna de um grupo desportivo, ou se surgiram mais imprevistos do que os realisticamente considerados.

Mas, façamos contas… esta obra foi comparticipada pela administração central e pela Câmara Municipal de Sesimbra. Entretanto foi contraído pelo clube um empréstimo no valor de 1.440.000 Euros. Há uns tempos, estacionar o carro no Calvário implicava um pagamento que revertia para o GDS. Hoje, na Rádio Sesimbra FM e no site do clube pedincham-se donativos, assumindo que «as dificuldades financeiras são uma constante quando se inicia um projecto de tal dimensão».

Ninguém ignora as dificuldades porque passa o movimento associativo, essencialmente subsidio-dependente. Mas há obras e obras. O Estado contribuiu para esta, tal como a Câmara o fez. E todos nós contribuímos para o Estado e para a Câmara. Parece-me que há aqui algo de excessivo. Ou é a pedinchice ou é a obra em si.

Nesta onda da pedinchice entrou também o Raio de Luz, que em editorial já tinha acusado de “soberbos e avarentos” os que “têm mostrado insensibilidade na partilha dos seus bens para o benefício dos demais”. Também a obra do Centro de Estudos foi já comparticipada pela administração central, Junta de Freguesia do Castelo e pela Câmara.

Mas que raio de moda é esta agora?!

Funina's Blog

Ninguém pode acusar este homem de falta de persistência.
Segundo consta, tem comparecido em mais reuniões de Câmara e da Assembleia Municipal que os próprios membros destes órgãos.
Agora, ele chegou ao universo dos blogues:
http://arlindofunina.blogspot.com/

Um, dois, três, macaquinho do chinês

Nos últimos tempos, os sesimbrenses têm sido bombardeados com referências a “festivais” gastronómicos. Primeiro foi a Quinzena do Peixe-Espada Preto. A esta seguiu-se, no âmbito do programa ‘Marés de Outono’, a Quinzena do Espadarte. Acabadinhos de sair desta, damos logo de caras com a semana gastronómica dos “Sabores de Outono”.
Não tenho absolutamente nada contra estes sucessivos eventos gastronómicos, mas parece-me que com tanta oferta, acabar-se-á por banalizar algo que poderia, dentro de algumas edições, destacar o concelho conquistando turistas pelo estômago.
Falta (também aqui) orientação a esta política de divulgação das actividades económicas. Ora vejamos: anteontem Sesimbra foi concelho de Espadarte; ontem, pretendeu-se que afinal o conhecessem pelo Peixe-Espada Preto; hoje, valem mais as castanhas, batatas-doces e maçãs camoesas da Azoia.
Ser ou não ser, não é realmente a questão que importa. Ou melhor, importa ser seja o que for. É a loucura.
De facto, não há fome que não dê em fartura. E não há enfartamento ou azia que um Kompensan não resolva.

E, atenção, é preciso ter cuidado por que esta coisa pega-se.
É que, entretanto, para não se ficar atrás, o presidente da Junta de Freguesia de Santiago lançou há dias o Festival Gastronómico de Sopas do Mar que deverá decorrer lá para Abril. Félix Rapaz pretende que esta quinzena (esta é que é!) se torne numa «referência nacional».

Mas, de agora até Abril ainda há muita quinzena pelo meio… e aqui a imaginação é o limite.

Já agora... e antes que alguém tenha outra ideia, declaro desde já as duas próximas semanas como a "Quinzena Gastronómica da Sopa de Pelim".

Movimentações

Dois anos apenas nos separam das próximas eleições autárquicas. Não são, por isso, inocentes as movimentações de candidatos a candidatos (digo eu) aos órgãos autárquicos.
Assim, depois de meio mandato a dizer “ámen”, surgem, pela primeira vez, ecos de divergência no executivo que gere a Câmara Municipal de Sesimbra. Há uns tempos, a palavra “unanimidade” era escrita e reescrita na imprensa local. Agora, o vereador socialista Amadeu Penim já ousa descolar-se, pública e assumidamente, das decisões do presidente comunista Augusto Pólvora.
Noutro palco, a comissão concelhia do Partido Socialista tem agora um novo presidente. A Alberto Gameiro, um dos actuais vereadores socialistas que ainda não ousou descolar da liderança comunista da Câmara, sucedeu João Capítulo.
Noutro palco, surge o também socialista, Félix Rapaz, actual presidente da Junta de Freguesia de Santiago. Também este autarca já assumiu que faria todo o gosto em ser cabeça de lista pelo PS à Câmara. Por enquanto, vai lançando desfiles de moda e um festival gastronómico.
E ainda faltam dois anos… Convém que no meio destas movimentações, alguém faça o favor de se lembrar da terra e das pessoas. Não digo que isto seja uma prioridade, mas entre o admirar o próprio umbigo, o distribuir "papas e bolos" e o propagandear a pedrinha que se ajeitou na calçada, pode ser que se encontre um bocadinho de tempo para ver o resto.

Pelas ruas da amargura

Mais uma vez, a edição do jornal ‘O Sesimbrense’ marca pela sua inutilidade. No editorial, a directora Isabel Peneque retoma o tema do aborto, questionando a opção das mulheres que optam por recorrer à interrupção da gravidez. O tema tem suscitado debates interessantes o que contrasta com o editorial de Peneque que prima pelo banal desinteresse e traduz a indiscrição da senhora que relata uma conversa que ouviu num café de bairro, na mesa do lado. Falar da vida alheia já é mau. Mas publicar conversas escutadas na mesa do lado num café, criticando-as e julgando-as, é mesmo mau demais para ser verdade.

A capa do jornal volta a falar de desporto, desta vez (até que enfim) concelhio. Na foto, o destaque vai para três sorridentes autarcas deste concelho; a presidente da Assembleia Municipal, Odete Graça, o presidente da Câmara Municipal de Sesimbra, Augusto Pólvora, e o presidente da Junta de Freguesia do Castelo, Francisco Jesus. Enfim, uma família da mesma cor política, sorridente e (até parece) unida. Tudo a propósito do 8.º aniversário do Clube Escola de Ténis.

Sobre este acentuado declínio de qualidade informativa em alguma imprensa regional, não posso deixar de referir aquilo que descobri no blogue Rede da Xixa que analisa a edição de 2 de Novembro do jornal ‘Nova Morada’. Aqui, chama-se a atenção para uma entrevista feita ao vereador do desporto, José Polido. Faço minhas as palavras e indignação deste anónimo comentador:

Estas são as perguntas que Vanda Pinto colocou ao vereador José Polido.
1ª Pergunta – Que balanço poderá fazer do Desporto a nível concelhio, nestes dois anos?
2ª Pergunta – Esses resultados também são fruto do apoio dado pela autarquia. Como é visto esse apoio pelos clubes?
3ª Pergunta – Fala-se muitas vezes que a autarquia é o grande suporte financeiro dos Clubes. Concorda com esta afirmação?
4ª Pergunta – Mas sem esta ajuda os Clubes não conseguiriam sobreviver…
5ª Pergunta – Acha que existem muitos clubes no concelho?
6ª Pergunta – Em termos financeiros é um grande esforço para a autarquia?
7ª Pergunta – Quanto custa à Câmara esse apoio?
8ª Pergunta – Sendo da área dos números e dos cifrões o que o levou a aceitar uma área como o desporto?
9ª Pergunta – Já agora, que modalidade praticava o atleta José Polido?
10ª Pergunta – Num futuro que projectos desportivos estão a ser desenvolvidos?
11ª Pergunta – Como gostaria de ver crescer o desporto no concelho?
12ª Pergunta – É portanto um vereador orgulhoso do trabalho desenvolvido na área?
13ª Pergunta – Que mensagem gostaria de deixar à população e aos nossos atletas?

