11 de jan. de 2010

Ler antes de falar

O complexo turístico da mata de Sesimbra também está contemplado no plano estratégico, deixando "em evidência a necessidade de desenvolver e potenciar a área do golfe".

O Plano Estratégico do Turismo. no ponto sobre 'Vectores de Desenvolvimento Estratégico e Projectos Estruturantes', por oposição, propõe:
"Modelo de vila que cruza modernidade e tradição, em oposição à vivência dos resorts".

Adivinha

Qual é o empreendimento, qual é ele que:
1) Tem como mérito ocupar o último espaço livre na frente de mar, de forma a completar a malha urbana;
2) Tem sido o responsável pelo constante aluimento da estrada que passa no topo da encosta sobre a qual está a ser construído (rua que desce do Hotel do Mar para o Largo da Guarda) - sendo que essa estrada já esteve completamente vedada ao trânsito por questões de segurança e agora está, uma vez mais, parcialmente cortada;
3) Anuncia no seu site que "a cidade de Sesimbra, fiel à sua arquitectura com telhados de tijolo e paredes brancas, oferece uma variedade de actividades e possibilidades" e que "as autoridades locais têm vindo a desenvolver um conjunto de projectos no sentido de aumentar a qualidade e diversificar a oferta de lazer - una nova marina...", entre outras ideias interessantes.

7 de jan. de 2010

Rumo (in)certo

No editorial da mais recente "sesimbr'acontece - agenda de acontecimentos do concelho de Sesimbra", a vereadora dos pelouros do Turismo e Cultura, Felícia Costa, anuncia que pretende "incentivar a participação pública no debate sobre o Plano Estratégico de Turismo do Concelho de Sesimbra". Nesse âmbito, integra-se o lançamento de um site "com possibilidade de recolha de opiniões". No final do seu artigo, em jeito de conclusão, Felícia Costa remata: "Trata-se de um debate que vai traçar as linhas mestras de uma das principais actividades económicas do concelho e, por isso mesmo, o seu contributo é fundamental. Participe!".
Este discurso merecia uma melodia de fundo. A prosa de Felícia Costa tem o dom de se transformar em música aos ouvidos dos munícipes. Há apenas um ligeiro pormenor difícil de compreender. Ora, se a participação pública é, de facto, como é dado a entender, fundamental e desejável, porque razão a vereadora dá por título ao editorial "Turismo no rumo certo"? Como se não bastasse, a vereadora sustenta esta afirmação, dizendo que apesar da crise económica, o percurso traçado pela autarquia tem dado os seus frutos.
Ok, tudo bem. Mas agora pergunto eu: Se fazem tudo tão bem, e se o turismo em Sesimbra já está "no rumo certo", porque nos querem ouvir? Será que nos vão mesmo ouvir? Será que participar servirá para alguma coisa?
Até agora, o Plano Estratégico, documento que me parece, aliás, bastante válido e bem conseguido, ainda só serviu para fazer foguetório. Esperemos que sirva para mais do que isso. Até porque o seu conteúdo apresenta muitas e expressivas divergências em relação ao modelo e caminho que a Câmara tem traçado para o desenvolvimento turístico do concelho, e que a vereadora apresenta neste texto, recorde-se, como "o rumo certo".

6 de jan. de 2010

"Anda por aí um vírus"

"Anda por aí um vírus", é a explicação habitual quando o hospital se enche, todos apresentam os mesmos sintomas, mas ninguém tem uma explicação para a causa da doença. "É um vírus" e pronto. A coisa está explicada e ninguém questiona.

5 de jan. de 2010

Ainda cabe mais um, mas magrinho! Os outros vão para dentro de água, por favor.

