O início do ano lectivo no concelho de Sesimbra tem sido, nos últimos anos, principescamente assinalado com a realização de um grande banquete oferecido à comunidade educativa. Este evento tem merecido ferozes críticas
pelo esbajamento panfletário (promover uma festarola para centenas de pessoas não é coisa que se faça com meia dúzia de tostões), sobretudo porque há escolas onde os professores são obrigados a pedir aos encarregados de educação, com jeitinho, algum dinheiro para suportar fotocópias, visitas de estudo e... papel higiénico. Apesar disso, a autarquia tem feito finca pé em promover este banquete anual e 2007 não será excepção. Mas, ao que parece, há novidades.
No Sesimbr’Acontece de Setembro é anunciado que o evento terá como tema a banda desenhada. Mas... pasmem-se! Desta feita não estão a pedir aos convivas que se mascarem de Homem-Aranha, Flash Gordon, Hulk ou de X-Men. Segundo a publicação, todos os participantes serão convidados a levar «um livro de banda desenhada para ser oferecido às bibliotecas escolares». Apesar da promessa eleitoral de ‘Carnaval todo o ano’, a autarquia decidiu, ao que parece (e bem), pôr fim ao baile de máscaras em que tinha transformado a recepção.
Mas há mais inovações. A edição ’07 do banquete para a comunidade educativa não terá lugar nem na Fortaleza de Santiago, nem na Quinta dos Sonhos, mas sim, na Escola Básica 1 / JI da Quinta do Conde.
Note-se ainda que, em entrevista ao jornal ‘O Sesimbrense’, a vereadora da Educação, Felícia Costa, quase dá a mão à palmatória quando recusa a denominação de ‘recepção à comunidade educativa’. «Prefiro chamar-lhe um momento de homenagem e reconhecimento pelo trabalho desenvolvido por professores e alunos», disse. E acrescenta: «Vamos fazer um encontro no dia 14 (...)». É impressão minha ou há aqui uma alteração de discurso e de postura?
Não posso ainda deixar de sublinhar uma outra afirmação de Felícia Costa: “Iremos aproveitar para falar do que se pretende realizar durante o ano”. Assim, como quem não quer a coisa, a vereadora até vai procurar falar de alguma coisa importante durante o convívio. Até porque convém, não vá o pessoal pensar que aquilo é só mesmo banquete e festa. Definitivamente, algo mudou. E sente-se nas entrelinhas o desalento de Felícia Costa por ter de limitar o seu querido festim anual de auto-promoção.
4 de set. de 2007
3 de set. de 2007
O Regresso
O início do mês de Setembro marca o fim da “silly season”. Mas, na abertura da nova “season” política concelhia, Fernando Patrício, articulista no jornal ‘Nova Morada’ e elemento da bancada comunista na Assembleia Municipal de Sesimbra, publica no referido jornal mais um artigo de opinião absolutamente “silly”, para não dizer pior. Não tendo aprendido com o primeiro erro, Patrício volta a comparar a actuação dos socialistas à do ministro da propaganda de Hitler. Comece-se por dizer que Patrício sabe tão bem do que fala que redige erradamente o nome do político do 3.º Reich. Em vez de “Goebbels”, Patrício escreve “Goebels”, comendo-lhe um “b”.
Goebbels compreendeu como dominar os meios de comunicação de massa e é-lhe atribuída a afirmação de que “qualquer mentira repetida até à exaustão acaba por se tornar uma verdade”. Mas isso Patrício sabe, até porque é, precisamente, por essa afirmação que inicia a sua crónica. Mas o que Patrício talvez não saiba, (mas pode consultar na wikipédia) é que Paul Joseph Goebbels foi, por algum tempo, comunista, e esperava que uma revolução salvasse a Alemanha da dificil situação social em que se encontrava. Rejeitava o capitalismo, mas também a democracia e acabou por se tornar um anti-semita fanático. A determina altura do seu percurso político, Goebbels é enviado por Hitler para dirigir a propaganda em Berlim (uma área de influência comunista, onde o movimento Nazi não se tinha conseguido implantar fortemente). Diz a wikipédia que, «já na sua primeira acção em Berlim se denotam em Joseph Goebbels os métodos de inspiração comunista. No bairro proletário de Wedding, ele alugou uma larga sala de audiências que costumava ser utilizada pelos comunistas. Os placares anunciando o evento imitavam o estilo e as palavras usadas pelos comunistas.»
Mas esta é apenas uma custa lição de história que não deve ser lida como nada mais do que isso.
Voltemos, por isso, ao artigo de Patrício que inicia por “Goebels”, passa para a lei de financiamento dos partidos, para chegar até ao “pistoleiro da Quinta do Conde” e às ameças “à integridade física” a elementos da CDU. Depois disto, Patrício ainda faz questão de sublinhar que é gerente comercial numa empresa privada, e manda cumprimentos a alguém que tem um “toyota branco” e lhe tirou fotografias à casa, para, finalmente, fechar o texto lançando acusações a um vereador do PS.
Independentemente das razões de Patrício, da justeza, ou não, das suas críticas e dos recados que manda pelo jornal, parece-me que um “Goebels” ali metido, a foice e a martelo, e pela segunda vez (porque já num artigo anterior, Patrício chama ao texto o ministro nazi) é completamente descabido e soa demasiado a um certo discurso madeirense onde os adjectivos “fascistas”, “cubanos” e afins são usados com a mesma leviandade.
O mote está dado: inicia a “season”, igualmente “silly” e muito “foolish”.
Goebbels compreendeu como dominar os meios de comunicação de massa e é-lhe atribuída a afirmação de que “qualquer mentira repetida até à exaustão acaba por se tornar uma verdade”. Mas isso Patrício sabe, até porque é, precisamente, por essa afirmação que inicia a sua crónica. Mas o que Patrício talvez não saiba, (mas pode consultar na wikipédia) é que Paul Joseph Goebbels foi, por algum tempo, comunista, e esperava que uma revolução salvasse a Alemanha da dificil situação social em que se encontrava. Rejeitava o capitalismo, mas também a democracia e acabou por se tornar um anti-semita fanático. A determina altura do seu percurso político, Goebbels é enviado por Hitler para dirigir a propaganda em Berlim (uma área de influência comunista, onde o movimento Nazi não se tinha conseguido implantar fortemente). Diz a wikipédia que, «já na sua primeira acção em Berlim se denotam em Joseph Goebbels os métodos de inspiração comunista. No bairro proletário de Wedding, ele alugou uma larga sala de audiências que costumava ser utilizada pelos comunistas. Os placares anunciando o evento imitavam o estilo e as palavras usadas pelos comunistas.»
Mas esta é apenas uma custa lição de história que não deve ser lida como nada mais do que isso.
Voltemos, por isso, ao artigo de Patrício que inicia por “Goebels”, passa para a lei de financiamento dos partidos, para chegar até ao “pistoleiro da Quinta do Conde” e às ameças “à integridade física” a elementos da CDU. Depois disto, Patrício ainda faz questão de sublinhar que é gerente comercial numa empresa privada, e manda cumprimentos a alguém que tem um “toyota branco” e lhe tirou fotografias à casa, para, finalmente, fechar o texto lançando acusações a um vereador do PS.
Independentemente das razões de Patrício, da justeza, ou não, das suas críticas e dos recados que manda pelo jornal, parece-me que um “Goebels” ali metido, a foice e a martelo, e pela segunda vez (porque já num artigo anterior, Patrício chama ao texto o ministro nazi) é completamente descabido e soa demasiado a um certo discurso madeirense onde os adjectivos “fascistas”, “cubanos” e afins são usados com a mesma leviandade.
O mote está dado: inicia a “season”, igualmente “silly” e muito “foolish”.
4 de jul. de 2007
É preciso ter lata!
A última Assembleia Municipal de Sesimbra terá sido, sem margem para dúvidas, uma das mais participadas dos últimos tempos, e onde a actuação do executivo camarário foi mais criticada, não pelas bancadas que representam os diversos partidos políticos ali representados, mas pela intervenção do público. Nesse momento da reunião, foram feitas cinco intervenções, sendo que três delas foram bastante críticas. E destas, uma foi... diria mesmo, arrasadora. A resposta do presidente da edilidade foi contida e pouco esclarecedora.
Um dos pontos da ordem do dia implicou a intervenção de representantes da Assembleia Municipal de Jovens. Os estudantes dos diferentes estabelecimentos de ensino do concelho, vá-se lá saber porquê, afinaram pelo mesmo diapasão de crítica, pondo o dedo nas feridas abertas da actual gestão camarária, expondo um rol de legítimas preocupações. Aqui, a resposta do presidente da edilidade foi pouco contida e esclarecedora.
Disse que os jovens, por serem jovens, não tinham sido capazes de efectuar um levantamento correcto dos problemas, mas numa próxima oportunidade teria todo o gosto em deslocar-se às escolas, respondendo, numa fase prévia, às principais questões colocadas pelos alunos.
Ora bem, Augusto Pólvora não só minimizou publicamente a capacidade e inteligência dos alunos, futuros eleitores deste concelho (que se envolveram neste projecto da ‘Assembleia Municipal de Jovens’ que tem como objectivo envolver os estudantes na vida do município, contribuindo assim para a sua formação cívica), como ainda se ofereceu para, numa próxima oportunidade organizar “comiciozinhos” nas escolas.
E esta hein?!
Um dos pontos da ordem do dia implicou a intervenção de representantes da Assembleia Municipal de Jovens. Os estudantes dos diferentes estabelecimentos de ensino do concelho, vá-se lá saber porquê, afinaram pelo mesmo diapasão de crítica, pondo o dedo nas feridas abertas da actual gestão camarária, expondo um rol de legítimas preocupações. Aqui, a resposta do presidente da edilidade foi pouco contida e esclarecedora.
Disse que os jovens, por serem jovens, não tinham sido capazes de efectuar um levantamento correcto dos problemas, mas numa próxima oportunidade teria todo o gosto em deslocar-se às escolas, respondendo, numa fase prévia, às principais questões colocadas pelos alunos.
Ora bem, Augusto Pólvora não só minimizou publicamente a capacidade e inteligência dos alunos, futuros eleitores deste concelho (que se envolveram neste projecto da ‘Assembleia Municipal de Jovens’ que tem como objectivo envolver os estudantes na vida do município, contribuindo assim para a sua formação cívica), como ainda se ofereceu para, numa próxima oportunidade organizar “comiciozinhos” nas escolas.
E esta hein?!
3 de jul. de 2007
Educação sem paixão
A Junta de Freguesia de Santiago tem publicado no seu site entrevistas mensais com algumas personalidades. O mês de Julho, que ainda há pouco abrimos, traz-nos Esequiel Lino. Os últimos acontecimentos relacionados com as comemorações dos 30 anos do poder autárquico espicaçaram-me a curiosidade para perder cerca de 40 minutos do meu dia a ouvir aquele que governou o concelho durante mais de 20 anos.
O entrevistador e presidente da Junta de Freguesia de Santiago, Félix Rapaz, começa por dizer que a conversa decorrerá numa “zona paradisíaca”. Mas a entrevista não decorre nas Maldivas nem nas Seychelles, e sim no bar do Hotel do Mar. Félix Rapaz começa por dizer que, “para o bem e para o mal”, Esequiel Lino marcou Sesimbra, mas a frase não incomoda o interlocutor. A história conta-se depressa, Esequiel Lino é da Maçã, percorria 7 km para ir para a escola, jogou futebol nos juniores do Sesimbra com um cartão falsificado, mais tarde passou pelo teatro de guerra em África, onde descobriu um livro de Fidel Castro que mudaria para sempre a sua vida. Trabalhou na banca e marcou pontos no sindicato do sector. Foram as “circunstâncias da vida” que o conduziram à comissão administrativa que governou o concelho de Sesimbra no pós-25 de Abril. Assume ser um “idealista”, característica que chocou com o aparecimento dos “políticos profissionais” que “tinham uma linguagem pela frente e outra por trás” e mantinham “jogos de poder”, com os quais se confrontou naquele que Esequiel Lino elegeu como o pior momento da sua governação: a polémica que surgiu no Meco aquando da discussão do 1.º Plano Director Municipal. Segundo o ex-presidente, um movimento contestava o excesso de construção prevista para aquela área da freguesia do Castelo. A polémica foi acompanhada pela SIC que surgia na época e que apanhava sempre quem “fazia xixi fora do penico” e pelo “então director da Grande Reportagem, Miguel Sousa Tavares”, que Esequiel chama de “mentiroso” e “indivíduo sem moral”. Esequiel Lino critica ainda a perda de identidade de Sesimbra e defende que o concelho tem de voltar-se para o mar.
Mas Esequiel Lino associa o melhor momento da sua governação ao impulso que foi dado à educação, ao dotar o concelho de infra-estruturas que evitaram que os alunos, terminado o 1.º ciclo, tivessem de sair para os concelhos de Almada e Seixal para prosseguirem estudos. Não deixa de ser curiosa esta constatação, numa altura em que a oferta de ensino secundário no concelho escasseia e não dá resposta às necessidades crescentes. Os jovens da Quinta do Conde são obrigados a sair para os concelhos limítrofes e o problema arrasta-se sem solução há vários anos. Aquilo que agora é visto como um avanço significativo alcançado ontem, foi já largamente ultrapassado pela realidade e dinâmicas demográficas.
Será que andamos de vistas curtas para a educação?
O entrevistador e presidente da Junta de Freguesia de Santiago, Félix Rapaz, começa por dizer que a conversa decorrerá numa “zona paradisíaca”. Mas a entrevista não decorre nas Maldivas nem nas Seychelles, e sim no bar do Hotel do Mar. Félix Rapaz começa por dizer que, “para o bem e para o mal”, Esequiel Lino marcou Sesimbra, mas a frase não incomoda o interlocutor. A história conta-se depressa, Esequiel Lino é da Maçã, percorria 7 km para ir para a escola, jogou futebol nos juniores do Sesimbra com um cartão falsificado, mais tarde passou pelo teatro de guerra em África, onde descobriu um livro de Fidel Castro que mudaria para sempre a sua vida. Trabalhou na banca e marcou pontos no sindicato do sector. Foram as “circunstâncias da vida” que o conduziram à comissão administrativa que governou o concelho de Sesimbra no pós-25 de Abril. Assume ser um “idealista”, característica que chocou com o aparecimento dos “políticos profissionais” que “tinham uma linguagem pela frente e outra por trás” e mantinham “jogos de poder”, com os quais se confrontou naquele que Esequiel Lino elegeu como o pior momento da sua governação: a polémica que surgiu no Meco aquando da discussão do 1.º Plano Director Municipal. Segundo o ex-presidente, um movimento contestava o excesso de construção prevista para aquela área da freguesia do Castelo. A polémica foi acompanhada pela SIC que surgia na época e que apanhava sempre quem “fazia xixi fora do penico” e pelo “então director da Grande Reportagem, Miguel Sousa Tavares”, que Esequiel chama de “mentiroso” e “indivíduo sem moral”. Esequiel Lino critica ainda a perda de identidade de Sesimbra e defende que o concelho tem de voltar-se para o mar.
Mas Esequiel Lino associa o melhor momento da sua governação ao impulso que foi dado à educação, ao dotar o concelho de infra-estruturas que evitaram que os alunos, terminado o 1.º ciclo, tivessem de sair para os concelhos de Almada e Seixal para prosseguirem estudos. Não deixa de ser curiosa esta constatação, numa altura em que a oferta de ensino secundário no concelho escasseia e não dá resposta às necessidades crescentes. Os jovens da Quinta do Conde são obrigados a sair para os concelhos limítrofes e o problema arrasta-se sem solução há vários anos. Aquilo que agora é visto como um avanço significativo alcançado ontem, foi já largamente ultrapassado pela realidade e dinâmicas demográficas.
Será que andamos de vistas curtas para a educação?
??????????
O último editorial redigido pelo director do jornal ‘Nova Morada’ tem por título ‘Incompatibilidades’. Toda e qualquer semelhança com o assunto que tratei no post ‘(in)compatibilidades’ é pura coincidência.De notar que o texto é encabeçado por numerosos pontos de interrogação. Possivelmente uma gralha de paginação. Curioso que essa foi precisamente a sensação com que fiquei depois de ter lido o texto. Com muitas interrogações e algum pasmo.
1 de jul. de 2007
Assim se vê a força...
«O relatório da IGAT sobre o caso das alegadas reformas fraudulentas de funcionários da Câmara de Setúbal propõe a dissolução da autarquia comunista.
(...)
A investigação da IGAT diz respeito à reforma compulsiva de dezenas de funcionários da câmara de Setúbal, ocorrida durante o primeiro mandato do comunista Carlos Sousa, entre 2001 e 2005.
Segundo a acusação, os funcionários terão sido convencidos pelas chefias a dar cinco faltas seguidas ao serviço sem justificação (ou dez interpoladas) dando origem a processos disciplinares, que terminaram com a proposta de reforma compulsiva antecipada.
A câmara que está em situação de falência financeira desde os tempos da gestão socialista de Mata Cáceres, aliviava assim o encargo financeiro com os funcionários que também não eram prejudicados monetariamente. A Caixa Nacional de Aposentações, ao invés, terá sido defraudada pelo processo.»
(Edição on-line do jornal Sol)
Assim se vê a força...
(...)
A investigação da IGAT diz respeito à reforma compulsiva de dezenas de funcionários da câmara de Setúbal, ocorrida durante o primeiro mandato do comunista Carlos Sousa, entre 2001 e 2005.
Segundo a acusação, os funcionários terão sido convencidos pelas chefias a dar cinco faltas seguidas ao serviço sem justificação (ou dez interpoladas) dando origem a processos disciplinares, que terminaram com a proposta de reforma compulsiva antecipada.
A câmara que está em situação de falência financeira desde os tempos da gestão socialista de Mata Cáceres, aliviava assim o encargo financeiro com os funcionários que também não eram prejudicados monetariamente. A Caixa Nacional de Aposentações, ao invés, terá sido defraudada pelo processo.»
(Edição on-line do jornal Sol)
Assim se vê a força...
29 de jun. de 2007
Acontece!
No editorial da edição de Julho da agenda Sesimbr’Acontece, a vereadora da cultura, Felícia Costa, começa por dizer que durante muitos anos se cultivou a ideia «de que os espaços museológicos e os monumentos eram lugares para investigadores e eruditos», para acabar por salientar a democratização do uso destes espaços através da realização de diversos espectáculos e eventos nalgumas salas de visita nobres do concelho: o castelo, a Capela do Espírito Santo, a Fortaleza de Santiago. Pelo meio, Felícia Costa refere as alterações nas «estratégias de gestão» que conduziram à criação de «formas alternativas de olhar o património» e à «abertura de espaços à comunidade».
Por acaso, há uns anos atrás, o Castelo era um espaço restrito, sim senhor. Mas não por ser dominado por uma elite. Apenas porque o seu estado de abandono propiciou alguns furtos e assaltos aos que ousavam subir a encosta.
A fortaleza, de facto, sempre foi um espaço fechado, não devido aos «investigadores e eruditos», mas sim por causa de colónias de férias.
Por seu lado, a Capela do Espírito Santo também não esteve entregue a «investigadores e eruditos». Apenas esteve encerrada durante anos a fio, votada ao abandono.
Entretanto fizeram-se obras. No castelo e na capela... porque a fortaleza continua a definhar escondida atrás de placas identificativas e de cartazes de divulgação.
Depois temos os outros monumentos e espaços museológicos que ainda não foram abertos à comunidade como a Casa do Bispo, o Cabo Espichel, todo o património geológico e arqueológico e (ainda) temos as lojas de companha e muitos outros. Será que afinal é aí que se escondem os «investigadores e os eruditos».
Por acaso, há uns anos atrás, o Castelo era um espaço restrito, sim senhor. Mas não por ser dominado por uma elite. Apenas porque o seu estado de abandono propiciou alguns furtos e assaltos aos que ousavam subir a encosta.
A fortaleza, de facto, sempre foi um espaço fechado, não devido aos «investigadores e eruditos», mas sim por causa de colónias de férias.
Por seu lado, a Capela do Espírito Santo também não esteve entregue a «investigadores e eruditos». Apenas esteve encerrada durante anos a fio, votada ao abandono.
Entretanto fizeram-se obras. No castelo e na capela... porque a fortaleza continua a definhar escondida atrás de placas identificativas e de cartazes de divulgação.
Depois temos os outros monumentos e espaços museológicos que ainda não foram abertos à comunidade como a Casa do Bispo, o Cabo Espichel, todo o património geológico e arqueológico e (ainda) temos as lojas de companha e muitos outros. Será que afinal é aí que se escondem os «investigadores e os eruditos».