Em nota introdutória ao artigo, Vanda Pinto, a assessora da Câmara de Sesimbra e colaboradora do Nova Morada escreveu: “… o apoio do vereador ao desporto e ao movimento associativo tem sido bem evidente até à data. Não é difícil encontrá-lo nas várias actividades ligadas ao desporto que têm decorrido por todo o concelho”

Isto é Imprensa livre e independente???

Não deixa de ser curioso, e até ridículo, que o director do 'Nova Morada' critique em pleno editorial, cheio de moral, um outro jornal local - o 'Notícias da Zona' - por este último ter debatido, numa das suas últimas edições, o casamento e a união de facto.
Ai os telhados de vidro... Enfim, quanto a mim, entre uns e outros, venha o diabo e escolha, porque esta imprensa local anda mesmo pelas ruas da amargura.

3 de out. de 2007

(O)missões

Eu tento perceber, juro que tento... mas não consigo encontrar explicação razoável para o facto de alguns órgãos locais de comunicação social se demitirem tão escandalosa e perigosamente das suas “nobres” funções de informar com verdade e respeito.
A última edição do jornal ‘O Sesimbrense’, que já está on-line, dedica um espaço significativo à última Assembleia Municipal sem nunca referir a moção de censura que este órgão autárquico apresentou à Câmara Municipal de Sesimbra, o que me causa, no mínimo, muita estranheza. Dar eco aos factos, mantendo uma postura o mais imparcial possível, é jornalismo. Omiti-los, já é tomar uma posição, o que é ajornalismo.
Se algum dos derbys futebolísticos que se disputaram na tarde de Sábado, ao mesmo tempo que decorria a reunião da assembleia, tivessem tido honras de capa neste quinzenário, ainda dava o benefício da dúvida ao jornalista. Mas (pasmem-se), desta vez não há fotos de jogadores de râguebi, nem de atletas do triplo salto, nem tão pouco de futebolistas na 1.ª página. É certo que o editorial termina a falar do Scolari e de como um seleccionador nacional passa de bestial a besta, mas é a recriação da antiga lota que merece o destaque de capa.

2 de out. de 2007

Respeito democrático

As bancadas do PSD/PP, BE e PS da Assembleia Municipal aprovaram, no sábado, uma moção de censura à Câmara Municipal de Sesimbra. Na origem desta tomada de posição está o facto de a Câmara ter criado, mediante escritura de 28 de Dezembro de 2006, a ‘Associação de Sesimbra um Concelho com Futuro’, sem a prévia deliberação da Assembleia Municipal.
Curiosamente, a participação da Câmara nesta associação também não resultou duma prévia deliberação por parte do seu próprio executivo, que se limitou a ratificar posteriormente a decisão já tomada pela vice-presidente, Felícia Costa.
Em documentos e despachos que ficaram no meio desta trapalhada, a Câmara reconhece que os procedimentos adoptados não foram isentos de erros, reconhecendo mesmo «existirem fundadas dúvidas quanto à [sua] legalidade».
Apesar de tudo isto, o presidente da Câmara, Augusto Pólvora, estava, de facto, convencido que a Assembleia Municipal fecharia os olhos a esta série de trafulhices, aprovando de cruz a referida Associação, pactuando com um procedimento que tem por base o desrespeito da lei.
Convém sublinhar que apesar de votar contra a moção, a presidente da Assembleia Municipal, Odete Graça (CDU), apresentou uma declaração de voto onde repudiou de viva voz a actuação da Câmara que fez orelhas moucas a um seu despacho que determinava o pagamento de uma taxa à CCDR para que emitisse um parecer sobre o caso, com base no qual a Assembleia deveria decidir. Augusto Pólvora nunca pagou, o parecer nunca veio. Foi, a gota de água.
Esta moção, segundo consta, terá deixado o edil de cabelos em pé, afirmando sentir-se crucificado. Não admira tamanha surpresa. Afinal, este é apenas um exemplo da forma de actuação deste executivo que já vem sendo regra embora sem qualquer contestação. É o quero-posso-e-mando.
Basta ver que o acordo que está na base no mega-projecto imobiliário para a mata de Sesimbra foi também, há poucos dias, considerado ilegal pelo ministro do Ambiente. Apesar disso Augusto Pólvora já veio defender a público que a “cidade da Mata” é para avançar, pois mais m2, menos m2, não faz grande diferença.
Da mesma forma, também não faz grande diferença que uma associação cuja existência nunca foi aprovada pela Assembleia Municipal, sendo por isso ilegal, tenha já Estatutos publicados em Diário da República (Anúncio n.º 1371/2007, DR n.º 42, 2.ª série, 28 Fevereiro 2007). Ora, considerando que esta associação «tem por objecto a promoção e modernização do núcleo urbano central da vila de Sesimbra» visando a sua requalificação, que se poderá dizer do projecto URBCOM? Ai que monumental embrulhada!...Precisamente no processo referente à assinatura do polémico (e ilegal) acordo do Meco, o presidente da autarquia alega que a decisão saiu da Câmara e da Assembleia Municipal, por unanimidade. Esquece-se agora que, na altura, o voto contra o acordo significava um peso sobre a consciência de cada um, pois à assinatura “só” havia uma alternativa: a invasão germânica e o pagamento de uma choruda quantia aos alemães que deixaria depauperados os cofres do munícipio. Apesar de tudo, desta feita, a Assembleia Municipal decidiu não pactuar com as ilegalidades. Valha-nos isso. Já que não nos respeitam a nós, meros munícipes, ao menos que se respeitem uns aos outros.

28 de set. de 2007

Allez Portugal allez!