A vila de Sesimbra é, todos sabemos, uma terra pequena que não estica mais porque já se lhe rebentaram os elásticos. Ainda assim, aqui, como um pouco por todo o país, persiste a ideia de que a coisa só é boa se tem muita gente. Ora, Sesimbra pode ser a maior maravilha, mas se não conseguirmos encafuar cá muita gente, nunca seremos tão maravilhosos como queremos. E esta é a ideia que continua a nortear a acção do nosso executivo camarário e atinge o auge da sua realização em dois momentos: no carnaval e na passagem de ano. Para o bem e para o mal, esse mesmo executivo descobriu uma solução óbvia: como a terra é curta para os milhares de pessoas queremos sugar para cá dos nossos limites, toca de enfiar alguns dentro de água. E assim nasceu a brilhante ideia de promover o "réveillon" subaquático sob o slogan "mergulhe em 2010". Em 2008, se bem se lembram, o mau tempo deixou os mergulhadores com a água pelos joelhos, mas vestidos a rigor, numa encenação pobre junto ao porto de abrigo, mas, enfim, por questões de segurança fez-se o que se conseguiu, atiraram-se os foguetes e apanharam-se as canas. Em 2009, uma vez mais, o mau tempo reduziu os anunciados cem mergulhadores e meia centena. Mas em terra, o site da autarquia diz-nos que estiveram 40 mil.
Mas isso não interessa nada, para 2010 fica apenas a memória da conta que há-de chegar referente a outdoors, a publicidade televisiva e tudo o resto. Para o ano, resta-nos esperar que o S. Pedro coopere, para enchermos isto como deve de ser e poder afirmar sem reservas de que o dinheiro que se gasta por aqui é bem gasto, sim senhor. E o tempo é sempre uma boa desculpa para tudo... mesmo em tempo de crise.

Em actualização... Lamentamos o incómodo.

Não, a 'Sopa de Pelim' não está votada em abandono, apesar de há muito não ser actualizada. E não, não é por falta de assunto. Longe disso! Assim sendo, até já!

12 de nov. de 2009

Lindo...

No editorial do mais recente 'Sesimbra Municipío', o presidente da Câmara Municipal de Sesimbra, Augusto Pólvora, mostra-se satisfeito e confortável perante os resultados eleitorais que obteve. Nem outra coisa seria de esperar. Se há 4 anos, com uma "maioria eleitoral frágil", como diz, se propôs a ser "presidente de todos os sesimbrenses", agora, perante a maioria absoluta alcançada nas últimas eleições, Pólvora anuncia: "aquilo que podem esperar de nós é governar para todos os sesimbrenses e tratar todos por igual".
Estas afirmações confundem-me... Será que Augusto Pólvora acha que poderia ser de outra forma?! É que isto é tão óbvio que afirmá-lo como se fosse um compromisso é absolutamente inócuo e até constrangedor. Estas são afirmações completamente vazias de sentido e de conteúdo, que só podem incomodar quem as lê. A Augusto Pólvora, talvez lhe tenha parecido uma coisa bonita de dizer.
Da mesma forma que é... bonito... afirmar que aquilo que espera das diversas forças políticas é "cooperação, sentido de responsabilidade e uma postura construtiva em caso de oposição". "Em caso de oposição"?! Pois é, a democracia tem destas coisas. Apenas se não fosse uma democracia, se colocaria o "caso" de haver um "caso" em que uma força política não adoptasse a referida postura determinada por Pólvora "em caso" de oposição.
E será que uma força política que não se assuma como oposição não precisará de adoptar uma posição de "cooperação, sentido de responsabilidade e uma postura construtiva"? Hmmm...
Resumindo, atrevo-me a dizer que este será o editorial menos inspirado de sempre de Augusto Pólvora. A última frase é, sem dúvida, a chave de ouro, que tem a graça e o encanto duma casa de emigrantes na Guarda: "Aquilo que sabemos é que Sesimbra vai continuar a mexer, connosco, convosco, com todos!". Bonito...