25 de jun. de 2007
Bom silêncio
A última edição do jornal ‘Notícias da Zona’ apresenta um balanço sobre o encontro ’30 Anos de Poder Local Democrático’, titulando sugestivamente a notícia: ‘Protagonismo não se exige, conquista-se’. O texto, assinado pela direcção do jornal critica a organização do evento, pela desorganização das intervenções e pela consequente redução do tempo que tinha sido atribuído a este jornal para falar sobre o tema ‘Turismo e Acessibilidades’. O desnorte no alinhamento, ao que parece, foi motivado por algumas intervenções dum ex-ex-presidente da Câmara Municipal de Sesimbra, Ezequiel Lino. O ‘Notícias da Zona’ ficou chateado. Pois claro que ficou chateado. E isso está desde logo patente na legenda da foto que ilustra a página: “Os presidentes da Câmara que, supostamente, fizeram história no que hoje é o Concelho de Sesimbra”. O “supostamente” é... significativo. Não diz... dizendo. Resta perceber qual dos cinco autarcas fotografados nos suscita mais suposições.
O texto da notícia, em si, não começa bem, dizendo que o evento teve lugar na “magnífica sala Carlos Sargedas”. Ora bem... é mais... “magnífica sala Mário Sargedas”. Mas eu própri@ não tenho grande memória para nomes. E, na generalidade do texto, sou forçad@ a concordar com o seu autor. Talvez se tenha errado no modelo de debate, na escolha ou disposição dos convidados, na organização do evento... Enfim, alguma coisa falhou. E, por causa disso, alguns oradores foram prejudicados pois não tiveram oportunidade de expôr a sua ideia, com princípio, meio e fim. Foi o que aconteceu ao ‘Notícias da Zona’ que utiliza este artigo para acrescentar o que ficou por dizer na sessão realçando as práticas turísticas que devemos aprender com os espanhóis, como a constante animação diurna e nocturna, e elogiando o projecto da ‘Mata de Sesimbra’, entre outras questões.
Quanto aos espanhóis e à forma como vendem o seu sol e constante animação diurna e nocturna, julgo que não temos, de facto, grande coisa a aprender. Sesimbra possui valores culturais próprios e não precisa de se transformar numa Benidorme, numa Marbelha, ou outros destinos que tais, porque com esses não tem sequer hipótese de rivalizar. Sesimbra tem de aprender a vender-se como Sesimbra e ponto final. Aprender com os outros não me parece uma má política, até porque o benchmarking está na moda. Mas no caso da costa espanhola na sua generalidade, a única coisa que devemos, é aprender com os seus erros.
Quanto a fazer depender o desenvolvimento turístico e económico de Sesimbra do mega-projecto imobiliário da Mata de Sesimbra é uma monumental asneirada.
Estou solidári@ com o ‘Notícias da Zona’ porque todos devem ter o direito de expressar a sua opinião, por muito idiota que ela seja. Mas não se arrelie muito com isso porque, pelos vistos, assim até ganhou uma boa oportunidade de estar calado. O poder local democrático também é feito de bons silêncios.
O texto da notícia, em si, não começa bem, dizendo que o evento teve lugar na “magnífica sala Carlos Sargedas”. Ora bem... é mais... “magnífica sala Mário Sargedas”. Mas eu própri@ não tenho grande memória para nomes. E, na generalidade do texto, sou forçad@ a concordar com o seu autor. Talvez se tenha errado no modelo de debate, na escolha ou disposição dos convidados, na organização do evento... Enfim, alguma coisa falhou. E, por causa disso, alguns oradores foram prejudicados pois não tiveram oportunidade de expôr a sua ideia, com princípio, meio e fim. Foi o que aconteceu ao ‘Notícias da Zona’ que utiliza este artigo para acrescentar o que ficou por dizer na sessão realçando as práticas turísticas que devemos aprender com os espanhóis, como a constante animação diurna e nocturna, e elogiando o projecto da ‘Mata de Sesimbra’, entre outras questões.
Quanto aos espanhóis e à forma como vendem o seu sol e constante animação diurna e nocturna, julgo que não temos, de facto, grande coisa a aprender. Sesimbra possui valores culturais próprios e não precisa de se transformar numa Benidorme, numa Marbelha, ou outros destinos que tais, porque com esses não tem sequer hipótese de rivalizar. Sesimbra tem de aprender a vender-se como Sesimbra e ponto final. Aprender com os outros não me parece uma má política, até porque o benchmarking está na moda. Mas no caso da costa espanhola na sua generalidade, a única coisa que devemos, é aprender com os seus erros.
Quanto a fazer depender o desenvolvimento turístico e económico de Sesimbra do mega-projecto imobiliário da Mata de Sesimbra é uma monumental asneirada.
Estou solidári@ com o ‘Notícias da Zona’ porque todos devem ter o direito de expressar a sua opinião, por muito idiota que ela seja. Mas não se arrelie muito com isso porque, pelos vistos, assim até ganhou uma boa oportunidade de estar calado. O poder local democrático também é feito de bons silêncios.
18 de jun. de 2007
(in)compatibilidades?
É impressão minha ou temos uma (ex?) assessora da Câmara Municipal de Sesimbra a assinar textos no ‘Nova Morada’ constando já na ficha técnica do jornal?
Das três, uma: ou a assessora e a jornalista são homónimas; ou há alguém a exercer funções eticamente incompatíveis; ou a Câmara perdeu uma assessora, o que talvez já lhe permita angariar mais uns trocos para trazer mais uma “truta” ao João Mota.
Das três, uma: ou a assessora e a jornalista são homónimas; ou há alguém a exercer funções eticamente incompatíveis; ou a Câmara perdeu uma assessora, o que talvez já lhe permita angariar mais uns trocos para trazer mais uma “truta” ao João Mota.
13 de jun. de 2007
Flops: não há dois sem três
Em 2005, depois de ter sido eleito, o actual executivo da Câmara Municipal de Sesimbra não cumpriu uma das suas promessas eleitorais: elaborar um orçamento participativo. Justificaram-se com a falta de tempo. Os três escassos meses que distavam da tomada de posse até ao final do ano não eram suficientes, isto apesar de a composição do executivo se ter mantido duma forma geral, com excepção da alteração das cadeiras onde cada um se sentava.
Em 2006, este mesmo executivo alterou substancialmente o seu conceito de prazos temporais e considerou que três meses era mais que suficiente para dar cumprimento à promessa. À pressa, de forma atabalhoada, promoveram-se debates com a população que tiveram lugar entre o final de Outubro e Novembro. Essas reuniões foram um desastre, os documentos de apoio só desajudavam. Das reuniões nada saiu e, findo o processo, o “orçamento participativo”... não era.
Em 2007, a autarquia apresenta um novo formato com o qual promete ultrapassar as falhas verificadas no ano anterior; «um modelo mais adequado às necessidades do concelho», dizem. Como tal, foi fixada para este Orçamento Participativo a verba de 500 mil euros do orçamento total da Câmara, distribuída com base na extensão territorial das freguesias e do número de eleitores. Segundo o presidente da Câmara tem anunciado, esta verba destina-se a «obras de pequena envergadura», ou seja, aquilo que a população é chamada a debater não é o orçamento, mas este “orçamentinho” para tapar buracos. Cada um é convidado a participar na reunião agendada para o local onde exerce o seu direito de voto e onde explica o que faria com o dinheirinho que a Câmara caridosamente lhe disponibiliza. Não é por acaso que os debates realizados, 12 no total (coisa pouca), não têm mobilizado a população. O processo é complexo e desmotivador. A par disto lançaram a campanha “Eu também decido”, pouco eficaz embora bastante panfletária, que de pedagógico tem muito pouco.Parece-me que depois das justas críticas com que este executivo foi confrontado em 2005 e 2006 quis, desta feita, montar um esquema tão certinho, tão quadrado, que se esqueceu do principal: criar um modelo adequado às necessidades e características do concelho e que de “Orçamento Participativo” tem muito pouco. A população é agora convidada a debater “peanuts”, com o mealheirinho que a Câmara entrega a cada área territorial. Infelizmente, é este o entendimento que a maioria que gere a autarquia tem de “orçamento participativo”.
Em 2006, este mesmo executivo alterou substancialmente o seu conceito de prazos temporais e considerou que três meses era mais que suficiente para dar cumprimento à promessa. À pressa, de forma atabalhoada, promoveram-se debates com a população que tiveram lugar entre o final de Outubro e Novembro. Essas reuniões foram um desastre, os documentos de apoio só desajudavam. Das reuniões nada saiu e, findo o processo, o “orçamento participativo”... não era.
Em 2007, a autarquia apresenta um novo formato com o qual promete ultrapassar as falhas verificadas no ano anterior; «um modelo mais adequado às necessidades do concelho», dizem. Como tal, foi fixada para este Orçamento Participativo a verba de 500 mil euros do orçamento total da Câmara, distribuída com base na extensão territorial das freguesias e do número de eleitores. Segundo o presidente da Câmara tem anunciado, esta verba destina-se a «obras de pequena envergadura», ou seja, aquilo que a população é chamada a debater não é o orçamento, mas este “orçamentinho” para tapar buracos. Cada um é convidado a participar na reunião agendada para o local onde exerce o seu direito de voto e onde explica o que faria com o dinheirinho que a Câmara caridosamente lhe disponibiliza. Não é por acaso que os debates realizados, 12 no total (coisa pouca), não têm mobilizado a população. O processo é complexo e desmotivador. A par disto lançaram a campanha “Eu também decido”, pouco eficaz embora bastante panfletária, que de pedagógico tem muito pouco.Parece-me que depois das justas críticas com que este executivo foi confrontado em 2005 e 2006 quis, desta feita, montar um esquema tão certinho, tão quadrado, que se esqueceu do principal: criar um modelo adequado às necessidades e características do concelho e que de “Orçamento Participativo” tem muito pouco. A população é agora convidada a debater “peanuts”, com o mealheirinho que a Câmara entrega a cada área territorial. Infelizmente, é este o entendimento que a maioria que gere a autarquia tem de “orçamento participativo”.
12 de jun. de 2007
Site CMS
Visitei pela primeira vez o site da Câmara Municipal de Sesimbra que está ainda em fase experimental, como fazem questão de anunciar logo na homepage. Mas, depois de tanto aguardar a inauguração deste espaço há muito anunciado, aquilo que nos oferecem é... uma navegação turbulenta e enjoativa. Não me refiro, como é óbvio, a aspectos técnicos, mas sim informativos. Este é... e algo que me diz que continuará a ser, o calcanhar de Aquiles do actual executivo.
Ora vejamos...
Comecemos pelo que escrevem sobre a Carta Educativa do concelho: « (...) a Câmara Municipal de Sesimbra avançou para a elaboração da primeira Carta Educativa do Concelho. Contou para isso com a parceria do Conselho Municipal de Educação e com o trabalho dos técnicos da Autarquia». Não se estarão a esquecer aqui de ninguém? Ou melhor, duma certa e determinada empresa? Omitir não é mentir. Omitir, neste caso, é desinformar.
Noutra área do site é feita uma breve descrição dos diversos espaços culturais existentes no concelho. Não pude deixar de estranhar o facto de referirem que o ‘Espaço Atlântico’ «foi inaugurado a 25 de Junho de 2007». Algo que «foi» em data que ainda há-de vir é... curioso.
O site refere ainda os principais acontecimentos culturais. E pegando numa barbaridade que já uma vereadora tinha escrito algures, repetem que a ‘Exposição Internacional de Artes Plásticas’ cumpre o objectivo de «globalizar a expressão cultural e contrariar o obstáculo da interioridade». Dizer isto uma vez é mau, mas voltar a repetir é... asnice! «Globalizar a expressão cultural»?! «Interioridade»?! Deve ter sido nesta tirada brilhante que um certo e determinado ministro se inspirou para dizer que a margem sul é um deserto.
Bom, pela amostra junta, o melhor é não ir mais longe na exploração deste site. Continuem a mandar postais pois pode ser que dia acertem.
Ora vejamos...
Comecemos pelo que escrevem sobre a Carta Educativa do concelho: « (...) a Câmara Municipal de Sesimbra avançou para a elaboração da primeira Carta Educativa do Concelho. Contou para isso com a parceria do Conselho Municipal de Educação e com o trabalho dos técnicos da Autarquia». Não se estarão a esquecer aqui de ninguém? Ou melhor, duma certa e determinada empresa? Omitir não é mentir. Omitir, neste caso, é desinformar.
Noutra área do site é feita uma breve descrição dos diversos espaços culturais existentes no concelho. Não pude deixar de estranhar o facto de referirem que o ‘Espaço Atlântico’ «foi inaugurado a 25 de Junho de 2007». Algo que «foi» em data que ainda há-de vir é... curioso.
O site refere ainda os principais acontecimentos culturais. E pegando numa barbaridade que já uma vereadora tinha escrito algures, repetem que a ‘Exposição Internacional de Artes Plásticas’ cumpre o objectivo de «globalizar a expressão cultural e contrariar o obstáculo da interioridade». Dizer isto uma vez é mau, mas voltar a repetir é... asnice! «Globalizar a expressão cultural»?! «Interioridade»?! Deve ter sido nesta tirada brilhante que um certo e determinado ministro se inspirou para dizer que a margem sul é um deserto.
Bom, pela amostra junta, o melhor é não ir mais longe na exploração deste site. Continuem a mandar postais pois pode ser que dia acertem.
23 de mai. de 2007
Folha de couve, o Regresso
Há muito que não comentava aqui as pérolas publicadas no boletim municipal. E, de facto, este último merece não passar despercebido. Sobre a parca referência que é feita por esta publicação à Festa das Chagas, pouco mais haverá a acrescentar ao que já foi escrito no blogue Magra Carta. Não posso, porém, deixar de sublinhar o último parágrafo da nota que o ‘Sesimbra Município’ dedica ao assunto. Segundo este boletim, «durante as festividades, teve lugar a tradicional feira», e todos percebemos, como bons entendedores, que se estão a referir ao arraial, como sempre foi chamado, embora, verdade seja dita, o seja cada vez menos. Por fim, limitam-se a acrescentar que no «stand da autarquia foram apresentados alguns dos projectos que irão transformar Sesimbra nos próximos anos». Resumindo, a festa ficou reduzida, neste boletim, a uma breve nota em página par, sendo que metade do texto não diz nada sobre a festa propriamente dita, e a outra metade fala do stand da autarquia.
Na página 9 brindam-nos com mais uma pérola. Na breve intitulada ‘Junta na internet’, que noticia o novo site da Junta de Freguesia de Santiago, termina-se dizendo: «Idosos, crianças e estudantes também terão o seu lugar na página, como adiantou Félix Rapaz, presidente da autarquia»... Ai se o arquitecto vê isto...
Por outro lado, quase que como resposta a um post anterior que aqui publiquei, os responsáveis pelo boletim decidiram inserir uma fotografia do outro lado da manifestação contra o encerramento do SAP. Ou seja, já não nos aparecem apenas o recém-nomeado «presidente da autarquia», Félix Rapaz, nem o verdadeiro presidente da autarquia, Augusto Pólvora de braços cruzados, e mais dois ou três. Agora sim, há população reunida à beira da estrada. Embrulhem!
Continuando na saúde, o boletim fala duma acção de protesto que terá tido lugar ontem, organizada pela comissão de utentes da Quinta do Conde, apesar da informação de que a construção do centro de saúde avançaria ainda este ano. Sobre isto escrevem que «os utentes vão manter o protesto (...) para protestar». Bom, outra coisa não seria de esperar. Embora, como já se percebeu, há protestos pela saúde que podem servir para outras coisas. O importante é ter lá sempre um fotógrafo a jeito que apanhe a população reunida à beira da estrada e não... o outro lado. Assim, até parece que o protesto teve mesmo como principal objectivo... protestar.
Há também uma notícia sobre a hasta pública dum terreno na Avenida dos Náufragos, onde a autarquia pretende levantar mais um bocadinho de betão para turistas e 340 lugares de estacionamento. A sua construção, escrevem no boletim, vai exigir uma «remodulação» dos acessos existentes. Fiquei sem perceber se a ideia é mesmo remodelar ou voltar a modular. Seja como for, a intenção é meter mais prédios em cima da praia. Continuo sem perceber porque raio ainda chamam “arranha-céus” ao outro!Enfim, muito mais haveria para dizer, mas o texto já vai longo. Já agora... se querem ler má prosa, passem os olhos pelo artigo sobre a quinzena do peixe-espada preto.
Na página 9 brindam-nos com mais uma pérola. Na breve intitulada ‘Junta na internet’, que noticia o novo site da Junta de Freguesia de Santiago, termina-se dizendo: «Idosos, crianças e estudantes também terão o seu lugar na página, como adiantou Félix Rapaz, presidente da autarquia»... Ai se o arquitecto vê isto...
Por outro lado, quase que como resposta a um post anterior que aqui publiquei, os responsáveis pelo boletim decidiram inserir uma fotografia do outro lado da manifestação contra o encerramento do SAP. Ou seja, já não nos aparecem apenas o recém-nomeado «presidente da autarquia», Félix Rapaz, nem o verdadeiro presidente da autarquia, Augusto Pólvora de braços cruzados, e mais dois ou três. Agora sim, há população reunida à beira da estrada. Embrulhem!
Continuando na saúde, o boletim fala duma acção de protesto que terá tido lugar ontem, organizada pela comissão de utentes da Quinta do Conde, apesar da informação de que a construção do centro de saúde avançaria ainda este ano. Sobre isto escrevem que «os utentes vão manter o protesto (...) para protestar». Bom, outra coisa não seria de esperar. Embora, como já se percebeu, há protestos pela saúde que podem servir para outras coisas. O importante é ter lá sempre um fotógrafo a jeito que apanhe a população reunida à beira da estrada e não... o outro lado. Assim, até parece que o protesto teve mesmo como principal objectivo... protestar.
Há também uma notícia sobre a hasta pública dum terreno na Avenida dos Náufragos, onde a autarquia pretende levantar mais um bocadinho de betão para turistas e 340 lugares de estacionamento. A sua construção, escrevem no boletim, vai exigir uma «remodulação» dos acessos existentes. Fiquei sem perceber se a ideia é mesmo remodelar ou voltar a modular. Seja como for, a intenção é meter mais prédios em cima da praia. Continuo sem perceber porque raio ainda chamam “arranha-céus” ao outro!Enfim, muito mais haveria para dizer, mas o texto já vai longo. Já agora... se querem ler má prosa, passem os olhos pelo artigo sobre a quinzena do peixe-espada preto.
14 de mai. de 2007
Porque andam eles tão caladinhos
O jornal ‘Sol’ noticia na sua edição de Sábado que o actual presidente da Câmara Municipal de Oeiras «continua a ser investigado pelo Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), num inquérito relacionado com a viabilização de um empreendimento na zona protegida na mata de Sesimbra, quando era ministro das Cidades, no Governo de Durão Barroso».
O semanário adianta ainda que «o primeiro inquérito terminou há três semanas, com a decisão do Ministério Público de acusar formalmente o autarca de Oeiras, a sua irmã, Floripes, o jornalista Fernando Trigo e dois empresários, João Algarvio e Mateus Marques». Os arguidos têm agora 20 dias para «requererem ao tribunal a abertura da fase de instrução e rebaterem as acusações, mas até agora ainda nenhum o fez».
Ora, assim se percebe porque o caso da ‘Mata de Sesimbra’, onde um grupo imobiliário e uma Câmara querem construir uma cidade, foi deixado a marinar durante longos meses, depois de concluído o polémico e atabalhoado processo de discussão pública do plano de pormenor da zona sul desta área. Apesar do rol de irregularidades e processos mal resolvidos que envolvem o caso, o presidente da Câmara Municipal de Sesimbra, Augusto Pólvora, assumiu, publicamente, o projecto como seu e defendeu-o nas referidas sessões com unhas e dentes, lado a lado com os promotores.Portanto, se a coisa correr mal, só se pode esperar que os defensores do projecto, que assentam todo o desenvolvimento estratégico deste concelho única e exclusivamente no projecto imobiliário da Mata, saibam daí tirar as devidas conclusões. A queda dum processo desta dimensão não pode não ter consequências.
O semanário adianta ainda que «o primeiro inquérito terminou há três semanas, com a decisão do Ministério Público de acusar formalmente o autarca de Oeiras, a sua irmã, Floripes, o jornalista Fernando Trigo e dois empresários, João Algarvio e Mateus Marques». Os arguidos têm agora 20 dias para «requererem ao tribunal a abertura da fase de instrução e rebaterem as acusações, mas até agora ainda nenhum o fez».
Ora, assim se percebe porque o caso da ‘Mata de Sesimbra’, onde um grupo imobiliário e uma Câmara querem construir uma cidade, foi deixado a marinar durante longos meses, depois de concluído o polémico e atabalhoado processo de discussão pública do plano de pormenor da zona sul desta área. Apesar do rol de irregularidades e processos mal resolvidos que envolvem o caso, o presidente da Câmara Municipal de Sesimbra, Augusto Pólvora, assumiu, publicamente, o projecto como seu e defendeu-o nas referidas sessões com unhas e dentes, lado a lado com os promotores.Portanto, se a coisa correr mal, só se pode esperar que os defensores do projecto, que assentam todo o desenvolvimento estratégico deste concelho única e exclusivamente no projecto imobiliário da Mata, saibam daí tirar as devidas conclusões. A queda dum processo desta dimensão não pode não ter consequências.