Na sua edição de 30 de Agosto, o jornal ‘O Sesimbrense’ fazia parar o concelho, por trazer na sua primeira página uma notícia escaldante de grande relevância para a população local: ‘Nelson Évora salta para a medalha de ouro’. Uma fotografia do atleta do Benfica, vencedor do triplo salto no Campeonato do Mundo de Atletismo que decorreu em Osaka, Japão, ocupava toda a capa do jornal.
Na sua edição de 15 de Setembro, ‘O Sesimbrense’ volta a fazer história no jornalismo local, puxando para a capa a prestação da selecção nacional de râguebi que esteve, pela primeira vez, num campeonato do mundo da modalidade.
Num mundo em constante mudança, e num concelho não tão fraco em notícias como poderia parecer à primeira vista, as opções editoriais deste «quinzenário independente para defesa dos interesses do concelho» parecem-me pouco claras.
É certo que o mundo desportivo gira em torno do futebol e toda a gente sente que deveria ser dada maior relevância às restantes modalidades nas quais os atletas lusos se têm destacado. Não me parece, no entanto, que isso seja motivo suficiente para ‘O Sesimbrense’ se demitir da sua missão de ‘defesa dos interesses do concelho’. Não me parece que seja missão deste jornal fazer as capas que ‘A Bola’, o ‘Record’ ou o ‘Jogo’ poderiam ter feito.

Eventos em curtas

A Junta de Freguesia de Santiago promove, esta noite, um desfile de moda, em conjunto com uma empresa de realização de eventos, e com o apoio de algumas empresas do concelho e da Câmara Municipal de Sesimbra. No site da Junta descobri a imagem de divulgação do acontecimento que integra dois elementos gráficos interessantes: a fortaleza de Santiago à qual se sobrepõe um mulher loira, nua. Apesar de afirmarem que o principal objectivo do ‘Sesimbra Fashion Party’ (porquê o nome em inglês?) é colocar a vila «na rota da moda e mostrar que tem lojas e estilistas de grande qualidade e gente bonita para as passerelles», parece-me que a imagem de divulgação do evento parece querer asseverar outros atractivos. Como dizem uns «gatos» que por aí andam... «volta e meia também vão aparecer gajas nuas».
Ai estes candidatos a presidente de Câmara...

Há uma semana, a Câmara Municipal de Sesimbra recriou, na baía de Sesimbra, a antiga lota. Dentro do espírito do ‘Carnaval todo o ano’, no teatro foram envolvidas as escolas de samba e grupos, cujos elementos se mascararam para recriar esses tempos idos. No final do dia, quando o evento já estava longe, só se falava no mistério do cherne desaparecido. Isto para não falar no sumiço de gorazes e peixe-espada preto. Terá sido intervenção da ASAE? Terá sido o vento? O vento não foi certamente e a ASAE não actua assim.

Dando continuidade a uma série de eventos de forte cariz cultural, a Câmara Municipal de Sesimbra vai assinalar o Dia Internacional da Pessoa Idosa (1 de Outubro) com uma mega ‘Matiné Dançante’ que terá lugar no salão ‘Baila Comigo’. Para os idosos do concelho não haverá cherne nem «gajas nuas». Mas que eles mereciam muito mais do que isso, ai mereciam sim senhor.

26 de set. de 2007

Também quero!!

Uma sala cheia recebeu na sexta-feira o debate sobre a ‘Educação e a Escola Pública’ organizado pelo grupo de reflexão sobre o concelho de Sesimbra - ‘Observa’ -, que contou com as participações do reitor da Universidade de Lisboa, António Nóvoa, e dum fundador do Movimento da Escola Moderna, Sérgio Niza.
Em vésperas da reconstituição da antiga lota na praia de Sesimbra, foi com alguma surpresa que vi entre o público a vereadora da Educação da Câmara Municipal de Sesimbra, Felícia Costa.
Foi também com surpresa que a vi entre o público, e não na mesa. Não porque eu ache que ela devesse estar na mesa, mas antes porque acho que ela acha que lá deveria estar.
Foi porém sem surpresa que ouvi a intervenção da vereadora durante o período de debate. Sem rodeios, Felícia Costa antes de dirigir a sua pergunta aos oradores, fez questão de se afirmar admirada por ver a sala cheia de professores, quando poucos comparecem às acções realizadas pela Câmara sobre Educação. Será que a vereadora acha mesmo que esta foi a forma mais correcta de os atrair?
É curioso... Porque também eu fiquei admirad@ por ver a vereadora entre o público num evento que não foi organizado pela Câmara.

«Quando se trata de educação, nenhum político tem dúvidas, nenhum comentador se engana, nenhum português hesita. Palavras gastas. Inúteis. Banalidades. Mentiras. O que é evidente, mente. Evidentemente.»‘E vid ente mente. Histórias da Educação’, António Nóvoa (Asa, 2005) [Retirado do folheto de apresentação da sessão.]

6 de set. de 2007

O «principal» e o «único»

Felizmente o mês de Agosto chegou ao fim.
Finalmente a pequena avalanche de turistas que escolheram Sesimbra como destino de férias, fez as malas e partiu. E os outros (aos quais que não podemos chamar “turistas”) que apenas vêm ao Sábado de manhã e vão ao Sábado à tarde, continuarão a vir e a ir, sempre que o sol perder a vergonha.
Dizem por aí que o Verão “foi fraco” e, há dias atrás, um jornal concelhio comprovou-o dando honras de 1.ª página ao fracasso: ‘Turistas em queda por falta de animação’.
Custa-me a crer que no próximo editorial do boletim municipal, o presidente da Câmara reitere a afirmação de que «Sesimbra é, hoje, o principal destino turístico da Costa Azul e o único destino internacional da região». Augusto Pólvora sustentou a afirmação em dados do «Instituto Nacional de Estatística» referentes aos últimos anos, embora não defina quais, e isso talvez fosse importante para conseguir compreender a incoerência, verificável a olho nú, desta constatação.
Como o líder de bancada da CDU na Assembleia Municipal, Fernando Patrício, nos ensina: não é por repetirmos muitas vezes uma mentira que ela se torna verdade. Por isso, Augusto Pólvora bem pode deixar de insistir nas ideias de «principal» e «único» destino turístico, pois não é por dizê-lo e escrevê-lo muitas vezes que a coisa se efectiva. Há que fazer muito mais.
No editorial em que Pólvora eleva Sesimbra a «principal» e «único», ressalva o trabalho do Turiforum, um «grupo de reflexão sobre o turismo em Sesimbra». Parece-me agora que o grupo terá matéria suficiente para se entreter.
Além disso, acrescenta o edil, está na forja o ‘Plano Estratégico de Desenvolvimento Turístico’ que deverá ser lançado em breve, e que tem como «grande objectivo inverter a tendência sazonal» e «afirmar definitivamente Sesimbra como destino turístico durante todo o ano».
O importante, quer para o reflexivo Turiforum, quer para o Plano Estratégico, é que consigam partir dum diagnóstico fidedigno da situação do turismo actual e tenham uma ideia clara e correcta daquilo que deveria ser o objectivo: um turismo de qualidade para um concelho com as características de Sesimbra. Partir do princípio de que somos o «principal» e o «único» é, por si só, um mau princípio. Não sei onde querem todos eles chegar, mas não é bom sinal meterem pelo caminho um ‘carnaval de Verão’ que só desencantou, um esgoto a correr para a praia, a sobreposição de eventos, ou uma dose dupla de trios electrécticos, e isto apenas para apontar alguns casos.O boletim meteorológico não ajudou, é verdade. Mas isso não é desculpa para quem avoca ser o «principal» e o «único».