Nas páginas 8 e 9 desta publicação é apresentada a constituição dos novos órgãos autárquicos. E aqui já é visível como Augusto Pólvora sabe ser "presidente de todos" por igual. Assim, no que diz respeito ao executivo da Câmara, da mesma forma que enumeram os pelouros atribuídos aos vereadores, poderiam e deveriam afirmar apenas que Américo Gegaloto (PS) não tem pelouros. Mas não. Sobre este vereador é dito: "Não aceitou os pelouros propostos pelo presidente da Câmara". Quase soa a queixinhas que é uma coisa tão feia... Ora, na mesma ordem de ideia deveria ter sido dito, relativamente ao vereador do PSD: "aceitou os seguintes pelouros propostos pelo presidente da Câmara". Certo?

Provavelmente, o que Augusto Pólvora se esqueceu de referir no seu inspirado editorial é que, "em caso de oposição" é uma coisa, e em caso de cooperação é outra.

Em ambos os casos, diria eu, é mesmo determinante "o sentido de responsabilidade". Veremos quem aguenta o barco até ao fim.

3 de nov. de 2009

Portão de escola sem crianças

Há dias, a notícia da queda de um portão que provocou ferimentos ligeiros numa criança de sete anos, na recém-inaugurada escola do Pinhal do General (Quinta do Conde) surgiu em diversos meios de comunicação social. À TSF, a vereadora da Educação, certamente desprevenida, prestou declarações desastrosas. Segundo Felícia Costa, "eventualmente, qualquer equipamento, não pode estar preparado para uma má utilização, nomeadamente, crianças a brincar e a oscilar em cima do portão. (...)". Para a vereadora, "se não tivéssemos crianças penduradas no portão, ele não teria caído".
É claro que, se não andarmos de carro, e não tivermos de fazer uso desse equipamento para acelerar, por exemplo, não sofremos acidentes.
É claro que, só se não passearmos na rua, nunca correremos o risco de levar com um vaso na cabeça, caído duma varanda.
É claro que se não andarmos de bicicleta, nunca cairemos, nem sequer seremos capazes de partir uma perna.
É claro que se não houvesse pedras na rua, nunca nos partiriam a cabeça com um arremesso.
É claro que, só quem não fala, ou seja, quem não faz uma má utilização do aparelho vocal, não corre o risco de dizer asneiras ou de desafinar.
E é claro, que seria muito mais fácil fazer uma escola sem crianças, já que elas são especialmente propensas a fazer uma má utilização dos equipamentos.

2 de nov. de 2009

Nem mais

"(...) Chega a ser confrangedor assistir ao polígono de vícios que condenam a vida autárquica a negar-se a si mesma e a reproduzir indefinidamente os erros que era suposto ter corrigido há muito tempo.
Dois aspectos são particularmente graves. Um, pelas consequências desastrosas que tem no já muito escangalhado ordenamento do território. Outro, pela corrosão que traz aos valores da democracia.
O primeiro decorre da já insuportável perpetuação do financiamento das autarquias a reboque dos negócios do imobiliário, um vício que por toda a Europa já foi praticamente resolvido. Que eficácia pode ter uma política de ordenamento do território quando, ao nível autárquico, a principal fonte de receitas é a compra e venda de casas? E quando as mais-valias geradas por decisão administrativa revertem na sua totalidade para o mediador que conseguiu 'convencer' uma autarquia a tornar urbano um terreno que ele comprou barato - porque era rural - a quem, por vezes, nem a sua própria casa lá conseguia construir? O que vale o ordenamento quando todos os espacinhos livres de uma cidade, incluindo logradouros, são cobiçados para empilhar andares? O que vale o ordenamento do território sem uma lei de solos e sem um cadastro? (...)