11 de mai. de 2007
Amén Pólvora
O Jornal de Sesimbra noticia que a comunicação social não pôde assistir à reunião de Câmara em que foram aprovados, por unanimidade (e de que outra forma poderia ter sido?), o Relatório de Gestão e as Contas de 2006.
Apesar da impossibilidade de assistir ao debate, o jornal noticía que o presidente da Câmara, Augusto Pólvora, concluiu que o desempenho da autarquia, em 2006, foi «globalmente positivo» do ponto de vista financeiro. Por seu lado, os vereadores parceiros da coligação que gere a autarquia (leia-se... todos os outros que compõem o executivo, independentemente da sua cor partidária) sublinharam alguns pontos fracos gesta gestão: «o significativo decréscimo nas despesas de capital», «a total ausência de investimento no que diz respeito ao saneamento básico na freguesia do castelo que era tido como aposta principal para esta freguesia» e a falta de investimento «na criação de novas áreas verdes, bem como no ajardinamento de espaços exteriores e urbanísticos». Apesar de apontarem o dedo, na ‘hora H’, quando realmente interessa, deixam passar tudo por unanimidade na Câmara, é o “Amén” geral à política de Pólvora; uma atitude de inaceitável passividade e negligência por parte dos vereadores que há muito desistiram de fazer oposição, afirmando-se desenvergonhadamente coniventes com uma gestão que tem muitos defeitos.Nunca perceberei porque razão se gasta tanto com uma Recepção à Comunidade Educativa, ou porque é que o saneamento básico da maior freguesia do concelho (em área) continua a ser uma prioridade eternamente anunciada, e também porque continuamos a ser um concelho onde os parcos espaços verdes existentes parecem nascer apenas de negociatas de contrapartidas entre a autarquia e ‘Lidl’, ‘Plus’, ‘SuperSol’, e afins. Há demasiadas dúvidas para apenas deixar andar...
Apesar da impossibilidade de assistir ao debate, o jornal noticía que o presidente da Câmara, Augusto Pólvora, concluiu que o desempenho da autarquia, em 2006, foi «globalmente positivo» do ponto de vista financeiro. Por seu lado, os vereadores parceiros da coligação que gere a autarquia (leia-se... todos os outros que compõem o executivo, independentemente da sua cor partidária) sublinharam alguns pontos fracos gesta gestão: «o significativo decréscimo nas despesas de capital», «a total ausência de investimento no que diz respeito ao saneamento básico na freguesia do castelo que era tido como aposta principal para esta freguesia» e a falta de investimento «na criação de novas áreas verdes, bem como no ajardinamento de espaços exteriores e urbanísticos». Apesar de apontarem o dedo, na ‘hora H’, quando realmente interessa, deixam passar tudo por unanimidade na Câmara, é o “Amén” geral à política de Pólvora; uma atitude de inaceitável passividade e negligência por parte dos vereadores que há muito desistiram de fazer oposição, afirmando-se desenvergonhadamente coniventes com uma gestão que tem muitos defeitos.Nunca perceberei porque razão se gasta tanto com uma Recepção à Comunidade Educativa, ou porque é que o saneamento básico da maior freguesia do concelho (em área) continua a ser uma prioridade eternamente anunciada, e também porque continuamos a ser um concelho onde os parcos espaços verdes existentes parecem nascer apenas de negociatas de contrapartidas entre a autarquia e ‘Lidl’, ‘Plus’, ‘SuperSol’, e afins. Há demasiadas dúvidas para apenas deixar andar...
7 de mai. de 2007
Erros crassos
O jornal do Sesimbrense noticiou na capa da sua edição de 13 de Abril: ‘Judoca sesimbrense renova título europeu’. No seu último número, no entanto, o jornal desdiz o dito porque afinal a Telma Monteiro não pertence ao Grupo Desportivo de Sesimbra como noticiaram, nem tão pouco é sesimbrense.
Custa a crer como é que uma gralha desta dimensão passa num jornal, independentemente do seu tamanho, cor ou feitio.
Agora, em Maio, o jornal publica uma errata repondo a verdade dos factos. Não, a Telma não defende o “cerise” do GDS. Não, a Telma não é pexita.
Mas mais inacreditável que o erro, é o editorial que a directora do jornal, Isabel Peneque, lhe dedica. A frase com que abre a prosa é arrasadora: «Só não erra quem nada faz!» e continua: «Não, esses também erram porque em nada contribuem para o crescimento do País que, com eles também gasta dinheiro dos impostos dos outros!». Mais adiante, Isabel Peneque continua a sua furiosa crítica: «Por que razão, em vez de olharem para os seus próprios erros, se consomem a exibir e criticar os erros dos outros?»
Eu fiquei deliciad@ com esta abertura! Ora bem, vamos lá a ver se nos entendemos. Todo este episódio se passou nas páginas dum jornal que, por acaso, se orgulha de ser o jornal mais antigo do concelho. É também um veículo de informação que, em princípio, será credível. Como tal, é um espaço onde as pessoas esperam encontrar alguma verdade.
Ora, em vez de assumirem o erro, e de o rectificarem da melhor maneira possível de forma a esclarecer os leitores sobre a desinformação publicada, limitam-se a apresentar uma curta biografia da Telma Monteiro retirada da Wikipédia e a escrever um editorial acusatório sobre quem ousou apontar o dedo ao jornal pelo erro descabido cometido.
Apesar de todo o conteúdo do editorial, que não sei, nem quero saber, a quem se dirige, parece-me que Isabel Peneque está mais interessada em dar uma “respostinha” aos críticos do que em informar os leitores.
Como se não bastasse, a directora afirma-se empenhada em fazer do Sesimbrense um jornal melhor, mas responde que não pode «agradar a gregos e a troianos». Esta é nova para mim! Então mas é suposto um jornal agradar a alguém? Não existem objectivos maiores como aquele de ser «um quinzenário para defesa dos interesses do concelho»?
Eu não espero que o Sesimbrense me agrade. Espero apenas que me informe com credibilidade e com verdade. A confiança que tinha na informação do jornal tem sido traída e o último número foi um duro golpe. Há coisas que demoram muito tempo a construir mas que podem perder de um dia para o outro. Pois bem, está na hora de voltar a construir.
Custa a crer como é que uma gralha desta dimensão passa num jornal, independentemente do seu tamanho, cor ou feitio.
Agora, em Maio, o jornal publica uma errata repondo a verdade dos factos. Não, a Telma não defende o “cerise” do GDS. Não, a Telma não é pexita.
Mas mais inacreditável que o erro, é o editorial que a directora do jornal, Isabel Peneque, lhe dedica. A frase com que abre a prosa é arrasadora: «Só não erra quem nada faz!» e continua: «Não, esses também erram porque em nada contribuem para o crescimento do País que, com eles também gasta dinheiro dos impostos dos outros!». Mais adiante, Isabel Peneque continua a sua furiosa crítica: «Por que razão, em vez de olharem para os seus próprios erros, se consomem a exibir e criticar os erros dos outros?»
Eu fiquei deliciad@ com esta abertura! Ora bem, vamos lá a ver se nos entendemos. Todo este episódio se passou nas páginas dum jornal que, por acaso, se orgulha de ser o jornal mais antigo do concelho. É também um veículo de informação que, em princípio, será credível. Como tal, é um espaço onde as pessoas esperam encontrar alguma verdade.
Ora, em vez de assumirem o erro, e de o rectificarem da melhor maneira possível de forma a esclarecer os leitores sobre a desinformação publicada, limitam-se a apresentar uma curta biografia da Telma Monteiro retirada da Wikipédia e a escrever um editorial acusatório sobre quem ousou apontar o dedo ao jornal pelo erro descabido cometido.
Apesar de todo o conteúdo do editorial, que não sei, nem quero saber, a quem se dirige, parece-me que Isabel Peneque está mais interessada em dar uma “respostinha” aos críticos do que em informar os leitores.
Como se não bastasse, a directora afirma-se empenhada em fazer do Sesimbrense um jornal melhor, mas responde que não pode «agradar a gregos e a troianos». Esta é nova para mim! Então mas é suposto um jornal agradar a alguém? Não existem objectivos maiores como aquele de ser «um quinzenário para defesa dos interesses do concelho»?
Eu não espero que o Sesimbrense me agrade. Espero apenas que me informe com credibilidade e com verdade. A confiança que tinha na informação do jornal tem sido traída e o último número foi um duro golpe. Há coisas que demoram muito tempo a construir mas que podem perder de um dia para o outro. Pois bem, está na hora de voltar a construir.
4 de mai. de 2007
Manif
O Nova Morada desta semana inclui, logo na página 2, uma notícia sobre a manifestação contra o encerramento do SAP que teve lugar em 21 de Abril. Além do texto, o jornal publica uma foto da manifestação. Não, não há um magote de gente. Não, não há cartazes nem gente indignada. Na imagem surge uma câmara de televisão e seis pessoas alinhadas, como que a pousar em frente ao SAP, entre as quais reconheço: o presidente da Câmara, Augusto Pólvora, de braços cruzados; o presidente da Junta de Freguesia de Santiago, Félix Rapaz, com algo na mão (não, não é um cartaz) que me parece o saco do Expresso; e um elemento da Assembleia de Freguesia de Santiago, Carlos Soromenho, com mão no queixo, como que a meditar; e de microfone em punho, Florindo Paliotes da Comissão de Utentes.
Não participei na iniciativa, por isso também não sei se a imagem transmite aquilo que se passou na manifestação. Mas a dúvida cresce: terá isto sido realmente uma manifestação; uma mera chamada de atenção; ou tentou-se apenas, por outro lado, desviar a atenção?
Não participei na iniciativa, por isso também não sei se a imagem transmite aquilo que se passou na manifestação. Mas a dúvida cresce: terá isto sido realmente uma manifestação; uma mera chamada de atenção; ou tentou-se apenas, por outro lado, desviar a atenção?
Eu ainda sou do tempo...
Eu ainda sou do tempo em que pexito e camponês que se prezasse se engalava no dia de hoje.
Eu ainda sou do tempo em que uma ida ao arraial não terminava sem levar no bolso uma bola de serradura.
Eu ainda sou do tempo em as melhores farturas do arraial eram as redondas, «americanas».
Eu ainda sou do tempo em que o arraial enchia uma avenida de cima a baixo.
Eu ainda sou do tempo em que o arraial cortava o trânsito.
Eu ainda sou do tempo em que visitar o arraial era brincar com as malas e bolas penduradas à altura da cabeça nas diversas barraquinhas.
Eu ainda sou do tempo em que no arraial conseguia encontrar artigos que iam desde o boião para fazer bolas de sabão, às pilhas, ao cinto, passando pelo corta-unhas.
Eu ainda sou do tempo em que a procissão era uma sentida homenagem aos pescadores porque Sesimbra era e tinha orgulho em ser terra de pescadores.
Eu ainda sou do tempo em que, desde cedo, várias pessoas se acomodavam ao longo do trajecto da procissão para a ver passar.
Eu ainda sou do tempo em que no mar de gente que seguia atrás da procissão, os calçados não se misturavam com os descalços, no cumprimento de promessas.
Eu ainda sou do tempo em que uma ida ao arraial não terminava sem levar no bolso uma bola de serradura.
Eu ainda sou do tempo em as melhores farturas do arraial eram as redondas, «americanas».
Eu ainda sou do tempo em que o arraial enchia uma avenida de cima a baixo.
Eu ainda sou do tempo em que o arraial cortava o trânsito.
Eu ainda sou do tempo em que visitar o arraial era brincar com as malas e bolas penduradas à altura da cabeça nas diversas barraquinhas.
Eu ainda sou do tempo em que no arraial conseguia encontrar artigos que iam desde o boião para fazer bolas de sabão, às pilhas, ao cinto, passando pelo corta-unhas.
Eu ainda sou do tempo em que a procissão era uma sentida homenagem aos pescadores porque Sesimbra era e tinha orgulho em ser terra de pescadores.
Eu ainda sou do tempo em que, desde cedo, várias pessoas se acomodavam ao longo do trajecto da procissão para a ver passar.
Eu ainda sou do tempo em que no mar de gente que seguia atrás da procissão, os calçados não se misturavam com os descalços, no cumprimento de promessas.
O que os outros dizem de nós
A última edição do jornal ‘Nova Morada’ inclui uma entrevista a Rui Veloso, o «pai do rock português» que no passado Sábado deu um concerto no cine-teatro João Mota.
Vejamos o que disse o cantor sobre a vila que o recebeu, numa sala que, como sublinhou durante a actuação, é «tão pequena», que se sentiu como se estivesse na sua sala de jantar.
«Sesimbra ainda era um outro planeta e não tinha nada a ver com o que é hoje!»
(Referindo-se à Sesimbra que conheceu e visitou durante a infância.)
«Acho que em Sesimbra, como em outros concelhos do país, construiu-se demais. Deixamos construir sem planeamento.»
«Havia aqui um potencial extraordinário que obviamente foi estragado... talvez se possa corrigir alguma coisa, mas o furor do betão e dos empreiteiros estragou muito no nosso país.»
«Falta é um bocadinho de espaço que foi ocupado pelo betão, que não devia nem podia ser tanto.»(Referindo-se à praia.)
Vejamos o que disse o cantor sobre a vila que o recebeu, numa sala que, como sublinhou durante a actuação, é «tão pequena», que se sentiu como se estivesse na sua sala de jantar.
«Sesimbra ainda era um outro planeta e não tinha nada a ver com o que é hoje!»
(Referindo-se à Sesimbra que conheceu e visitou durante a infância.)
«Acho que em Sesimbra, como em outros concelhos do país, construiu-se demais. Deixamos construir sem planeamento.»
«Havia aqui um potencial extraordinário que obviamente foi estragado... talvez se possa corrigir alguma coisa, mas o furor do betão e dos empreiteiros estragou muito no nosso país.»
«Falta é um bocadinho de espaço que foi ocupado pelo betão, que não devia nem podia ser tanto.»(Referindo-se à praia.)
3 de mai. de 2007
ENTÃO E A MATA?
Proposta dissolução da Câmara do Bombarral
Inspecção-Geral da Administração do Território alega violação do PDM
«A Inspecção-Geral da Administração do Território (IGAT) propõe a dissolução da Câmara Municipal do Bombarral por alegada violação do Plano Director Municipal (PDM), num processo de legalização de uma habitação construída numa zona classificada como agro-florestal.» in SIC On-line
ENTÃO E A MATA?
Inspecção-Geral da Administração do Território alega violação do PDM
«A Inspecção-Geral da Administração do Território (IGAT) propõe a dissolução da Câmara Municipal do Bombarral por alegada violação do Plano Director Municipal (PDM), num processo de legalização de uma habitação construída numa zona classificada como agro-florestal.» in SIC On-line
ENTÃO E A MATA?
27 de mar. de 2007
Dia Mundial do Teatro
“Sou a cena viva onde passam vários actores representando várias peças.”
Bernardo Soares
Bernardo Soares
26 de mar. de 2007
No Sábado à noite
No Sábado à noite, o grupo ‘Corvos’ deu um concerto na fortaleza de Santiago integrado no programa da Câmara Municipal de Sesimbra (CMS) ‘Ond@Jovem 2007’. Apesar do frio o ambiente estava agradável e os artistas são bons artistas. Eis senão quando sou confrontad@ com um inquérito que me pedem encarecidamente que preencha. E pronto, a noite até estava a ser uma boa noite. A música era boa música. Até que surgiu... O inquérito.
Ao que me parece, há alguém na CMS... a modos que... fixado nas bebedeiras da juventude sesimbrense. Vejamos com mais atenção (porque o assunto o exige) o dito inquérito.
Perguntam, a dada altura, com qual das ideias o inquirido concorda ou não concorda:
a) O álcool aquece?
b) O álcool abre o apetite?
c) O álcool dá força?
d) O álcool facilita a digestão?
e) O álcool mata a sede?
f) O álcool é um remédio?
g) O álcool melhora o sexo?
Segundo indicam, esta questão é adaptada de um original do Dr. Luís Patrício, que, julgo ser o conhecido psiquiatra, pioneiro no tratamento das toxicodependências em Portugal.
Independentemente do autor e do “adaptador”, esta questão centra-se nalgumas ideias feitas cuja resposta é, obviamente, negativa para alguém de bom senso. Isto supondo que o inquérito se refere ao consumo excessivo.
Agora há, digo eu, quem passe por burro e bêbedo respondendo também com bom senso: há quem goste do Martini para abrir uma refeição, tomando-o para “abrir o apetite”. Há quem beba o digestivo no final, precisamente para “facilitar a digestão”. Há quem não dispense uma “loira fresquinha” numa tarde de calor para “matar a sede”. Há quem beba um copo de tinto por dia porque os médicos dizem que faz bem ao coração, etc. etc.. Tudo isto podem ser ideias feitas, mas não quer dizer que quem assim pense deva pertencer aos AA (alcoólicos anónimos).
Estamos a falar de um inquérito aplicado, essencialmente, a jovens. E será que poderemos depois acreditar na fiabilidade das respostas? Até porque o contexto em que os inquéritos estão a ser colocados, o timing escolhido, são, em tudo, duvidosos.
Mas vejamos mais algumas questões:
- A sua primeira bebedeira foi quando tinha a idade de ____ anos.
(Não existe a hipótese do inquirido responder que nunca apanhou uma bebedeira. Porque será?)
- A sua última bebedeira foi: há ___ dias; há ___ meses; há ___ anos.
(Continuam a não considerar a hipótese do inquirido responder que nunca apanhou uma bebedeira.)
- Qual foi a quantidade consumida no último dia em que bebeu álcool? Cerveja ___; Vinho ___; Whisky ___; Gin ___; Vodka ___; Licor ___; Shots ___; Outro ___.
(Não consideram a hipótese de o inquirido ser abstémio)
- Está a tomar medicamentos para os nervos?
- No último mês consumiu Pastilhas?
Bom, e chega de perguntas sem jeito nem amanho num inquérito absurdo.
Em nenhum espaço do questionário me explicam qual o fim a que se destina nem porque me perguntam se já pratiquei sexo sob o efeito do álcool, se o fiz com preservativo, ou com que idade tive a minha primeira relação sexual e se, também nessa altura, utilizei preservativo.
Claro que o destino do inquérito só podia ser um: forrar o fundo da gaiola do passarinho.
Ah, mas ouvi dizer que na próxima semana vão promover um debate sobre:
“Bebeu-se muito na noite de Sábado, 24 de Março?”.
Um evento a não perder.
Ao que me parece, há alguém na CMS... a modos que... fixado nas bebedeiras da juventude sesimbrense. Vejamos com mais atenção (porque o assunto o exige) o dito inquérito.
Perguntam, a dada altura, com qual das ideias o inquirido concorda ou não concorda:
a) O álcool aquece?
b) O álcool abre o apetite?
c) O álcool dá força?
d) O álcool facilita a digestão?
e) O álcool mata a sede?
f) O álcool é um remédio?
g) O álcool melhora o sexo?
Segundo indicam, esta questão é adaptada de um original do Dr. Luís Patrício, que, julgo ser o conhecido psiquiatra, pioneiro no tratamento das toxicodependências em Portugal.
Independentemente do autor e do “adaptador”, esta questão centra-se nalgumas ideias feitas cuja resposta é, obviamente, negativa para alguém de bom senso. Isto supondo que o inquérito se refere ao consumo excessivo.
Agora há, digo eu, quem passe por burro e bêbedo respondendo também com bom senso: há quem goste do Martini para abrir uma refeição, tomando-o para “abrir o apetite”. Há quem beba o digestivo no final, precisamente para “facilitar a digestão”. Há quem não dispense uma “loira fresquinha” numa tarde de calor para “matar a sede”. Há quem beba um copo de tinto por dia porque os médicos dizem que faz bem ao coração, etc. etc.. Tudo isto podem ser ideias feitas, mas não quer dizer que quem assim pense deva pertencer aos AA (alcoólicos anónimos).
Estamos a falar de um inquérito aplicado, essencialmente, a jovens. E será que poderemos depois acreditar na fiabilidade das respostas? Até porque o contexto em que os inquéritos estão a ser colocados, o timing escolhido, são, em tudo, duvidosos.
Mas vejamos mais algumas questões:
- A sua primeira bebedeira foi quando tinha a idade de ____ anos.
(Não existe a hipótese do inquirido responder que nunca apanhou uma bebedeira. Porque será?)
- A sua última bebedeira foi: há ___ dias; há ___ meses; há ___ anos.
(Continuam a não considerar a hipótese do inquirido responder que nunca apanhou uma bebedeira.)
- Qual foi a quantidade consumida no último dia em que bebeu álcool? Cerveja ___; Vinho ___; Whisky ___; Gin ___; Vodka ___; Licor ___; Shots ___; Outro ___.
(Não consideram a hipótese de o inquirido ser abstémio)
- Está a tomar medicamentos para os nervos?
- No último mês consumiu Pastilhas?
Bom, e chega de perguntas sem jeito nem amanho num inquérito absurdo.