4 de set. de 2007

Uma terra de contrastes

No âmbito do evento 'Marés de Outono', vai recriada, dia 22 de Setembro, a antiga lota na praia, numa tentativa de, dizem, "valorizar as tradições". As festas em honra de Nossa Senhora do Cabo Espichel, promovidas pela Comissão de Festas, incluem um pouco tradicional karaoke, no Santuário.

Início do ano lectivo

O início do ano lectivo no concelho de Sesimbra tem sido, nos últimos anos, principescamente assinalado com a realização de um grande banquete oferecido à comunidade educativa. Este evento tem merecido ferozes críticas
pelo esbajamento panfletário (promover uma festarola para centenas de pessoas não é coisa que se faça com meia dúzia de tostões), sobretudo porque há escolas onde os professores são obrigados a pedir aos encarregados de educação, com jeitinho, algum dinheiro para suportar fotocópias, visitas de estudo e... papel higiénico. Apesar disso, a autarquia tem feito finca pé em promover este banquete anual e 2007 não será excepção. Mas, ao que parece, há novidades.
No Sesimbr’Acontece de Setembro é anunciado que o evento terá como tema a banda desenhada. Mas... pasmem-se! Desta feita não estão a pedir aos convivas que se mascarem de Homem-Aranha, Flash Gordon, Hulk ou de X-Men. Segundo a publicação, todos os participantes serão convidados a levar «um livro de banda desenhada para ser oferecido às bibliotecas escolares». Apesar da promessa eleitoral de ‘Carnaval todo o ano’, a autarquia decidiu, ao que parece (e bem), pôr fim ao baile de máscaras em que tinha transformado a recepção.
Mas há mais inovações. A edição ’07 do banquete para a comunidade educativa não terá lugar nem na Fortaleza de Santiago, nem na Quinta dos Sonhos, mas sim, na Escola Básica 1 / JI da Quinta do Conde.
Note-se ainda que, em entrevista ao jornal ‘O Sesimbrense’, a vereadora da Educação, Felícia Costa, quase dá a mão à palmatória quando recusa a denominação de ‘recepção à comunidade educativa’. «Prefiro chamar-lhe um momento de homenagem e reconhecimento pelo trabalho desenvolvido por professores e alunos», disse. E acrescenta: «Vamos fazer um encontro no dia 14 (...)». É impressão minha ou há aqui uma alteração de discurso e de postura?
Não posso ainda deixar de sublinhar uma outra afirmação de Felícia Costa: “Iremos aproveitar para falar do que se pretende realizar durante o ano”. Assim, como quem não quer a coisa, a vereadora até vai procurar falar de alguma coisa importante durante o convívio. Até porque convém, não vá o pessoal pensar que aquilo é só mesmo banquete e festa. Definitivamente, algo mudou. E sente-se nas entrelinhas o desalento de Felícia Costa por ter de limitar o seu querido festim anual de auto-promoção.

3 de set. de 2007

O Regresso

O início do mês de Setembro marca o fim da “silly season”. Mas, na abertura da nova “season” política concelhia, Fernando Patrício, articulista no jornal ‘Nova Morada’ e elemento da bancada comunista na Assembleia Municipal de Sesimbra, publica no referido jornal mais um artigo de opinião absolutamente “silly”, para não dizer pior. Não tendo aprendido com o primeiro erro, Patrício volta a comparar a actuação dos socialistas à do ministro da propaganda de Hitler. Comece-se por dizer que Patrício sabe tão bem do que fala que redige erradamente o nome do político do 3.º Reich. Em vez de “Goebbels”, Patrício escreve “Goebels”, comendo-lhe um “b”.
Goebbels compreendeu como dominar os meios de comunicação de massa e é-lhe atribuída a afirmação de que “qualquer mentira repetida até à exaustão acaba por se tornar uma verdade”. Mas isso Patrício sabe, até porque é, precisamente, por essa afirmação que inicia a sua crónica. Mas o que Patrício talvez não saiba, (mas pode consultar na wikipédia) é que Paul Joseph Goebbels foi, por algum tempo, comunista, e esperava que uma revolução salvasse a Alemanha da dificil situação social em que se encontrava. Rejeitava o capitalismo, mas também a democracia e acabou por se tornar um anti-semita fanático. A determina altura do seu percurso político, Goebbels é enviado por Hitler para dirigir a propaganda em Berlim (uma área de influência comunista, onde o movimento Nazi não se tinha conseguido implantar fortemente). Diz a wikipédia que, «já na sua primeira acção em Berlim se denotam em Joseph Goebbels os métodos de inspiração comunista. No bairro proletário de Wedding, ele alugou uma larga sala de audiências que costumava ser utilizada pelos comunistas. Os placares anunciando o evento imitavam o estilo e as palavras usadas pelos comunistas.»
Mas esta é apenas uma custa lição de história que não deve ser lida como nada mais do que isso.
Voltemos, por isso, ao artigo de Patrício que inicia por “Goebels”, passa para a lei de financiamento dos partidos, para chegar até ao “pistoleiro da Quinta do Conde” e às ameças “à integridade física” a elementos da CDU. Depois disto, Patrício ainda faz questão de sublinhar que é gerente comercial numa empresa privada, e manda cumprimentos a alguém que tem um “toyota branco” e lhe tirou fotografias à casa, para, finalmente, fechar o texto lançando acusações a um vereador do PS.
Independentemente das razões de Patrício, da justeza, ou não, das suas críticas e dos recados que manda pelo jornal, parece-me que um “Goebels” ali metido, a foice e a martelo, e pela segunda vez (porque já num artigo anterior, Patrício chama ao texto o ministro nazi) é completamente descabido e soa demasiado a um certo discurso madeirense onde os adjectivos “fascistas”, “cubanos” e afins são usados com a mesma leviandade.
O mote está dado: inicia a “season”, igualmente “silly” e muito “foolish”.

4 de jul. de 2007

É preciso ter lata!

A última Assembleia Municipal de Sesimbra terá sido, sem margem para dúvidas, uma das mais participadas dos últimos tempos, e onde a actuação do executivo camarário foi mais criticada, não pelas bancadas que representam os diversos partidos políticos ali representados, mas pela intervenção do público. Nesse momento da reunião, foram feitas cinco intervenções, sendo que três delas foram bastante críticas. E destas, uma foi... diria mesmo, arrasadora. A resposta do presidente da edilidade foi contida e pouco esclarecedora.
Um dos pontos da ordem do dia implicou a intervenção de representantes da Assembleia Municipal de Jovens. Os estudantes dos diferentes estabelecimentos de ensino do concelho, vá-se lá saber porquê, afinaram pelo mesmo diapasão de crítica, pondo o dedo nas feridas abertas da actual gestão camarária, expondo um rol de legítimas preocupações. Aqui, a resposta do presidente da edilidade foi pouco contida e esclarecedora.
Disse que os jovens, por serem jovens, não tinham sido capazes de efectuar um levantamento correcto dos problemas, mas numa próxima oportunidade teria todo o gosto em deslocar-se às escolas, respondendo, numa fase prévia, às principais questões colocadas pelos alunos.
Ora bem, Augusto Pólvora não só minimizou publicamente a capacidade e inteligência dos alunos, futuros eleitores deste concelho (que se envolveram neste projecto da ‘Assembleia Municipal de Jovens’ que tem como objectivo envolver os estudantes na vida do município, contribuindo assim para a sua formação cívica), como ainda se ofereceu para, numa próxima oportunidade organizar “comiciozinhos” nas escolas.
E esta hein?!