Artigo de Luísa Schmidt publicado no Expresso de 31 de Outubro

30 de out. de 2009

Ordenar sem gente

O Plano de Ordenamento do Parque Nacional da Peneda-Gerês, agora em fase de discussão pública, está a merecer uma forte contestação por parte da população local, que exige que sejam retiradas do documento as normas que impedem a sua livre circulação no território. Segundo o jornal 'Público', o presidente da Junta de São João do Campo, António Pires, acusa o Parque de querer impedir a livre deslocação dos moradores, limitando-a aos casos em que existem colmeias ou outras actividades agrícolas, como o pastoreio.
À partida, seria relevante que os contestatários aos planos de ordenamento dos parques naturais e nacionais se reunissem para, em uníssono, conseguir uma posição de força que contrariasse a gestão do território que expulsa as pessoas que usam e se usam da terra, como do mar, desde há centenas de anos.
Neste caso, porém, também sou tentad@ a afirmar que em relação a este assunto, os responsáveis políticos do concelho de Sesimbra pouco, ou nada, terão para lhes ensinar.

29 de out. de 2009

Como é que coisas tão diferentes podem ser tão iguais?

O novo executivo da Câmara Municipal de Sesimbra tomou ontem posse, numa cerimónia com toda a pompa e circunstância, a lembrar a entrega dos óscares, ou melhor, os lusos globos de ouro. Houve de tudo; desfile de gravatas e modelitos, atrapalhações, gaffes, voz off, apresentações, agradecimentos, cumprimentos, cobertura jornalística, fotografias e tudo aquilo a que os eleitos, novos e menos novos, tinham direito. Para já, a vitória da CDU em toda a linha nas últimas autárquicas, reforçou a ideia de que as festas e festarolas vão manter-se ou até mesmo ganhar um outro glamour. Não importa o quê, importa que brilhe. Até a recém-empossada presidente da Assembleia Municipal de Sesimbra, Odete Graça, assumiu irrepreensível e com algum charme, o papel de Catarina Furtado ou Bárbara Guimarães e, garanto, não lhes ficou nada atrás.
No meio do brilho, das luzes, e do arranjo floral que se estendia a todo o palco, ficaram também clarificadas algumas posições políticas. Para começar, Augusto Pólvora, o grande vencedor do Globo, depois de agradecer votos, felicitar derrotados e afirmar humildade, enumerou a distribuição dos pelouros pela vereação.
Ninguém se surpreende que o novo vereador do PSD, Francisco Luís, assuma agora os pelouros da Segurança, Protecção Civil e Ambiente. Não obstante, o programa com que o PSD se apresentou a eleições tinha 5 pontos que cabiam num outdoor, sendo que apenas um deles - a criação de polícia municipal - está relacionado com um dos seus pelouros, e nada mais se sabe das suas posições sobre um tema tão relevante como o "ambiente". Até porque, em declarações ao 'Setúbal na Rede', Francisco Luís, refere algo tão relevante como a "Agenda XXI Local". Sobre o assunto, o jornal escreve o seguinte: "Ao nível do ambiente, o social-democrata promete preparar o concelho 'para ter a sua Agenda XXI Local'". Ora, entre preparar o concelho para ter uma Agenda XXI, e comprometer-se com a execução desse documento, que é urgente, vai um grande passo. Portanto, das duas uma, ou Francisco Luís não faz a mínima ideia do que está a falar, ou não faz a mínima ideia do que está a falar. Era aconselhável alguém articular-lhe umas coisas sobre o assunto.
Entretanto, o site criado pelos sociais-democratas no âmbito das eleições autárquicas continua a anunciar "brevemente on-line"... mas aguardemos. Natal é sempre que o homem quiser, e "brevemente" é sempre que o PSD o entender. Aqui ninguém tem pressa e temos todo o tempo do mundo para perceber o que pensa este PSD. Entretanto, eles até podem ir fazendo umas coisitas, precisamente, para matar tempo. Senão vejamos, o Francisco Luís admite ao 'Setúbal na Rede', que ao assumir pelouros a tempo inteiro, estará em condições de efectuar "uma oposição com responsabilidade e onde se poderia colocar em prática algumas das promessas feitas à população". Ora, a parte importante era conseguir perceber que promessas. Portanto, falando numa língua que apenas o PSD percebe, arriscaria a dizer que "brevemente saberemos quais as promessas eleitorais que agora querem pôr em prática, que constam do programa que apresentarão à população brevemente, relativas a umas eleições que já foram". Confuso?
Bom, convirá ainda esclarecer que a tal "promessa feita à população" relativa à polícia municipal expressa no referido outdoor, não é, afinal, segundo Francisco Luís, uma "promessa", mas sim uma mera possibilidade que carece ainda de confirmação. Isto porque, segundo este vereador o próximo passo é "avançar com estudos para saber se existe possibilidade de se criar uma polícia municipal". Ainda mais confuso? Ah pois é!