Em nenhum espaço do questionário me explicam qual o fim a que se destina nem porque me perguntam se já pratiquei sexo sob o efeito do álcool, se o fiz com preservativo, ou com que idade tive a minha primeira relação sexual e se, também nessa altura, utilizei preservativo.
Claro que o destino do inquérito só podia ser um: forrar o fundo da gaiola do passarinho.
Ah, mas ouvi dizer que na próxima semana vão promover um debate sobre:
“Bebeu-se muito na noite de Sábado, 24 de Março?”.
Um evento a não perder.
22 de mar. de 2007
Maus prenúncios
Fui hoje confrontad@ com uma péssima notícia na imprensa regional. A ‘Costa Terra’ recebe amanhã o alvará de construção da Câmara de Grândola que dá luz verde ao início da construção do empreendimento turístico na ‘Aberta Nova’, em Melides. O projecto vai nascer em zona classificada como Rede Natura 2000 e tem sido por isso alvo das mais duras críticas, embora, vá-se lá saber porquê, os ministros do Ambiente e da Economia tenham declararado já o “interesse público” do investimento.
Que mais poderemos esperar de quem impede os pescadores de praticarem a sua actividade em zonas onde laboram há milhares de anos porque constituem um sério atentado à saúde do Parque Natural da Arrábida mas que dá a benção a este tipo de projectos.
Que mais poderemos esperar de quem aconselha aos empresários estrangeiros que invistam em Portugal porque os custos de mão-de-obra são os mais baixos da Europa, ou que anuncia que quer mudar o nome ‘Algarve’ para ‘ALLgarve’ (dito com british accent) de forma a internacionalizar ainda mais a região.
Contente da vida com a notícia sobre a ‘Costa Terra’ ficou, pasmem-se, o presidente da Câmara Municipal de Grândola que insistentemente afirmou que os empreendimentos previstos para o seu concelho «vão cumprir as melhores práticas em termos ambientais».
Onde é que eu já ouvi isto?..
Segundo a notícia do ‘Região de Setúbal On-Line’, o projecto inclui 3 hóteis, 5 aparthoteis, 4 aldeamentos turísticos, 204 moradias de turismo residencial, um campo de glofe, um centro equestre, uma clínica de medicina desportiva, geriatria e talassoterapia, dois clubes de ténis e ginásios, um fórum comercial e, e, e, e...
O ‘Costa Terra’ é o 3.º grande projecto turístico que arranca no concelho de Grândola no espaço de um ano, depois do Tróia Resort e da ‘Herdade do Pinheirinho’, da empresa... Pelicano.
Este último prevê a construção de 2 hóteis, 4 aparthoteis, 3 aldeamentos, 204 moradias e um campo de golfe.
Mas afinal quem são os “litoral killers”?
Que mais poderemos esperar de quem impede os pescadores de praticarem a sua actividade em zonas onde laboram há milhares de anos porque constituem um sério atentado à saúde do Parque Natural da Arrábida mas que dá a benção a este tipo de projectos.
Que mais poderemos esperar de quem aconselha aos empresários estrangeiros que invistam em Portugal porque os custos de mão-de-obra são os mais baixos da Europa, ou que anuncia que quer mudar o nome ‘Algarve’ para ‘ALLgarve’ (dito com british accent) de forma a internacionalizar ainda mais a região.
Contente da vida com a notícia sobre a ‘Costa Terra’ ficou, pasmem-se, o presidente da Câmara Municipal de Grândola que insistentemente afirmou que os empreendimentos previstos para o seu concelho «vão cumprir as melhores práticas em termos ambientais».
Onde é que eu já ouvi isto?..
Segundo a notícia do ‘Região de Setúbal On-Line’, o projecto inclui 3 hóteis, 5 aparthoteis, 4 aldeamentos turísticos, 204 moradias de turismo residencial, um campo de glofe, um centro equestre, uma clínica de medicina desportiva, geriatria e talassoterapia, dois clubes de ténis e ginásios, um fórum comercial e, e, e, e...
O ‘Costa Terra’ é o 3.º grande projecto turístico que arranca no concelho de Grândola no espaço de um ano, depois do Tróia Resort e da ‘Herdade do Pinheirinho’, da empresa... Pelicano.
Este último prevê a construção de 2 hóteis, 4 aparthoteis, 3 aldeamentos, 204 moradias e um campo de golfe.
Mas afinal quem são os “litoral killers”?
21 de mar. de 2007
No Dia Mundial da Poesia ...
No Dia Mundial da Poesia que hoje se comemora, volto a percorrer a agenda municipal ‘Sesimbra’Acontece’ na expectativa de encontrar alguma iniciativa digna de assinalar a efeméride. Folheio a publicação uma e outra vez e a páginas tantas lá descubro um ateliê de escrita criativa intitulado ‘Vamos Fazer... um Poema’, no pólo de leitura da Quinta do Conde, destinado a crianças a partir dos 6 anos. E... mais nada.
Claro que o Represas, o João Gil, a Teresa Salgueiro, o Rui Veloso e companhia vêm a caminho. E isso enche o olho. É também mais interessante promover ‘conversas’ com os jovens sesimbrenses sobre se se bebeu demais no Carnaval. Agora, à poesia não conseguimos pôr penachos nem lantejoulas.
Um poema:
Mar sonoro
Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim.
A tua beleza aumenta quando estamos sós
E tão fundo intimamente a tua voz
Segue o mais secreto bailar do meu sonho.
Que momentos há em que eu suponho
Seres um milagre criado só para mim.
Sophia de Mello Breyner Andresen
Claro que o Represas, o João Gil, a Teresa Salgueiro, o Rui Veloso e companhia vêm a caminho. E isso enche o olho. É também mais interessante promover ‘conversas’ com os jovens sesimbrenses sobre se se bebeu demais no Carnaval. Agora, à poesia não conseguimos pôr penachos nem lantejoulas.
Um poema:
Mar sonoro
Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim.
A tua beleza aumenta quando estamos sós
E tão fundo intimamente a tua voz
Segue o mais secreto bailar do meu sonho.
Que momentos há em que eu suponho
Seres um milagre criado só para mim.
Sophia de Mello Breyner Andresen
19 de mar. de 2007
A sorte de uns...
A mais recente edição do boletim municipal anda a dar grande falatório. Finalmente, parece que é desta que o cine-teatro João Mota vai abrir as suas portas e o programa anunciado é dum luxo asiático. Nomes como Teresa Salgueiro, Rui Veloso, Luís Represas e João Gil, entre outros, fazem parte do cardápio de encher o olho.
Estará, neste momento, alguém refastelado no seu gabinete a pensar: - Desta é que os calei. Tomem lá uma mão cheia de ‘coltura’ e fechem, bem fechadinhas, essas bocas maldizentes!
Realmente, nada a dizer em relação à escolha destes nomes sonantes da música portuguesa que vão encher de brilho aquela que será a principal sala do concelho. Mas, na verdade, tudo isto é completamente despropositado. De facto, a população do concelho merece isto e muito mais, mas não se compreende porque é que vão enfiar estes eventos numa sala para 240 pessoas... Tendo por certo que nenhum destes artistas reconhecidos virá a Sesimbra dar uma borla ou actuar em troca de 5 tostões (porque é disto que vivem) ou os preços dos bilhetes terão de ser muito elevados de forma a pagar as actuações, ou então este programa vai sair muito caro ao concelho porque todos teremos de pagar por um luxo a que apenas 240 sortudos poderão assistir de perto.
Até já ouvi dizer que há quem ande a meter cunhas aos funcionários da Câmara para reservar bilhetes! Havia necessidade disto?...
Até aqui, as actuações, como as que agora nos propõem, aconteciam quando o rei fazia anos e em espaços públicos como o ginásio ou a fortaleza de Santiago (que ainda para mais, andam sempre a anunciar que é nossa). Dum dia para o outro, trazem a mais fina flôr da música portuguesa, toda duma vez, e metem-na num espaço limitado... Não para quem quer, mas quem pode assistir. Parece-me que está a ser feito um esforço estúpido em nome de algo... a que chamo populismo. Provavelmente outros chamar-lhe-ão outra coisa qualquer.
Há gente, que ainda por cima tem poder para mandar nalgumas coisas que dizem respeito a todos nós, que não sabe que entre o 8 e o 80 existe um longo caminho chamado meio termo. E para conseguir actuar nessa área basta ter bom senso. Percebe-se que, numa política de Carnaval todo o ano, festa que é festa tem de ter brilho. Muito brilho, muita confusão. Mas é preciso ponderar muito mais coisas.
E por falar em festa... Já se diz por aí que vai haver um Carnaval de Verão...
Estará, neste momento, alguém refastelado no seu gabinete a pensar: - Desta é que os calei. Tomem lá uma mão cheia de ‘coltura’ e fechem, bem fechadinhas, essas bocas maldizentes!
Realmente, nada a dizer em relação à escolha destes nomes sonantes da música portuguesa que vão encher de brilho aquela que será a principal sala do concelho. Mas, na verdade, tudo isto é completamente despropositado. De facto, a população do concelho merece isto e muito mais, mas não se compreende porque é que vão enfiar estes eventos numa sala para 240 pessoas... Tendo por certo que nenhum destes artistas reconhecidos virá a Sesimbra dar uma borla ou actuar em troca de 5 tostões (porque é disto que vivem) ou os preços dos bilhetes terão de ser muito elevados de forma a pagar as actuações, ou então este programa vai sair muito caro ao concelho porque todos teremos de pagar por um luxo a que apenas 240 sortudos poderão assistir de perto.
Até já ouvi dizer que há quem ande a meter cunhas aos funcionários da Câmara para reservar bilhetes! Havia necessidade disto?...
Até aqui, as actuações, como as que agora nos propõem, aconteciam quando o rei fazia anos e em espaços públicos como o ginásio ou a fortaleza de Santiago (que ainda para mais, andam sempre a anunciar que é nossa). Dum dia para o outro, trazem a mais fina flôr da música portuguesa, toda duma vez, e metem-na num espaço limitado... Não para quem quer, mas quem pode assistir. Parece-me que está a ser feito um esforço estúpido em nome de algo... a que chamo populismo. Provavelmente outros chamar-lhe-ão outra coisa qualquer.
Há gente, que ainda por cima tem poder para mandar nalgumas coisas que dizem respeito a todos nós, que não sabe que entre o 8 e o 80 existe um longo caminho chamado meio termo. E para conseguir actuar nessa área basta ter bom senso. Percebe-se que, numa política de Carnaval todo o ano, festa que é festa tem de ter brilho. Muito brilho, muita confusão. Mas é preciso ponderar muito mais coisas.
E por falar em festa... Já se diz por aí que vai haver um Carnaval de Verão...
16 de mar. de 2007
O que foi não volta a ser
Esta noite, o Centro Comunitário da Quinta do Conde será palco para mais um dos debates temáticos que a Câmara Municipal de Sesimbra tem vindo a promover no âmbito do processo de revisão do Plano Director Municipal do Concelho. Em cima da mesa estará hoje o tema ‘Acessibilidades e Infra-Estruturas’.
A última vez que me recordo de ter visto a população do concelho envolvida num debate sobre este assunto ocorreu por altura da apresentação do Plano de Acessibilidades realizado a propósito do processo da Mata da Sesimbra. Curiosamente, na sessão de hoje estará o conceituado professor do Instituto Superior Técnico, Nunes da Silva, responsável por esse documento.
E, mais uma vez, o temível assunto ‘Mata de Sesimbra’ é trazido à baila. Não é possível esquecer que o PDM ainda em vigor, publicado em Diário da República em Fevereiro de 1998, é escandalosamente subvertido pelo Plano de Pormenor da Zona Sul da Mata de Sesimbra que implica a revogação de diversos artigos, nomeadamente no que diz respeito ao uso e ocupação dos solos, índices de construção ou dimensão da intervenção. Como tal, esta revisão do PDM assume particular importância, na medida em que abre uma porta que permite levantar restrições que até aqui têm sido demasiado inconvenientes para os defensores da construção da cidade da Mata.
E, recorde-se, o presidente da Câmara, Augusto Pólvora, já assumiu e reiterou publicamente a defesa do projecto megalómano da Mata de Sesimbra. Assumiu perante todos que este é o “seu” projecto e defendeu-o, o melhor que pôde, ao lado dos promotores imobiliários.
Mas, em nenhuma circunstância, o mais importante instrumento de gestão do território, como o é um PDM, poderá ser subjugado ao betão e aos mais diversos interesses que se movem em relação à Mata de Sesimbra.
A qualidade de vida dos sesimbrenses e a defesa da terra deverão ser superiores a tudo o resto.
No debate da passada sexta-feira, várias foram as vozes que se levantaram pela defesa das tradições e pela revitalização e re-povoamento da vila de Sesimbra e contra a perda de identidade da freguesia rural e a betonização.
Por oposição, da mesa de oradores falou-se duma Sesimbra “de futuro”, preparada para receber o turista, publicitaram-se terrenos, defendeu-se a construção de empreendimentos para defender as zonas verdes.
Será que ainda não perceberam que aquilo que a população do concelho pretende é reaver a Sesimbra que tem vindo a perder e não construir uma nova Sesimbra onde não se reconhecem e que ameaça apagar irremediavelmente os seus traços distintivos?
A última vez que me recordo de ter visto a população do concelho envolvida num debate sobre este assunto ocorreu por altura da apresentação do Plano de Acessibilidades realizado a propósito do processo da Mata da Sesimbra. Curiosamente, na sessão de hoje estará o conceituado professor do Instituto Superior Técnico, Nunes da Silva, responsável por esse documento.
E, mais uma vez, o temível assunto ‘Mata de Sesimbra’ é trazido à baila. Não é possível esquecer que o PDM ainda em vigor, publicado em Diário da República em Fevereiro de 1998, é escandalosamente subvertido pelo Plano de Pormenor da Zona Sul da Mata de Sesimbra que implica a revogação de diversos artigos, nomeadamente no que diz respeito ao uso e ocupação dos solos, índices de construção ou dimensão da intervenção. Como tal, esta revisão do PDM assume particular importância, na medida em que abre uma porta que permite levantar restrições que até aqui têm sido demasiado inconvenientes para os defensores da construção da cidade da Mata.
E, recorde-se, o presidente da Câmara, Augusto Pólvora, já assumiu e reiterou publicamente a defesa do projecto megalómano da Mata de Sesimbra. Assumiu perante todos que este é o “seu” projecto e defendeu-o, o melhor que pôde, ao lado dos promotores imobiliários.
Mas, em nenhuma circunstância, o mais importante instrumento de gestão do território, como o é um PDM, poderá ser subjugado ao betão e aos mais diversos interesses que se movem em relação à Mata de Sesimbra.
A qualidade de vida dos sesimbrenses e a defesa da terra deverão ser superiores a tudo o resto.
No debate da passada sexta-feira, várias foram as vozes que se levantaram pela defesa das tradições e pela revitalização e re-povoamento da vila de Sesimbra e contra a perda de identidade da freguesia rural e a betonização.
Por oposição, da mesa de oradores falou-se duma Sesimbra “de futuro”, preparada para receber o turista, publicitaram-se terrenos, defendeu-se a construção de empreendimentos para defender as zonas verdes.
Será que ainda não perceberam que aquilo que a população do concelho pretende é reaver a Sesimbra que tem vindo a perder e não construir uma nova Sesimbra onde não se reconhecem e que ameaça apagar irremediavelmente os seus traços distintivos?
15 de mar. de 2007
Desengasgo
Os fóruns são uma realidade diária no panorama radiofónico nacional. São conhecidos os da TSF e Antena 1 que todos os dias convidam dezenas de portugueses a opinar sobre os assuntos que marcam a actualidade nacional e até internacional.
Nos últimos dias, no entanto, descobri um novo fórum a que chamam ‘Fale mas não se Engasgue’ que passa, ao que me parece, entre as 9h e as 9.30h na Sesimbra FM (103.9 FM). Ontem debatia-se o facto dos privados considerarem a abertura de clínicas nos locais onde o governo anda a encerrar serviços de atendimento permanente e serviços de urgência. Há que reconhecer, e os autores deste “fórum” sabem com certeza, que a iniciativa não é sequer comparável ao que é feito nas rádios nacionais - até porque no caso da Sesimbra FM o fórum é conduzido por um animador de rádio e não por um jornalista – mas já é qualquer coisa. O que é certo é que as diferenças notam-se mesmo nas pequenas coisas.
Ontem, enquanto se debatia o problema da saúde, um ouvinte elogiava o governo de Oliveira Salazar por comparação com o actual e perante este comentário não houve qualquer tentativa, não de calar o ouvinte-opinador porque como todos os outros tem direito às suas opiniões mesmo que descabidas e insensatas, mas pelo menos de recentrar a discussão no tema em causa: o encerramento de serviço de saúde públicos e consequente abertura de privados. Hoje, apesar de ter apanhado o “fórum” sesimbrense a meio percebi que se falava de futebol. Inicialmente falava-se numa maior atenção que as Finanças atribuirão às contratações de jogadores, mas lá pelo meio comentou-se os automóveis dos jogadores, a construção dos estádios de futebol aquando do Euro 2004, as míseras reformas, o preço dos medicamentos...
A certa altura, o animador queixava-se da falta de participação dos ouvintes no ‘Fale mas não se engasgue’, facto que não, vá-se lá saber porquê, me surpreende.
Entretanto, aproveitei e fiquei a ouvir o noticiário sesimbrense das 9.30h. Não deixei de achar curioso o alinhamento das notícias: primeiro falou-se do programa ‘Onda Jovem’, iniciativa da Câmara Municipal de Sesimbra, e que terá início, se a memória não me falha, a 23 de Março (agora que penso nisso, tenho a clara impressão de que há já vários dias que este importante assunto da actualidade pexita tem vindo a ser noticiado por esta rádio... é que já só faltam 9 dias!); depois, anunciaram que o SAP de Sesimbra amanhã estará sem médico, facto que não afectará os habitantes da “freguesia de Santana” (palavras da jornalista) que podem recorrer à Unidade de Saúde Familiar; por fim, falou-se da acção da ASAE hoje em Setúbal que, curiosamente, está a marcar a actualidade a nível nacional por ser hoje o Dia do Consumidor.
Mas enfim, não vou discutir os critérios de alinhamento. Mas já que se optou por fazer a coisa desta forma, porque não promover um fórum sobre o ‘Onda Jovem’?. Sendo um assunto que merece honras de abertura de noticiário, talvez consiga levar mais pessoas a participarem no... ‘Fale mas não se Engasgue’!
Nos últimos dias, no entanto, descobri um novo fórum a que chamam ‘Fale mas não se Engasgue’ que passa, ao que me parece, entre as 9h e as 9.30h na Sesimbra FM (103.9 FM). Ontem debatia-se o facto dos privados considerarem a abertura de clínicas nos locais onde o governo anda a encerrar serviços de atendimento permanente e serviços de urgência. Há que reconhecer, e os autores deste “fórum” sabem com certeza, que a iniciativa não é sequer comparável ao que é feito nas rádios nacionais - até porque no caso da Sesimbra FM o fórum é conduzido por um animador de rádio e não por um jornalista – mas já é qualquer coisa. O que é certo é que as diferenças notam-se mesmo nas pequenas coisas.
Ontem, enquanto se debatia o problema da saúde, um ouvinte elogiava o governo de Oliveira Salazar por comparação com o actual e perante este comentário não houve qualquer tentativa, não de calar o ouvinte-opinador porque como todos os outros tem direito às suas opiniões mesmo que descabidas e insensatas, mas pelo menos de recentrar a discussão no tema em causa: o encerramento de serviço de saúde públicos e consequente abertura de privados. Hoje, apesar de ter apanhado o “fórum” sesimbrense a meio percebi que se falava de futebol. Inicialmente falava-se numa maior atenção que as Finanças atribuirão às contratações de jogadores, mas lá pelo meio comentou-se os automóveis dos jogadores, a construção dos estádios de futebol aquando do Euro 2004, as míseras reformas, o preço dos medicamentos...
A certa altura, o animador queixava-se da falta de participação dos ouvintes no ‘Fale mas não se engasgue’, facto que não, vá-se lá saber porquê, me surpreende.
Entretanto, aproveitei e fiquei a ouvir o noticiário sesimbrense das 9.30h. Não deixei de achar curioso o alinhamento das notícias: primeiro falou-se do programa ‘Onda Jovem’, iniciativa da Câmara Municipal de Sesimbra, e que terá início, se a memória não me falha, a 23 de Março (agora que penso nisso, tenho a clara impressão de que há já vários dias que este importante assunto da actualidade pexita tem vindo a ser noticiado por esta rádio... é que já só faltam 9 dias!); depois, anunciaram que o SAP de Sesimbra amanhã estará sem médico, facto que não afectará os habitantes da “freguesia de Santana” (palavras da jornalista) que podem recorrer à Unidade de Saúde Familiar; por fim, falou-se da acção da ASAE hoje em Setúbal que, curiosamente, está a marcar a actualidade a nível nacional por ser hoje o Dia do Consumidor.