3 de jul. de 2007

Educação sem paixão

A Junta de Freguesia de Santiago tem publicado no seu site entrevistas mensais com algumas personalidades. O mês de Julho, que ainda há pouco abrimos, traz-nos Esequiel Lino. Os últimos acontecimentos relacionados com as comemorações dos 30 anos do poder autárquico espicaçaram-me a curiosidade para perder cerca de 40 minutos do meu dia a ouvir aquele que governou o concelho durante mais de 20 anos.
O entrevistador e presidente da Junta de Freguesia de Santiago, Félix Rapaz, começa por dizer que a conversa decorrerá numa “zona paradisíaca”. Mas a entrevista não decorre nas Maldivas nem nas Seychelles, e sim no bar do Hotel do Mar. Félix Rapaz começa por dizer que, “para o bem e para o mal”, Esequiel Lino marcou Sesimbra, mas a frase não incomoda o interlocutor. A história conta-se depressa, Esequiel Lino é da Maçã, percorria 7 km para ir para a escola, jogou futebol nos juniores do Sesimbra com um cartão falsificado, mais tarde passou pelo teatro de guerra em África, onde descobriu um livro de Fidel Castro que mudaria para sempre a sua vida. Trabalhou na banca e marcou pontos no sindicato do sector. Foram as “circunstâncias da vida” que o conduziram à comissão administrativa que governou o concelho de Sesimbra no pós-25 de Abril. Assume ser um “idealista”, característica que chocou com o aparecimento dos “políticos profissionais” que “tinham uma linguagem pela frente e outra por trás” e mantinham “jogos de poder”, com os quais se confrontou naquele que Esequiel Lino elegeu como o pior momento da sua governação: a polémica que surgiu no Meco aquando da discussão do 1.º Plano Director Municipal. Segundo o ex-presidente, um movimento contestava o excesso de construção prevista para aquela área da freguesia do Castelo. A polémica foi acompanhada pela SIC que surgia na época e que apanhava sempre quem “fazia xixi fora do penico” e pelo “então director da Grande Reportagem, Miguel Sousa Tavares”, que Esequiel chama de “mentiroso” e “indivíduo sem moral”. Esequiel Lino critica ainda a perda de identidade de Sesimbra e defende que o concelho tem de voltar-se para o mar.
Mas Esequiel Lino associa o melhor momento da sua governação ao impulso que foi dado à educação, ao dotar o concelho de infra-estruturas que evitaram que os alunos, terminado o 1.º ciclo, tivessem de sair para os concelhos de Almada e Seixal para prosseguirem estudos. Não deixa de ser curiosa esta constatação, numa altura em que a oferta de ensino secundário no concelho escasseia e não dá resposta às necessidades crescentes. Os jovens da Quinta do Conde são obrigados a sair para os concelhos limítrofes e o problema arrasta-se sem solução há vários anos. Aquilo que agora é visto como um avanço significativo alcançado ontem, foi já largamente ultrapassado pela realidade e dinâmicas demográficas.
Será que andamos de vistas curtas para a educação?

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O último editorial redigido pelo director do jornal ‘Nova Morada’ tem por título ‘Incompatibilidades’. Toda e qualquer semelhança com o assunto que tratei no post ‘(in)compatibilidades’ é pura coincidência.De notar que o texto é encabeçado por numerosos pontos de interrogação. Possivelmente uma gralha de paginação. Curioso que essa foi precisamente a sensação com que fiquei depois de ter lido o texto. Com muitas interrogações e algum pasmo.

1 de jul. de 2007

Assim se vê a força...

«O relatório da IGAT sobre o caso das alegadas reformas fraudulentas de funcionários da Câmara de Setúbal propõe a dissolução da autarquia comunista.
(...)
A investigação da IGAT diz respeito à reforma compulsiva de dezenas de funcionários da câmara de Setúbal, ocorrida durante o primeiro mandato do comunista Carlos Sousa, entre 2001 e 2005.
Segundo a acusação, os funcionários terão sido convencidos pelas chefias a dar cinco faltas seguidas ao serviço sem justificação (ou dez interpoladas) dando origem a processos disciplinares, que terminaram com a proposta de reforma compulsiva antecipada.
A câmara que está em situação de falência financeira desde os tempos da gestão socialista de Mata Cáceres, aliviava assim o encargo financeiro com os funcionários que também não eram prejudicados monetariamente. A Caixa Nacional de Aposentações, ao invés, terá sido defraudada pelo processo.»

(Edição on-line do jornal Sol)

Assim se vê a força...

29 de jun. de 2007

Acontece!

No editorial da edição de Julho da agenda Sesimbr’Acontece, a vereadora da cultura, Felícia Costa, começa por dizer que durante muitos anos se cultivou a ideia «de que os espaços museológicos e os monumentos eram lugares para investigadores e eruditos», para acabar por salientar a democratização do uso destes espaços através da realização de diversos espectáculos e eventos nalgumas salas de visita nobres do concelho: o castelo, a Capela do Espírito Santo, a Fortaleza de Santiago. Pelo meio, Felícia Costa refere as alterações nas «estratégias de gestão» que conduziram à criação de «formas alternativas de olhar o património» e à «abertura de espaços à comunidade».
Por acaso, há uns anos atrás, o Castelo era um espaço restrito, sim senhor. Mas não por ser dominado por uma elite. Apenas porque o seu estado de abandono propiciou alguns furtos e assaltos aos que ousavam subir a encosta.
A fortaleza, de facto, sempre foi um espaço fechado, não devido aos «investigadores e eruditos», mas sim por causa de colónias de férias.
Por seu lado, a Capela do Espírito Santo também não esteve entregue a «investigadores e eruditos». Apenas esteve encerrada durante anos a fio, votada ao abandono.
Entretanto fizeram-se obras. No castelo e na capela... porque a fortaleza continua a definhar escondida atrás de placas identificativas e de cartazes de divulgação.
Depois temos os outros monumentos e espaços museológicos que ainda não foram abertos à comunidade como a Casa do Bispo, o Cabo Espichel, todo o património geológico e arqueológico e (ainda) temos as lojas de companha e muitos outros. Será que afinal é aí que se escondem os «investigadores e os eruditos».