O vereador do PS, Américo Gegaloto, por seu lado, decidiu não assumir qualquer pasta. Ainda segundo o 'Setúbal na Rede', Augusto Pólvora propôs-lhe os pelouros da Saúde Pública, Trânsito e Toponímia, mas o socialista apresentou uma contra-proposta, que foi, claro, recusada, e que incluía as pastas da Acção Social, Juventude ou Bibliotecas Municipais. Ora, a biblioteca municipal já foi um pequeno poder duma anterior vereadora do PS, esvaziado sistematicamente nos últimos 4 anos por Felícia Costa que agora o soma ao seu rol de pastas. Acção Social também lhe pertence, enquanto que a Juventude está sob a alçada do vereador José Polido.
Resumindo, assim à partida, até parece que o PS saiu da letargia a que se tinha resignado, e concedeu-se carta de alforria para assumir o papel de oposição. Dê-mos-lhe o benefício da dúvida. Tirando isso, assim à partida, a única coisa que me causa uma ligeira urticária, que se mantém desde o último mandato autárquico, é este arranjinho entre CDU e PSD. (E agora, leia o título.)

24 de ago. de 2009

Vai um mergulho?

Entre quarta e sexta-feira a bandeira vermelha foi hasteada na praia na Sesimbra.
Segundo informa o site da autarquia, "no final da manhã de 19 de Agosto, devido a uma obra particular que está a decorrer na Avenida dos Náufragos, verificou-se a ruptura de uma conduta de saneamento da empresa Simarsul, o que originou uma descarga directa de águas residuais para a via pública e para a Praia do Ouro".

Faz o que eu digo, não faças o que eu faço

"Mas uma outra qualidade é de sublinhar, na imprensa regional, e que o público reconhece: - a sua isenção, o que a torna preferida pela verdade da informação. Raras vezes, nela se poderão verificar as habituais prepotências do capitalismo ou do caciquismo político. Independente e livre, faz gala em não dobrar a cerviz nem a governos, nem a jogos de politiquices oportunistas."

in Raio de Luz, 15 de Agosto de 2009, p.1

31 de jul. de 2009

O Trânsito (parte IV)

Por fim...
E para fechar este triste capítulo, convém sublinhar que, na entrevista que deu à Sesimbra TV sobre o trânsito na vila de Sesimbra, o presidente da Câmara em nenhum momento refere os seus habitantes.
Sim, não há uma única palavra sobre esses que por aí andam... a atravessar-se no caminho dos turistas que são quem realmente importa...

24 de jul. de 2009

Abertura do grande festival 'coltural' deste Verão: 'O Corta Fitas'

Notícia aqui.