Mas enfim, não vou discutir os critérios de alinhamento. Mas já que se optou por fazer a coisa desta forma, porque não promover um fórum sobre o ‘Onda Jovem’?. Sendo um assunto que merece honras de abertura de noticiário, talvez consiga levar mais pessoas a participarem no... ‘Fale mas não se Engasgue’!
14 de mar. de 2007
Mas afinal, bebeu-se ou não se bebeu?
Na sexta-feira 2 de Março, a Câmara Municipal de Sesimbra (CMS) e a Cercizimbra promoveram, no auditório Conde de Ferreira, a já tão badalada ‘conversa’ sobre o estimulante tema “Bebeu-se demais no Carnaval?”.
A CMS, que co-organizou esta (segundo consta, pouco concorrida) iniciativa, é, espantem-se, gerida pelos mesmos políticos que anunciaram uma política cultural de Carnaval todo o ano. Será por isso que anda tanta gente por aí em estado de embriaguez aparente? Adiante!
Já agora... o título - “Bebeu-se demais no Carnaval?” -, exposto assim em forma de interrogação não deixa de ser curioso. Seria a iniciativa uma forma de levar os foliões e outros que tais a expiarem os abusos? Que fraca ideia...
O alcoolismo juvenil é um problema concreto. Cada vez se bebe mais e mais cedo. Debater o problema é uma forma de lidar com ele. Mas andar por aí a perguntar se o pessoal acha que se abusou no Carnaval é... uma coisa sem jeito nem amanho. Mas de que cabecinha pensadora saiu esta tontice?
Esta ideia infeliz trouxe-me à lembrança uma outra iniciativa de má memória que, felizmente, alguém de bom senso conseguiu travar. Deve estar a fazer um ano que a Câmara Municipal de Sesimbra (a tal do Carnaval todo o ano e a quer saber das bebedeiras carnavalescas) lançou um concurso em que desafiava os mais jovens a arquitectarem uma mentira. A melhor, a mais original, seria devidamente premiada e divulgada a 1 de Abril.
Resumindo... os mesmos que incitam a mentira são os que agora querem avaliar, moralmente, as atitudes que uns e outros tomaram no Carnaval. Não há aqui qualquer coisa que não cola? Não notam aqui uma grande baralhação nestas cabeças?
Depois de tudo isto fiquei muito preocupad@ com o editorial que a vereadora da cultura e educação, Felícia Costa, escreve na última edição do Sesimbr’Acontece. Segundo ela, prevê-se que em 2011 Sesimbra esteja no grupo dos municípios mais jovens do país, razão pela qual a Câmara «tem vindo a adoptar várias medidas que permitam responder às necessidades e expectativas desta faixa etária».Ai... ai... Pela amostra junta todos temos muitas razões para ficar deveras preocupados.
A CMS, que co-organizou esta (segundo consta, pouco concorrida) iniciativa, é, espantem-se, gerida pelos mesmos políticos que anunciaram uma política cultural de Carnaval todo o ano. Será por isso que anda tanta gente por aí em estado de embriaguez aparente? Adiante!
Já agora... o título - “Bebeu-se demais no Carnaval?” -, exposto assim em forma de interrogação não deixa de ser curioso. Seria a iniciativa uma forma de levar os foliões e outros que tais a expiarem os abusos? Que fraca ideia...
O alcoolismo juvenil é um problema concreto. Cada vez se bebe mais e mais cedo. Debater o problema é uma forma de lidar com ele. Mas andar por aí a perguntar se o pessoal acha que se abusou no Carnaval é... uma coisa sem jeito nem amanho. Mas de que cabecinha pensadora saiu esta tontice?
Esta ideia infeliz trouxe-me à lembrança uma outra iniciativa de má memória que, felizmente, alguém de bom senso conseguiu travar. Deve estar a fazer um ano que a Câmara Municipal de Sesimbra (a tal do Carnaval todo o ano e a quer saber das bebedeiras carnavalescas) lançou um concurso em que desafiava os mais jovens a arquitectarem uma mentira. A melhor, a mais original, seria devidamente premiada e divulgada a 1 de Abril.
Resumindo... os mesmos que incitam a mentira são os que agora querem avaliar, moralmente, as atitudes que uns e outros tomaram no Carnaval. Não há aqui qualquer coisa que não cola? Não notam aqui uma grande baralhação nestas cabeças?
Depois de tudo isto fiquei muito preocupad@ com o editorial que a vereadora da cultura e educação, Felícia Costa, escreve na última edição do Sesimbr’Acontece. Segundo ela, prevê-se que em 2011 Sesimbra esteja no grupo dos municípios mais jovens do país, razão pela qual a Câmara «tem vindo a adoptar várias medidas que permitam responder às necessidades e expectativas desta faixa etária».Ai... ai... Pela amostra junta todos temos muitas razões para ficar deveras preocupados.
22 de jan. de 2007
Não tóxico
Usar um eufemismo corresponde ao «acto de suavizar a expressão duma ideia substituindo a palavra ou expressão própria por outra mais agradável, mais polida». O antónimo de eufemismo é disfemismo, que corresponde a uma «expressão grosseira ou desagradavelmente directa, em vez de outra, indirecta ou neutra».
Lembrei-me desta lição de português ao ver a 1.ª página da última edição do jornal ‘Raio de Luz’, onde é dada a notícia do “falecimento” de um diácono. Nos jornais, que se querem directos e claros, há muito que não lia notícias sobre falecimentos. Hoje em dia, cada vez mais as pessoas "morrem" e pronto.
Não deixa por isso de ser curioso o facto de ter sid@ bombardead@ por disfemismos assim que abri o jornal. Em quase todas as páginas a palavra “aborto” surge de forma abrupta, repetida vezes sem conta. Não tenho nada contra a opção, afinal é de aborto que se trata, independentemente de no referendo de 11 de Fevereiro, o boletim de voto referir “interrupção voluntária da gravidez”.
Isto, no entanto, faz-me lembrar um episódio curioso ocorrido aquando do último referendo sobre a despenalização… do aborto. Uma jornalista visitou o chamado “Portugal profundo” para averiguar o sentido de voto dos eleitores do interior do país. A maioria das pessoas afirmava-se contrária à interrupção voluntária da gravidez mas os argumentos com que suportavam essa opção eram, no entanto, fugidios e pouco consistentes. A jornalista, tentando encontrar uma resposta mais clara reformulou a questão: «Então e se a sua filha, por acaso, tivesse um descuido, se engravidasse e não pudesse, por qualquer motivo, ter esse filho, o que faria?». A resposta à pergunta assim colocada fez luz na cabeça da inquirida: «Ah, então nesse caso, fazia um desmancho!».
“Interrupção voluntária da gravidez”, “aborto”, “abortamento” ou “desmancho”, chamem-lhe o que quiserem. Grave é o facto de a criminalização ou a despenalização serem quase expurgadas do discurso pseudo-informativo do jornal.
O importante, no entanto, é que, no meio de tudo isto, a população devidamente esclarecida se mobilize e vá até às urnas dizer de sua justiça. E a esse propósito, há que referir o mau exemplo do texto assinado por “Dom Duarte de Bragança”. Se, neste momento, informação e intoxicação se confundem perigosamente sobre o assunto, este texto é toxina pura.
Lembrei-me desta lição de português ao ver a 1.ª página da última edição do jornal ‘Raio de Luz’, onde é dada a notícia do “falecimento” de um diácono. Nos jornais, que se querem directos e claros, há muito que não lia notícias sobre falecimentos. Hoje em dia, cada vez mais as pessoas "morrem" e pronto.
Não deixa por isso de ser curioso o facto de ter sid@ bombardead@ por disfemismos assim que abri o jornal. Em quase todas as páginas a palavra “aborto” surge de forma abrupta, repetida vezes sem conta. Não tenho nada contra a opção, afinal é de aborto que se trata, independentemente de no referendo de 11 de Fevereiro, o boletim de voto referir “interrupção voluntária da gravidez”.
Isto, no entanto, faz-me lembrar um episódio curioso ocorrido aquando do último referendo sobre a despenalização… do aborto. Uma jornalista visitou o chamado “Portugal profundo” para averiguar o sentido de voto dos eleitores do interior do país. A maioria das pessoas afirmava-se contrária à interrupção voluntária da gravidez mas os argumentos com que suportavam essa opção eram, no entanto, fugidios e pouco consistentes. A jornalista, tentando encontrar uma resposta mais clara reformulou a questão: «Então e se a sua filha, por acaso, tivesse um descuido, se engravidasse e não pudesse, por qualquer motivo, ter esse filho, o que faria?». A resposta à pergunta assim colocada fez luz na cabeça da inquirida: «Ah, então nesse caso, fazia um desmancho!».
“Interrupção voluntária da gravidez”, “aborto”, “abortamento” ou “desmancho”, chamem-lhe o que quiserem. Grave é o facto de a criminalização ou a despenalização serem quase expurgadas do discurso pseudo-informativo do jornal.
O importante, no entanto, é que, no meio de tudo isto, a população devidamente esclarecida se mobilize e vá até às urnas dizer de sua justiça. E a esse propósito, há que referir o mau exemplo do texto assinado por “Dom Duarte de Bragança”. Se, neste momento, informação e intoxicação se confundem perigosamente sobre o assunto, este texto é toxina pura.
27 de dez. de 2006
E os candidatos a personagem pexita do ano 2006 são:
Aurélio de Sousa, o (afinal, ainda) ex-provedor
Desempenhou, durante o mandato do partido socialista à frente da Câmara Municipal de Sesimbra, o cargo de provedor municipal. O nome da função é pomposo e parece insuflado de significado democrático, no entanto, durante o tempo que desempenhou essas tarefas, poucos foram os munícipes que souberam, reconheceram ou conheceram o trabalho desenvolvido. Não vale a pena agora procurar culpados. Limitemo-nos aos factos: ninguém ouviu falar do trabalho do provedor e, como tal, poucos lhe reconhecerão pertinência.
O actual executivo camarário voltou a propor Aurélio de Sousa para provedor mas a ideia não passou na Assembleia Municipal, onde o secretismo do voto contrariou o (aparentemente) esperado amén geral à personalidade proposta pela Câmara.
Este episódio serviu para os jornais locais encherem páginas e para os munícipes perceberem que já houve um provedor municipal, o que quer que isso seja. Mais vale tarde do que nunca. Só por isso, Aurélio de Sousa merece esta nomeação.
Felícia Costa, vereadora da Educação
Nos últimos anos têm sido constantes e ferozes as críticas à recepção à comunidade educativa. A festança de boas-vindas que o pelouro da educação organiza está longe de gerar consenso pois, num concelho onde os alunos têm de levar papel higiénico para a escola e onde, no inicio do ano, aquando da inscrição, os encarregados de educação são convidados a “doar” 10€ para material de desgaste, há quem gaste milhares de contos num jantar de encher o olho.
Mesmo quando as colocações de professores são anunciadas para 3 anos, a vereadora mantém a “recepção à comunidade educativa” no seu programa de festas para 2007. Receber quem já cá está… é um conceito novo que vale à vereadora esta honrosa nomeação.
Senhor Doutor Unânime
Esta personalidade habita a Câmara Municipal de Sesimbra e o seu nome tem sido invocado muitas vezes nos últimos tempos. Todas e quaisquer decisões, mesmo as relativas a assuntos controversos, são tomadas, por unanimidade, pelo executivo camarário. Este gajo, mesmo que não passe de mero nomeado, merece uma menção honrosa.
Munícipes 1, 2 e 3
Decidi juntar estas três pessoas na mesma nomeação porque o motivo que me levou a escolhê-las é o mesmo: o facto de, não sendo funcionários da autarquia, nem militantes do PCP, terem participado, como munícipes, nos debates do orçamento participativo.
O assessor que faz a revisão dos textos para o boletim municipal elaborados pelos restantes assessores
Chegou tarde, mas chegou. Há coisas que ainda lhe escapam como o facto de o presidente da Câmara Municipal de Sesimbra escrever “houveram” num artigo de opinião publicado no ‘Jornal de Sesimbra’ ou de a vereadora Felícia Costa dizer que as calorias se “desgastam” num editorial da agenda municipal, mas há que reconhecer alguns méritos ao assessor dos assessores. O boletim municipal tem bem menos erros ortográficos. Já diz o ditado… Há assessores que vêm por bem. Pena que a qualidade do conteúdo da publicação continue a ser tão pobre. Ou melhor, tão rico em propaganda e tão pobre em informação.
Desempenhou, durante o mandato do partido socialista à frente da Câmara Municipal de Sesimbra, o cargo de provedor municipal. O nome da função é pomposo e parece insuflado de significado democrático, no entanto, durante o tempo que desempenhou essas tarefas, poucos foram os munícipes que souberam, reconheceram ou conheceram o trabalho desenvolvido. Não vale a pena agora procurar culpados. Limitemo-nos aos factos: ninguém ouviu falar do trabalho do provedor e, como tal, poucos lhe reconhecerão pertinência.
O actual executivo camarário voltou a propor Aurélio de Sousa para provedor mas a ideia não passou na Assembleia Municipal, onde o secretismo do voto contrariou o (aparentemente) esperado amén geral à personalidade proposta pela Câmara.
Este episódio serviu para os jornais locais encherem páginas e para os munícipes perceberem que já houve um provedor municipal, o que quer que isso seja. Mais vale tarde do que nunca. Só por isso, Aurélio de Sousa merece esta nomeação.
Felícia Costa, vereadora da Educação
Nos últimos anos têm sido constantes e ferozes as críticas à recepção à comunidade educativa. A festança de boas-vindas que o pelouro da educação organiza está longe de gerar consenso pois, num concelho onde os alunos têm de levar papel higiénico para a escola e onde, no inicio do ano, aquando da inscrição, os encarregados de educação são convidados a “doar” 10€ para material de desgaste, há quem gaste milhares de contos num jantar de encher o olho.
Mesmo quando as colocações de professores são anunciadas para 3 anos, a vereadora mantém a “recepção à comunidade educativa” no seu programa de festas para 2007. Receber quem já cá está… é um conceito novo que vale à vereadora esta honrosa nomeação.
Senhor Doutor Unânime
Esta personalidade habita a Câmara Municipal de Sesimbra e o seu nome tem sido invocado muitas vezes nos últimos tempos. Todas e quaisquer decisões, mesmo as relativas a assuntos controversos, são tomadas, por unanimidade, pelo executivo camarário. Este gajo, mesmo que não passe de mero nomeado, merece uma menção honrosa.
Munícipes 1, 2 e 3
Decidi juntar estas três pessoas na mesma nomeação porque o motivo que me levou a escolhê-las é o mesmo: o facto de, não sendo funcionários da autarquia, nem militantes do PCP, terem participado, como munícipes, nos debates do orçamento participativo.
O assessor que faz a revisão dos textos para o boletim municipal elaborados pelos restantes assessores
Chegou tarde, mas chegou. Há coisas que ainda lhe escapam como o facto de o presidente da Câmara Municipal de Sesimbra escrever “houveram” num artigo de opinião publicado no ‘Jornal de Sesimbra’ ou de a vereadora Felícia Costa dizer que as calorias se “desgastam” num editorial da agenda municipal, mas há que reconhecer alguns méritos ao assessor dos assessores. O boletim municipal tem bem menos erros ortográficos. Já diz o ditado… Há assessores que vêm por bem. Pena que a qualidade do conteúdo da publicação continue a ser tão pobre. Ou melhor, tão rico em propaganda e tão pobre em informação.
26 de dez. de 2006
A Figura do Ano em Sesimbra
Todos os anos é a mesma conversa. O culminar de uma voltinha em redor do sol é sempre pretexto para anunciar figuras e factos que marcaram esse percurso. Mas, afinal, quem escolheríamos para 'figura pexita' do ano 2006? Hmmm...
Não é nada de novo mas parece-me interessante perder algum tempo com isso.
Já volto.
Não é nada de novo mas parece-me interessante perder algum tempo com isso.
Já volto.
19 de dez. de 2006
Assim se vê, a força...
Na edição do Jornal ‘Raio de Luz’ de 25 de Novembro (que, pasmem-se, não traz na 1.ª página a notícia sobre o andamento da obra do Centro Sócio-Cultural! Diz-me espelho meu, há umbigo maior do que o meu?) o ex-presidente da Câmara Municipal de Sesimbra, Esequiel Lino, assina, como habitual, um artigo de opinião, desta feita intitulado ‘Um ano de Mandato’. O texto é uma «análise crítica sobre o 1.º ano de mandato da maioria relativa da CDU na Câmara Municipal de Sesimbra» e daria para alimentar um blogue durante vários dias. Concentrar-me-ei, no entanto, nas duas últimas colunas do artigo que se centram num assunto polémico: o projecto da Mata de Sesimbra.
Logo agora que o documento final até já está na CCDR e num momento em que o actual presidente da autarquia sesimbrense pensava que a contestação tinha arrefecido… Esequiel Lino saca este coelho da cartola. E não faz a coisa por menos, começando logo por dizer que a Mata de Sesimbra é o «calcanhar de Aquiles do Sr. Presidente da Câmara» porque Augusto Pólvora «não teve a lucidez» de, na apresentação pública do projecto, explicitar que o mesmo se trata de um «projecto privado e não de um projecto da autarquia». O ex-presidente da Câmara acrescenta que o arquitecto deveria ter deixado os privados venderem o seu peixe.
O aviso só peca por tardio.
De facto, há muito tempo que a coisa cheira a esturro, mas agora é tarde demais para a Câmara Municipal se descolar da promotora Pelicano e da solução da construção da cidade ‘Mata de Sesimbra’ no pulmão verde de Sesimbra. Em nenhum momento o presidente da Câmara assumiu uma atitude de ponderação, prudência ou cautela em relação ao projecto, como previne Esequiel Lino. Faltou, lá está, a «lucidez» para perceber que a coisa podia dar para o torto. Augusto Pólvora, pelo contrário, assumiu sempre o projecto como seu, defendeu-o, de forma pouco razoável, com unhas e dentes, e, dessa atitude, só se espera que saiba retirar as devidas consequências.
Para o bem... e para o mal.
É claro que Esequiel Lino desculpa Augusto Pólvora, dizendo que o arquitecto, de facto, acredita piamente que o projecto da Mata de Sesimbra é o remédio para todos os males de que o concelho padece. Mas (e não há forma mais salutar de criticar do que dar uma no cravo e outra na ferradura), Esequiel Lino convida, logo depois, Augusto Pólvora a visitar o Palmela Village, na Quinta do Anjo, dos mesmos promotores: «Compare… e tire daí as suas conclusões. As minhas foram muito desagradáveis e… por isso estou preocupado… como cidadão de Sesimbra…».
Pois é. Mas ser prudente e ter bom senso em relação ao futuro do concelho que se governa e das pessoas que cá vivem, não é uma atitude que deve nascer de crenças, de falsas ingenuidades ou de «lucidez» política. Suponhamos que Augusto Pólvora até acredita que está a fazer o melhor... mas isso não chega, nem lhe serve de desculpa. Seja a ‘Mata de Sesimbra’ a vida ou a morte de Sesimbra, a atitude da Câmara neste processo é, de todo, condenável.
Logo agora que o documento final até já está na CCDR e num momento em que o actual presidente da autarquia sesimbrense pensava que a contestação tinha arrefecido… Esequiel Lino saca este coelho da cartola. E não faz a coisa por menos, começando logo por dizer que a Mata de Sesimbra é o «calcanhar de Aquiles do Sr. Presidente da Câmara» porque Augusto Pólvora «não teve a lucidez» de, na apresentação pública do projecto, explicitar que o mesmo se trata de um «projecto privado e não de um projecto da autarquia». O ex-presidente da Câmara acrescenta que o arquitecto deveria ter deixado os privados venderem o seu peixe.
O aviso só peca por tardio.
De facto, há muito tempo que a coisa cheira a esturro, mas agora é tarde demais para a Câmara Municipal se descolar da promotora Pelicano e da solução da construção da cidade ‘Mata de Sesimbra’ no pulmão verde de Sesimbra. Em nenhum momento o presidente da Câmara assumiu uma atitude de ponderação, prudência ou cautela em relação ao projecto, como previne Esequiel Lino. Faltou, lá está, a «lucidez» para perceber que a coisa podia dar para o torto. Augusto Pólvora, pelo contrário, assumiu sempre o projecto como seu, defendeu-o, de forma pouco razoável, com unhas e dentes, e, dessa atitude, só se espera que saiba retirar as devidas consequências.
Para o bem... e para o mal.
É claro que Esequiel Lino desculpa Augusto Pólvora, dizendo que o arquitecto, de facto, acredita piamente que o projecto da Mata de Sesimbra é o remédio para todos os males de que o concelho padece. Mas (e não há forma mais salutar de criticar do que dar uma no cravo e outra na ferradura), Esequiel Lino convida, logo depois, Augusto Pólvora a visitar o Palmela Village, na Quinta do Anjo, dos mesmos promotores: «Compare… e tire daí as suas conclusões. As minhas foram muito desagradáveis e… por isso estou preocupado… como cidadão de Sesimbra…».