25 de jun. de 2007

Bom silêncio

A última edição do jornal ‘Notícias da Zona’ apresenta um balanço sobre o encontro ’30 Anos de Poder Local Democrático’, titulando sugestivamente a notícia: ‘Protagonismo não se exige, conquista-se’. O texto, assinado pela direcção do jornal critica a organização do evento, pela desorganização das intervenções e pela consequente redução do tempo que tinha sido atribuído a este jornal para falar sobre o tema ‘Turismo e Acessibilidades’. O desnorte no alinhamento, ao que parece, foi motivado por algumas intervenções dum ex-ex-presidente da Câmara Municipal de Sesimbra, Ezequiel Lino. O ‘Notícias da Zona’ ficou chateado. Pois claro que ficou chateado. E isso está desde logo patente na legenda da foto que ilustra a página: “Os presidentes da Câmara que, supostamente, fizeram história no que hoje é o Concelho de Sesimbra”. O “supostamente” é... significativo. Não diz... dizendo. Resta perceber qual dos cinco autarcas fotografados nos suscita mais suposições.
O texto da notícia, em si, não começa bem, dizendo que o evento teve lugar na “magnífica sala Carlos Sargedas”. Ora bem... é mais... “magnífica sala Mário Sargedas”. Mas eu própri@ não tenho grande memória para nomes. E, na generalidade do texto, sou forçad@ a concordar com o seu autor. Talvez se tenha errado no modelo de debate, na escolha ou disposição dos convidados, na organização do evento... Enfim, alguma coisa falhou. E, por causa disso, alguns oradores foram prejudicados pois não tiveram oportunidade de expôr a sua ideia, com princípio, meio e fim. Foi o que aconteceu ao ‘Notícias da Zona’ que utiliza este artigo para acrescentar o que ficou por dizer na sessão realçando as práticas turísticas que devemos aprender com os espanhóis, como a constante animação diurna e nocturna, e elogiando o projecto da ‘Mata de Sesimbra’, entre outras questões.
Quanto aos espanhóis e à forma como vendem o seu sol e constante animação diurna e nocturna, julgo que não temos, de facto, grande coisa a aprender. Sesimbra possui valores culturais próprios e não precisa de se transformar numa Benidorme, numa Marbelha, ou outros destinos que tais, porque com esses não tem sequer hipótese de rivalizar. Sesimbra tem de aprender a vender-se como Sesimbra e ponto final. Aprender com os outros não me parece uma má política, até porque o benchmarking está na moda. Mas no caso da costa espanhola na sua generalidade, a única coisa que devemos, é aprender com os seus erros.
Quanto a fazer depender o desenvolvimento turístico e económico de Sesimbra do mega-projecto imobiliário da Mata de Sesimbra é uma monumental asneirada.
Estou solidári@ com o ‘Notícias da Zona’ porque todos devem ter o direito de expressar a sua opinião, por muito idiota que ela seja. Mas não se arrelie muito com isso porque, pelos vistos, assim até ganhou uma boa oportunidade de estar calado. O poder local democrático também é feito de bons silêncios.

18 de jun. de 2007

(in)compatibilidades?

É impressão minha ou temos uma (ex?) assessora da Câmara Municipal de Sesimbra a assinar textos no ‘Nova Morada’ constando já na ficha técnica do jornal?

Das três, uma: ou a assessora e a jornalista são homónimas; ou há alguém a exercer funções eticamente incompatíveis; ou a Câmara perdeu uma assessora, o que talvez já lhe permita angariar mais uns trocos para trazer mais uma “truta” ao João Mota.

13 de jun. de 2007

Flops: não há dois sem três

Em 2005, depois de ter sido eleito, o actual executivo da Câmara Municipal de Sesimbra não cumpriu uma das suas promessas eleitorais: elaborar um orçamento participativo. Justificaram-se com a falta de tempo. Os três escassos meses que distavam da tomada de posse até ao final do ano não eram suficientes, isto apesar de a composição do executivo se ter mantido duma forma geral, com excepção da alteração das cadeiras onde cada um se sentava.

Em 2006, este mesmo executivo alterou substancialmente o seu conceito de prazos temporais e considerou que três meses era mais que suficiente para dar cumprimento à promessa. À pressa, de forma atabalhoada, promoveram-se debates com a população que tiveram lugar entre o final de Outubro e Novembro. Essas reuniões foram um desastre, os documentos de apoio só desajudavam. Das reuniões nada saiu e, findo o processo, o “orçamento participativo”... não era.

Em 2007, a autarquia apresenta um novo formato com o qual promete ultrapassar as falhas verificadas no ano anterior; «um modelo mais adequado às necessidades do concelho», dizem. Como tal, foi fixada para este Orçamento Participativo a verba de 500 mil euros do orçamento total da Câmara, distribuída com base na extensão territorial das freguesias e do número de eleitores. Segundo o presidente da Câmara tem anunciado, esta verba destina-se a «obras de pequena envergadura», ou seja, aquilo que a população é chamada a debater não é o orçamento, mas este “orçamentinho” para tapar buracos. Cada um é convidado a participar na reunião agendada para o local onde exerce o seu direito de voto e onde explica o que faria com o dinheirinho que a Câmara caridosamente lhe disponibiliza. Não é por acaso que os debates realizados, 12 no total (coisa pouca), não têm mobilizado a população. O processo é complexo e desmotivador. A par disto lançaram a campanha “Eu também decido”, pouco eficaz embora bastante panfletária, que de pedagógico tem muito pouco.Parece-me que depois das justas críticas com que este executivo foi confrontado em 2005 e 2006 quis, desta feita, montar um esquema tão certinho, tão quadrado, que se esqueceu do principal: criar um modelo adequado às necessidades e características do concelho e que de “Orçamento Participativo” tem muito pouco. A população é agora convidada a debater “peanuts”, com o mealheirinho que a Câmara entrega a cada área territorial. Infelizmente, é este o entendimento que a maioria que gere a autarquia tem de “orçamento participativo”.

12 de jun. de 2007

Site CMS

Visitei pela primeira vez o site da Câmara Municipal de Sesimbra que está ainda em fase experimental, como fazem questão de anunciar logo na homepage. Mas, depois de tanto aguardar a inauguração deste espaço há muito anunciado, aquilo que nos oferecem é... uma navegação turbulenta e enjoativa. Não me refiro, como é óbvio, a aspectos técnicos, mas sim informativos. Este é... e algo que me diz que continuará a ser, o calcanhar de Aquiles do actual executivo.

Ora vejamos...
Comecemos pelo que escrevem sobre a Carta Educativa do concelho: « (...) a Câmara Municipal de Sesimbra avançou para a elaboração da primeira Carta Educativa do Concelho. Contou para isso com a parceria do Conselho Municipal de Educação e com o trabalho dos técnicos da Autarquia». Não se estarão a esquecer aqui de ninguém? Ou melhor, duma certa e determinada empresa? Omitir não é mentir. Omitir, neste caso, é desinformar.
Noutra área do site é feita uma breve descrição dos diversos espaços culturais existentes no concelho. Não pude deixar de estranhar o facto de referirem que o ‘Espaço Atlântico’ «foi inaugurado a 25 de Junho de 2007». Algo que «foi» em data que ainda há-de vir é... curioso.
O site refere ainda os principais acontecimentos culturais. E pegando numa barbaridade que já uma vereadora tinha escrito algures, repetem que a ‘Exposição Internacional de Artes Plásticas’ cumpre o objectivo de «globalizar a expressão cultural e contrariar o obstáculo da interioridade». Dizer isto uma vez é mau, mas voltar a repetir é... asnice! «Globalizar a expressão cultural»?! «Interioridade»?! Deve ter sido nesta tirada brilhante que um certo e determinado ministro se inspirou para dizer que a margem sul é um deserto.