O Trânsito (parte III)

Sim, a entrevista não foi brilhante, e tem dado assunto para desdobrar em vários posts, e este não é, certamente, o último que publicarei sobre o tema. Mas, de facto, basta atentar à forma como começou, para perceber que a entrevista não poderia correr bem. O presidente da Câmara fala durante cerca de 20 minutos... O que é muito tempo... e aumenta as probabilidades de dizer muita coisa. Coisas mais certas, e coisas menos certas. Acontece a qualquer um.
Mas basta escutar os primeiros 5 minutos da conversa para perceber que a coisa só podia correr mal. (O que nasce torto...)
Ora bem, o autarca começa por reconhecer que "é óbvio que existe um problema de trânsito em Sesimbra". Até aqui tudo bem. Mas a primeira justificação apontada é, a modos que, estranha. Diz Augusto Pólvora que a vila "não foi dimensionada para o trânsito automóvel", sobretudo porque o seu "núcleo antigo, com centenas de anos" foi criado "numa época em que nem sequer havia carros".

Alguém é capaz de explicar ao senhor que, apesar de parecer estranho, o mundo surgiu primeiro, depois os dinossauros, mais tarde as pessoas, as ruas e as casas e, só muito recentemente apareceram os automóveis?...

23 de jul. de 2009

O Trânsito (parte II)

Durante a entrevista que o presidente da Câmara Municipal de Sesimbra dá à Sesimbra TV sobre a circulação automóvel e o estacionamento nesta vila, Augusto Pólvora expõe o quebra cabeças com que tem andado entretido ao longo dos últimos anos.
Diz o edil que "é conhecida a estratégia" seguida pela autarquia, "de criar vários pontos de estacionamento relativamente próximos do centro da vila, de forma a que as pessoas possam depois deslocar-se a pé". Nesse sentido, sublinha, "está criado, há 4 anos, o parque de estacionamento do Mar da Califórnia, com cerca de 500 lugares", que, conclui, "raramente enche". No entanto, e mantendo a mesma estratégia... de seguir em frente às apalpadelas, "está em construção, neste momento, um outro silo automóvel associado à unidade turística junto ao Hotel do Mar" que o presidente espera que esteja a funcionar no próximo ano, e que permitirá disponibilizar mais 300 lugares de estacionamento. Por outro lado, foi "também adjudicada a requalificação do estádio da Vila Amália, que prevê um parque de estacionamento público com mais 400 lugares".

Sesimbra tem um problema de estacionamento. É verdade.
Sesimbra tem parques de estacionamento pagos. É verdade.
Os parques pagos não enchem. É verdade.
O problema do estacionamento mantém-se. É verdade.
Mas há mais parques de estacionamento na calha (cuja criação depende do surgimento de novos grandes empreendimentos turísticos e/ou projectos imobiliários). Também é verdade.
Se os parques que existem não têm sido solução, ao arranjar mais uns quantos o senhor presidente acha que vai conseguir "ensinar" aos turistas pobretanas que para aqui andam, como devem gastar uns cobres? Ou, pelo contrário, esses parques vão contribuir para agudizar o problema?
Afinal é Sesimbra que está mal, ou são as "estratégias" de desenvolvimento que lhe aplicam em cima que estão a bater todas ao lado?

22 de jul. de 2009

O Trânsito (parte I)

Proletários de todo o mundo...
Não venham para Sesimbra

"A solução para o turismo que queremos; um turismo com capacidade financeira e com capacidade de fazer negócio na vila... o que nos interessa é ter uma capacidade de resposta ao nível dos parques de estacionamento, mas têm de ser pagos.
Não podemos querer uma vila com gente e com capacidade de fazer negócio, para atrair aqui turistas que querem trazer o carro até à borda de água e que ainda reclamam porque têm que pagar por um lugar de estacionamento. Quando as pessoas vão a um centro comercial, uma estação de comboio, ou a qualquer sítio, têm que pagar pelo parque.
Se há um turista que acha que pagar 1 ou 2 Euros para estar estacionado num parque é demais, então eu penso que esse turista não interessa a Sesimbra. Esse turista não interessa ao comércio local de Sesimbra. É óbvio que isto pode ser muito agressivo dito desta maneira, porque a praia é pública e a vila é pública, mas se as pessoas não têm recursos para usar o meio de transporte individual, então há sempre hipótese de utilizar o transporte público e assim já não têm o problema do estacionamento. (...) Se quer trazer o carro, tem de estar preparado para pagar esse estacionamento. Porque esse estacionamento mais perto do centro é um serviço que tem de ser pago porque não há outra forma de resolver este problema."