Pois é. Mas ser prudente e ter bom senso em relação ao futuro do concelho que se governa e das pessoas que cá vivem, não é uma atitude que deve nascer de crenças, de falsas ingenuidades ou de «lucidez» política. Suponhamos que Augusto Pólvora até acredita que está a fazer o melhor... mas isso não chega, nem lhe serve de desculpa. Seja a ‘Mata de Sesimbra’ a vida ou a morte de Sesimbra, a atitude da Câmara neste processo é, de todo, condenável.
Algo corre mal no reino de Augusto e na sua própria corte.
11 de dez. de 2006
A "ténue" diferença entre o rosa e o vermelho
A junta de freguesia do Castelo vai requalificar, até 2009, 80 abrigos de passageiros. A obra custará 120 mil euros, dos quais 50 por cento são assegurados pela Câmara Municipal de Sesimbra. (Ver notícia aqui.)
Fazer abrigos não é, como dá para perceber, um negócio barato... Mas, no que a isso diz respeito, a diferença, por vezes ténue, entre o rosa e o vermelho, acentua-se. Quando o vermelho da junta coincide com o vermelho da Câmara, o instrumento toca tão afinadinho que dá gosto!
Mas afinal... a obrigação de colocar abrigos não deveria ser competência, única e exclusiva, da Câmara?! Pelo menos essa é a desculpa que têm dado até aqui para os abrigos chegarem ao estado a que chegaram...
É que, se assim for, pior do que ter esta Câmara... é ter uma outra Câmara dentro desta Câmara!
15 de nov. de 2006
É preciso ter lata
Na sua última edição, o Jornal de Sesimbra faz um balanço sobre o 1.º ano de gestão dos novos executivos municipais. O testemunho do presidente da Câmara Municipal de Sesimbra é… difícil de engolir.
Diz o autarca que, durante este ano, o executivo comunista que lidera procurou «incentivar uma vertente importante» seu programa eleitoral: «a democracia participativa com as reuniões de câmara descentralizadas e com a apresentação e discussão pública de projectos de grande importância para Sesimbra». A meu ver, o ponto alto desta democracia plural, foi o orçamento participativo, feito a correr, de forma atamancada, sem a devida sensibilização da população. Enfim, para fazerem assim, mais vale ficarem quietinhos.
Mais adiante, o presidente anuncia o «particular carinho» pelas áreas do planeamento e ordenamento do território. E foi, diz ele, nas acessibilidades que «houveram novidades importantes». «Houveram»?! «Houveram»?! Eu diria que neste executivo faltam acessibilidades a gramáticas e dicionários…
É por estas e por muitas outras que quando o autarca anuncia que «há, ainda ao nível da educação, uma pequena revolução em curso», até tremo.
Mas enfim, uma das novidades é que «já praticamente todas as escolas têm refeitório municipal». Deduzo eu que, por ser um refeitório municipal os funcionários da autarquia possam lá ir fazer os seus repastos… Só pode ser isso…
Depois lá vem a cereja em cima do bolo. Quando fala em cultura e turismo, o presidente da Câmara conclui que é «Sesimbra este ano esteve na berra». Depois seguem-se as justificações para Sesimbra ter estado «na berra»: «investimento e trabalho reconhecidos», «actividade cultural extremamente interessante», «relevo bastante importante». Tudo boas razões para Sesimbra estar «na berra». É bom estar «na berra»! Uau!
Depois, lá está o fardo de palha com que se nos acena. Augusto Pólvora promete muitas e boas acessibilidades; obras de grande envergadura «que vão, com certeza, melhorar substancialmente o acesso a Sesimbra e que poderão estar no terreno durante a execução deste mandato se o Plano de Pormenor da Zona Sul for aprovado».
Claro, o pessoal aqui só tem futuro, estradas, hospitais, escolas… se deixar construir uma cidade chamada ‘Mata de Sesimbra’ aqui ao lado.
Depois… e para quem afirma já ter feito tanto e tão bem, vem a (inesperada) desculpabilização para fechar um balanço dourado: «A grande maioria das decisões foram sempre aprovadas por unanimidade não havendo quase nunca contestações. Dentro da câmara municipal procuramos sempre envolver todos os vereadores de todas as forças políticas nas nossas decisões. Temos trabalhado em equipa e é isso que Sesimbra precisa. Não se nota que há uma maioria relativa e é bom que assim seja e espero que assim continue.».
Como é possível?...
Diz o autarca que, durante este ano, o executivo comunista que lidera procurou «incentivar uma vertente importante» seu programa eleitoral: «a democracia participativa com as reuniões de câmara descentralizadas e com a apresentação e discussão pública de projectos de grande importância para Sesimbra». A meu ver, o ponto alto desta democracia plural, foi o orçamento participativo, feito a correr, de forma atamancada, sem a devida sensibilização da população. Enfim, para fazerem assim, mais vale ficarem quietinhos.
Mais adiante, o presidente anuncia o «particular carinho» pelas áreas do planeamento e ordenamento do território. E foi, diz ele, nas acessibilidades que «houveram novidades importantes». «Houveram»?! «Houveram»?! Eu diria que neste executivo faltam acessibilidades a gramáticas e dicionários…
É por estas e por muitas outras que quando o autarca anuncia que «há, ainda ao nível da educação, uma pequena revolução em curso», até tremo.
Mas enfim, uma das novidades é que «já praticamente todas as escolas têm refeitório municipal». Deduzo eu que, por ser um refeitório municipal os funcionários da autarquia possam lá ir fazer os seus repastos… Só pode ser isso…
Depois lá vem a cereja em cima do bolo. Quando fala em cultura e turismo, o presidente da Câmara conclui que é «Sesimbra este ano esteve na berra». Depois seguem-se as justificações para Sesimbra ter estado «na berra»: «investimento e trabalho reconhecidos», «actividade cultural extremamente interessante», «relevo bastante importante». Tudo boas razões para Sesimbra estar «na berra». É bom estar «na berra»! Uau!
Depois, lá está o fardo de palha com que se nos acena. Augusto Pólvora promete muitas e boas acessibilidades; obras de grande envergadura «que vão, com certeza, melhorar substancialmente o acesso a Sesimbra e que poderão estar no terreno durante a execução deste mandato se o Plano de Pormenor da Zona Sul for aprovado».
Claro, o pessoal aqui só tem futuro, estradas, hospitais, escolas… se deixar construir uma cidade chamada ‘Mata de Sesimbra’ aqui ao lado.
Depois… e para quem afirma já ter feito tanto e tão bem, vem a (inesperada) desculpabilização para fechar um balanço dourado: «A grande maioria das decisões foram sempre aprovadas por unanimidade não havendo quase nunca contestações. Dentro da câmara municipal procuramos sempre envolver todos os vereadores de todas as forças políticas nas nossas decisões. Temos trabalhado em equipa e é isso que Sesimbra precisa. Não se nota que há uma maioria relativa e é bom que assim seja e espero que assim continue.».
Como é possível?...
7 de nov. de 2006
Discussões Públicas
A Junta de Freguesia do Castelo promoveu na semana passada “discussões públicas” sobre o seu plano de actividades para 2007. Os promotores desta iniciativa merecem alguma consideração por abrirem espaços de debate com o intuito de ouvir a população para, com base no confronto de ideias, definirem prioridades de actuação. Numa altura em que as pessoas estão arredadas dos processos de decisão, parece-me muito óbvia a falta de motivação ou interesse que a população manifesta em participar neste tipo de iniciativas. Mas isso é justificação mais que suficiente para a urgência de abrir estes espaços de debate. Não sei, tenho de o afirmar, se essas reuniões foram muito ou pouco participadas. Deduzo, pelo exposto, que tenham sido pouco. Até porque, para ajudar à festa, o primeiro debate (27 de Outubro) coincidiu com o jogo Sporting-Beira-Mar (ou deverei antes dizer Sporting-Buba?...) e o segundo (28 de Outubro) com o clássico Benfica-Porto.
Mas, salas vazias ou cheias à parte, o meu único reparo a esta iniciativa vai para o nome que lhe puseram. Parece-me pouco correcto chamarem “discussão pública” a uma mera auscultação da população.
A discussão pública sobre o ‘Plano de Ordenamento do Parque Natural da Arrábida’, ou a discussão pública sobre o ‘Plano de Pormenor da Zona Sul da Mata de Sesimbra’, obrigatórias por lei, são muito diferentes da “discussão pública” do plano de actividades da Junta de Freguesia do Castelo. Cada uma tem importância à sua maneira, mas, nas primeiras, a opinião da população é vinculativa.
Misturar, levianamente, uma e outra, chamando-lhes a mesma coisa, é prestar um péssimo serviço à população e é um atentado à formação cívica. Porque, no momento político que Sesimbra vive, a diferença entre o que é, o que parece ser e o que querem fazer parecer, deve ser muito clara. Há que chamar as coisas pelos nomes. Porque há discussões públicas, das verdadeiras, das que estão consagradas na lei, que não são, não podem, nem devem ser, meras auscultações, como as falsas "discussões públicas" pretendem ser.
Mas, salas vazias ou cheias à parte, o meu único reparo a esta iniciativa vai para o nome que lhe puseram. Parece-me pouco correcto chamarem “discussão pública” a uma mera auscultação da população.
A discussão pública sobre o ‘Plano de Ordenamento do Parque Natural da Arrábida’, ou a discussão pública sobre o ‘Plano de Pormenor da Zona Sul da Mata de Sesimbra’, obrigatórias por lei, são muito diferentes da “discussão pública” do plano de actividades da Junta de Freguesia do Castelo. Cada uma tem importância à sua maneira, mas, nas primeiras, a opinião da população é vinculativa.
Misturar, levianamente, uma e outra, chamando-lhes a mesma coisa, é prestar um péssimo serviço à população e é um atentado à formação cívica. Porque, no momento político que Sesimbra vive, a diferença entre o que é, o que parece ser e o que querem fazer parecer, deve ser muito clara. Há que chamar as coisas pelos nomes. Porque há discussões públicas, das verdadeiras, das que estão consagradas na lei, que não são, não podem, nem devem ser, meras auscultações, como as falsas "discussões públicas" pretendem ser.
30 de out. de 2006
Sesimbra, a leste (como sempre)
As escolas básicas portuguesas estão a dar um novo sentido ao ditado "o barato sai caro". A prática de fazer cobranças indevidas no acto da matrícula aos encarregados de educação generalizou-se. As associações de pais começam a questionar-se: "O que aconteceu ao ensino público gratuito?"
Notícia de hoje, no Diário de Notícias
As escolas do concelho de Sesimbra não são excepção. Mas aqui tira-se com uma mão e dá-se com a outra. Enquanto, por um lado, se pede a contribuição para material de desgaste, como giz e papel higiénico aquando da matrícula, por outro, oferecem-se banquetes de recepção à comunidade educativa que fazem disparar o orçamento gasto com o sector da educação.
São prioridades...
27 de out. de 2006
Negócios do Espírito Santo
A Polícia Judiciária (PJ) recolheu, ontem, na sede do CDS/PP, no Largo do Caldas, em Lisboa, documentação sobre o financiamento da campanha eleitoral para as legislativas de 2005. A diligência foi efectuada no âmbito do chamado processo "Portucale", no qual se investigam alegadas práticas de tráfico de influências na aprovação de um empreendimento turístico do Grupo Espírito Santo (GES) na Herdade da Vargem Fresca, em Benavente.
26 de out. de 2006
Pano para mangas
Já está disponível o novo site da Junta de Freguesia da Quinta do Conde. Apesar de que quem acede a este espaço tenha de aguardar longos "instantes" antes de conseguir navegar na página, e do facto de muitos dos menus ainda não disponibilizarem qualquer informação, já dá para adivinhar que ali a "Sopa" poderá encontrar muito assunto.
Basta ler o editorial do presidente da Junta, Augusto Duarte:
«Muito se fala, bem e principalmente mal, porque os que se opõem ao nosso esforço desejam que cada Quinta Condense não se aperceba dos valores que temos e do que fazemos. Mas não cedemos. Nunca o fizemos, não é agora que vamos baixar os braços! (…) Mostramos o crescimento que temos tido mesmo quando temos de remar contra a maré e, às vezes, contra alguns marinheiros.»
Não quero esgotar o assunto num único post mas, nas “novidades”, não pude deixar de reparar na promessa de compra de um… palco. Neste novíssimo site queixam-se de que a Câmara Municipal de Sesimbra nem sempre consegue disponibilizar um palco adequado para a realização de determinadas actividades e eventos. E, porque «é preciso ter em conta que os Quinta Condenses merecem ser apoiados para que a [sua] cultura e o que de bom se faz [na] Vila seja divulgado», a junta compromete-se a «construir um palco totalmente em estrutura de ferro com as dimensões de 9mX8m».
Ora… eu até diria que para apoiar os sesimbrenses da Quinta do Conde… ups, desculpem, os «Quinta Condenses» na área cultural, não é tão importante o palco, mas aquilo que lá se mete em cima.
Mas essa é… a minha opinião.
Já agora… alguém consegue encontrar no site alguma referência ao facto de a Quinta do Conde ser uma freguesia do concelho de Sesimbra?
Basta ler o editorial do presidente da Junta, Augusto Duarte:
«Muito se fala, bem e principalmente mal, porque os que se opõem ao nosso esforço desejam que cada Quinta Condense não se aperceba dos valores que temos e do que fazemos. Mas não cedemos. Nunca o fizemos, não é agora que vamos baixar os braços! (…) Mostramos o crescimento que temos tido mesmo quando temos de remar contra a maré e, às vezes, contra alguns marinheiros.»
Não quero esgotar o assunto num único post mas, nas “novidades”, não pude deixar de reparar na promessa de compra de um… palco. Neste novíssimo site queixam-se de que a Câmara Municipal de Sesimbra nem sempre consegue disponibilizar um palco adequado para a realização de determinadas actividades e eventos. E, porque «é preciso ter em conta que os Quinta Condenses merecem ser apoiados para que a [sua] cultura e o que de bom se faz [na] Vila seja divulgado», a junta compromete-se a «construir um palco totalmente em estrutura de ferro com as dimensões de 9mX8m».
Ora… eu até diria que para apoiar os sesimbrenses da Quinta do Conde… ups, desculpem, os «Quinta Condenses» na área cultural, não é tão importante o palco, mas aquilo que lá se mete em cima.
Mas essa é… a minha opinião.
Já agora… alguém consegue encontrar no site alguma referência ao facto de a Quinta do Conde ser uma freguesia do concelho de Sesimbra?
25 de out. de 2006
Previsível
É inadmissível.
O ‘Sesimbra Município’ de Outubro já está nas ruas e o ‘Sopa de Pelim’ ainda não tinha, como seria de prever, comentado esse facto. Há que ser previsível!
É claro que, como seria de prever, há algumas notas a escrever sobre este boletim. Sobretudo porque, depois de ter traçado alguns elogios à anterior edição desta publicação (pela ausência de erros ortográficos e gramaticais e a diminuição do número de referências aos nomes do presidente da Câmara e alguns vereadores) há situações neste novo boletim que Sopa que é Sopa não podia deixar passar em branco.
Ora, neste boletim de Outubro, lá ressurgem, aqui e ali, referências desnecessárias aos mesmos vereadores. Senão vejamos:
«No âmbito do Orçamento Participativo, a Câmara Municipal organizou uma reunião com as associações juvenis, em que estiveram a vereadora do Pelouro da Juventude, Felícia Costa, e técnicos desta área.»
‘Associações juvenis discutiram orçamento para 2007’, p. 3
«O Centro Local de Apoio à Integração de Imigrantes, localizado na Quinta do Condem foi inaugurado em Setembro, numa cerimónia que contou com a presença (…) do presidente da Câmara Municipal, Augusto Pólvora.»
‘Inaugurado o Centro de Apoio a Imigrantes’, p. 5
«O acontecimento contou com a presença da vereadora do Pelouro da Acção Social, Felícia Costa, e de representantes de várias instituições que integram a Comissão Municipal do Idoso (…).»
‘Dia Internacional do Idoso’, pág. 8
«De regresso a Sesimbra, foram recebidos pelo vereador das Actividades Económicas, José Polido que, em nome da autarquia, deu as boas vindas ao grupo.»
‘Agentes turísticos e autarquia mostraram o “outro lado” de Sesimbra’, pág. 11
«Os participantes foram recebidos pelo vereador das actividades económicas, José Polido, que realçou a importância do projecto (…).»
‘Parceiros do projecto Watertour estiveram em Sesimbra’, pág. 12
Daqui se conclui que alguns vereadores são notícia no boletim municipal não por terem dito ou feito alguma coisa que justifique a referência que lhes é feita, mas apenas porque se limitaram a estar… ou a receber.
Pergunto-me o que andarão a fazer os outros vereadores, que por acaso até são de outras cores políticas, para nem sequer merecerem estas honras.
Mas, nem tudo é tão tendencial neste boletim como possa parecer à primeira leitura. Há, de facto, referência a outros autarcas.
Na notícia intitulada ‘Assembleia Municipal solidariza-se com Professor Jorge Rato’ (pág. 9) é afirmado que «a recomendação foi apresentada pelo deputado municipal Francisco Jesus e foi aprovada por unanimidade». Não ficamos a saber de que bancada é o deputado mas isso para o caso também não interessa. O que não é dito, é facilmente deduzido pela amostra junta. Ah, e por falar em junta… É de salientar o rasgado elogio que este boletim faz à junta de freguesia do Castelo que «está a dinamizar um importante trabalho de recuperação e valorização do património histórico-cultural».
Há que ser previsível! Venha o próximo boletim!
O ‘Sesimbra Município’ de Outubro já está nas ruas e o ‘Sopa de Pelim’ ainda não tinha, como seria de prever, comentado esse facto. Há que ser previsível!
É claro que, como seria de prever, há algumas notas a escrever sobre este boletim. Sobretudo porque, depois de ter traçado alguns elogios à anterior edição desta publicação (pela ausência de erros ortográficos e gramaticais e a diminuição do número de referências aos nomes do presidente da Câmara e alguns vereadores) há situações neste novo boletim que Sopa que é Sopa não podia deixar passar em branco.
Ora, neste boletim de Outubro, lá ressurgem, aqui e ali, referências desnecessárias aos mesmos vereadores. Senão vejamos:
«No âmbito do Orçamento Participativo, a Câmara Municipal organizou uma reunião com as associações juvenis, em que estiveram a vereadora do Pelouro da Juventude, Felícia Costa, e técnicos desta área.»
‘Associações juvenis discutiram orçamento para 2007’, p. 3
«O Centro Local de Apoio à Integração de Imigrantes, localizado na Quinta do Condem foi inaugurado em Setembro, numa cerimónia que contou com a presença (…) do presidente da Câmara Municipal, Augusto Pólvora.»
‘Inaugurado o Centro de Apoio a Imigrantes’, p. 5
«O acontecimento contou com a presença da vereadora do Pelouro da Acção Social, Felícia Costa, e de representantes de várias instituições que integram a Comissão Municipal do Idoso (…).»
‘Dia Internacional do Idoso’, pág. 8
«De regresso a Sesimbra, foram recebidos pelo vereador das Actividades Económicas, José Polido que, em nome da autarquia, deu as boas vindas ao grupo.»
‘Agentes turísticos e autarquia mostraram o “outro lado” de Sesimbra’, pág. 11
«Os participantes foram recebidos pelo vereador das actividades económicas, José Polido, que realçou a importância do projecto (…).»
‘Parceiros do projecto Watertour estiveram em Sesimbra’, pág. 12
Daqui se conclui que alguns vereadores são notícia no boletim municipal não por terem dito ou feito alguma coisa que justifique a referência que lhes é feita, mas apenas porque se limitaram a estar… ou a receber.
Pergunto-me o que andarão a fazer os outros vereadores, que por acaso até são de outras cores políticas, para nem sequer merecerem estas honras.
Mas, nem tudo é tão tendencial neste boletim como possa parecer à primeira leitura. Há, de facto, referência a outros autarcas.
Na notícia intitulada ‘Assembleia Municipal solidariza-se com Professor Jorge Rato’ (pág. 9) é afirmado que «a recomendação foi apresentada pelo deputado municipal Francisco Jesus e foi aprovada por unanimidade». Não ficamos a saber de que bancada é o deputado mas isso para o caso também não interessa. O que não é dito, é facilmente deduzido pela amostra junta. Ah, e por falar em junta… É de salientar o rasgado elogio que este boletim faz à junta de freguesia do Castelo que «está a dinamizar um importante trabalho de recuperação e valorização do património histórico-cultural».
Há que ser previsível! Venha o próximo boletim!
24 de out. de 2006
Eu é que sou o…
Os vendedores que habitualmente participam na ‘Zimbr’Antiga’ e a Câmara Municipal de Sesimbra não conseguem conciliar vontades. A autarquia quer transferir a realização da feira para o interior da “recém-pseudo-conquistada” Fortaleza de Santiago. Mas os vendedores torcem o nariz e querem manter a iniciativa no Largo da Marinha, onde decorre desde 2003. Tudo porque… na fortaleza, como é sabido, os comerciantes não podem estacionar.