Bom, pela amostra junta, o melhor é não ir mais longe na exploração deste site. Continuem a mandar postais pois pode ser que dia acertem.

23 de mai. de 2007

Folha de couve, o Regresso

Há muito que não comentava aqui as pérolas publicadas no boletim municipal. E, de facto, este último merece não passar despercebido. Sobre a parca referência que é feita por esta publicação à Festa das Chagas, pouco mais haverá a acrescentar ao que já foi escrito no blogue Magra Carta. Não posso, porém, deixar de sublinhar o último parágrafo da nota que o ‘Sesimbra Município’ dedica ao assunto. Segundo este boletim, «durante as festividades, teve lugar a tradicional feira», e todos percebemos, como bons entendedores, que se estão a referir ao arraial, como sempre foi chamado, embora, verdade seja dita, o seja cada vez menos. Por fim, limitam-se a acrescentar que no «stand da autarquia foram apresentados alguns dos projectos que irão transformar Sesimbra nos próximos anos». Resumindo, a festa ficou reduzida, neste boletim, a uma breve nota em página par, sendo que metade do texto não diz nada sobre a festa propriamente dita, e a outra metade fala do stand da autarquia.
Na página 9 brindam-nos com mais uma pérola. Na breve intitulada ‘Junta na internet’, que noticia o novo site da Junta de Freguesia de Santiago, termina-se dizendo: «Idosos, crianças e estudantes também terão o seu lugar na página, como adiantou Félix Rapaz, presidente da autarquia»... Ai se o arquitecto vê isto...
Por outro lado, quase que como resposta a um post anterior que aqui publiquei, os responsáveis pelo boletim decidiram inserir uma fotografia do outro lado da manifestação contra o encerramento do SAP. Ou seja, já não nos aparecem apenas o recém-nomeado «presidente da autarquia», Félix Rapaz, nem o verdadeiro presidente da autarquia, Augusto Pólvora de braços cruzados, e mais dois ou três. Agora sim, há população reunida à beira da estrada. Embrulhem!
Continuando na saúde, o boletim fala duma acção de protesto que terá tido lugar ontem, organizada pela comissão de utentes da Quinta do Conde, apesar da informação de que a construção do centro de saúde avançaria ainda este ano. Sobre isto escrevem que «os utentes vão manter o protesto (...) para protestar». Bom, outra coisa não seria de esperar. Embora, como já se percebeu, há protestos pela saúde que podem servir para outras coisas. O importante é ter lá sempre um fotógrafo a jeito que apanhe a população reunida à beira da estrada e não... o outro lado. Assim, até parece que o protesto teve mesmo como principal objectivo... protestar.
Há também uma notícia sobre a hasta pública dum terreno na Avenida dos Náufragos, onde a autarquia pretende levantar mais um bocadinho de betão para turistas e 340 lugares de estacionamento. A sua construção, escrevem no boletim, vai exigir uma «remodulação» dos acessos existentes. Fiquei sem perceber se a ideia é mesmo remodelar ou voltar a modular. Seja como for, a intenção é meter mais prédios em cima da praia. Continuo sem perceber porque raio ainda chamam “arranha-céus” ao outro!Enfim, muito mais haveria para dizer, mas o texto já vai longo. Já agora... se querem ler má prosa, passem os olhos pelo artigo sobre a quinzena do peixe-espada preto.

14 de mai. de 2007

Porque andam eles tão caladinhos

O jornal ‘Sol’ noticia na sua edição de Sábado que o actual presidente da Câmara Municipal de Oeiras «continua a ser investigado pelo Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), num inquérito relacionado com a viabilização de um empreendimento na zona protegida na mata de Sesimbra, quando era ministro das Cidades, no Governo de Durão Barroso».
O semanário adianta ainda que «o primeiro inquérito terminou há três semanas, com a decisão do Ministério Público de acusar formalmente o autarca de Oeiras, a sua irmã, Floripes, o jornalista Fernando Trigo e dois empresários, João Algarvio e Mateus Marques». Os arguidos têm agora 20 dias para «requererem ao tribunal a abertura da fase de instrução e rebaterem as acusações, mas até agora ainda nenhum o fez».

Ora, assim se percebe porque o caso da ‘Mata de Sesimbra’, onde um grupo imobiliário e uma Câmara querem construir uma cidade, foi deixado a marinar durante longos meses, depois de concluído o polémico e atabalhoado processo de discussão pública do plano de pormenor da zona sul desta área. Apesar do rol de irregularidades e processos mal resolvidos que envolvem o caso, o presidente da Câmara Municipal de Sesimbra, Augusto Pólvora, assumiu, publicamente, o projecto como seu e defendeu-o nas referidas sessões com unhas e dentes, lado a lado com os promotores.Portanto, se a coisa correr mal, só se pode esperar que os defensores do projecto, que assentam todo o desenvolvimento estratégico deste concelho única e exclusivamente no projecto imobiliário da Mata, saibam daí tirar as devidas conclusões. A queda dum processo desta dimensão não pode não ter consequências.

11 de mai. de 2007

Amén Pólvora

O Jornal de Sesimbra noticia que a comunicação social não pôde assistir à reunião de Câmara em que foram aprovados, por unanimidade (e de que outra forma poderia ter sido?), o Relatório de Gestão e as Contas de 2006.
Apesar da impossibilidade de assistir ao debate, o jornal noticía que o presidente da Câmara, Augusto Pólvora, concluiu que o desempenho da autarquia, em 2006, foi «globalmente positivo» do ponto de vista financeiro. Por seu lado, os vereadores parceiros da coligação que gere a autarquia (leia-se... todos os outros que compõem o executivo, independentemente da sua cor partidária) sublinharam alguns pontos fracos gesta gestão: «o significativo decréscimo nas despesas de capital», «a total ausência de investimento no que diz respeito ao saneamento básico na freguesia do castelo que era tido como aposta principal para esta freguesia» e a falta de investimento «na criação de novas áreas verdes, bem como no ajardinamento de espaços exteriores e urbanísticos». Apesar de apontarem o dedo, na ‘hora H’, quando realmente interessa, deixam passar tudo por unanimidade na Câmara, é o “Amén” geral à política de Pólvora; uma atitude de inaceitável passividade e negligência por parte dos vereadores que há muito desistiram de fazer oposição, afirmando-se desenvergonhadamente coniventes com uma gestão que tem muitos defeitos.Nunca perceberei porque razão se gasta tanto com uma Recepção à Comunidade Educativa, ou porque é que o saneamento básico da maior freguesia do concelho (em área) continua a ser uma prioridade eternamente anunciada, e também porque continuamos a ser um concelho onde os parcos espaços verdes existentes parecem nascer apenas de negociatas de contrapartidas entre a autarquia e ‘Lidl’, ‘Plus’, ‘SuperSol’, e afins. Há demasiadas dúvidas para apenas deixar andar...