Comentário do presidente da Câmara, Augusto Pólvora, sobre o problema da circulação automóvel e do estacionamento na vila de Sesimbra na SesimbraTV.

Não acredito em bruxas, mas que as há...


Notícia publicada no Correio da Manhã, a propósito do incêndio no concelho de Sesimbra:

(...)
QUERCUS SUSPEITA DE INTERESSES IMOBILIÁRIOS
A Quercus suspeita de que haja interesses imobiliários por detrás do incêndio que destruiu mais de cem hectares de floresta na Herdade da Apostiça, em Sesimbra. "Sabemos que as zonas ainda verdes de Seixal e Almada são muito apetecidas e há muitos anos que existem interesses de urbanização na zona ardida", diz ao CM Carla Graça, presidente do núcleo de Setúbal da associação ambientalista, frisando não poder "apontar nada de específico". De qualquer forma, o CM sabe que a PJ de Setúbal está atenta aos fogos na Margem Sul.
Recorde-se que em 2003, quando Isaltino Morais era ministro das Cidades, Ordenamento do Território e Ambiente, esteve para nascer na Mata de Sesimbra um megaprojecto imobiliário de 5200 hectares. O projecto da Pelicano previa investimentos de 800 milhões de euros em vários aldeamentos turísticos com capacidade para trinta mil pessoas. Foi o actual Governo que em 2007 chumbou o plano.
Quanto ao impacto ecológico do incêndio, a dirigente da Quercus desdramatiza. "Os incêndios fazem parte do clima mediterrânico e a vegetação regenera-se. Não é um desastre ecológico, mas coloca questões ao nível da gestão florestal", diz, apontando "problemas clássicos" como "perímetros urbanos mal definidos, com o mato a entrar em casas das pessoas".

DISCURSO DIRECTO
"2 FOCOS INDICIAM MÃO CRIMINOSA" (Octávio Machado, Presidente Bombeiros Vol. Palmela)
CM – Há muito tempo que não se via incêndios de tão grande dimensão na Margem Sul.
O.M. – Sim. Já não estava habituado e causa-me algum espanto. As condições meteorológicas ajudam a explicar e o facto de terem aparecido dois focos, o que indicia mão criminosa. Mas há muito a fazer em termos de planeamento florestal. (...)

17 de jul. de 2009

"Contas são contas"

Em artigo de opinião hoje publicado no jornal 'Nova Morada', o candidato do PS à Câmara Municipal de Sesimbra, Américo Gegaloto, mostra-se incomodado com a utilização comum, em documentos oficiais (e nas mais diversas circunstâncias, acrescentaria eu), da expressão "o actual executivo, de maioria CDU". O candidato socialista esclarece que o executivo camarário tem apenas 3 elementos da CDU, outros 3 do PS e um do PSD.
De facto, assim é. Mas a confusão parece ser generalizada e (acrescento eu) justificada. O candidato, bem como os 3 elementos do PS que integram o executivo camarário, deveriam questionar-se a si próprios sobre o porquê desta confusão, que agora tanto os incomoda. Não é de um dia para o outro que se contraria uma ideia que se foi instalando, tranquila e calmamente, desde há 4 anos, certo?
Até em recente entrevista à 'Sesimbra FM' o candidato do Bloco de Esquerda à Câmara, Carlos Macedo, teve de corrigir uma pergunta da jornalista que referia, precisamente, essa "maioria comunista" que governa a Câmara. Estranho? Talvez não.
Como diz, no seu artigo de opinião Américo Gegaloto, "contas são contas". Está certo. E oposição tem sido oposição?