Ao que parece, devido ao diferendo, em causa está a continuidade da própria feira.
Sobre este caso, o vereador das actividades económicas avisou, em declarações ao ‘Setúbal na Rede’, que «a autarquia é que decide o que é melhor para Sesimbra» e defendeu que os comerciantes têm de ser «mais compreensivos».
Ao que parece, devido ao diferendo, em causa está a continuidade da própria feira.
Sobre este caso, o vereador das actividades económicas avisou, em declarações ao ‘Setúbal na Rede’, que «a autarquia é que decide o que é melhor para Sesimbra» e defendeu que os comerciantes têm de ser «mais compreensivos».
Resumindo...
Uns estranham o facto de um espaço que serviu durante três anos, subitamente, tivesse deixado de ser «bom para Sesimbra». Ainda por cima, a alternativa que lhes é oferecida sonega-lhes a regalia do estacionamento que é, como todos bem sabemos, um bem precioso no centro da vila.
Outros… enfim, com uma sensibilidade para lidar com estas questões semelhante a um elefante numa loja de porcelanas acham que ou é à sua maneira ou não é de maneira nenhuma, arrogando-se do poder de decisão sobre «o que é melhor para Sesimbra».
Eu, que não quero, não posso, nem mando… acho que, com bom senso, tudo tem uma solução.
Uns estranham o facto de um espaço que serviu durante três anos, subitamente, tivesse deixado de ser «bom para Sesimbra». Ainda por cima, a alternativa que lhes é oferecida sonega-lhes a regalia do estacionamento que é, como todos bem sabemos, um bem precioso no centro da vila.
Outros… enfim, com uma sensibilidade para lidar com estas questões semelhante a um elefante numa loja de porcelanas acham que ou é à sua maneira ou não é de maneira nenhuma, arrogando-se do poder de decisão sobre «o que é melhor para Sesimbra».
Eu, que não quero, não posso, nem mando… acho que, com bom senso, tudo tem uma solução.
18 de out. de 2006
Em cima do joelho
Já se encontram, aqui e ali, anúncios às reuniões que a Câmara Municipal de Sesimbra quer realizar com a população com o objectivo de elaborar um orçamento participativo. A iniciativa é, de facto, meritória, porque permitirá à Câmara delinear a sua acção indo ao encontro das prioridades definidas e necessidades sentidas pela população, mas (e porque há sempre um “mas”) a forma como está a ser conduzida levanta-me algumas dúvidas.
A elaboração de um orçamento participativo tinha sido prometida pelo PCP nas autárquicas de há um ano. Nesse final de 2005, no entanto, o novo executivo camarário liderado pelos comunistas, apresentou um orçamento elaborado entre quatro paredes que pouco tinha de participativo. Segundo notícias publicadas na altura, quando confrontados com o não cumprimento dessa promessa eleitoral, justificaram-se com a limitação temporal. E até se percebe… Tendo esse novo executivo assumido funções há pouco tempo era impossível conseguir realizar, em escassos três meses, os encontros e reuniões com a população que estariam na base da elaboração de um orçamento participativo. Até aqui, tudo bem. Considero que é uma justificação perfeitamente aceitável.
Mas é precisamente por isso que não percebo a razão de a Câmara anunciar agora reuniões com a população para debate do orçamento para o final de Outubro e Novembro. Afinal os três meses que em 2005 não eram suficientes agora já chegam e sobram?... Fazer em cima do joelho agora, ou tê-lo feito antes, vai dar no mesmo!
Já se percebeu que estratégia não é o ponto forte deste executivo, mas julgo que é relativamente simples de perceber que, numa época em que a população está arredada dos processos de tomada de decisão, não se pode apelar à sua participação apenas colocando muppies a anunciar as datas das reuniões. Um orçamento participativo implicaria, a meu ver, um processo pedagógico e mobilizador que precedesse as reuniões. Só dessa forma seria possível recolher depois os frutos do processo. Nada disso foi feito. Criam-se os espaços de debate mas não se prepara as pessoas para esse debate. Como tal, qualquer discussão feita nestes moldes corre o sério risco de resultar... em nada.
A elaboração de um orçamento participativo tinha sido prometida pelo PCP nas autárquicas de há um ano. Nesse final de 2005, no entanto, o novo executivo camarário liderado pelos comunistas, apresentou um orçamento elaborado entre quatro paredes que pouco tinha de participativo. Segundo notícias publicadas na altura, quando confrontados com o não cumprimento dessa promessa eleitoral, justificaram-se com a limitação temporal. E até se percebe… Tendo esse novo executivo assumido funções há pouco tempo era impossível conseguir realizar, em escassos três meses, os encontros e reuniões com a população que estariam na base da elaboração de um orçamento participativo. Até aqui, tudo bem. Considero que é uma justificação perfeitamente aceitável.
Mas é precisamente por isso que não percebo a razão de a Câmara anunciar agora reuniões com a população para debate do orçamento para o final de Outubro e Novembro. Afinal os três meses que em 2005 não eram suficientes agora já chegam e sobram?... Fazer em cima do joelho agora, ou tê-lo feito antes, vai dar no mesmo!
Já se percebeu que estratégia não é o ponto forte deste executivo, mas julgo que é relativamente simples de perceber que, numa época em que a população está arredada dos processos de tomada de decisão, não se pode apelar à sua participação apenas colocando muppies a anunciar as datas das reuniões. Um orçamento participativo implicaria, a meu ver, um processo pedagógico e mobilizador que precedesse as reuniões. Só dessa forma seria possível recolher depois os frutos do processo. Nada disso foi feito. Criam-se os espaços de debate mas não se prepara as pessoas para esse debate. Como tal, qualquer discussão feita nestes moldes corre o sério risco de resultar... em nada.
Coreias
O novo embaixador da Coreia do Sul em Portugal esteve há poucos dias perto de Sesimbra para um piquenique que reuniu mais de meia centena de sul-coreanos residentes em Portugal.
Como é óbvio, não foi por ter passado por Sesimbra que o embaixador Eui-min Chung foi notícia. Julgo até que essa visita terá passado despercebida à maior parte das pessoas. Mas a chegada do diplomata ao nosso país ocorre numa altura em que as Coreias andam nas bocas do mundo. Por um lado, o sul-coreano Ban Ki-Moon foi eleito para secretário-geral nas Nações Unidas. Por outro, a Coreia do Norte anunciou ao mundo a realização de testes nucleares tendo sido logo depois severamente criticada por diversos países, nomeadamente, a China, que muito tem contribuído para a sobrevivência do país.
Entre a boa e a má notícia abre-se espaço para pensar este território desunido há 60 anos.
Há pouco tempo vi um filme impróprio para cardíacos (julgo que já estará em DVD) intitulado “Irmãos de Guerra” (Tae Guk Gi, no original) que retrata, com uma perfeição incómoda e cruel, essa guerra atroz entre as duas Coreias, onde o actor principal começa num lado da barricada e termina no outro. Pelo caminho perde muito e perde-se a si próprio. É um filme onde não há bons nem maus. Não há heróis e vilões. Apenas coreanos. E a história da guerra, no filme, não tem final. Nunca se saberá quem saiu vencedor. Até porque, para o efeito, isso, na verdade, não importa.
Mas, pelos vistos, ainda há quem não tenha tirado ilações do seu próprio passado.
Entre a boa e a má notícia abre-se espaço para pensar este território desunido há 60 anos.
Há pouco tempo vi um filme impróprio para cardíacos (julgo que já estará em DVD) intitulado “Irmãos de Guerra” (Tae Guk Gi, no original) que retrata, com uma perfeição incómoda e cruel, essa guerra atroz entre as duas Coreias, onde o actor principal começa num lado da barricada e termina no outro. Pelo caminho perde muito e perde-se a si próprio. É um filme onde não há bons nem maus. Não há heróis e vilões. Apenas coreanos. E a história da guerra, no filme, não tem final. Nunca se saberá quem saiu vencedor. Até porque, para o efeito, isso, na verdade, não importa.
Mas, pelos vistos, ainda há quem não tenha tirado ilações do seu próprio passado.
17 de out. de 2006
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O ‘Sopa de Pelim’ prolongou a pausa por mais tempo do que considera desejável. Não foi, acreditem, por falta de assunto.
Muito haveria para dizer, por exemplo, sobre o editorial da vereadora da Cultura, Felícia Costa, no Sesimbr’Acontece.
Mais uma pérola, como, de resto, já vimos sendo habituados. Não resisto, no entanto, a salientar duas partes, para abrir o apetite. Conclui, a certa altura, a autarca que «nesta época começam a aparecer os produtos regionais próprios do Outono». Duh! É certo que é usual acusarmos as estações do ano de andarem trocadas mas, por enquanto, nesta época do ano ainda aparecem produtos regionais próprios do Outono!
Mais brilhante ainda é o momento em que a vereadora afirma que «para desgastar as calorias de uma boa refeição nada melhor que um pouco de desporto». «Desgastar as calorias»? Ai minha mãezinha… Ler estes editoriais é que nos “desgasta” a paciência…
Mas enfim, não são só as publicações municipais que nos brindam com bons momentos de leitura da mais fina prosa. Foi, igualmente, com curiosidade que li o jornal “Nova Morada” de 29 de Setembro que teve a (in)feliz ideia de abreviar “Comissão de Utentes” para “CU” na notícia intitulada ‘Contra o “mau olhado e esconjura”’. Como seria de esperar, essa opção resultou em tiradas tão curiosas como: «(…) e dado não vislumbrar a CU a desejada “luz ao fundo do túnel» ou «apelando CU a “uma resposta firme dos quintacondenses a esta provocação (…)».
As coisas que nos dão para ler…
Muito haveria para dizer, por exemplo, sobre o editorial da vereadora da Cultura, Felícia Costa, no Sesimbr’Acontece.
Mais uma pérola, como, de resto, já vimos sendo habituados. Não resisto, no entanto, a salientar duas partes, para abrir o apetite. Conclui, a certa altura, a autarca que «nesta época começam a aparecer os produtos regionais próprios do Outono». Duh! É certo que é usual acusarmos as estações do ano de andarem trocadas mas, por enquanto, nesta época do ano ainda aparecem produtos regionais próprios do Outono!
Mais brilhante ainda é o momento em que a vereadora afirma que «para desgastar as calorias de uma boa refeição nada melhor que um pouco de desporto». «Desgastar as calorias»? Ai minha mãezinha… Ler estes editoriais é que nos “desgasta” a paciência…
Mas enfim, não são só as publicações municipais que nos brindam com bons momentos de leitura da mais fina prosa. Foi, igualmente, com curiosidade que li o jornal “Nova Morada” de 29 de Setembro que teve a (in)feliz ideia de abreviar “Comissão de Utentes” para “CU” na notícia intitulada ‘Contra o “mau olhado e esconjura”’. Como seria de esperar, essa opção resultou em tiradas tão curiosas como: «(…) e dado não vislumbrar a CU a desejada “luz ao fundo do túnel» ou «apelando CU a “uma resposta firme dos quintacondenses a esta provocação (…)».
As coisas que nos dão para ler…
27 de set. de 2006
Hermana Sesimbra
Durante dois dias, operadores turísticos e jornalistas, nacionais e internacionais, "foram tratados como turistas" em Sesimbra. Como foi divulgado pelos meios de comunicação social, a iniciativa visou provar que o concelho pode assumir-se "como um destino turístico de referência durante 365 dias por ano".
Nesse sentido, os "turistas" improvisados tiveram oportunidade de participar em actividades como: o mergulho, massagens, mostras de produtos tradicionais, canoagem, rappel, surf, windsurf, vela e 4X4, entre outros.
Nesse sentido, os "turistas" improvisados tiveram oportunidade de participar em actividades como: o mergulho, massagens, mostras de produtos tradicionais, canoagem, rappel, surf, windsurf, vela e 4X4, entre outros.
Esta foi a receita encontrada para “dar a conhecer as potencialidades de Sesimbra”.
Como sesimbrense tenho pena que mostrar o que Sesimbra tem de bom se resuma à prática de desporto e às massagens. Mas é uma perspectiva. Pobre e fraca, há que admitir... Mas é uma perspectiva...
A ideia, ao que parece, partiu do Turiforum, um grupo de trabalho que inclui a Câmara e um conjunto de empresários, que se propõem a "delinear uma estratégia para o desenvolvimento turístico local" e para que Sesimbra "apareça turisticamente no mapa português e espanhol", disse o vereador das Actividades Económicas, José Polido.
("Aparecer turisticamente"... é uma expressão curiosa)
Seria interessante que esse grupo de trabalho integrasse outros representantes da sociedade civil e não apenas a autarquia, os empresários e as associações de comerciantes. Importava incluir no grupo, elementos que contrabalançassem alguns interesses instalados que, muitas vezes, podem ser contrários a um crescimento saudável e ponderado, com fins delineados, tendo como objectivo único a defesa da terra. Parece-me pouco coerente, e até preocupante, entregar o futuro do turismo de Sesimbra a um grupo que rema em uníssono para o mesmo lado. Mas, lá está, é uma perspectiva...
Seria interessante que esse grupo de trabalho integrasse outros representantes da sociedade civil e não apenas a autarquia, os empresários e as associações de comerciantes. Importava incluir no grupo, elementos que contrabalançassem alguns interesses instalados que, muitas vezes, podem ser contrários a um crescimento saudável e ponderado, com fins delineados, tendo como objectivo único a defesa da terra. Parece-me pouco coerente, e até preocupante, entregar o futuro do turismo de Sesimbra a um grupo que rema em uníssono para o mesmo lado. Mas, lá está, é uma perspectiva...
Segundo o coordenador da FAMTour, Aleixo Terra-da-Motta "a ideia é encontrar uma plataforma com poder político e privado que teça um plano estratégico para o desenvolvimento sustentável do concelho".
Ora, assentar o desenvolvimento sustentável do concelho numa plataforma que reúne no mesmo prato da balança o político e o privado em defesa da coisa pública e do futuro da terra é, por si só, uma estratégia pouco... coerente (para não dizer outra coisa).
Ora, assentar o desenvolvimento sustentável do concelho numa plataforma que reúne no mesmo prato da balança o político e o privado em defesa da coisa pública e do futuro da terra é, por si só, uma estratégia pouco... coerente (para não dizer outra coisa).
Para ajudar à festa, os responsáveis apontam como público-alvo desta promoção de Sesimbra o mercado espanhol, “em crescimento”.
E as minhas preocupações em relação a este tipo de iniciativas aumentam. Ora, vejam bem o slogan desta iniciativa: “Estremadura espanhola, a vossa praia é Sesimbra!”. De facto, ela não é minha, nem nossa (dos residentes), nem tão pouco dos pescadores. Mas ver esta praia atribuída a outros, assim de bandeja… doi. Não é minha, não é nossa, mas muito menos será deles.
E, como se não bastasse, Aleixo Terra-da-Motta adianta ainda que um dos projectos do grupo passa também por “estudar os grandes investimentos previstos para a região”, como Tróia ou a Mata de Sesimbra, de modo a “identificar possíveis sinergias, pontos positivos e pontos negativos a serem melhorados”.
Mata de Sesimbra? Está tudo dito...
Mata de Sesimbra? Está tudo dito...
19 de set. de 2006
Alguém andou a fazer contas
Na edição de Setembro do ‘Sesimbra Município’ é impossível ficar indiferente aos números:
«As sessões públicas de esclarecimento contaram com a participação de 310 munícipes, dos quais 26 intervieram. Por escrito, foram entregues 27 participações.»
‘Relatório da discussão pública aprovado por unanimidade’, pág. 3
«Este ano lectivo a verba ronda os 540 mil euros para apoio a 1200 alunos. Um valor que traduz um aumento na ordem dos 30 por cento em relação a 2005/2006.»
‘Autarquia investe 540 mil euros’, pág.5
«O Centro de Recursos Educativos da Câmara Municipal de Sesimbra (…) abriu as portas em Junho de 2005 e desde então já fez 1146 atendimentos.»
‘Centro de Recursos Educativos, Um espaço aberto à comunidade’, pág. 7
«A festa, que em 2005 recebeu 400 pessoas, é uma homenagem a todos os idosos do concelho.»
‘Dia Internacional do Idosos, Festa no Parque de Campismo’, pág. 9
«As actividades de Educação Ambiental destinadas a crianças (…) tiveram este ano mais de 250 participantes.»
‘Educação Ambiental, Ateliês de Verão muito participados’, pág. 13
«Cerca de duas mil pessoas visitaram as exposições Mundo Subterrâneo da Arrábida e Reino dos Minerais, que estiveram patentes no Espaço Atlântico e na Galeria Arte e Mar.»
‘NECA trouxe à superfície o maravilhoso mundo subterrâneo da Arrábida’, pág.14
«Desde que o projecto Prove teve início, no final de Junho, já foram vendidos 1600 quilos de frutas e legumes cultivados em Sesimbra.»
‘Promoção da agricultura regional, Prove que é da terra!’, pág. 16
Tanta conta, será influência do início das aulas e duma aposta na promoção da matemática... Ou a necessidade de apresentar contas tem outras razões que a própria razão do munícipe desconhece?
«As sessões públicas de esclarecimento contaram com a participação de 310 munícipes, dos quais 26 intervieram. Por escrito, foram entregues 27 participações.»
‘Relatório da discussão pública aprovado por unanimidade’, pág. 3
«Este ano lectivo a verba ronda os 540 mil euros para apoio a 1200 alunos. Um valor que traduz um aumento na ordem dos 30 por cento em relação a 2005/2006.»
‘Autarquia investe 540 mil euros’, pág.5
«O Centro de Recursos Educativos da Câmara Municipal de Sesimbra (…) abriu as portas em Junho de 2005 e desde então já fez 1146 atendimentos.»
‘Centro de Recursos Educativos, Um espaço aberto à comunidade’, pág. 7
«A festa, que em 2005 recebeu 400 pessoas, é uma homenagem a todos os idosos do concelho.»
‘Dia Internacional do Idosos, Festa no Parque de Campismo’, pág. 9
«As actividades de Educação Ambiental destinadas a crianças (…) tiveram este ano mais de 250 participantes.»
‘Educação Ambiental, Ateliês de Verão muito participados’, pág. 13
«Cerca de duas mil pessoas visitaram as exposições Mundo Subterrâneo da Arrábida e Reino dos Minerais, que estiveram patentes no Espaço Atlântico e na Galeria Arte e Mar.»
‘NECA trouxe à superfície o maravilhoso mundo subterrâneo da Arrábida’, pág.14
«Desde que o projecto Prove teve início, no final de Junho, já foram vendidos 1600 quilos de frutas e legumes cultivados em Sesimbra.»
‘Promoção da agricultura regional, Prove que é da terra!’, pág. 16
Tanta conta, será influência do início das aulas e duma aposta na promoção da matemática... Ou a necessidade de apresentar contas tem outras razões que a própria razão do munícipe desconhece?
Três vezes?!
O boletim da Câmara Municipal de Sesimbra está diferente. Tenho, por isso, que admitir que o ‘Sesimbra Município’ melhorou em, pelo menos, três aspectos:
a) O Presidente da Câmara já não aparece em todas as fotografias;
b) Nas notícias, o leitor deixa de ser constantemente bombardeado com as declarações do arquitecto, que também é presidente, ou dos vereadores. Da mesma forma optaram (e bem) por não transformar as notícias em meros relatos sobre os eventos onde o presidente ou os vereadores tinham estado presentes (até porque, na grande maioria das vezes, essa presença não era realmente relevante para a notícia ou para o munícipe mas apenas porque tinha de ser noticiado que eles lá tinham estado... e a comprovar lá estava a fotografia).
c) Os erros ortográficos e gramaticais que antes se atropelavam, agora diminuíram consideravelmente.
Mas, e como não há bela sem senão, nalguma esquina do ‘Sesimbra Município’ tinha de pulsar uma certa veia. Numa edição dedicada ao ‘Regresso às Aulas’, como anuncia a capa, era de prever uma forte presença de notícias no âmbito da Educação. Nas páginas 4 e 5, por exemplo, fala-se de obras. Fala-se e fala-se e fala-se. Isto porque não basta dizer as coisas uma vez. Ora, façamos contas às letras…
1) No texto ‘Tudo pronto para o início do ano escolar’ (página 4), é referido no segundo parágrafo: «Este ano, durante o Verão, foram feitas obras em várias escolas básicas do primeiro ciclo, de forma a melhorar as suas condições de conforto e funcionamento. De salientar as intervenções nas escolas do Zambujal, na Boa Água e em Santana onde foram criados quatro novos refeitórios.».
2) Logo na página seguinte, o 1.º parágrafo da notícia ‘Quatro novos refeitórios nas EB1’ diz: «A Câmara Municipal criou mais quatro refeitórios nas escolas básicas do primeiro ciclo do Zambujal 1 e 2, da Boa Água, na Quinta do Conde e de Santana».