7 de mai. de 2007

Erros crassos

O jornal do Sesimbrense noticiou na capa da sua edição de 13 de Abril: ‘Judoca sesimbrense renova título europeu’. No seu último número, no entanto, o jornal desdiz o dito porque afinal a Telma Monteiro não pertence ao Grupo Desportivo de Sesimbra como noticiaram, nem tão pouco é sesimbrense.
Custa a crer como é que uma gralha desta dimensão passa num jornal, independentemente do seu tamanho, cor ou feitio.
Agora, em Maio, o jornal publica uma errata repondo a verdade dos factos. Não, a Telma não defende o “cerise” do GDS. Não, a Telma não é pexita.
Mas mais inacreditável que o erro, é o editorial que a directora do jornal, Isabel Peneque, lhe dedica. A frase com que abre a prosa é arrasadora: «Só não erra quem nada faz!» e continua: «Não, esses também erram porque em nada contribuem para o crescimento do País que, com eles também gasta dinheiro dos impostos dos outros!». Mais adiante, Isabel Peneque continua a sua furiosa crítica: «Por que razão, em vez de olharem para os seus próprios erros, se consomem a exibir e criticar os erros dos outros?»
Eu fiquei deliciad@ com esta abertura! Ora bem, vamos lá a ver se nos entendemos. Todo este episódio se passou nas páginas dum jornal que, por acaso, se orgulha de ser o jornal mais antigo do concelho. É também um veículo de informação que, em princípio, será credível. Como tal, é um espaço onde as pessoas esperam encontrar alguma verdade.
Ora, em vez de assumirem o erro, e de o rectificarem da melhor maneira possível de forma a esclarecer os leitores sobre a desinformação publicada, limitam-se a apresentar uma curta biografia da Telma Monteiro retirada da Wikipédia e a escrever um editorial acusatório sobre quem ousou apontar o dedo ao jornal pelo erro descabido cometido.
Apesar de todo o conteúdo do editorial, que não sei, nem quero saber, a quem se dirige, parece-me que Isabel Peneque está mais interessada em dar uma “respostinha” aos críticos do que em informar os leitores.
Como se não bastasse, a directora afirma-se empenhada em fazer do Sesimbrense um jornal melhor, mas responde que não pode «agradar a gregos e a troianos». Esta é nova para mim! Então mas é suposto um jornal agradar a alguém? Não existem objectivos maiores como aquele de ser «um quinzenário para defesa dos interesses do concelho»?

Eu não espero que o Sesimbrense me agrade. Espero apenas que me informe com credibilidade e com verdade. A confiança que tinha na informação do jornal tem sido traída e o último número foi um duro golpe. Há coisas que demoram muito tempo a construir mas que podem perder de um dia para o outro. Pois bem, está na hora de voltar a construir.

4 de mai. de 2007

Manif

O Nova Morada desta semana inclui, logo na página 2, uma notícia sobre a manifestação contra o encerramento do SAP que teve lugar em 21 de Abril. Além do texto, o jornal publica uma foto da manifestação. Não, não há um magote de gente. Não, não há cartazes nem gente indignada. Na imagem surge uma câmara de televisão e seis pessoas alinhadas, como que a pousar em frente ao SAP, entre as quais reconheço: o presidente da Câmara, Augusto Pólvora, de braços cruzados; o presidente da Junta de Freguesia de Santiago, Félix Rapaz, com algo na mão (não, não é um cartaz) que me parece o saco do Expresso; e um elemento da Assembleia de Freguesia de Santiago, Carlos Soromenho, com mão no queixo, como que a meditar; e de microfone em punho, Florindo Paliotes da Comissão de Utentes.

Não participei na iniciativa, por isso também não sei se a imagem transmite aquilo que se passou na manifestação. Mas a dúvida cresce: terá isto sido realmente uma manifestação; uma mera chamada de atenção; ou tentou-se apenas, por outro lado, desviar a atenção?

Eu ainda sou do tempo...

Eu ainda sou do tempo em que pexito e camponês que se prezasse se engalava no dia de hoje.

Eu ainda sou do tempo em que uma ida ao arraial não terminava sem levar no bolso uma bola de serradura.

Eu ainda sou do tempo em as melhores farturas do arraial eram as redondas, «americanas».

Eu ainda sou do tempo em que o arraial enchia uma avenida de cima a baixo.

Eu ainda sou do tempo em que o arraial cortava o trânsito.

Eu ainda sou do tempo em que visitar o arraial era brincar com as malas e bolas penduradas à altura da cabeça nas diversas barraquinhas.

Eu ainda sou do tempo em que no arraial conseguia encontrar artigos que iam desde o boião para fazer bolas de sabão, às pilhas, ao cinto, passando pelo corta-unhas.

Eu ainda sou do tempo em que a procissão era uma sentida homenagem aos pescadores porque Sesimbra era e tinha orgulho em ser terra de pescadores.

Eu ainda sou do tempo em que, desde cedo, várias pessoas se acomodavam ao longo do trajecto da procissão para a ver passar.

Eu ainda sou do tempo em que no mar de gente que seguia atrás da procissão, os calçados não se misturavam com os descalços, no cumprimento de promessas.

O que os outros dizem de nós

A última edição do jornal ‘Nova Morada’ inclui uma entrevista a Rui Veloso, o «pai do rock português» que no passado Sábado deu um concerto no cine-teatro João Mota.
Vejamos o que disse o cantor sobre a vila que o recebeu, numa sala que, como sublinhou durante a actuação, é «tão pequena», que se sentiu como se estivesse na sua sala de jantar.

«Sesimbra ainda era um outro planeta e não tinha nada a ver com o que é hoje!»
(Referindo-se à Sesimbra que conheceu e visitou durante a infância.)

«Acho que em Sesimbra, como em outros concelhos do país, construiu-se demais. Deixamos construir sem planeamento.»

«Havia aqui um potencial extraordinário que obviamente foi estragado... talvez se possa corrigir alguma coisa, mas o furor do betão e dos empreiteiros estragou muito no nosso país.»

«Falta é um bocadinho de espaço que foi ocupado pelo betão, que não devia nem podia ser tanto.»(Referindo-se à praia.)

3 de mai. de 2007

ENTÃO E A MATA?

Proposta dissolução da Câmara do Bombarral
Inspecção-Geral da Administração do Território alega violação do PDM


«A Inspecção-Geral da Administração do Território (IGAT) propõe a dissolução da Câmara Municipal do Bombarral por alegada violação do Plano Director Municipal (PDM), num processo de legalização de uma habitação construída numa zona classificada como agro-florestal.» in SIC On-line

ENTÃO E A MATA?