3) Como se não bastasse, e para aqueles (duh!) que ainda assim não captaram aquela parte dos quatro refeitórios, a página 5 integra ainda uma coluna onde são sintetizadas as ‘Intervenções nas escolas’. Aí o leitor re-re-re-lê que para EB1/JI da Quinta do Conde foi adquirido «equipamento para o refeitório» ou que na EB1 de Santana foi criada «uma sala de refeições» e adquiridos os «respectivos equipamentos»…
Há obra… e há obra… e esta triplica-se!
a) O Presidente da Câmara já não aparece em todas as fotografias;
b) Nas notícias, o leitor deixa de ser constantemente bombardeado com as declarações do arquitecto, que também é presidente, ou dos vereadores. Da mesma forma optaram (e bem) por não transformar as notícias em meros relatos sobre os eventos onde o presidente ou os vereadores tinham estado presentes (até porque, na grande maioria das vezes, essa presença não era realmente relevante para a notícia ou para o munícipe mas apenas porque tinha de ser noticiado que eles lá tinham estado... e a comprovar lá estava a fotografia).
c) Os erros ortográficos e gramaticais que antes se atropelavam, agora diminuíram consideravelmente.
Mas, e como não há bela sem senão, nalguma esquina do ‘Sesimbra Município’ tinha de pulsar uma certa veia. Numa edição dedicada ao ‘Regresso às Aulas’, como anuncia a capa, era de prever uma forte presença de notícias no âmbito da Educação. Nas páginas 4 e 5, por exemplo, fala-se de obras. Fala-se e fala-se e fala-se. Isto porque não basta dizer as coisas uma vez. Ora, façamos contas às letras…
1) No texto ‘Tudo pronto para o início do ano escolar’ (página 4), é referido no segundo parágrafo: «Este ano, durante o Verão, foram feitas obras em várias escolas básicas do primeiro ciclo, de forma a melhorar as suas condições de conforto e funcionamento. De salientar as intervenções nas escolas do Zambujal, na Boa Água e em Santana onde foram criados quatro novos refeitórios.».
2) Logo na página seguinte, o 1.º parágrafo da notícia ‘Quatro novos refeitórios nas EB1’ diz: «A Câmara Municipal criou mais quatro refeitórios nas escolas básicas do primeiro ciclo do Zambujal 1 e 2, da Boa Água, na Quinta do Conde e de Santana».
3) Como se não bastasse, e para aqueles (duh!) que ainda assim não captaram aquela parte dos quatro refeitórios, a página 5 integra ainda uma coluna onde são sintetizadas as ‘Intervenções nas escolas’. Aí o leitor re-re-re-lê que para EB1/JI da Quinta do Conde foi adquirido «equipamento para o refeitório» ou que na EB1 de Santana foi criada «uma sala de refeições» e adquiridos os «respectivos equipamentos»…
Há obra… e há obra… e esta triplica-se!
15 de set. de 2006
Lestes
Concluo que Sesimbra está a leste do resto do mundo. Num dia em que os professores estão de luto, em sinal de protesto e em manifestação pelo seu descontentamento... Por cá, a "comunidade educativa", como alguém a entende, é desafiada a brincar aos sixties.
14 de set. de 2006
Um início de mês... que já lá vai
Segundo o 'Jornal de Sesimbra', na reunião ordinária de Câmara de 16 de Agosto, foi anunciada, para o início de Setembro, a apresentação do Plano de Pormenor da Zona Sul da Mata de Sesimbra. Ora, o início de Setembro já lá vai. Estamos em meados do mês e a partir da próxima semana entramos no seu final.
A ver vamos se se enganaram na parte do mês em questão, ou no mês propriamente dito.
A minha ansiedade deve-se à curiosidade de saber quais as propostas apresentadas durante o período de discussão pública que foram acatadas pela equipa que elaborou o documento.
É importante daí tirar conclusões até porque o Plano de Pormenor da Zona Norte da Mata de Sesimbra ainda está no segredo dos deuses. E sobre esse, ninguém se atreveu a conjecturar uma data de finalização. Talvez no dia anterior ao início dessa discussão pública, alguém se digne a avisar...
12 de set. de 2006
Contas
A edição de Setembro da “agenda de acontecimentos do concelho de Sesimbra”, a ‘sesimbr’acontece’, anuncia na página 17 um evento de que já nos habituámos a ouvir falar, raras vezes por bons motivos: a recepção à comunidade educativa. Desta feita, em vez do tradicional e concorrido repasto oferecido aos funcionários das escolas do concelho, a revista anuncia-nos um programa que começa na próxima sexta-feira e se estende até 5 de Outubro. As actividades destinadas à comunidade educativa, no entanto, estão assinaladas com um asterisco. Ou seja, das 19 actividades previstas, apenas três têm o dito asterisco.
São diversas as críticas que tenho ouvido em relação a este evento que, todos os anos, dá um valente desbaste no orçamento municipal. Mas, há que compreender a pertinência da festa, que este ano aparece camuflada entre diversos outros eventos. Por um lado, o pessoal precisa de festas. Por outro, calam-se as bocas às vozes críticas, tapando o sol com a peneira, isto é, integrando neste “acontecimento” actividades como a observação das estrelas no Monte dos Vendavais, alguns passeios pedestres e conferências (tudo sem asterisco).
Apesar destes contorcionismos, o ponto alto continua a ser, sem dúvida, o dia da recepção que inclui o (já tradicional) repasto temático, desta vez dedicado à ‘Época que mudou o Mundo – anos 60’ (note-se que os convidados têm de adequar as vestes à época retratada… uma forma de dar expressão ao anunciado Carnaval-todo-o-ano, claro está), que terá lugar na Fortaleza de Santiago. Tendo em consideração que, como referido no texto ‘O início do ano lectivo’, existem cerca de 700 professores e educadores no concelho… é fazer as contas!
São diversas as críticas que tenho ouvido em relação a este evento que, todos os anos, dá um valente desbaste no orçamento municipal. Mas, há que compreender a pertinência da festa, que este ano aparece camuflada entre diversos outros eventos. Por um lado, o pessoal precisa de festas. Por outro, calam-se as bocas às vozes críticas, tapando o sol com a peneira, isto é, integrando neste “acontecimento” actividades como a observação das estrelas no Monte dos Vendavais, alguns passeios pedestres e conferências (tudo sem asterisco).
Apesar destes contorcionismos, o ponto alto continua a ser, sem dúvida, o dia da recepção que inclui o (já tradicional) repasto temático, desta vez dedicado à ‘Época que mudou o Mundo – anos 60’ (note-se que os convidados têm de adequar as vestes à época retratada… uma forma de dar expressão ao anunciado Carnaval-todo-o-ano, claro está), que terá lugar na Fortaleza de Santiago. Tendo em consideração que, como referido no texto ‘O início do ano lectivo’, existem cerca de 700 professores e educadores no concelho… é fazer as contas!
11 de set. de 2006
Curtinhas
1) Não se percebe porque insistem em anunciar a criação de mais lugares de estacionamento. Os condutores não precisam que lhes criem lugares porque eles inventam-nos. Basta ver o estado em que esteve a marginal nas noites de sexta e sábado.
2) Não se percebe porque é que depois de dezenas, senão mesmo centenas, ou milhares de infracções cometidas em frente à entrada superior do novo "Sesimbra Hotel & Spa" a sinalização continua insuficiente e a criar situações de trânsito insólitas.
3) Decorreu, este fim-de-semana, o XI Encontro de Limpeza Subaquática na Praia do Ouro, em Sesimbra, organizado pelo Núcleo de Actividades Subaquáticas da Associação de Estudantes do Instituto Superior Técnico (NASAEIST) em colaboração com a Câmara Municipal de Sesimbra. Em declarações ao 'Setúbal na Rede', o presidente do NASAEIST anunciou que o objectivo da edição de 2006 era retirar uma tonelada de lixo do mar de Sesimbra: «no ano passado 50 participantes retiraram 800 quilos de lixo e há dois anos 600 quilos, pelo que este ano acredita-se conseguir alcançar a tonelada».
Curiosamente, uma iniciativa deste género deveria ter como objectivo retirar cada vez menos lixo do mar, ou não?
4) Atenção à navegação... Está quase aí a festarola do ano! Preparem-se porque a festa de recepção à comunidade educativa não tarda!
6 de set. de 2006
Mais à borda era impossível
Este fim-de-semana, à semelhança do que tem acontecido ultimamente, junto à praia, uma moça simpática estendia revistas aos veraneantes. A revista “Happy Woman”, de Julho de 2006, puxa para capa alguns títulos sugestivos: “Vestida para ser magra”; “Troca de casais, uma nova tendência”; ou, “Como conseguir um aumento”. Além destes temas atractivos, houve um que, por motivos óbvios, me chamou a atenção: “Hóteis em cima do mar com preços happy”. A parte dos “hotéis em cima do mar” deixou-me a pulga atrás da orelha, mas quando abri a revista desfiz as dúvidas. Lá estava ele. O “Sesimbra Hotel & Spa” no seu melhor. Ora vejamos o que diz a reportagem:
«Percorro a marginal da vila piscatória e sou surpreendida por um edifício imponente de linhas contemporâneas, situado mesmo em frente ao oceano».
«Imponente» é… comedimento. E «situado mesmo em frente ao oceano» é dizer pouco dum edifício que está plantado à borda de água.
Se assim não fosse, a jornalista não escreveria mais adiante o seguinte:
«Com um sol radioso dispenso a piscina interior aquecida e o ginásio, preferindo exercitar-me na piscina exterior. Saboreio esses momentos na água doce e aquecida, com a sensação de que me basta esticar o braço para tocar o oceano».
Pois, neste hotel, sensação e realidade confundem-se. Ora, experimente lá esticar o bracito!
«Percorro a marginal da vila piscatória e sou surpreendida por um edifício imponente de linhas contemporâneas, situado mesmo em frente ao oceano».
«Imponente» é… comedimento. E «situado mesmo em frente ao oceano» é dizer pouco dum edifício que está plantado à borda de água.
Se assim não fosse, a jornalista não escreveria mais adiante o seguinte:
«Com um sol radioso dispenso a piscina interior aquecida e o ginásio, preferindo exercitar-me na piscina exterior. Saboreio esses momentos na água doce e aquecida, com a sensação de que me basta esticar o braço para tocar o oceano».
Pois, neste hotel, sensação e realidade confundem-se. Ora, experimente lá esticar o bracito!
5 de set. de 2006
Lido
«Hoje, todas as escolas e instituições culturais têm padrinhos. Uns são mecenas, como o Jumbo, os Rotários ou os Lyon e outros dão apoio social. Mourinho, por exemplo, apadrinha a escola secundária do Bocage.»
Maria das Dores, que na quinta-feira toma posse como presidente da Câmara Municipal de Setúbal revela, ao 'Expresso' de 2 de Setembro, a sua obra de 5 anos à frente do pelouro da Cultura e Desporto.
«Os militantes comunistas têm então (mais) esta diferença: para nós, também os cargos públicos são para exercer num quadro de trabalho colectivo, em que a equipa vale mais do que um somatório de valores individuais.»
Bruno Dias, Membro da Direcção Regional de Setúbal e do Comité Central do PCP, em crónica de opinião publicada no 'Setúbal na Rede'.
«Nos restaurantes também há os que não se poupam e gostam de comer “do bom e do melhor”, como há aqueles que escolhem o mais barato que há na ementa. Vê-se de tudo um pouco, desde grandes pratos de marisco, com lagosta, camarão tigre e ostras, até pratos de sardinhas e carapaus.»
'O Sesimbrense', notícia sobre o turismo na Aldeia do Meco.
«(...) Há cerca de três anos o livro estava praticamente pronto mas foi nessa altura que Sesimbra sofreu uma transformação tal que me fez pensar que dentro de poucos meses as fotos estariam completamente desactualizadas. Então decidi esperar (…) Por exemplo, posso adiantar que a primeira foto constante no livro tem oito anos e a última foi tirada duas semanas antes do lançamento. Por entre gruas e guindastes era difícil encontrar uma boa perspectiva de fotografia e, por isso, esperei tanto tempo.»
Carlos Sargedas em entrevista ao ‘Jornal de Sesimbra’ sobre o seu novo livro “Vertigem Azul”.
Maria das Dores, que na quinta-feira toma posse como presidente da Câmara Municipal de Setúbal revela, ao 'Expresso' de 2 de Setembro, a sua obra de 5 anos à frente do pelouro da Cultura e Desporto.
«Os militantes comunistas têm então (mais) esta diferença: para nós, também os cargos públicos são para exercer num quadro de trabalho colectivo, em que a equipa vale mais do que um somatório de valores individuais.»
Bruno Dias, Membro da Direcção Regional de Setúbal e do Comité Central do PCP, em crónica de opinião publicada no 'Setúbal na Rede'.
«Nos restaurantes também há os que não se poupam e gostam de comer “do bom e do melhor”, como há aqueles que escolhem o mais barato que há na ementa. Vê-se de tudo um pouco, desde grandes pratos de marisco, com lagosta, camarão tigre e ostras, até pratos de sardinhas e carapaus.»
'O Sesimbrense', notícia sobre o turismo na Aldeia do Meco.
«(...) Há cerca de três anos o livro estava praticamente pronto mas foi nessa altura que Sesimbra sofreu uma transformação tal que me fez pensar que dentro de poucos meses as fotos estariam completamente desactualizadas. Então decidi esperar (…) Por exemplo, posso adiantar que a primeira foto constante no livro tem oito anos e a última foi tirada duas semanas antes do lançamento. Por entre gruas e guindastes era difícil encontrar uma boa perspectiva de fotografia e, por isso, esperei tanto tempo.»
Carlos Sargedas em entrevista ao ‘Jornal de Sesimbra’ sobre o seu novo livro “Vertigem Azul”.
30 de ago. de 2006
Dois pesos, duas medidas, um parque natural
No sábado, Sesimbra voltou aos telejornais.
No sábado, Sesimbra voltou a protestar contra o Plano de Ordenamento do Parque Natural da Arrábida (POPNA).
No sábado, o presidente do Clube Naval de Sesimbra, Lino Correia, afirmou que no protesto participaram «cerca de 300 embarcações».
No sábado, a polícia marítima afirmou que no protesto participaram entre «80 a 100 barcos».
No sábado, o capitão do porto de Setúbal, Crispim de Sousa, considerou que o número era «significativo mas não massivo».
No sábado, durante o protesto, foram levantados «alguns autos de notícia por navegação em zona proibida».
No sábado o barco ‘Virgem da Ajuda’ foi autuado durante o protesto por «transportar pessoas sem licença para tal», nomeadamente, os jornalistas que seguiam a bordo.
(Ler a notícia aqui.)
Na sexta, a associação ambientalista Quercus abandonou a Comissão de Acompanhamento Ambiental (CAA) da Secil.
Na sexta, a Quercus justificou a decisão: A Secil não informou, previamente, a CAA da intenção de co-incinerar resíduos industriais perigosos.
Na sexta, a Quercus justificou a decisão: O Ministério do Ambiente dispensou a Secil de realizar a avaliação de impacte ambiental para co-incinerar lamas oleosas, óleos e solventes.
Na sexta, a Quercus denunciou o incumprimento da lei o que poderá gerar uma queixa nas instâncias europeias.
Na sexta, a Quercus sublinhou a «rapidez com que se atribuiu isenção do estudo de impacte ambiental». Um processo que só «demorou três dias», algo «único na administração pública».
(Ler notícia aqui.)
No sábado, Sesimbra voltou a protestar contra o Plano de Ordenamento do Parque Natural da Arrábida (POPNA).
No sábado, o presidente do Clube Naval de Sesimbra, Lino Correia, afirmou que no protesto participaram «cerca de 300 embarcações».
No sábado, a polícia marítima afirmou que no protesto participaram entre «80 a 100 barcos».
No sábado, o capitão do porto de Setúbal, Crispim de Sousa, considerou que o número era «significativo mas não massivo».
No sábado, durante o protesto, foram levantados «alguns autos de notícia por navegação em zona proibida».
No sábado o barco ‘Virgem da Ajuda’ foi autuado durante o protesto por «transportar pessoas sem licença para tal», nomeadamente, os jornalistas que seguiam a bordo.
(Ler a notícia aqui.)
Na sexta, a associação ambientalista Quercus abandonou a Comissão de Acompanhamento Ambiental (CAA) da Secil.
Na sexta, a Quercus justificou a decisão: A Secil não informou, previamente, a CAA da intenção de co-incinerar resíduos industriais perigosos.
Na sexta, a Quercus justificou a decisão: O Ministério do Ambiente dispensou a Secil de realizar a avaliação de impacte ambiental para co-incinerar lamas oleosas, óleos e solventes.
Na sexta, a Quercus denunciou o incumprimento da lei o que poderá gerar uma queixa nas instâncias europeias.
Na sexta, a Quercus sublinhou a «rapidez com que se atribuiu isenção do estudo de impacte ambiental». Um processo que só «demorou três dias», algo «único na administração pública».
(Ler notícia aqui.)
29 de ago. de 2006
«Uma aposta no futuro» do quê ou de quem?
O “arqt.º Augusto Pólvora” assina a página 5 da mais recente edição de ‘O Sesimbrense’. É importante sublinhar a forma como o autor do texto o assina: estamos perante uma redacção do “arqt.º” e não do presidente da Câmara. Caso não soubesse que um e outro são uma e a mesma pessoa, nada, em lugar nenhum do texto me daria essa indicação. Enfim… Ultrapassado o pasmo inicial (sim, porque nenhum outro governante autárquico recebeu tantas honras de cronista em tanto jornal regional junto) seguiu-se o pasmo final pelo conteúdo do texto.
A Avenida da Liberdade é definida pelo presid… ups… pelo “arqt.º” como um «eixo fundamental no equilíbrio urbanístico de Sesimbra». É verdade! Eu não diria melhor, nem de forma tão poética. Mas foi o último parágrafo da prosa do “arqt.º” que me deixou de rastos. Diz ele: «É verdade que nesta operação urbanística surgirão cerca de 30.000 novos m2 de construção para habitação e comércio (…)». Então… Mas em que parte deste filme é que o «estudo de ordenamento da Avenida da Liberdade» (leia-se, do «eixo fundamental no equilíbrio urbanístico de Sesimbra») se transformou numa «operação urbanística»? É que devo ter perdido essa parte!
Justificando esta opção, o “arqt.º” acrescenta: «Estamos a falar de 300 novos fogos numa vila que tem cerca de 6000, ou seja um aumento de 5% num cenário de clara aposta na contenção urbanística futura da vila». Isto é hilariante. Atulhar de betão a principal entrada na vila, com casas para alguém que há-de vir (que não eu ou o comum sesimbrense), a pretexto de construir, entre outras coisas, mais 1000 lugares de estacionamento, para tornar esta vila num caos pior do que já é, e prognosticar que depois se apostará na contenção urbanística, é uma anedota! Sobretudo porque o “arqt.º” ainda explica: «Ou seja vamos aproveitar quase os últimos terrenos urbanizáveis de grande dimensão ainda disponíveis na vila para resolver problemas essenciais ao seu funcionamento». Oh… oh… então mas para que se acena com a bandeira da contenção futura se com esta «operação urbanística» se esgotam os «últimos terrenos urbanizáveis»? Há aqui qualquer coisa que não joga…
Já agora… «contenção urbanística futura». Quem é que garantiria isso? Seria o “arqt.º”? É que, pela amostra junta…
A Avenida da Liberdade é definida pelo presid… ups… pelo “arqt.º” como um «eixo fundamental no equilíbrio urbanístico de Sesimbra». É verdade! Eu não diria melhor, nem de forma tão poética. Mas foi o último parágrafo da prosa do “arqt.º” que me deixou de rastos. Diz ele: «É verdade que nesta operação urbanística surgirão cerca de 30.000 novos m2 de construção para habitação e comércio (…)». Então… Mas em que parte deste filme é que o «estudo de ordenamento da Avenida da Liberdade» (leia-se, do «eixo fundamental no equilíbrio urbanístico de Sesimbra») se transformou numa «operação urbanística»? É que devo ter perdido essa parte!
Justificando esta opção, o “arqt.º” acrescenta: «Estamos a falar de 300 novos fogos numa vila que tem cerca de 6000, ou seja um aumento de 5% num cenário de clara aposta na contenção urbanística futura da vila». Isto é hilariante. Atulhar de betão a principal entrada na vila, com casas para alguém que há-de vir (que não eu ou o comum sesimbrense), a pretexto de construir, entre outras coisas, mais 1000 lugares de estacionamento, para tornar esta vila num caos pior do que já é, e prognosticar que depois se apostará na contenção urbanística, é uma anedota! Sobretudo porque o “arqt.º” ainda explica: «Ou seja vamos aproveitar quase os últimos terrenos urbanizáveis de grande dimensão ainda disponíveis na vila para resolver problemas essenciais ao seu funcionamento». Oh… oh… então mas para que se acena com a bandeira da contenção futura se com esta «operação urbanística» se esgotam os «últimos terrenos urbanizáveis»? Há aqui qualquer coisa que não joga…
Já agora… «contenção urbanística futura». Quem é que garantiria isso? Seria o “arqt.º”? É que, pela amostra junta…
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